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10.3 Trabalhos publicados

10.3.6 Trabalhos de fim de curso

I Piedade, C. (2004) Monitorização de pragas em olivais tradicionais da margem esquerda do Guadiana. Relatório de Projecto do curso de Engenharia Agro-Pecuária, ramo: Regadio. ESAB, Beja, 67pp.

II Valverde, P. (2005) Medição e Modelação da Transpiração e Evapotranspiração em Olivais Regados. Trabalho de fim de curso de Engenharia dos Recursos Hídricos. Universidade de Évora, 92 pp.

11 OBJECTIVOS PROPOSTOS E ALCANÇADOS

Durante o período em que decorreu o projecto ocorreram alguns ajustes entre os objectivos propostos na fase de candidatura e os objectivos efectivos. Parte destes ajustamentos ficaram a dever-se a decisões de natureza técnica, no entanto, outros há que ficaram a dever-se a decisões de natureza económica. As actividades propostas, bem como os objectivos subjacentes foram totalmente concretizados. Importa referir que, parte das determinações laboratoriais foram realizadas na Universidade de Évora mas outras houve que foram realizadas no Laboratório de Solos da Estação Agronómica Nacional, de que se agradece aqui a contribuição.

Tarefa 1. Caracterização pedológica e hidrodinâmica do local de ensaio

Fase de Candidatura: O campo de demonstração foi instalado na Herdade dos Lameirões, concelho de Moura, com uma área de 4,7 hectares e 0,6 ha a regar. Antes da implantação dos campos de demonstração fez-se a caracterização prévia dos locais, incluindo as determinações físicas e químicas necessárias ao conhecimento dos solos e à correcta implantação do sistema de rega e dotações. Fez-se as seguintes determinações: textura, espessura efectiva; capacidade de água utilizável, condutividade hidráulica e infiltração, de acordo com as metodologias em uso no Departamento de Engenharia Rural da Universidade de Évora e no seu Laborátorio de Hidrologia e Hidráulica.

Tarefa 2. Instalação dos campos de demonstração

Fase de Candidatura: Como resultado dos estudos descritos na tarefa 1, foi instalado um sistema de rega gota-a-gota, para a condução das seguintes 8 modalidades, que constituirão os talhões de demonstração na Herdade dos Lameirões:

Modalidade 1- dotação de rega 1 (referência) sem tratamentos fitossanitários (dotação de referência, sem tratamentos fitossanitários.);

Modalidade 2 - dotação de rega 2 (30% abaixo da de referência) sem tratamentos fitossanitários (dotação deficitária, sem tratamentos fit.);

Modalidade 3 - dotação de rega 3 (30% acima da de referência) sem tratamentos fitossanitários (dotação em excesso, sem tratamentos fit.);

Modalidade 4 - dotação de rega 1 com tratamentos fitossanitários (dotação de referência + tratamentos fit.);

Modalidade 5 - dotação de rega 2 com tratamentos fitossanitários(dotação deficitária + tratamentos fit.);

Modalidade 6 - dotação de rega 3 com tratamentos fitossanitários(dotação em excesso + tratamentos fit.);

Modalidade 7 - Sem rega e sem tratamentos fitossanitários (situação actual de sequeiro, sem tratamentos fit.);

Modalidade 8 - Sem rega e com tratamentos fitossanitários (situal actual de sequeiro + tratamentos fit.).

Chegou-se à dotação de referência pela quantificação da evapotranspiração potencial e cultural com o método de Penman-Monteith. Essa dotação foi aplicada ao longo do ciclo vegetativo da cultura como referência da necessidade hídrica da planta nos seus diferentes estádios fisiológicos. O programa CROPWAT em ambiente Windows para o cálculo dessas necessidades hídricas e divulgado pela FAO serviu de base à programação das regas, a partir de estimativa dos dados climáticos medidos numa estação meteorológica próxima da plantação e de coeficientes, Kr e Kc, de correcção. A Universidade de Évora, a ESAB e o COTR tiveram a responsabilidade desta tarefa 2, concretizada cabalmente com a instalação e uso do campo experimental durante toda a vida do projecto.

