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CAPÍTULO II – ABORDAGEM BASEADA NAS ROTINAS

2.4. Trabalho em equipa

Carvalho et al. (2018) referem três tipos de modelos de trabalho em equipa, que evoluem do menos integrado para o mais integrado, quanto ao modo como os profissionais atuam e interagem entre si (Figura 11).

Modelo multidisciplinar

Os vários profissionais de áreas diferentes atuam de forma paralela e separadamente com a criança, em função dos défices avaliados.

Modelo interdisciplinar

Intervenção simultânea dos vários profissionais com planos de intervenção separados, havendo alguma partilha de informação entre eles.

Modelo transdisciplinar

Plano de intervenção elaborado pela equipa de profissionais e pela família (fazendo esta parte integrante da equipa) havendo apenas um profissional que apoia a família na implementação do plano, tendo os outros profissionais com apoio de retaguarda.

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Figura 11 – Forma como os profissionaisinteragemnos diferentes modelos (Almeida, Breia e Colôa, 2005; Shelden e Rush, 2013, Carvalho et al., 2018, adaptação)

São, sem dúvida, formas de trabalhar muito diferentes (Quadro 6), dependendo da equipa e do modelo implementado, sendo importante que os profissionais que se insiram numa equipa percebam claramente o funcionamento de cada modelo e o que os diferencia (Carvalho, et al., 2018)

Quadro 5 - O que diferencia uma perspetiva multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar, no processo de avaliação e intervenção (Carvalho, et al., 2018)

Equipa Multidisciplinar Equipa Interdisciplinar Equipa Transdisciplinar Processo de avaliação Elementos da equipa

fazem avaliações separadas

Elementos da equipa fazem avaliações por área de disciplina e partilham resultados Os profissionais e família conjuntamente planeiam e conduzem uma avaliação abrangente Desenvolvimento do plano de intervenção precoce (PIIP)

Planos separados por disciplina

Os elementos da equipa definem objetivos em separado por área disciplinar e partilham o seu plano com o resto da equipa, podendo integrar um plano do serviço ou equipa Os profissionais e a família desenvolvem um plano de intervenção baseado nas preocupações, prioridades e recursos da família Implementação do plano individualizado de intervenção precoce Cada profissional implementa o seu plano separadamente de acordo com a sua especialidade

Cada profissional implementa a sua parte do plano e incorpora outras áreas se possível

Um elemento (o mediador de caso) fica responsável pela implementação do plano com a família

As equipas das ELI atuam segundo o modelo transdisciplinar (Quadro 7), onde um dos elementos da mesma é escolhido como mediador de caso, mantendo uma interação consistente com a família e a criança, com o apoio de retaguarda dos restantes elementos da equipa. Assim, os elementos da equipa devem trabalhar de forma colaborativa para

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responder a todas as necessidades da criança e da família, comprometendo-se a ensinar, trabalhar e aprender para além das fronteiras das diferentes áreas de atuação (Carvalho et al, 2018). Este modelo de prestação de serviços estabelece que o trabalho desenvolvido pelos profissionaisaborda não só asáreas tradicionalmente abrangidas pela sua própria disciplina, mas também as áreas normalmente abrangidas por outros profissionais (McWilliam, R. A, 2003; McWilliam, R. A, 2012).

Quadro 6 - O que diferencia uma perspetiva transdisciplinar, multidisciplinar e interdisciplinar no funcionamento da equipa (Carvalho, et al., 2018)

Equipa Multidisciplinar Equipa Interdisciplinar Equipa Transdisciplinar Filosofia Os elementos da equipa

reconhecem os contributos de outras disciplinas como importantes Os elementos da equipa desenvolvem o seu próprio programa de forma separada, como sendo uma parte do plano de intervenção, embora trocando alguma informação

Compromisso dos elementos da equipa, entre si, de ensino, aprendizagem e trabalho conjunto, ultrapassando as fronteiras disciplinares para implementarem um plano de intervenção unificado Participação das famílias A família encontra-se individualmente com diferentes elementos da equipa A família pode encontrar-se com a equipa ou com um representante A família é membro pleno e ativo da equipa e participa em todas as fases do processo Formas de comunicar entre os elementos da equipa Geralmente de forma informal Reuniões periódicas da equipa para estudo de caso Reuniões de equipa regulares: partilha e troca de informação, de conhecimentos e de competências entre os elementos da equipa.

Mcwilliam (2010) refere que a consultoria é um método de apoio técnico, de forma a envolver decisões conjuntas entre o consultor e a família/cuidador. A consultoria poderá

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existir em avaliações, bem como no planeamento de intervenção e ao longo da mesma. Este autor divide ainda os profissionais em generalistas e em especialistas, em que os primeiros referem-se a educadores de infância, psicólogos, técnico superior de serviço social, entre outros, que integram uma grande variedade de necessidades do desenvolvimento e comportamento da criança e da família. Os profissionais especialistas, Terapeutas da Fala, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas, focam-se numa área especifica do desenvolvimento e funcionamento da criança. Estes trabalham com a criança nas atividades do dia a dia, integrando as estratégias implementadas, de forma a atingir os objetivos e promover o desenvolvimento das crianças (Guralnick, 2005a; McWilliam, 2010).

Nesta abordagem a intervenção não se faz através de apoios especializados e terapias em contexto clínico de forma direta com as crianças, mas sim de forma integrada nos contextos naturais, tendo o foco nas atividades de vida diária, em que o mediador de caso intervém segundo o modelo de consultoria colaborativa com os pais e educadores (Carvalho et al., 2018). A colaboração é um meio para alcançar os objetivos que não poderão ser atingidos quando se atua de forma separada (Bruner, 1991). Uma colaboração eficaz dos serviços e dos recursos da comunidade, tem como premissas uma prestação de serviços mais adequada às necessidades e prioridades da família, através de serviços mais abrangentes, coordenados e integrados; a obtenção de resultados mais duradouros; potenciar e otimizar os recursos da comunidade, havendo uma maior cobertura de crianças apoiadas e adequar as intervenção aos recursos e necessidades da comunidade (Bruder e Bolonha, 1999; Marques, 2014). Estes recursos poderão ser ativados tendo em conta algumas especificidades de etiologia das crianças inseridas do SNIPI que deverão ser salvaguardadas intervenções ou apoios complementares de alguns serviços especializados na comunidade.

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CAPÍTULO III – O TERAPEUTA DA FALA NA ABORDAGEM BASEADA

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