CAPÍTULO II: Espaços de Aprendizagem
2.6. Transformação das Experiencias de Aprendizagem
Projectar um edifício educativo, é um recurso caro a longo prazo. Aumentar os investimentos em bens e tecnologias de aprendizagem, combinando o relacionamento entre tecnologias de aprendizagem e técnicas de aprendizagem e exemplos inovadores da utilização do espaço, são assuntos que cada vez mais se tornam muito importantes nas Instituições de ES.
aprendizagem, explorando as novas realidades existentes entre o real e o virtual, propõem-se neste capítulo algumas orientações e ilustrações de espaços adoptados, tendo em conta essas novas realidades. Para isso, recorreu-se e adaptaram-se alguns projectos da AMA, onde se projectam os principais tipos de espaços e a forma como se devem integrar as tecnologias no ensino e na aprendizagem.
A incorporação de tecnologias dentro de um espaço de aprendizagem deve ser um processo evolutivo e não revolucionário. De seguida, serão revistas algumas infra- estruturas que podem ser criadas nos principais espaços de aprendizagem presentes numa Instituição de ES (Espaços Sala de Aula, Espaços Vocacionais, Espaços Sociais), sugerindo formas como estes podem ser modificados, de modo a alcançar os objectivos pretendidos. Espaços altamente qualificados e preparados devem agir como catalisadores para a mudança. Estes devem ser considerados como “banco de ensaios”, para novas abordagens e metodologias pedagógicas.
Os novos espaços, serão certamente utilizados de forma diferente. Não se pode ter certezas como serão utilizados no futuro, mas deve-se proporcionar oportunidades para que as coisas aconteçam de forma natural.
Este capítulo centra-se na analisar e descrição das diferentes mudanças que devem ocorrer em diferentes espaços de aprendizagem, de forma a torná-los em espaços de aprendizagem para o futuro.
2.6.1. Espaço Sala de Aula
As salas de aula são um componente fundamental em qualquer Instituição de Ensino Superior, este aspecto não pode ser alterado. No entanto, o formato tradicional destas terá de ser transformado, de forma a dar suporte aos novos estilos de aprendizagem. O papel do professor está a deixar de ser “dono e senhor do saber”, para assumir um papel de um membro com sabedoria, para ajudar a reflectir e construir conhecimentos sobre determinada problemática. O papel do aluno passa a ser um membro activo e interventivo dentro da sala de aula. No século passado o ensino foi dominado por um tipo de concepção centrado no professor. Uma sala disposta em formato de U ou disposta em linhas rectas, onde professores estavam em frente a discursar. As tecnologias foram posteriormente acrescentadas, quadros brancos montados por detrás
do orador principal, onde se podem montar computadores portáteis, redes sem fios instaladas, etc. Mas estas alterações, salvo raras excepções, raramente têm alterado o desenho das salas.
Como se viu anteriormente, o paradigma do ensino colaborativo está cada vez mais presente nas Universidades, mas nem sempre a sala de aula reflecte essas necessidades. Não se pode antecipar futuros desenvolvimentos tecnológicos ou pedagógicos, mas algumas mudanças parecem inevitáveis, como sejam investimentos em tecnologias sem fios; investimentos em mobiliários facilmente ajustáveis, de forma a reconfigurar a sala para diversos estilos de aprendizagem, têm de ser uma realidade. Aliados a estes factos, a gestão dos recursos e a utilização do espaço para outros fins, será também uma realidade nestas Instituições. A possibilidade de ampliação do espaço para grandes grupos, apoiados por facilidades de vídeo, de forma a permitir a vídeo-conferência, a presença de câmaras e espaços de ensino que possam oferecer flexibilidade, iram ser certamente uma realidade. O uso da tecnologia, só por si, não garante um ensino efectivo ou a aprendizagem, mas potencia a flexibilidade e a oferta mais variada de um mesmo espaço. As figuras 19 e 20, propostas pela JISC (2006), mostram protótipos de dois espaços de aprendizagem, de forma a torná-los flexíveis e potenciar a colaboração.
2.6.2. Espaços Vocacionais
Os espaços de aprendizagem vocacionais, normalmente chamados de laboratórios, são espaços com equipamentos especializados, que permitem que os alunos aprendam fazendo. Ou seja, os alunos têm a oportunidades de testar e praticar, utilizando ambientes reais. Este tipo de espaços potência o desenvolvimento da criatividade, cria competências aos alunos e permite ainda a adaptação à realidade no mundo empresarial.
Normalmente, este tipo de espaços são ricos em tecnologia, mas para tirar partido da tecnologia existente deve-se garantir o acesso rápido aos recursos em qualquer lugar, aproveitando desta forma as oportunidades de aprendizagem. Devem ser criadas condições de aprendizagem baseadas em recursos Web, a partir de dispositivos moveis, para que os alunos tenham respostas mais rapidamente. A utilização de câmaras para captar manifestações por peritos, para posterior reprodução. Em muitos ambientes de simulação, o vídeo e as câmaras também são um auxiliar pedagógico, servindo para gravar, por exemplo, as performances das tarefas, de forma a melhorar o seu
desempenho.