Fase de execução do projecto: ocorreram alterações no que diz respeito ao delineamento experimental. De facto, continuaram a existir 8 talhões experimentais mas sofreram alterações no que diz respeito aos níveis de aplicação de água:

Tratamento 1 - com produtos fitossanitários e onde se aplica a água necessária para repor 100 % da ETc;

Tratamento 2 - sem produtos fitossanitários e onde se aplica a água necessária para repor 60 % da ETc;

Tratamento 3 - sem produtos fitossanitários onde se aplica a água apenas em 3 períodos críticos do ciclo vegetativo;

Tratamento 4 - com produtos fitossanitários e onde se aplica a água necessária para repor 100 % da ETc;

Tratamento 5 - com produtos fitossanitários e onde se aplica a água necessária para repor 60 % da ETc;

Tratamento 6 - com produtos fitossanitários onde se aplica a água apenas em 3 períodos críticos do ciclo vegetativo a saber;

Tratamento 7 - sem aplicação de produtos fitossanitários e sem rega; Tratamento 8 - com aplicação de produtos fitossanitários e sem rega.

No que diz respeito à dotação de rega e o intervalo entre regas estes foram estabelecidos com base na informação recolhida semanalmente da monitorização da água no solo, tendo como estratégia manter a zona de maior absorção de água pelas raízes, na profundidade de 45 cm, sempre acima de um potencial de -60/-70 centibar. Paralelamente, foi estimada a evapotranspiração cultural, ETc, da cultura e utilizou-se numa primeira estimativa de aplicação de água os valores de Kc, desenvolvidos por Pastor e Orgaz, nas condições do sul de Espanha, uma vez que a condução da rega foi efectuada com base na evolução real da disponibilidade hídrica do solo. Foi também determinada a evolução do armazenamento de água no solo com a sonda de humidade PR1, que serviu para corrigir eventuais excessos ou deficits de água no solo, e assim definir a estratégia de rega. Como inovação não incluída na fase de candidatura do projecto, procedeu-se ainda à instalação de sensores de fluxo de seiva (conforme descrito em 5.5.3.) que em tempo real permitiram estimar a transpiração das árvores e assim melhor avaliar o consumo real de água pelas árvores.

Tarefa 3. Monitorização dos parâmetros da rega e dos estados fisiológicos das culturas Fase de Candidatura: Avaliação dos fluxos de água no solo, com destaque para a correlação entre as dotações de rega, o armazenamento no solo, a evapotranspiração e as perdas por drenagem. Esse balanço hídrico foi conduzido com a ajuda de tensiómetros e sondas colocadas no local e avaliados periodicamente ao longo do ciclo da cultura pela Universidade de Évora e a ESAB, com os meios informáticos próprios - softwares e programas de cálculo do balanço hídrico e das necessidades hídricas e condução da rega. O COTR participou na tarefa, bem como a Direcção Regional da Agricultura do Alentejo (DRAAL).

Fase de execução do projecto: o balanço hídrico do solo foi conduzido com a ajuda de sensores watermark e não de tensiómetros. Optou-se por sensores watermark em detrimento de tensiómetros porque os primeiros são facilmente automatizáveis, não exigem cuidados de manutenção com tanta frequência e são sensíveis para valores de potencial matricial mais elevados ou seja perdem a funcionalidade para valores mais elevados de potencial matricial. Neste ponto há ainda a acrescentar que em alguns dias das campanhas de rega de 2006 e 2007 se mediram dois indicadores do estado hídrico da planta, condutância estomática e o potencial

hídrico das folhas, que na fase de candidatura não estavam incluídas no protocolo do ensaio mas que se considerou de suma importância avaliar, para melhor conhecer o comportamento fisiológico das árvores monitorizadas.

