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Trabalho e Estranhamento

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CAPÍTULO II: A ONTOLOGIA DO SER SOCIAL DE LUKÁCS

2.5. Trabalho e Estranhamento

Neste item seguiremos acompanhando a exposição de Lessa (2002b) e trataremos da categoria estranhamento em Lukács sem realizar uma abordagem que a esgote. Nossa pretensão é relacioná-la com a categoria que para Lukács é fundadora do ser social – o trabalho.

Para Lukács, entre a categoria de estranhamento e o trabalho “(...) se interpõe uma densa malha de mediações sociais que desempenham um papel decisivo em sua consubstanciação a cada momento histórico” (Lessa, 2002b:154). Para ele, assim como para Marx, o estranhamento surge para além da esfera da troca orgânica homem-natureza, situa-se na esfera da sociabilidade humana, das relações entre dos homens entre si. Logo é uma categoria que só se explicita na esfera da reprodução social. Ao tratarmos da categoria trabalho, realizamos uma análise com um nível alto de abstração. Por isso ao buscarmos as relações entre estranhamento e trabalho, só teremos “(...) alguns momentos nos quais, a partir da reprodução social, os estranhamentos se conectarão com o trabalho” (ibid.). Além disso, teremos “(...) os fundamentos últimos que,

82 embora não constituam os estranhamentos historicamente determinados, abrem a possibilidade ontológica de suas efetivações” (ibid.).

Lessa (ibid.), explica que:

Do ponto de vista das categorias internas ao trabalho (teleologia, objetivação, exteriorização e causalidade, para ficar apenas nas mais gerais), o estranhamento encontra seu fundamento em dois momentos: 1) o insuperável caráter de contraditoriedade do devir-humano dos homens e 2) os valores e processos valorativos”. Lukács, em ‘O Trabalho’, inicia por estes últimos.

O próprio Lessa, acertadamente adverte que o fato de Lukács iniciar sua análise do estranhamento pelos valores, não significa que ele advogue em favor de uma perspectiva moralista ou eticista. Para Lukács80 o estranhamento não pode se limitar à esfera valorativa ou da individualidade. Lessa (ibid., p. 155) defende que para Lukács “(...) os processos de estranhamento são determinações objetivas do mundo dos homens. Tal como toda as determinações objetivas, também os estranhamentos mantêm uma relação muito mutável com a consciência”. Há casos limites nos quais os estranhamentos ocorrem sem que os homens tenham consciência deles, entretanto, isto não impede que estes mesmos estranhamentos ajam sobre as posições teleológicas que serão objetivadas. Daí, conclui Lessa (ibid.) que “A consciência do estranhamento não é conditio sine qua non para que ele interfira nos processos de individuação e na escolha dos valores a serem objetivados nos atos singulares”.

Para Lukács os valores, como vimos, são momentos da posição teleológica do indivíduo criador. Os valores têm existência real no ser social e atuam concretamente ainda que o indivíduo não tenha consciência deste fato81. Entretanto, tal situação é o caso particular do caso mais

80 Há várias passagens em que esta posição é explicitada por Lukács, vejamos pelo menos uma:

“Ciò vale per tutte le forme di estraniazione, sia per quelle che si presentano direttamente come economico-sociale, sia per quelle la cui forma di manifestazione immediata è ideologica (religione), quantunque anche queste e analoghe forme di estraniazione siano in ultima analisi, per quanto con ampie mediazioni, fondate nella società. Ma forse no è azzardato affermare che in queste ultime le decisioni personali hanno un peso maggiore. Non va tuttavia dimenticato che anche le decisioni che nell’immediato sono puramente personali si sviluppano entro rapporti sociali concreti, sono risposte a domande che salgono di qui. Ma nonostante questo indissolubile intreccio del sociale con il personale, il fatto che una decisione alternativa scaturisca direttamente da motivi personali oppure sia determinata, determinativamente intenzionata, dalla società già nell’immediato, ha un’importanza oggetiva anche per la sua valutazione sociale. Occorre dunque esaminare tali questioni nella loro complessità concreta. La contraddizione dialettica fra sviluppo delle capacità e sviluppo della personalità, cioè l’estraniazione, non abbraccia mai, nonostante la sua rilevanza, l’intera totalità dell’essere sociale dell’uomo, e d’altra parte essa non si riduce (salvo che nelle deformazioni soggettivistiche) a una antitesi astratta fra soffettività e oggettività, fra uomo singolo e società, fra individualità e socialità. Non vi è nessun tipo di soggettività che nelle radici e determinazioni piú profonde del suo essere non sia sociale. E lo dimostra in modo inconfutabile l’analisi piú elementare dell’essere dell’uomo, del lavoro e della prassi” (1981:568-569).

