2.1.2 Organizações Universitárias
2.3.2.3 Trabalho em Equipe
Não se admite mais, nos dias de hoje, na maioria das organizações, trabalhos individualizados. Muito se lê e ouve de que quando existem pessoas trabalhando juntas alinhadas em prol dos mesmos objetivos, os índices de sucesso são imensamente maiores do que pessoas trabalhando individualmente, cada um com uma função, na busca por um resultado maior para a organização. Portanto, vale apostar neste diferencial do trabalho em equipe, investindo em capacitações e valorizando trabalho nesta linha de desenvolvimento das equipes de trabalho.
34
“No ambiente de trabalho supõe-se que a interação se dê de acordo com um esquema inteligível de ação, isto é, que as pessoas façam o que se espera delas. Entretanto, as pessoas nem sempre fazem ou dizem o que é esperado, e deixam as outras surpresas e confusas com algumas de suas respostas e atos”. (MOSCOVICI, 2001, p.29). Se isso ocorre no nível individual, no coletivo essa percepção ainda é mais complexa. Portanto, a atuação em equipe é algo que desafia os pensadores a reflexão, os quais tem diferentes percepções sobre este assunto.
Parker (1995, p. 31) ressalta o trabalho estratégico de equipes, para que consigam evoluir a ponto de visualizarem o resultado final e não a forma como chegar lá, estão neste estágio, quando “veem que a estratégia para vencer era o trabalho em equipe entre as pessoas de diferentes setores da empresa, todos empenhados em servir ao cliente.” Isso pode ser aplicado nos mais variados tipos de empresas.
Pode-se observar o que descreve Gramigna (2007, p.98) sobre o aproveitamento de potenciais em evidência na formação de equipes multidisciplinares e complementares. “As competências reunidas ampliam as possibilidades de alcançar os resultados pretendidos em um prazo menor e com menos esforço.” Complementa que “é gratificante participar de equipes que possuem moral elevado, compostas por pessoas empreendedoras, criativas, entusiasmadas, colaboradoras, que gostem do que fazem, que vibram com seus sucessos e se apoiam em momentos de crise.”
Segundo a mesma autora,
“as vantagens da formação de equipes por competências são: que a estratégia contribui para o aprendizado coletivo, pois a troca de informações e de experiências quando as pessoas trabalham juntas; - O apoio dos mais talentosos influencia a atuação dos que tem alguma dificuldade; - A gestão do conhecimento torna-se parte da cultura do grupo; - Estimula-se a cooperação, diminuindo a prática de competição interna entre os profissionais; - O cliente é atendido de forma personalizada e qualitativa; - A estratégia contribui para o aumento da produtividade e melhoria do clima de trabalho; - A imagem passada é de uma equipe imbatível. Se não podemos contratar gênios, podemos construir uma equipe genial.” (GRAMIGNA, 2007, p.234)
Sobre o perfil de excelência, afirma ainda que “é possível aproveitar os talentos internos, identificando domínios de potenciais nas pessoas. Primeiro define as exigências e respectivos indicadores de excelência. O segundo passo é identificar as pessoas que melhor dominam cada uma das exigências.”
35
Moscovici (2001, p.5) fala que “o futuro pertence a organizações baseadas em equipes” e revela que é possível a transformação de grupo em equipe. “Um grupo transforma-se em equipe quando passa a prestar atenção à sua própria forma de operar e procura resolver problemas que afetam seu funcionamento. A transformação de um grupo em equipe passa, necessariamente, pela frustração sistemática dos pressupostos básicos: nem importância, nem onipotência, mas interdependência; nem ataque, nem evasão, mas diálogo; nem cúmplices, nem adversários, mas co-laboradores.”
Para Moscovici, (2001, p.12) “os conflitos são inerentes à vida em grupo, portanto conflito não pode ser encarado como algo negativo. É apenas uma dinâmica interpessoal que pode revelar o amadurecimento do grupo e o grau de intensidade que o modo como é enfrentado e administrado. Inclusive pode ter uma visão positiva quando rompe o equilíbrio da rotina, desafia a acomodação de ideias e posições, desvenda problemas escondidos, aguça a percepção e o raciocínio, excita a imaginação e estimula a criatividade.” Frizza ainda que “alguns conflitos não podem mesmo serem resolvidos, uma vez detectados a situação real de importância, uma decisão prática prevalece: manter o conflito, bem delineado e compreendido, sob controle de ambas as partes. Isso é preferível a insistir em esforços estéreis e desgaste emocional inócuo.” (MOSCOVICI, 2001, p.12).
Quando se fala em desenvolvimento de equipes, pode-se classificar os estágios de desempenho conforme o modo de funcionamento:
a) Pseudo-equipe – não se preocupa com o desempenho coletivo. As interações inibem o desempenho individual, sem produzir nenhum ganho coletivo apreciável.
b) Grupo de trabalho – partilham informações, mas responsabilidade, objetivos e produtos pertencem a cada indivíduo.
c) Equipe potencial – quer trabalhar conjuntamente mas precisa de orientações e esclarecimentos constantes.
d) Equipe real – pessoas com habilidades complementares e comprometidas, através de missão e objetivos comuns. Confiança mútua. e) Equipe de elevado desempenho – membros profundamente comprometidos com o crescimento e sucesso de cada um. Supera o desempenho e consegue resultados muito além das expectativas. (KATZENBACH e SMITH 1993, apud MOSCOVICI, 2001, p.14)
Neste caso, o papel do gestor é preponderante e logo deve entrar em ação e propor e implementar o desenvolvimento de equipe (DE), que “pressupõe mudanças significativas pessoais e interpessoais de conhecimentos, sentimentos, atitudes, valores, motivação, postura, comportamento. É uma atividade de educação permanente e não de tempo limitado. Porém um só evento não caracteriza um processo de DE nem produz os resultados desejados, independente da denominação que receba. O desafio constante é
36
desenvolver um processo de integração entre as diversas unidades de trabalho, preservando porém suas diferenças funcionais e potencializando seus esforços, energia e competências para a produtividade global da empresa” (MOSCOVICI, 2001, p.17).
Seguindo nesta linha, quando se detecta um problema em equipes com potencial capacidade de atuação em conjunto, vale o investimento em desenvolvimento de equipes, utilizando-se de todos os recursos necessários para que a equipe atue com alto grau de excelência. Pois além da alta performance que pode vir como resultado, também ocorre um incremento na efetividade do grupo que passará a atuar colaborativamente para alcançar qualquer resultado que lhe for cobrado.