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Trajetória do Recurso “Oferecer Qualidade Consistente”

2.2 DEPENDENCIA DE CAMINHO (PATH DEPENDENCE)

5.1.2 Trajetória do Recurso “Oferecer Qualidade Consistente”

O recurso “oferecer qualidade consistente” (Figura 14) se mostrou um recurso estratégico no início da internacionalização, devido à capacidade que a empresa teve de mostrar que seus produtos atendiam as necessidades do importador. Mesmo que a própria empresa tivesse dúvidas até porque desconhecia o ambiente externo e super estimava as consequências como disse R1M “No início a dificuldade era saber se o nosso produto tinha qualidade suficiente para ir para outro país. Sabíamos que se algo acontecesse aqui no Brasil nós garantíamos. Foi difícil enfrentar um mundo novo, desconhecido para mim”.

Figura 14 - Modificação no Recurso Estratégico Oferecer Qualidade Consistente

O recurso seguiu seu processo evolutivo, mas foi perdendo sua importância estratégica, tornando-se um recurso necessário a continuidade dos negócios, mas não um fator diferenciador, podendo ser classificado como estratégico (BARNEY, 1991). Este fato

Não citado para o futuro

Não citado para o presente Oferecer Qualidade

consistente

Passado Presente Futuro

- Eventos

- Aprendizado - _-

se assemelha ao ciclo de vida de produtos, em que, após o auge, entra num período de declínio. Provavelmente, o recurso tornou-se necessário a todo competidor com similar importância, isto colocou o recurso num nível de igualdade devido a todos competidores terem chegado a um desenvolvimento próximo. Por exemplo, a certificação ISO 9001 que identificava ao importador uma série de condições do exportador, continua cumprindo seu papel, mas sem efeito de distinguir a empresa. A empresa tentou amplificar a potencialidade do recurso investindo tempo, dinheiro, conquistou a certificação ISO 9001 em 2001, após manteve a certificação evoluindo seu sistema da qualidade. Alem disto, muitos equipamentos de testes e medições foram incorporados a empresa denotando os esforços para manutenção dos atributos do recurso. Em seu planejamento R2M afirmou: “este ano iremos preparar a certificação e concorrer ao premio do Programa Gaucho da Qualidade, dentro de dois anos”. Isto significa que mesmo para a manutenção do recurso é preciso uma gestão atuante, sob pena de que a concorrência consiga tornar o seu recurso estratégico não pela sua qualificação, mas pela desqualificação de um recurso que atingiu um nível similar entre todos. Deste modo, é muito provável que o fato ocorrido com a certificação ISO deverá ocorrer com outras certificações, que no início são fatores diferenciadores, mas com o correr do tempo passam a serem processos corriqueiros.

Este fato já é reconhecido pela literatura sendo apontado por Hill (1993), quando define critério qualificador de pedido, pois mesmo que ele não seja o fator principal (caso da qualidade), para ganhar um negócio é importante que a empresa o tenha para que participe da negociação. R1M confirma esta situação.

“A qualidade, já não é diferencial é preciso que tenha... A qualidade não é principal, a qualidade já se integrou, nós viciamos o mercado com qualidade e como nosso recurso de prazo. Ligue lá que tem prazo, eles entregam sempre e logo, eles fazem qualidade”.

Assim, este isomorfismo institucional (DIMAGGIO e POWELL, 2005) que ocorre com outras práticas também ocorrerá com os recursos e, provavelmente, caso o recurso seja estratégico, e sem nenhum mecanismo de isolamento, deverá ser o mais visado pela concorrência. Aliás, as empresas que utilizarem do conceito da RBV deverão focar na busca do conhecimento sobre os recursos estratégicos de seus concorrentes para diminuírem a distancia neste item em termos de imitação ou até mesmo aumentar a possibilidade de substituir o recurso por outro.

No desenvolvimento deste recurso é importante que se analise a entrada de conhecimento devido à importação de peças que a empresa faz para complementar a linha

de produtos. R5M descreveu inúmeros pontos em que a entrada de novos produtos gerou informações e conhecimentos voltados à qualidade.

“Na parte da montagem sim aprendemos bastante coisa. Começamos a desenvolver algum dispositivo para desmontar a válvula grande, antes a gente não tinha, mas agora eles têm que fazer reparos. Outra coisa, também, começamos a avaliar acabamento dos produtos que recebemos como a limpeza, e isto de uma forma ou de outra vai servir para o nosso produto também. No momento que se avalia produtos de outro, se esta avaliando o seu também” [ ] “claro que tem um detalhe muito importante, nosso produto é superior aos deles, mas tu aprendes até onde deve não chegar, o que não fazer, é bem preventivo”.

Análise dos fatores contribuintes para o desenvolvimento do Recurso Estratégico

A empresa continuou investindo em qualidade, obtendo a certificação de seu sistema da qualidade; tem evoluído o sistema, pois as re-certificações desde então foram conquistadas com méritos; existe a intenção de conquistar novas normas internacionais (ISO 14001 e ISO 18000); tem sido mantido o investimento em equipamentos e a empresa pretende participar do premio gaúcho da qualidade

Eventos Históricos

Não houve eventos que interferiram substancialmente neste quesito. Aprendizado

A empresa tratava a qualidade de modo diferente para peças exportadas no início depois, foi amadurecendo tecnicamente, e passou a tratar igual às peças para o mercado interno, mostrando que atingiu um bom nível de conhecimento sobre a qualidade. Precisou aprender a ler e interpretar normas internacionais e padrões construtivos para analisar o material recebido e também sua aplicação.

Análise conclusiva dos fatores

O fator mais influente foi à própria gestão da empresa sobre seus recursos, acredita-se que devido ao desenvolvimento e importância que as certificações de sistema da qualidade tiveram nas últimas duas décadas tenham impulsionado a empresa a seguir a concorrência. Neste recurso aparece a oportunidade para que alguma empresa concorrente possa adquirir uma vantagem se conseguir um fator diferencial. Este fator pode ser algum tipo de certificação internacional que possa diferenciar a empresa, uma vez que barreiras técnicas podem dificultar a colocação de produtos no exterior. Ressalta-se que esta possível qualificação deverá ser obtida a base de conhecimentos novos, assim este recurso

somente poderá ser modificado se houver uma alteração na base de conhecimento da empresa com vistas a adquiri-lo.