Capítulo II — Receita
II. 3.2.1 – Transferências do Orçamento de Estado
As TOE, no montante de quase 222,1 milhões de euros, atingiram uma execução de 96,1%, devido a uma quebra de 9 milhões de euros, face ao previsto.
Gráfico II.1 – Estrutura das TOE para a RAA
50,0 172,1 0 50 100 150 200 TOE Corrente TOE Capital Unid.:106 Euros
As TOE, classificadas como Correntes — € 50 000 000 —, com uma execução de 100%, contribuíram em 9,2% para o total da Receita Corrente.
As TOE, classificadas como Capital — € 172 089 259 —, com uma execução de 95%, foram responsáveis por 81,4% do total da Receita de Capital.
Quadro II.6 – Estrutura das TOE – Valor e Representatividade
Unid.: Euro
Valor %
Transferências do Orçamento do Estado 50.000.000 172.089.259 222.089.259 100,0
Custos Insularidade e Desenvolvimento da RAA 50.000.000 101.917.970 151.917.970 68,4
Fundo de Coesão 0 53.171.289 53.171.289 23,9
Bonificação Crédito à Habitação 0 0 0 0,0
Instituto Nacional de Habitação 0 17.000.000 17.000.000 7,7
Corrente Capital Total
As verbas transferidas nos termos do artigo 30.º da LFRA, para fazer face aos Custos de
Insularidade e Desenvolvimento da RAA, atingiram quase 152 milhões de euros (68,4%
das TOE).
No âmbito Fundo de Coesão Nacional e por força do artigo 31.º da LFRA, foram transferidos cerca de 53,2 milhões de euros (24% das TOE).
Os restantes € 17 000 000 (7,7% das TOE) foram transferidos pelo Instituto Nacional de Habitação, no âmbito do processo de reconstrução dos danos causados pelo sismo de 1998 no Pico e Faial.
O n.º 3 do artigo 31.º da LFRA define o valor a transferir para as Regiões Autónomas ao abrigo do Fundo de Coesão, entre 1999 e 2001.
Contrariamente ao previsto no artigo 46.º, a LFRA não foi revista “… até ao ano 2001.”
Assim, a verba a transferir em 2004, de harmonia com o Fundo de Coesão Nacional, não se encontra definida na LFRA.
Decorre, dos valores apresentados, que o montante transferido, como Fundo de Coesão
Nacional, continua a corresponder aos 35% das Transferências feitas por força dos Custos
de Insularidade e Desenvolvimento da RAA, previstos para 2001. Neste pressuposto, conclui-se pelo cumprimento do estipulado na LFRA.
Da análise do Relatório sobre a Conta da Região — Volume I, apresentada pelo Governo Regional, ressalta, das páginas 40 a 42, o seguinte:
(…) “À semelhança do verificado em anos anteriores, o Governo da República não procedeu a qualquer correcção do valor a transferir para a Região, em consequência dos Orçamentos Rectificativos que, nos anos anteriores, têm sido aprovados na Assembleia da República e implicaram uma modificação na taxa de crescimento da despesa pública do Estado.
Importa, assim, salientar o facto do Governo Regional dos Açores continuar a defender que o Governo da República não está a cumprir com o estabelecido na LFRA, nomeadamente, no que respeita às verbas previstas nos respectivos artigos 30.º e 31.º, a serem transferidas para esta Região Autónoma.
Efectivamente, os montantes que têm vindo a ser transferidos anualmente do Orçamento do Estado, foram determinados com base numa taxa de crescimento da despesa pública corrente que, no entendimento do Governo Regional, não contempla a totalidade da despesa corrente aprovada no Orçamento do Estado em cada ano e se limita às dotações inicialmente aprovadas, não reflectindo os ajustamentos que, por qualquer motivo, se tornaram necessários introduzir e que influenciaram, naturalmente, a respectiva execução orçamental do Estado. Neste enquadramento, apresenta-se, de seguida, um quadro abrangendo o período de 1999 a 2004, no qual estão incluídos os valores transferidos do Orçamento do Estado e os valores que a Região apurou tendo por base as taxas de crescimento da despesa pública corrente do Estado, obtidas em função dos respectivos montantes constantes do Mapa IV do Orçamento do Estado, inicial ou rectificativo, consoante o caso. A diferença entre os dois valores, até 31 de Dezembro de 2004, atinge o montante acumulado de 93 milhões de euros, e representa o ajustamento de que a Região se considera credora perante o Estado, até à referida data.”(…)
Do exposto e perante a informação vertida na CRAA, nomeadamente o cálculo subjacente à determinação dos valores apresentados/contestados pelo Governo Regional, o Tribunal de Contas, na sequência do quadro já elaborado no Parecer sobre a CRAA de 20037, procedeu, dentro do mesmo critério, à actualização dos valores correspondentes ao ano de 2004, tendo apurado os valores referenciados no quadro II.7.