81 Nas palavras de Lukács (1981:95):

“Ogni valore, autentico, è dunque un momento importante in quel complesso fondamentale dell’essere sociale che noi chiamiamo prassi. L’essere dell’essere sociale si conserva come sostanza nel processo di riproduzione; quest’ultimo però è un complesso e un sintesi di atti teleologici, i quali di fatto si collegano alla accettazione o al rifiuto di un valore. Cosicché in ogni porre pratico viene intenzionato – positivamente o negativamente – un valore, il che potrebbe fa ritenere che i valori non sinao altro che sintesi di tali atti. Dove l’unica cosa giusta è che i valori non potrebbero acquisire una rilevanza ontologica nella società se non diventassero oggetti di tali posizioni. Tuttavia questa condizione, che deve intervenire affinché il valore si realizzi, non è identica alla genesi ontologica di questo. La fonte vera di tale genesi è invece l’ininterrotto cambiamento della struttura dell’essere sociale, ed è da tale cambiamento che scaturiscono direttamente le posizioni che realizzano il valore. Come abbiamo visto, una verità fondamentale della concezione marxiana è che gli uomini fanno da sé la propria storia, ma non possono farlo in

83 genérico em que “(...) a consciência (em última análise, sempre a consciência historicamente determinada de indivíduos concretos) é uma mediação ineliminável na reprodução de todo e qualquer complexo social” (ibid., p. 155-156). O estranhamento, assim como todas as categorias sociais “apenas pode surgir e se reproduzir tendo por mediação atos teleologicamente postos” (ibid., p. 156). É por este motivo que ao abordar a relação entre o estranhamento e a consciência, Lukács parte dos valores. Pois “(...) na análise ainda ‘abstrata’ do trabalho, é pela esfera valorativa que os estranhamentos atuam na conformação do pôr teleológico, e não porque conceba os estranhamentos com fenômeno essencialmente valorativo” (ibid.).

No item 2 (“Il Lavoro come Modelo della Prassi Sociale) do capítulo “Il Lavoro” de “Per l’Ontologia dell’Essere Sociale”, Lukács associa os valores às escolhas dentre alternativas que o indivíduo é levado a realizar ao longo de sua vida e de seu vir a ser que se desdobra geneticamente a partir do pôr teleológico inerente ao ato de trabalho. Assinala, nosso autor que com a superação do comunismo primitivo e o advento da sociedade de classes,

(...) le decisioni di ogni membro della società relative allá propria vita vennero ad essere fortemente determinate dall’appartenenza a una classe e dalla partecipazione alla lotta fra le classi. Cosicché, non appena il contenuto delle alternative va oltre il ricambio organico della società con la natura, si apre uno spazio per fenomeni conflittuali. Allora le alternative il cui objettivo è la realizzazione di valori molto spesso assumono persino la forma di irrisolvibili conflitti fra doveri, in quanto il conflitto non si svolge semplicemente fra il riconoscimento di un valore come ‘che cosa’ e il ‘come?’ della decisione, ma si presenta nella prassi come conflitto fra valori concreti, concretamente in vigore; l’alternativa sta nella scelta fra valori che si contestano l’un l’altro. Sembra dunque che il nostro ragionamento ci conduca indietro alla concezione tragico-relativistica, qui già ricordata, di Max Weber, secondo la quale questo irrisolubile pluralismo conflittuale dei valori è la base della prassi umana entro la società (1981:94).

