Capítulo 3 Earned Value Management (EVM)
3.3 Trabalhos relacionados
Trabalhos envolvendo este tema se apresentam em diferentes abordagens, que vão de estudos de casos sobre aplicações a tentativas de medir sua eficácia.
Gowan, Mathieu e Hey (2006) fornecem um exemplo de como o EVM pode ser implantado em um projeto de data warehouse. A utilização desta ferramenta se mostrou eficiente em acompanhar o andamento do cronograma e comparar o desempenho do orçamento real com o
74 planejado. Além disso, os dados obtidos desta ferramenta podem ser utilizados pela alta gerência para comparar múltiplos projetos e podem ser documentados para melhorias em projetos futuros. Em outro exemplo de aplicação, Alvarado, Silverman e Wilson (2004) demonstram como o EVM pode ser utilizado no gerenciamento de um portfólio de projetos de construção civil, permitindo um sistema de remuneração dos recursos humanos de acordo com o desempenho de cada um. O trabalho apresenta ainda o uso de análise de regressão para se elaborar o orçamento do projeto a partir de dados de casos históricos e em andamento.
Bower e Finegan (2009) trazem a síntese de uma tese de doutorado que integrou um estudo sobre técnicas de aquisição afetando as incertezas sobre os custos e o EVM, com outro estudo focado na maneira como as fases de um projeto e a qualidade da informação em cada uma delas afeta a qualidade do EVM. A tese culminou no desenvolvimento de uma nova técnica de avaliação de desempenho de projetos, a que os autores denominaram PAVA (Phase-Assured Value Analysis). Görög (2009) desenvolveu um método baseado no conceito e nos indicadores do EVM que tem como finalidade planejar e controlar o fluxo de caixa do contratante do projeto. Para que isso fosse possível, foram criados outros indicadores alinhados com a estrutura e com os indicadores já existentes do EVM, tais como o PVWP (Price Value of Work Performed), que expressa o valor em termos de preço ganho pelo contratante em determinado momento e o AEWP (Actual Expenditure of Work Performed), que expressa a quantidade de dinheiro que é efetivamente paga pelo contratante a fim de financiar o custo da implementação das atividades do projeto.
Li, Moselhi e Alkass (2006) trazem o desenvolvimento de um sistema de monitoramento de projetos de construção civil que utiliza o EVM como método de cálculo de índices e previsões, e que utiliza a internet para que os dados possam ser acessados e atualizados em tempo real, além de permitir o armazenamento dos dados.
Partindo da constatação de que muitos projetos que são impactados pelo aprendizado e transferência de conhecimento em suas fases iniciais (como a maioria dos projetos de TI) são de difícil controle por meio de métodos lineares, Plaza e Turetken (2009) propõem uma sistemática para incorporar curvas-L ao EVM. O modelo resultante (EVM/LC), segundo os autores, é mais realista com relação ao que ocorre durante o projeto.
Marshall, Ruiz e Bredillet (2008) trazem a síntese de uma tese de doutorado que abordou a utilização potencial e efetiva do EVM aplicada a projetos externos sob diferentes tipos de contratos. Os autores partiram da constatação de que o EVM ainda não é tanto utilizado na
75 prática quanto é divulgado como sendo útil e efetivo. Uma hipótese foi levantada, então, de que um possível motivo para isto seria que as organizações deixam de aplicar o EVM em projetos cujos contratos são de um determinado tipo. Utilizando técnicas estatísticas como correlação de Pearson e análise de regressão linear, essa pesquisa buscou descobrir se o tipo de contrato deve desempenhar um papel significativo na decisão de adotar ou não o EVM em projetos externos, e se esta ferramenta é, realmente, efetiva para apenas alguns tipos de contrato. As conclusões foram de que o EVM se mostrou um método efetivo no auxílio a gerencia de projetos de modo geral, devendo ser adotado, portanto, independente do tipo de contrato.
O trabalho de Bryde e Joby (2007) também relacionou EVM com contratos. Nesse trabalho, foi proposta uma nova prática de acordo entre cliente e organização, consistindo de um sistema onde uma linha base de orçamento é definida conjuntamente entre as partes e ambas têm o objetivo comum de executar o projeto o mais eficientemente possível, levando a cooperação mútua nas questões de análise de risco e de gestão, resolução conjunta de problemas, melhorias na comunicação, aumento do espírito de equipe e a práticas de trabalho flexíveis. No final, a extrapolação ou economia nos custos que houver, é divida entre os dois lados. O papel do EVM é servir como meio de monitoramento e como um índice conhecido por todos os envolvidos para que possam saber como está indo o andamento do projeto.
Jigeesh e Bhat (2006) analisaram o projeto como um sistema dinâmico, verificando qual o impacto que diferentes fatores, tais como “tempo de atraso” e “custo estimado de unidade de esforço”, e suas oscilações durante o decorrer do tempo, afetam os indicadores do EVM e, consequentemente, o processo de monitoramento do projeto. A análise foi feita através da criação e simulação de um modelo que representa um projeto real de desenvolvimento de software executado na Índia e, também, por análise de sensibilidade.
Solomon (2005) aponta como deficiência do EVM seu direcionamento somente ao trabalho realizado no projeto, ignorando o escopo do produto e requisitos do cliente. Em consequência disso, o EV é medido em função apenas da quantidade de trabalho realizado, supondo que a qualidade e conteúdo técnico dos trabalhos executados são controlados por outros processos, não sendo considerados no cálculo. O autor propõe, então, o conceito do Performance-Based Earned Value (PBEV). A característica distintiva do PBEV é o seu foco sobre as necessidades do cliente. Medidas do escopo e qualidade do produto são incorporadas no plano de projeto, e o progresso é medido contra um plano para satisfazer todos os requisitos do cliente. Dessa forma, esse método
76 acaba incorporando análise de riscos ao EVM. Diretrizes e exemplos de aplicação prática do PBEV podem ser encontrados em Solomon (2006).
Como os símbolos e termos utilizados nas várias abordagens de EVM podem diferir em algum ponto de uma para outra, ou então serem confusos e ambíguos por si só, Cioffi (2006) propõe uma notação científica que busca formalizar a metodologia, com termos que prometem ser mais autoexplicativos e compactos, sendo, consequentemente, mnemônicos.