Quadro II.7 – Valores apurados no âmbito da aplicação da LFRA
Unid.: Euro 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Total Custos de Insularidade 109.026.260 118.893.226 131.867.526 138.284.587 159.982.819 157.897.687 177.571.131 993.523.237 Fundo de Coesão 29.723.307 39.560.258 48.399.605 55.993.987 55.264.190 62.149.896 291.091.243 Total 109.026.260 148.616.533 171.427.784 186.684.193 215.976.805 213.161.877 239.721.027 1.284.614.480 Custos de Insularidade 109.026.260 115.241.608 128.577.628 133.422.931 141.561.730 146.941.076 151.917.970 926.689.202 Fundo de Coesão 28.810.402 37.303.708 46.698.028 49.546.605 51.429.376 53.171.289 266.959.408 Total 109.026.260 144.052.010 165.881.336 180.120.958 191.108.335 198.370.452 205.089.259 1.193.648.610 0 -4.564.523 -5.546.448 -6.563.234 -24.868.470 -14.791.425 -34.631.768 -90.965.870 OE Revisto (c) 23.422.585.040 25.542.348.216 28.329.673.522 29.708.278.549 34.369.803.922 33.921.845.978 38.148.377.529 Taxa de Crescimento 9,05% 10,91% 4,87% 15,69% -1,30% 12,46% LFRA (b) Saldo = (a) - (b) Despesa Corrente LFRA (a)
Nota: A leitura atenta dos dois quadros permite verificar que o TC se baseou em montantes definidos na unidade, sem
arredondamentos, e o valor considerado como transferido em Custo de Insularidade (artigo 30.º da LFRA), no ano de
2000, é diferente do apresentado pelo Governo Regional.
a) Cálculo das Transferências, tendo em conta as Taxas de crescimento da Despesa Corrente do OE Revisto b) Transferências efectuadas
(c) Informação constante dos Pareceres do Tribunal de Contas sobre a Conta Geral de Estado de 1998 a 2004
Tendo por base os citados pressupostos, designadamente, que o disposto no artigo 31.º, n.º 3, da LFRA continua em vigor, mantendo-se a percentagem definida para 2001, importa salientar o seguinte:
• O saldo credor da RAA, perante o Estado, aumentou, em 2004, 34,6 milhões de
euros, decorrente da aplicação do cálculo da actualização anual do valor a transferir, baseado na Despesa Corrente prevista no Orçamento Revisto;
• O valor em dívida tem vindo a crescer desde 1999, atingindo o montante acumulado de quase 91 milhões de euros, no final de 2004;
• Pese embora os valores reivindicados pelo GR (93 milhões de euros) não
coincidirem com os calculados pelo TC (91 milhões de euros), nota-se uma certa proximidade no cálculo.
Nos termos do n.º 1 do artigo 30.º da LFRA, “…a Lei do Orçamento do Estado de cada ano incluirá verbas a transferir para cada uma das Regiões Autónomas, nos termos resultantes da aplicação da fórmula estabelecida no n.º 2 ou, se daí resultar valor superior para uma ou para as duas Regiões Autónomas, num montante igual à transferência prevista no Orçamento do ano anterior multiplicada pela taxa de crescimento da despesa pública corrente no Orçamento do ano respectivo.”
Os Custos de Insularidade, constantes do quadro II.7, tiveram por base as taxas de variação da despesa pública corrente do OE (Revisto).
O valor do Fundo de Coesão resulta da aplicação das percentagens constantes no n.º 3 do artigo 31.º (1999 — 25% do valor das transferências previstas no n.º 1 do artigo 30.º; 2000 — 30% do mesmo valor; 2001 — 35% do mesmo valor).
A LFRA consagra, no seu artigo 30.º, “… num montante igual à transferência prevista no orçamento do ano anterior multiplicada pela taxa de crescimento da despesa pública corrente no orçamento do ano respectivo” (sublinhado nosso).
Este facto, poderá, no entanto, levar a diferentes interpretações sobre que valores da Despesa Corrente deverão ser tidos em conta: se os Revistos (após os Orçamentos Rectificativos); ou se os aprovados no Orçamento Inicial.
À semelhança do já expresso no Parecer sobre a CRAA de 2003, competirá aos poderes políticos competentes o cabal esclarecimento da situação legal descrita.
Relativamente à Bonificação de Crédito à Habitação, refere a CRAA “… o Governo da
República não procedeu a qualquer transferência, em 2004, apesar de ser esperada uma receita de 7,5 milhões de euros por via destas transferências, da qual 3,9 milhões de euros eram ainda referentes a 2003.”
Sobre esta situação, a CRAA não desenvolve a matéria de facto e o Tribunal de Contas não dispõe de informação, que permita determinar o valor eventualmente devido.