Conforme observa Lessa (2002b:156), mais do que criticar Weber, Lukács parece interessado em ressaltar “o fundamento socioontológico dos conflitos valorativos que expressam os conflitos de classe”. Por este motivo é que Lukács (ibid., p. 95) diz que o processo de reprodução82 “(...) è un complesso e una sintesi di atti teleologici, i quali di fatto si collegano alla accettazione o al rifuto di un valore”. E um pouco antes ele afirma que “Ogni valore autentico è dunque un momento importante in quel complesso fondamentale dell’essere sociale che noi chiamiamo prassi”. Adiante, ele acrescenta que “(...) in ogni porre pratico viene intenzionato – positivamente o negativamente – un valore, il che potrebbe fa ritenere che i valore non siano altro che sintesi sociali di tali atti”. Ou seja, ainda com Lessa (ibid., p. 157) a ação real dos valores no processo de reprodução social só é possível quando eles se apresentam nas posições teleológicas necessárias aos processos de objetivação. “Sem essa sua inserção na práxis os valores carecem de toda e qualquer existência social efetiva”.

circonstanze scelte da loro. Gli uomini rispondono da sé – piú o meno consapevolmente, piú o meno giustamente – alle alternative concrete che sono loro poste ogni volta dalle possibilità dello sviluppo sociale. E qui è già implicito il valore. Non v’è dubbio, per esempio, che il dominio dell’uomo sui propri affetti come portato del lavoro sia un valore, ma questo dominio è già contenuto nel lavoro stesso; può quindi diventare socialmente reale senza assumere per forza subito una forma consapevole e affermarsi come valore nell’uomo che lavora. È un momento dell’essere sociale e per questo esiste e agisce realmente anche quando non giunga affatto o giunga solo parzialmente alla coscienza”.

84 Com este movimento, lembra-nos Lessa (ibid.), Lukács faz da práxis o “solo dos valores” e afasta-se das concepções idealistas sobre os valores e os processos valorativos. Para ele, segundo Lessa (ibid.), os valores “(...) surgem e cumprem sua função social ao intervir no processo de escolha entre alternativas” que é um momento ineliminável da determinação da posição teleológica. Ou seja, não há valores fora da práxis social, eles são parte da relação entre teleologia e causalidade que é uma relação própria e específica do ser social. Assim, Lukács se afasta das posições que vêem o processo histórico como que teleologicamente orientado por valores, e das posições “que enxergam nos valores categorias que podem atuar sobre a história

do exterior da práxis social concreta” (ibid.).

Entretanto, a “relevância ontológica” do valor é distinta da sua “gênese ontológica”. A “relevância ontológica” é obtida na participação do valor no processo de objetivação, na conexão do valor com a posição teleológica. Já sua “gênese ontológica” é “(...) l’ininterrotto cambiamento della struttura dell’essere sociale, ed è da tale cambiamento che scaturiscono direttamente le posizioni che realizzano il valore” (Lukács, 1981:95). Ainda que a categoria trabalho seja a categoria fundante dos valores, a gênese destes não se encontra no trabalho, na relação entre práxis e valores. Mas na mudança ininterrupta do ser social.

Para compreender esta afirmação é preciso retomar, com Lessa (ibid.), que para Lukács o trabalho é a categoria fundante do ser social. Que é graças a ele que é possível o salto ontológico que origina o ser social a partir do ser natural e o posterior desdobramento da sociabilização, da complexificação do ser social e o respectivo afastamento das barreiras naturais. Mas, como já tratamos anteriormente, disto Lukács não conclui que toda categoria social possa ser deduzida a partir do trabalho. Para Lukács, entre o trabalho e a totalidade social há a intermediação de um conjunto de categorias que constituem a categoria mais ampla de reprodução social, sendo esta categoria de reprodução social uma “complexa síntese (...) dos atos singulares dos indivíduos singulares em totalidade” e que é o locus da “ (...) determinação do concreto desdobramento do ser social em cada momento histórico” (ibid., p. 158). Assim Lessa nos diz que a particularidade específica de cada momento histórico é dada pela categoria de reprodução social e não pela categoria trabalho.

Voltando à questão da gênese ontológica dos valores, temos que a categoria reprodução social esclarece que “na gênese de cada valor e processo valorativo, permeiam outras mediações que não são em si redutíveis ao trabalho enquanto tal” (ibid.). Os valores só podem existir a partir do trabalho, mas ao mesmo tempo o trabalho sozinho é insuficiente para garantir a concretização dos valores. Esta concretização particularizadora só pode vir a ser a partir do complexo processo de reprodução social. Lessa (ibid., p. 159) nos lembra que é exatamente isto o que “complexos sociais como a estética, a moral, o direito e a ética” requerem. Daí ele conclui que:

É essa situação que permite a Lukács assinalar que: 1) entre o fundamento ontológico dos valores e a gênese de cada um deles há uma diferença fundamental, que reflete as distinções e conexões que, no plano do ser, articulam trabalho e reprodução social; e 2) se valores surgem espontaneamente na práxis social, mesmo que não se tenha consciência desse fato, não menos verdadeiro é que a forma dessa atuação e o conteúdo dos valores dependem diretamente da consciência que os homens têm de sua própria história; para sermos breves, do grau de desenvolvimento do ser-para-si do gênero (ibid.).