Tarefa 4. Monitorização do estado fitossanitário das plantas e da produção

Fase de Candidatura: Acompanhamento das actividades a desenvolver com a monitorização das pragas e da água no solo. Como o estado hídrico das plantas se relaciona com o seu nível de crescimento (matéria seca e índice de área foliar), a medição da área foliar e a avaliação da produção foram as actividades a acompanhar pela ESAB, em colaboração com o Departamento de Olivicultura e o COTR. A mesma equipa, com a Universidade de Évora, também fez o acompanhamento diário da rega e o tratamento preliminar dos dados. A monitorização de pragas no campo, com vários tipos de armadilhas, e em laboratório, com observações de material infestado foi conduzida pela ESAB e pelo Departamento de Olivicultura, com o apoio da Direcção Regional da Agricultura do Alentejo. Os tratamentos fitossanitários, bem como a quantificação da infecção da doença e respectivo efeito sobre a produção final e qualidade do azeite foi feito pelo Departamento de Olivicultura. Em Portugal a “gafa” é a principal doença da oliveira, provocando anualmente grandes prejuízos tanto na produção como na qualidade uma vez que influencia negativamente as características do azeite. O agente causal da doença é um fungo do género Colletitrichum tendo, durante muito tempo sido considerado que apenas a espécie Gloeosporioides atacaria a oliveira. Recentemente foi também identificada a espécie Acutatum como sendo responsável por ataques de “gafa” tornando o problema mais complexo. A identificação da doença da "gafa" foi complementada com trabalhos em laboratório, com análises morfológicas (forma, cor e natureza das colónias; forma e tamanho de esporos, etc.), seguido de estudos bioquímicos. Concretamente, as actividades para estudar o efeito da “gafa” foram assim conduzidas: Instalação de dois ensaios iguais, com três repetições. Cada repetição teve blocos com diferentes dotações de rega. Um ensaio foi tratado com fungicida e o outro deixado em condições naturais, sendo ambos regados. Em ambos os ensaios as observações foram sistemáticas a partir do fim de Agosto (quando começam a aparecer os primeiros sintomas da doença) até à colheita. No ensaio tratado foi preconizado tratamentos fitossanitários (o nº de tratamentos depende da evolução da doença que por sua vez dependerá dos factores climatéricos) porque o objectivo principal foi o estudo do efeito da rega na produção e qualidade do azeite e também para comparar os níveis de infecção com o ensaio não tratado. No ensaio não tratado houve dois objectivos principais:

a) quantificação do nível de infecção da doença e respectivo efeito sobre a produção final e qualidade do azeite.

b) identificação do agente causal da doença “gafa”. A identificação foi feita em laboratório, primeiro sob o ponto de vista morfológico (forma, cor e natureza das colónias; forma e tamanho dos esporos) seguido de estudos bioquímicos.

Tarefa 5. Divulgação e demonstração

Fase de Candidatura: A divulgação e demonstração das várias actividades junto dos técnicos, associações de produtores e agricultores (necessidades hídricas da cultura, dotações- referência, deficitária, em excesso, condução das regas, tempos e intervalos de rega, protecção dos olivais contra pragas e contra a "gafa", controle fitossanitário e correlação com a rega, impacte na qualidade do azeite, produtividade com e sem rega, gastos de água, coeficientes culturais e evapotranspiração de referência) tiveram lugar na Herdade dos Lameirões e foram realizadas durante os períodos de rega e no final do projecto. A Associação Técnica de Olivicultores de Moura (ATOM), com participação como parceiro activo nas actividades desenvolvidas na Herdade dos Lameirões, teve um papel preponderante na divulgação dos resultados a todos os agricultores da região, e aos seus associados. O COTR, com papel dinamizador no plano de rega do Alqueva, como parceiro também activo, fez divulgar os resultados nos seminários, dias abertos e colóquios, bem como no site na Internet, englobando no empreendimento todos os interessados na rega do olival. A Universidade de Évora, Escola Superior Agrária de Beja, o Departamento de Olivicultura e a Direcção Regional da Agricultura do Alentejo participaram na elaboração e divulgação dos resultados, através de publicações, seminários, brochuras e artigos em revistas nacionais e estrangeiras. A Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos acompanhou de perto os ensaios, tendo participado os seus técnicos e associados em todas as actividades de demonstração e divulgação, culminando com a realização das 1ªs jornadas de olivicultura, em Outubro de 2007, em que os parceiros do projecto foram convidados a apresentar resultados e a discutir os aspectos técnicos da produção olivícola na região de Moura e Barrancos.

Planeamento das actividades:

Novembro 2003 – reunião preparatória;

Novembro-Dezembro 2003 – colheita da azeitona dos diferentes talhões para recolha de elementos da produtividade do campo antes da instalação da rega.

Janeiro-Fevereiro 2004 – análise do campo para determinação do estado vegetativo e sanitário das árvores.

Março-Abril 2004 – controlo da vegetação por baixo da copa usando herbicidas e na entrelinha usando herbicida ou grade de discos e escarificador. Instalação da tubagem de rega. Apresentação do relatório semestral.

Maio a Setembro 2004- acompanhamento da rega e do estado sanitário do olival.

Outubro a Dezembro 2004- elaboração do relatório anual, acompanhamento do estado sanitário e colheita da azeitona produzida, a primeira com influência da rega e análise do azeite produzido. Demonstração para agricultores e técnicos.

