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2.2 Reflexos para os empregados

2.2.1 Trabalho flexível e sustentabilidade

Conforme problematiza Masi (1999, p. 226):

O caos urbano torna os cidadãos cada vez mais intolerantes com a vida metropolitana e com os deslocamentos cotidianos, que corroem de modo já intolerável o tempo livre, a economia, o equilíbrio psíquico. Torna-se cada vez mais clara a inutilidade do trabalho executado na unidade de tempo e de lugar do grande escritório centralizado; difunde-se a aspiração por uma gestão autônoma, flexível, subjetiva e descentrada do próprio trabalho; toma-se consciência das oportunidades cada vez mais revolucionarias oferecidas pelo progresso tecnológico, capaz, enfim, de tornar ubíquas as informações e de anular os vínculos espaço-temporais.

Compreende-se assim que, todos os dias, trabalhadores acordam pela manhã e marcham rumo ao seu trabalho, na hora do rush ocorre um caos pelas ruas e engarrafamento de veículos, um desperdício de tempo, de combustível, há liberação de gases poluentes advindos de veículos automotivos causando problemas relacionados à poluição, há superlotações em ônibus, metrôs e semelhantes, aumenta-se o estresse nas pessoas, potencializa a violência entre os cidadãos, “rouba” o tempo livre dos trabalhadores, diminuindo assim, tempo para o lazer, descanso, atividades de interesse particular.

A este conjunto de circunstâncias surge a necessidade de se criar soluções com o fim de resolver essa situação que causa grave tensão aos trabalhadores, a sociedade, solicitando-se maior flexibilidade, não só em termos de tempo, mas também de espaço.

Se refletirmos um pouco perceberemos que a tecnologia tem tido um papel de grande destaque na sociedade pós-industrial, pois modificou grande parte dos padrões antevistos na sociedade industrial. Nesta sociedade em que o trabalho esta se tornando cada vez mais do tipo intelectual a nova forma de exploração são as ideias.

As empresas alienam o empregado o mantendo apenas como instrumento que utiliza capacidades executivas, impedindo a criatividade e o aumento no nível de ideias, o tornando como um verdadeiro robô. Isso se sucede à má compreensão que se tem de que quanto maior tempo o funcionário passar no ambiente de trabalho, mais produtividade terá a empresa, ou seja, um discurso ilusório, pois a verdadeira produtividade e progresso advém das ideias produzidas, e ideias não tem tempo determinado para surgirem, podem aparecer a qualquer momento em qualquer situação.

Existe uma grande incongruência neste tocante porque prepara-se uma pessoa durante vinte anos para depois fazê-la executar algo que poderia ter aprendido em três meses. Assim, qualquer pessoa é capaz de desempenhar um trabalho físico, mas nada garante que todas possam ser capazes de ter ideias, e trabalharem primordialmente com a mente, num espaço e tempo precisamente determinados.

Stanford Research Institute (apud MASI, 1999, p. 179) diz que:

[...] a revolução eletrônica mudou o modo de cobrar impostos, de gerir os negócios, de empregar as próprias economias, de ensinar (e de aprender) na escola, de trabalhar na fábrica e no escritório; tem influenciado a maneira de se comunicar e de se divertir dos jovens, com o boom dos videojogos. Inovou o modo de escrever livros e jornais, de fazer cinema e espetáculos. Criou novas profissões e aposentou outras; desordenou setores econômicos inteiros, redesenhando o território competitivo das empresas.

Racionalidade, flexibilidade, precisão, segurança, beleza e rapidez é um novo paradigma de organização, em que as visões gerenciais, políticas e até estéticas da empresa terminam se encontrando. As novas tecnologias com sua penetrabilidade têm destruído os antigos limites entre os setores, atividades e critérios gerenciais. Através da utilização dos recursos tecnológicos e a partir dos resultados obtidos até o momento, pode-se finalmente derrubar as barreiras entre estudo, trabalho e lazer, conjugando estes três pólos em apenas um, indistintamente.

A referência da sociedade pós-industrial define-se, predominantemente, pela tecnologia eletrônica, com uma dose de trabalho criativo, um tipo de sociedade baseada no saber se contrapondo as concepções da sociedade industrial. O novo foco e/ou expectativa de uma nação para obter progresso se traduz em algumas palavras-chave, como: pesquisa cientifica, idealização de produtos, processos, estéticas, criatividade. Porém, enquanto houver essa falta de consciência acerca das variadas possibilidades que a tecnologia pode nos proporcionar, indubitavelmente, mais eficientes e expurgando os modelos ultrapassados, alienadores e ineficientes, padrões arcaicos, deformadores, infelizes e destruidores, verdadeiras pedras de tropeço no caminho ao progresso, tememos pelo aumento do desemprego e, junto com ele a ilegalidade e a violência.

Enquanto os sindicatos, fábricas e sociedade consideram oito horas diárias de trabalho o tempo necessário para se obter o salário digno e o poder aquisitivo, em contrapartida, os trabalhadores ficam inoperantes e obrigam muitos jovens no auge de suas aptidões a ficarem na margem do desemprego. Assim, se reduzíssemos as horas de trabalho, poder-se-ia aumentar as vagas e dar trabalho a mais pessoas.

Masi (1999, p. 226-227) ostenta que:

[...] seria legítimo pensar que o progresso científico, tecnológico e organizacional, a globalização, a escolarização, os mass media conduzam a um mundo mais feliz. Mas os seres humanos são capazes de torcer o sentido até mesmo das melhores inovações e condições. Assim, a redução do trabalho e reduzida em desocupação; o tempo livre é traduzido em consumismo, enfado, malandragem, violência; a longevidade é traduzida na inércia forçada da aposentadoria.