Figura 19 - Protótipo de Espaço Sala de Aula (JISC, 2006)
O protótipo apresentado pela JISC (2006), facilita estas funcionalidades bem como o acesso a Virtual Learning Enviroments (VLE), de forma a permitir a distribuição do trabalho efectuado e o tratamento remoto da informação. Os projectores, em cima da bancada de trabalho, permitem um mais fácil acesso a conteúdos necessários para a aula.
Figura 20 - Protótipo de Espaço Vocacional (JISC, 2006)
2.6.3. Centros de Aprendizagem
A criação de centros de aprendizagem, ou seja, espaços altamente personalizados, que permitam que os alunos comuniquem uns com os outros, trabalhem e disponham de recursos e condições para o fazerem, devem ser uma realidade dentro das Instituições de Ensino Superior. Partindo do princípio que dentro de uma instituição, para além de trabalharem professores e funcionários também trabalham alunos. A criação de centros de aprendizagem, com a oferta de espaços sociais, serviços de apoio a estudantes,
empréstimos de livros, computadores, acesso à informática e à internet, disponibilização acesso de diferentes tipos de ambientes de trabalho, onde o aluno possa trabalhar sozinho, ou em grupo, onde possam treinar apresentações, fazer simulações, trabalhar de forma colaborativa, entre outras acções, devem uma realidade.
Alguns elementos de ensino (aulas) poderão mesmo ser feitos nesse tipo de ambientes. Devem ser criadas zonas diferentes para cada um dos tipos de aprendizagem que se pretende com o espaço, procurando uma visão clara de cada área dentro do centro. Quando se tem um espaço, que dá suporte a um leque de diferentes tipos de aprendizagem, os utilizadores desse espaço podem não ter um comportamento adequado e as actividades podem entrar em conflito.
Figura 21 - Protótipo de Espaço de Aprendizagem (JISC, 2006)
Este tipo de espaços deve mostrar uma sofisticada gestão do espaço, onde os estímulos sonoros, layout, mobiliário e diferentes tipos de tecnologia em diferentes configurações, potenciam diferentes estilos de aprendizagem. Neste espaço, deve de existir uma total parceria entre os alunos e os administradores do espaço, bem como uma boa gestão de espaços. A figura 21 representa um protótipo de um centro de aprendizagem, proposta pela JISC (2006).
2.6.4. Espaços Sociais
Estes espaços têm um elevado poder de aumentar a motivação dos estudantes, professores e funcionários. Desta forma, pode-se aumentar a capacidade de aprendizagem. Alunos motivados têm maior facilidade de aprendizagem. Como se viu, a aprendizagem também pode ser feita de forma informal, contribuindo estes espaços para esse facto. Os espaços sociais devem ser partilhados entre alunos, funcionários, visitantes, potenciais alunos e professores, de forma a potenciar a discussão e a construção de conhecimentos.
Estes espaços devem permitir o fornecimento de refeições, bebidas, ligações wirless e ligação de portáteis. Devem ser usados materiais de construção modernos, de modo a permitir uma auto-regulação que permita, por exemplo, a entrada de luz natural, proporcionando condições de climatização, etc.
Resumo do capítulo
Neste capítulo, identificou-se um conjunto de factores essenciais para promover novos Espaços de Aprendizagem, com um tipo de ensino mais experimental, mais vocacionado para o mundo empresarial e para os cidadãos. Foram também identificadas medidas que, devidamente adoptadas, melhoram com eficácia os espaços de aprendizagem.
Numa época onde o real e o virtual coexistem, os espaços de aprendizagem devem ser projectados e adaptados de forma a concretizar essas realidades. Foram apresentadas as principais premissas que deverão sustentar a construção ou transformação de vários Espaços de Aprendizagem específicos, de forma a tornar possível a existência de dois mundos, o real e o virtual.
De salientar, que formam escolhidos os principais espaços que normalmente encontramos em cada Instituição de Ensino Superior e que devem fazer parte de qualquer tipo de ensino/aprendizagem. Nomeadamente, um espaço Sala de Aula, em espaço Vocacional tradicionalmente designado de Laboratório, um Centro de Aprendizagem, e os espaços Sociais.
AMA (2006), ilustram o tipo de modificações que devem ser consideradas para a projecção de novos Espaços de Aprendizagem.
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Qualquer resultado (em investigação) é relativa a uma dada problemática, ao esquema teórico no qual se baseia directa ou indirectamente, e á metodologia (de investigação) através do qual foi obtido Sierpinska et al. (1993)