Janeiro a Março 2005 – análise do 1º ano do ensaio e ajuste de algum pormenor, em função do tratamento dos dados obtidos.

Abril a Setembro 2005 – acompanhamento da rega, das técnicas culturais utilizadas e do estudo fitossanitário das árvores. Apresentação do relatório semestral.

Outubro a Dezembro 2005 – elaboração do relatório anual, acompanhamento do estado sanitário, colheita da azeitona produzida e análise do azeite. Demonstração para agricultores e técnicos.

Janeiro a Março 2006 – análise dos dados obtidos no 2º ano de execução do ensaio e preparação da divulgação a efectuar sobre o ensaio.

Abril a Setembro 2006 – acompanhamento do ensaio no respeitante à rega e fitossanidade do olival. Apresentação do relatório semestral.

Outubro a Novembro 2006 – demonstração para agricultores e técnicos. Acompanhamento do ensaio. Elaboração do relatório anual, incluindo a produção deste 2º ano e análise de azeite. Elaboração de artigos. Estudo da doença da “gafa” em olivais tradicionais, na zona de influência da barragem do Alqueva, que passarão a ser regados.

Fase de execução do projecto: as actividades descritas executaram-se com desfasamento em relação ao inicialmente proposto pois o projecto teve o seu início apenas em Janeiro de 2004. Quanto à rega só foi possível acompanhá-la a partir de ano de 2005 porque o sistema de rega só foi implementado em 2004. No terceiro ano, de 2007, cumpriu-se calendário semelhante ao do ano transacto, de 2006, com actividades mais intensas de avaliação do fluxo de seiva, experimentação com sondas de dendrometria e avaliação do potencial hídrico das folhas e condutância estomática, bem como a avaliação final da produção e análise de azeites.

12 EXECUÇÃO FINANCEIRA

O Quadro 27 informa relativamente à execução financeira desde o início do projecto até 31 de Dezembro de 2007.

Quadro 27 - Execução financeira final do projecto

Execução financeira em 31/12/2007 Entidade participante Verba contemplada (euros) Execução (%) Despesa (euros) Taxa de execução (%) Justificação Universidade de Évora 28 249 >75 31 749,00 100,0

Escola Superior Agrária de Beja (ESAB) 71 268 >75 70 960,88 99,57 Estação Nacional de Melhoramento de Plantas (ENMP) 20 677 >75 20 666,80 99,95 Centro Operativo e de Tecnologia do Regadio (COTR) 2 803 >75 2 589,53 92,38 Direcção Regional de Agricultura do Alentejo (DRAAL) 14 000 25-50 4 516,38 32,26 Associação de Técnicos e Olivicultores de Moura (ATOM) 2 803 >75 2 343,76 83,61

Por razões que se prendem com a sua autonomia financeira, a Direcção Regional de Agricultura do Alentejo (DRAAL) não foi capaz de mobilizar verbas suficientes para fazer face às despesas, antes de ser reembolsada pelo IFADAP. Assim sendo, foi incapaz de gastar toda a verba concedida, tendo que transferir para a Universidade de Évora o montante correspondente a 3500 euros, que a Universidade usou, e será justificada em tempo próprio, para fazer face aos gastos do desenrolar do projecto. Todos os outros parceiros foram capazes de mobilizar verba suficiente para cumprir com os seus encargos face aos objectivos propostos no início do projecto.

13 SOCIO-ECONÓMICO E AMBIENTAL

O olival representa uma opção atractiva para a região do Alentejo. De acordo com o último recenseamento geral agrícola, a área de olival em Portugal, ronda os 335,029 ha, dos quais 138,084 ha estão no Alentejo e 1570,48 ha no concelho de Moura (www.Draal.min- agricultura.pt). Com este projecto pretendeu-se valorizar o olival tradicional através da sua reconversão ao regadio. Aplicaram-se técnicas inovadoras de recuperação de um olival antigo e que visaram melhor as condições nutritivas e hídricas das oliveiras com o intuito de aumentar a produtividade, através da aplicação de água de rega em tempo útil e de tratamentos fitossanitários adequados. O mercado e o comércio de azeite são as principais causas da intensificação da produção de azeite e da necessidade de aumentos de produtividade do olival tradicional.

A reconversão e a expansão dos olivais são condições indispensáveis para assegurar a boa qualidade e a quantidade desejada de azeites nacionais. A valorização dos azeites alentejanos implica também a modernização nas áreas da transformação, com a modernização dos lagares existentes, instalação de novos lagares e a criação de condições necessárias para a uma boa recepção e transformação das azeitonas produzidas e colhidas.