85 Daí Lessa dizer que o que vai distinguir os valores, para Lukács, não é o conteúdo formal dos mesmos. Mas “(...) a relação que eles desdobram com o processo reprodutivo como um todo” (ibid.). Não se pode desconsiderar que esta relação só pode ocorrer “(...) na presença dos conteúdos e das formas historicamente determinadas dos valores (...)”. Pois do contrário se buscarmos a particularidade da presença dos valores em cada situação histórica a partir da formulação ou do conteúdo dos valores, incorreríamos no “(...) equívoco idealista de converter os valores em verdadeiros sujeitos da história” (ibid.).83

Os valores e os processos valorativos para Lukács, conforme nos diz Lessa (ibid., p. 160) funcionam como mediação ao processo complexo “(...) de produção do novo a partir do patamar de desenvolvimento das capacidades humanas (forças produtivas etc.) já atingido. O valor em sua objetividade histórica é parte orgânica (...) desse complexo, contraditório e desigual processo de explicitação categorial do mundo dos homens”. Assim é que para Lukács (ibid., p. 97-98):

I valori, dunque, sono oggettivi perché sono parti motrici e mosse del complessivo sviluppo sociale. La loro contraddittorietà, il fatto incontestabile che essi vengono a trovarsi molto spesso in opposizione dichiarata con la propria base economica e anche tra loro, non conduce perciò in definitiva a una concezione relativistica dei valore, come pensa Max Weber, e ancor meno va in tale direzione

l’impossibilità di ordinare questi ultimi in un sistema gerarchico, in una tabella. La loro esistenza, che si manifesta nella forma di un dover-essere socialmente e fattualmente obbligante, alla quale è

necessariamente intrinseca la loro pluralità, con un rapporto recíproco che va dalla eterogeneità alla opposizione, è bensí razionalizzabile solo post festum, ma proprio in ciò esprime l’unitarietà

contraddittoria, l’ineguale univocità del complessivo processo storico-sociale. Nella sua determinatezza oggetivo-causale questo forma una mossa totalita; giacché però viene costruito dal sommarsi causale di posizioni alternativo-teleologiche, ogni momento che immediatamente o mediatamente lo fonda o l’ostacola deve sempre essere fatto di posizioni alternativo-teleologiche. Il valore di queste posizioni è decisivo dalla loro vera intenzione, divenuta oggettiva nella prassi, intenzione che può dirigersi

all’essenziale o al contingente, a ciò che porta avanti o frena, ecc. Siccome nell’essere sociale tutte queste sono presenti e attive realmente, e siccome, perciò, esse producono nell’uomo che agisce alternative in diverse direzioni, diversi livelli, ecc., il fenomeno della relatività non è affatto causale. Esso contribuisce anche a far restare viva, almeno in parte, nelle domande e nelle risposte una tendenza alla autenticità. L’alternativa di una data prassi, infatti, non consiste sotanto nel dire ‘si’ o ‘no’ a un determinato valore, ma anche nella scelta del valore che forma la base dell’alternativa concreta e nei motivi per cui si prende quella posizione nei suoi confronti. Sappiamo: lo sviluppo economico dà la spina dorsale del progresso effetivo. I valori determinanti, che nel processo si conservano, sono perciò sempre – consapevolmente o no, immediatamente o con mediazioni, magari assai ampie – riferiti ad esso; tuttavia fa oggetivamente grande differenza quali momenti di questo processo complessivo sono oggetivo dell’intenzione e dell’azione di quella alternativa concreta. È per questa via che i valori si conservano nel complessivo processo sociale ininterrottamente rinnovantesi, per questa via essi, a loro modo, divengono parti integranti reali dell’essere sociale nel suo processo di riproduzione, elementi del complesso chiamato essere sociale.84

83

Lessa (2002b:159) prossegue argumentado que:

“Para Lukács, o que particulariza os complexos valorativos é o fato de as alternativas, inerentes ao pôr teleológico, apenas poderem vir a ser objetivadas se determinadas, de forma mais ou menos consciente, pelos valores (...). Contudo, não menos verdadeiro é que a realização efetiva dos valores é determinada pelo ‘complexo concreto das possibilidades reais de reagir praticamente à problematicidade de um hic et nunc histórico-social’”.

