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4. RELATÓRIO DO TRABALHO DE CAMPO

4.6. TRABALHO DE CAMPO

As coletas foram realizadas no próprio local de trabalho dos policiais. Os PM de Cascavel foram avaliados na sede e os demais em suas respectivas cidades, nas companhias e destacamentos. As coletas foram realizadas sempre no período da manhã, as terças, quartas e quintas-feiras, sendo previamente agendadas e organizadas pelo policial responsável no acompanhamento do projeto, convocando em torno de 20 PM por dia.

Os deslocamentos da equipe para as demais companhias e destacamentos foram realizados com motorista e carro da corporação e seguiu exatamente as mesmas padronizações de avaliação da sede (Cascavel).

Em cada turno de coleta, sempre havia a presença de uma das docentes responsáveis pelo projeto, uma nutricionista, três a cinco estagiários de nutrição e a técnica de enfermagem. Na fase da coleta de sangue, incluiu-se na equipe a técnica de enfermagem do laboratório responsável pelos exames bioquímicos.

Entre as dificuldades encontradas para a realização deste projeto, destacam-se o deslocamento da equipe para as demais companhias e destacamentos, a falta de paciência dos policiais em responder os inquéritos alimentares, os diversos retornos da equipe para a realização da coleta devido ao não-comparecimento dos policiais nos horários pré-agendados para avaliação e, por fim, a coordenação e supervisão de 24 acadêmicos, estagiários voluntários do projeto.

Relatório do Trabalho de Campo 38

O trabalho de campo foi dividido em quatro fases, descritas a seguir:

4.6.1. Fase 1

Dezembro de 2005:

levantamento do contingente total do 6º BPM, totalizando 358 policiais, aprovação do comando para realização do projeto e contato com o laboratório conveniado da corporação para realização dos exames bioquímicos;

reuniões com os PM para orientação sobre o projeto.

4.6.2. Fase 2

Primeiro quadrimestre de 2006:

apresentação individual do projeto aos PM e assinatura do termo de consentimento livre esclarecido;

levantamento dos dados pessoais e realização de um recordatório alimentar de 24 horas;

avaliação da pressão arterial e avaliação antropométrica que incluiu peso, altura e circunferência da cintura;

orientação por escrito sobre o preparo para bioimpedância e exame de sangue para o próximo encontro;

Relatório do Trabalho de Campo 39

4.6.3. Fase 3

Segundo quadrimestre de 2006:

reavaliação do peso para realização da bioimpedância; coleta de sangue para realização dos exames bioquímicos; coleta de mais um recordatório alimentar de 24 horas; nova avaliação da pressão arterial;

total de avaliações: 280 (78,2% do contingente).

4.6.4. Fase 4

Terceiro quadrimestre de 2006:

realização do último recordatório alimentar de 24 horas; nova avaliação da pressão arterial;

entrega dos resultados dos exames bioquímicos;

orientação alimentar de acordo com as alterações encontradas;

orientações para o excesso de peso e hipertensão arterial, se presentes; encaminhamento para acompanhamento médico e nutricional.

Referências 40

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Artigo 1 48

6. ARTIGO 1

NUTRIÇÃO E SÍNDROME METABÓLICA EM POLICIAIS MILITARES DO OESTE DO PARANÁ

Resumo

Introdução: A síndrome metabólica (SM) é um transtorno complexo que associa fatores de risco cardiovasculares bem estabelecidos. A ingestão alimentar tem sido associada a SM, no entanto, o papel da dieta em sua gênese não é bem compreendido.

Objetivo: Verificar a prevalência de SM e seus componentes relacionando-os à ingestão alimentar em Policiais Militares da região oeste do Paraná.

Métodos: Foi analisada a circunferência da cintura, a pressão arterial, a glicemia em jejum, o triacilgliceróis, o HDL-colesterol e a ingestão alimentar de 280 Policiais Militares, do gênero masculino, de 21 a 50 anos, do oeste do Paraná. A SM e seus componentes seguiram os critérios do NCEP-ATPIII adaptados pela IDBSM. Utilizou-se de três recordatórios alimentar de 24h para análise da ingestão dos carboidratos, proteínas, gorduras, fibras, vitaminas A, C, E, D, B12, B9 e cálcio. Comparou-se a média da ingestão de nutrientes entre os policiais com e sem SM e seus componentes.

Resultados: Encontraram-se 69 (24,6%) casos de SM. Dentre os componentes da SM, os mais prevalentes foram a hipertrigliceridemia, HDL-colesterol baixo e hipertensão arterial. Houve alta prevalência de inadequação dos micronutrientes analisados. Policiais com circunferência da cintura aumentada ingerem mais energia (p<0,001), carboidratos (p=0,02), fibras (p=0,04), proteínas (p=0,002) e gorduras totais (<0,01). Policiais com SM apresentaram maior ingestão energética (p=0,03). A ingestão média de vitamina D foi menor nos grupos: circunferência da cintura aumentada (p<0,05), hipertrigliceridemia (p<0,05), hipertensão arterial (p=0,04) e presença de SM (p<0,05).

Conclusão: Os policiais militares apresentaram ingestão deficiente dos micronutrientes estudados. Apesar da limitação do corte transversal do presente estudo, os resultados sugerem que a SM nesta população pode estar relacionada com ingestão excessiva de energia e baixa ingestão de vitamina D. É necessária maior atenção ao estado de saúde e ingestão alimentar desta população avaliada, que é responsável pela segurança da população brasileira.

Palavras-chaves: Síndrome Metabólica. Consumo de alimentos. Antioxidantes. Policiais.

Militares.

Artigo 1 49

NUTRITION AND METABOLIC SYNDROME IN MILITARY POLICE OFFICERS IN WESTERN REGION OF PARANÁ

Abstract

Introduction: The metabolic syndrome (MetSyn) is a complex disorder that is related to well-established cardiovascular risk factors. The food intake has been associated with MetSyn, however, the role of diet in its origin is not well understood.

Objective: To investigate the prevalence of MetSyn and its components relating them to the food intake of the Military Police Officers in the Western region of Paraná.

Methods: We analyzed the waist circumference, blood pressure, fasting glucose, triglycerides, high-density lipoprotein (HDL) cholesterol and dietary intake of 280 military police officers, male, 21 to 50 years in Western Paraná. MetSyn and its components were defined by NCEP-ATPIII adapted by IDBSM. We used three 24-hour food recalls for analysis of intake of carbohydrates, proteins, fats, fiber, vitamins A, C, E, D, B12, B9, and calcium. We compared the nutrient intake average between officers with and without

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