O olival tradicional apesar de reconvertido ao regadio continua a ser um sistema extensivo que garante a biodiversidade de fauna e flora e evita a degradação da paisagem já que não há arranque do olival antigo, mas apenas a sua reconversão ao regadio. Há contudo a considerar que os olivais reconvertidos ao regadio passam a concorrer com as demais actividades industriais e humanas na procura de recursos hídricos, algumas vezes escassos. Alguma legislação será necessária para impor tectos máximos de consumo de água para as culturas, como forma de estabelecer o equilíbrio na procura e uma melhor programação e uso dos recursos hídricos na agricultura. O uso da rega gota-a-gota por si só já vem garantindo ganhos de eficiência de aplicação de água bastante elevados.

A superfície média dos olivais portugueses é de cerca de dois hectares, com 5,5 hectares, em média, para o olival alentejano, onde predomina o olival tradicional cuja densidade de plantação é, em média, de 100 árvores/ha. No entanto, nos últimos anos tem aumentado o número de olivais novos, em plantações intensivas (mais de 300 árvores por

hectare) e super-intensivas com cerca de 2000 árvores/ha, implementadas principalmente por empresários espanhóis que tem o saber e a experiência nesse tipo de olival. Quanto à produção de azeite no Alentejo, as variações anuais são fortes, situando-se à volta das 11000 toneladas por ano, o que corresponde a cerca de 30% da produção nacional. Nesse quadro, ao nível dos azeites de maior qualidade e com Denominação de Origem Protegida (DOP), o Alentejo possui três das seis DOP (Azeite de Moura, Azeite do Norte Alentejano, Azeite do Alentejo Interior), sendo responsável por mais de 70% desta produção, com o azeite de Moura a contribuir com quase 60%, em grande parte devido à acção empreendedora da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos, o maior produtor nacional e o terceiro fornecedor do país.

A olivicultura nacional e alentejana, bem como a investigação no sector, que esteve durante muito tempo votada ao esquecimento, apresenta-se hoje com maior vivacidade, com trabalhos de reconversão levados a cabo pelos olivicultores nacionais, e no Alentejo é importante preservar e melhor conhecer as variedades locais, onde a Galega é maioritária nas duas zonas DOP do Norte Alentejano e Alentejo Interior. Com podas adequadas, correcta fertilização, rega e controlo sanitário, naturalmente que a safra é aumentada e a contra safra atenuada, relativamente ao tradicional sequeiro, para além de se minimizar os caprichos climáticas da natureza com as regas. No panorama nacional, apenas cerca de 7 a 8% do olival nacional é regado, o que é uma percentagem muito baixa, além de o olival de sequeiro ter produções muito baixas e custos de produção elevados e margens baixas, que não justificam muitas vezes a própria apanha. A reconversão ao regadio, com aplicação de água principalmente em Maio/Junho, quando se está a formar o fruto e em Setembro/Outubro quando começa a síntese do azeite na azeitona (estratégia de rega deficitária controlada) é uma solução viável para aumentar as produções e a sua qualidade, além de atenuar as irregularidades climáticas de falta de chuva em períodos críticos do ciclo vegetativo do olival. O projecto em causa introduziu a rega no olival tradicional, estabeleceu as suas necessidades hídricas na margem esquerda do Guadiana, apresentou os ganhos a obter com a rega e o controlo fitossanitário, tendo olhado para uma das variedades mais importantes da região, a Cordovil de Serpa, a mais rica em ácido oleico do país e a que contribui para que o azeite regional seja fino e que o nacional seja desejado “tão fino como o azeite de Moura”, como vai o ditado. A mesma variedade, bem como a Verdeal, fazem com que o azeite de Moura seja ligeiramente “amargo e picante” e diferente dos azeites do Norte Alentejano e do Alentejo Interior, onde predomina a variedade Galega, que os torna mais “doces”. A diversidade é desejável e preservar essa diversidade nacional é a melhor estratégia para a produção nacional de azeites com características organolépticas distintas. Neste sector os desafios são muitos,

com muitos a preconizarem o fim do olival tradicional e a sua reconversão ao olival dito “moderno”, que produz cinco ou seis vezes mais do que o tradicional. Tal “fado” de reconversão implica normalmente a introdução de variedades não nacionais (Arbequina e

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