Em meados do final do século XIX e o início do século XX, como já fora ressaltado em momentos anteriores, ocorre uma transição com relação ao local onde realizar-se-á o trabalho. Assim, “[...] o local de vida foi separado do local de trabalho, a fábrica foi separa da casa, os homens das mulheres, os pais dos filhos” (MASI, 1999, p. 255). Isso obriga os trabalhadores, a todos os dias, chegarem em um determinado local e a um horário já previamente estabelecidos.

Depois de muitos e longos anos, o lavrador habituado com seus métodos e estilo de vida rudimentar, experimentou uma nova sensação até então inesperada, algo totalmente

inovador acontece, modificando não só seu trabalho, mas também seu modo de vida, ou seja, não trabalha mais em sua lavoura onde cultivava seu “progresso”; não trabalha mais ao lado da família, mas ao lado de estranhos; transportou-se para outro local; trocou a obediência ao pai pela de um chefe; trocou suas roupas com as quais se sentia perfeitamente confortável por roupas iguais as de seus colegas de trabalho; já não são mais conhecidos os destinatários dos quais vendia seus produtos; muitas vezes nem sequer sabendo para que servem determinados produtos que foram confeccionados por suas mãos (MASI, 1999).

Com o advento do crescente potencial das máquinas, da tecnologia e da intelectualização, ficou cada vez mais dispensável o atendimento a padrões de horários conservadores e locais de trabalho.

Diante disto, mais uma vez Masi (1999, p. 225) traz sua colaboração teórica acerca do tema:

[...] A quantidade e qualidade das ideias e bens produzidos são cada vez manos ligadas a um lugar e a um tempo fechados e precisos de produção; os novos meios de transporte e acima de tudo as novas tecnologias informáticas permitem, enfim, anular as distâncias e transformar o trabalho em teletrabalho, realizando (aqui e agora) o sonho antigo de ubiquidade, porque a matéria-prima do trabalho intelectualizado - a informação – é suscetível, por sua natureza, a máxima transferência em tempo real.

Umas das grandes vantagens obtidas pelo trabalho realizado em qualquer parte, principalmente o utilizado pelos sistemas de informações e tecnologias, é o de diminuir significativamente o caos urbano que se dá em razão do trânsito superlotado de automóveis e ônibus. Pois, todos os dias pessoas se dirigem aos seus respectivos trabalhos utilizando-se para isso através dos meios de transporte disponíveis, podendo ser automóveis, motos, ônibus etc. O que causa estresse, intolerância, violência, acidentes, mortes, problemas de saúde, poluição ao meio ambiente devido a grande emissão de gases poluentes provindos da queima de combustíveis utilizados por tais veículos, barulho ensurdecedor para aquelas pessoas que moram próximo, por exemplo, de avenidas super movimentadas.

O trabalho flexível é a habilidade de trabalhar em qualquer lugar e sempre que se precisa. Há numerosos benefícios para as organizações. Para os trabalhadores isso traz novas habilidades, acordos flexíveis, redução de viagens e melhor equilíbrio entre o trabalho e a

vida do empregado. Para os times de trabalho, ou seja, trabalho realizado por equipes, ferramentas on-line ajudam a compartilhar materiais, trabalham em progresso, mercado inteligente, conhecimento. Para as organizações isso implanta fontes mais dinâmicas, mantem os negócios em continuidade, redução de viagens, consequentemente, reduz custos, e interliga os empregados.

A possibilidade de trabalhar em qualquer lugar traria maior autonomia ao trabalhador, pouparia energia, como por exemplo, combustíveis, gerando, em contrapartida, menos poluição, reduziriam os congestionamentos no trânsito, a vida familiar tornar-se-ia mais afetuosa etc. Porém, para que isso seja possível e comece a alcançar o resultado almejado há, indubitavelmente, a necessidade de uma reorganização e uma reestruturação no âmbito do trabalho para reduzir efetivamente estes deslocamentos.

A flexibilização do trabalho poderia ser para o tempo integral ou, em alguns casos, esporadicamente. Poder-se-ia estipular acordos de flexibilização, onde, por exemplo, um dia o indivíduo chega ao local de trabalho em particular dia, um pouco mais atrasado, evitando, assim, o contato no momento em que o trânsito está mais pesado. Ou, então, poder-se-ia compartilhar as obrigações da casa e da vida familiar, por exemplo. Todavia, a flexibilização que pode dar certo no ambiente de uma fábrica, pode não trazer efeitos positivos no ambiente de um hospital, por exemplo. Desta maneira, a flexibilização do local de trabalho tem que ser flexível e adaptável para aquela particular comunidade e aquela particular organização.

O local de trabalho do futuro realmente esta aqui para endereçar como a tecnologia tem se tornado atualmente a espinha dorsal de todos os negócios. O século XXI pertence ao conhecimento do trabalhador e, a natureza do trabalho tem mudado, então, a ideia é que se pode ser produtivo em qualquer lugar, em qualquer tempo, sem ter que estar fisicamente ligado em um escritório. Contudo, o trabalho no século XXI tem se tornado um trabalho em equipe, onde as pessoas mantêm um espaço somente para se reunirem e socializarem seus projetos.

Estamos em um momento mais direcionado para a utilização de materiais eletrônicos, diminuindo a utilização de papéis, menos encadernações, o que de certa forma colabora com o meio ambiente. Trabalho flexível não é a coisa certa a fazer, é a coisa inteligente a se fazer no cenário mundial.

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