84 Nosso autor prossegue este parágrafo dizendo que:

“Nella sua determinatezza oggetivo-causale questo forma una mossa totalita; giacché però viene costruito dal sommarsi causale di posizioni alternativo-teleologiche, ogni momento che immediatamente o mediatamente lo fonda

86 Lukács, novamente com Lessa (ibid., p. 160), nos diz que os valores constituem um complexo social específico e que como todo complexo social é uma totalidade que é movida ou obstaculizada pelos atos sociais teleológicos alternativos. Assim é a reprodução social (“síntese historicamente determinada, dos atos singulares em totalidade social”) que causa a realização dos valores. No processo de escolha das alternativas que apresentam potencial de objetificação 85, pelo indivíduo singular, ocorre a opção “(...) pela objetivação de valores mais (ou menos) genéricos, pela elevação (ou pelo rebaixamento) do patamar já alcançado de generalidade humana”.

O valor, assim como toda categoria social, está diretamente correlacionado com a materialidade social da qual emana e na qual se insere. De tal forma que a concretização das potencialidades presentes nos valores em-si só pode ocorrer através do processo desigual e contraditório de avanço das formas de sociabilidade do homem. “Em outras palavras, o valor evolui de um primeiro momento meramente em-si para um momento para-si, no qual tanto os valores como os problemas neles expressos para o devir-humano dos homens se elevam à consciência em escala social” (Lessa, ibid., p. 161).

A conclusão sobre o fundamento ontológico último e a gênese dos valores é que os valores só podem surgir e, portanto, atuar sobre a história, a partir da objetivação do pôr teleológico que é inerente ao ato de trabalho – este é o fundamento ontológico dos valores. Entretanto, a gênese dos valores ocorre apenas dentro “(...) do contexto da mutável reprodução do mundo dos homens, é a alteração do conteúdo histórico-concreto de cada situação que funda a gênese dos valores e processos valorativos específicos a cada momento. (...) Portanto, se o trabalho é o fundamento ontológico dos valores, a gênese historicamente concreta de cada um deles se situa na esfera da reprodução social, mais especificamente no caráter sempre mutável do devir-humano dos homens” (ibid.).

Trataremos, agora, da relação entre os valores e o estranhamento. Tanto o valor como o estranhamento, radicam na reprodução social antes que na categoria trabalho. É na reprodução social que “(...) os valores podem ser portadores do estranhamento no processo de constituição da teleologia a ser objetivada” (ibid.). Pois o desenvolvimento social é necessariamente contraditório e isto se apresenta na “gênese dos valores” e tem por conseqüência que na práxis social surge a “(...) possibilidade de se desdobrar, (...), a contradição entre valores mais genéricos

o l’ostacola deve sempre essere fatto di posizioni alternativo-teleologiche. Il valore di queste posizioni è decisivo dalla loro vera intenzione, divenuta oggettiva nella prassi, intenzione che può dirigersi all’essenziale o al contingente, a ciò che porta avanti o frena, ecc. Siccome nell’essere sociale tutte queste sono presenti e attive realmente, e siccome, perciò, esse producono nell’uomo che agisce alternative in diverse direzioni, diversi livelli, ecc., il fenomeno della relatività non è affatto causale. Esso contribuisce anche a far restare viva, almeno in parte, nelle domande e nelle risposte una tendenza alla autenticità. L’alternativa di una data prassi, infatti, non consiste sotanto nel dire ‘si’ o ‘no’ a un determinato valore, ma anche nella scelta del valore che forma la base dell’alternativa concreta e nei motivi per cui si prende quella posizione nei suoi confronti. Sappiamo: lo sviluppo economico dà la spina dorsale del progresso effetivo. I valori determinanti, che nel processo si conservano, sono perciò sempre – consapevolmente o no, immediatamente o con mediazioni, magari assai ampie – riferiti ad esso; tuttavia fa oggetivamente grande differenza quali momenti di questo processo complessivo sono oggetivo dell’intenzione e

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