Foram identificados na literatura 2 trabalhos sobre o uso de mapas conceituais por estudantes com cegueira ou com deficiência visual. Foram realizadas buscas na ferramenta Google Scholar2 usando as strings de busca ((”concept map” OR ”concept mapping”) AND (”blind users” OR ”blind clildren” OR ”blind students” OR ”students with visual impairment” OR ”children with visual impairment” OR ”users with visual impairment”)) e ((”mapa conceitual” OR ”mapeamento conceitual”) AND (”usuários cegos” OR ”crianças cegas” OR ”estudantes cegos”
OR ”estudantes com deficiência visual” OR ”crianças com deficiência visual” OR ”usuários com deficiência visual”)), para identificar trabalhos em Inglês e Português, respectivamente. Para a seleção dos trabalhos foram adotados os seguintes critérios de inclusão: a) trabalhos sobre o uso de mapas conceituais com estudantes com deficiência visual; b) trabalhos sobre ferramentas, recursos ou softwares para a construção de mapas conceituais por estudantes com deficiência visual; e, c) trabalhos sobre recomendações de adaptações de mapas conceituais para estudantes com deficiência visual. Já os critérios de exclusão adotados foram os seguintes: a) excluir relatórios técnicos, apresentações, índices, notas e comentários; b) trabalhos duplicados; c) trabalhos que não estão em Português ou Inglês; d) versões mais antigas do trabalho; e) trabalhos de acesso pago; f) trabalhos que não estavam relacionados com o uso de mapas conceituais com estudantes com deficência visual.
O primeiro trabalho identificado na busca descrita no parágrafo anterior é Sanchez e Flores (2010) sobre o software AudiodMC para estudantes com deficiência visual construirem mapas conceituais. Esse software é baseado em áudio e foi projetado para ser usado com o teclado, tanto para selecionar ações específicas quanto para navegar no mapa que está sendo criado. Cada ação executada pelo usuário gera um feedback de áudio para orientar as suas ações seguintes. Embora o AudioMC seja adequado para as pessoas com cegueira e baixa visão, ele utiliza tecnologia de áudio e não promove o contato direto com a leitura e a escrita em braille, necessário para a educação e para o alcance da cidadania plena pelas pessoas com cegueira ((Stanfa e Johnson, 2017), (Silverman e Bell, 2018), (Nações Unidas do Brasil, 2019)). No entanto, o AudioMC proporcionou ideias para o trabalho apresentado nesta tese.
O outro trabalho é Kachhap e Mane (2019). Esse trabalho apresenta os desafios enfrentados pelos estudantes com cegueira para construir mapas conceituais e apresenta sugestões de adaptações que podem torná-los acessíveis. De acordo com Kachhap e Mane (2019), a maior dificuldade enfrentada pelos estudantes com cegueira ao elaborar um mapa conceitual é organizar os conceitos no espaço. A falta de percepção do espaço de trabalho e do posicionamento dos elementos no todo podem dificultar a elaboração. Além disso, o tamanho do mapa também foi apontado como um desafio. Neste ponto, Kachhap e Mane (2019) dizem que um mapa com muitos conceitos pode ser confuso e ilegível para o cego. A leitura tátil é sequencial e fragmentada, o que exige memória. Desta forma, se o mapa for muito detalhado, o estudante pode perder-se na leitura do todo. A sugestão de Kachhap e Mane (2019) para mitigar a ocorrência
desse problema são adaptações entre as quais: a utilização de mapa tátil, informações textuais em braille ou em áudio no mapa conceitual e tamanho adequado (”menor é melhor”).
Os trabahos de Sanchez e Flores (2010) e Kachhap e Mane (2019) forneceram ideias que foram compiladas como requisitos para o design de ambiente de usuário com interação tangível para estudantes com cegueira construir mapa conceitual desta tese e são apresentadas na Tabela 3.1:
Tabela 3.1: Requisitos para o design de ambiente de usuário para pessoas com cegueira construir mapas conceituais (Fonte: a autora)
Requisitos
Utilizar feedback de áudio e itens sonoro (Sanchez e Flores 2010).
Trabalhar com mapas pequenos, táteis, em áudio e em braille (Kachhap e Mane 2019)
3.4 CONSIDERAÇÕES SOBRE O CAPÍTULO
Este capítulo apresentou a caracterização de mapas conceituais, os elementos que o compõem e as formas de utilizá-los em sala de aula. Foram apresentados também 2 trabalhos que indicam a possibilidade de uso de mapas conceituais com estudantes com cegueira e com deficiência visual. O primeiro deles foi o trabalho de Sanchez e Flores (2010) sobre o software AudiodMC. Trata-se de um software para deficientes visuais construirem mapas conceituais. Nesse software a interação ocorre por meio do teclado e são fornecidos diferentes tipos de feedback de áudio e sons para guiar o usuário na navegação e na construção de mapa conceitual. Apesar de ser voltado ao cego, não agrega o braille e, desta forma, não é indicado para apoiar atividades de letramento braille. O segundo trabalho foi o de Kachhap e Mane (2019) que apresenta os desafios enfrentados pelos cegos no processo de construção de mapa conceitual e sugere algumas práticas para tornar os mapas conceituais acessíveis aos cegos. Desses 2 trabalhos foram extraídos requisitos que foram usados para orientar o design de um ambiente de usuário apresentado neste tese.
4 INTERFACES TANGÍVEIS PARA APOIAR O LETRAMENTO BRAILLE
O presente capítulo tem a finalidade de responder à questão de pesquisa 3 desta tese que é formada pelos seguintes questionamentos: ”O que são TUI? Existem TUI para apoiar atividades de alfabetização ou letramento braille? Se sim, quais são suas características e limitações para apoiar atividades de letramento braille?”. A seção 4.1 apresenta as Interfaces Tangíveis, sua caracterização, sua classificação, tecnologias para implementação e o seu uso na educação. A seção 4.2 apresenta um mapeamento sistemático sobre interfaces tangíveis para o ensino do braille. Por fim, a seção 4.3 apresenta as considerações sobre o capítulo.