3 O NOVO DESENVOLVIMENTISMO DA CEPAL E SUAS DIRETRIZES PARA A EDUCAÇÃO
3.1 TRANSFORMACAO PRODUTIVA COM EQUIDADE E A EDUCAÇÃO
O documento produzido pela CEPAL que marcou o auge do novo desenvolvimentismo proposto por seus pensadores seguidores da abordagem neoestruturalista foi o “Transformación productiva com equidad”. No objetivo de compreender o que a nova CEPAL e sua nova proposta desenvolvimentista abordam a respeito da Educação, os seguintes documentos são pertinentes: “Educação e Conhecimento: eixo da transformação produtiva com equidade” ; “La brecha de la equidade: América Latina, El Caribe y la cumbre social”; “A Hora da Igualdade – Brechas por selar, caminhos por abrir”; e “Educación y desigualdade en América Latina”.
Inicialmente o documento, “Transformação Produtiva com Equidade” traz uma análise do contexto histórico vivido pela América Latina nos anos de 1980, considerado por uma década perdida, tamanhos os impactos financeiros e sociais que ocorreram no período. Os anos de 1980 foram marcados por crises econômicas internacionais, como a crise do petróleo; a crise do México e da Argentina entre outros agravantes internacionais que repercutiram sobremaneira nos países latino americanos. Dentre as consequências desse contexto internacional desfavorável pode se destacar o aumento: da inflação, do juros da dívida externa, do desemprego, dos desequilíbrios macroeconômicos e dos agravantes sociais. Para contornar esse quadro de crise a CEPAL propõe uma série de mudanças necessárias com enfoque na transformação produtiva que gere equidade social.
É relevante destacar que a CEPAL coloca os anos de 1980 não somente como um período perdido, mas também como um tempo de aprendizagem dolorosa que produziu mudanças extremamente preteriosas para a política e a economia dos países da América
Latina. No campo político se destaca a redemocratização de países que vivenciavam até então ditaduras, como o caso brasileiro, e a participação dos movimentos sociais e civis na luta por direitos e participação política. No campo das relações externas se percebeu um relativo aumento no movimento de cooperação política e econômica intra-regional, desconsiderando assim, as rivalidades do passado entre os países da América Latina(CEPAL, 2000).
A década de 1980, entretanto, não foi apenas palco de retrocessos. Também houve alguns avanços: parciais e às vezes precários no campo econômico e consideráveis no político. Nesse sentido, os anos 1980 também foram uma década de “aprendizagem dolorosa”. No âmbito político-institucional, numerosos países avançaram rumo a sociedades pluralistas e participativas, e, no final da década, assistiu-se a uma desideologização progressiva do debate político e econômico. Reflexo disso são os esquemas de acordos políticos e sociais que vieram à tona (CEPAL, 2000, p. 890).
Para a CEPAL (2000) tornava-se necessário retomar o caminho para o desenvolvimento e para tanto era imprescindível colocar em prática uma série de demandas, como: (i) fortalecer a democracia; (ii) promover um ajuste econômico; (iii) modernizar os setores públicos; (iv) melhorar a distribuição de renda; (v) aumentar a poupança; (vi) adotar padrões mais austeros de consumo; e por fim, (vii) viabilizar tais mudanças adotando medidas de desenvolvimento sustentável sem gerar impactos ao meio ambiente. Logo, uma tarefa primordial para todas as nações que compõem a América Latina era atingir uma transformação produtiva com equidade social. Para isso seria indispensável implantar enquanto eixo principal da transformação produtiva a industrialização.
Algumas precondições para chegar a transformação produtiva são colocadas em destaque pela CEPAL (2000): (i) os condicionantes externos que influenciam no desenvolvimento econômico da região, para tanto, é crucial estabelecer uma cooperação internacional, principalmente entre os países da América Latina; e (ii) as condições internas, como a correção dos desiquilíbrios macroeconômicos, os eforços integrados entre o governo e a sociedade civil, e a busca por um aprendizado e adaptação para a implantação das propostas que irão possibilitar o alcance de uma transformação produtiva que gere uma crescente equidade social.
A partir da realização dessas precondições alguns critérios são vistos como indispensáveis na busca desta transformação produtiva, como: (i) uma maior competitividade internacional, apoiada no investimento do progresso técnico no processo de produção, um processo que não parte somente da iniciativa pública, mas algo endógeno que deve ocorrer dentro das empresas, buscando inovação e criatividade; (ii) a junção de uma política
macroeconômica estável com políticas setoriais, a integração entre políticas de curto e longo prazo, e uma maior interação entre agentes públicos e privados a fim de atingir a equidade e um ambiente social mais harmonioso; (iii) um contexto institucional mais democrático, pluralista e participativo, no intuito de garantir a vontade da maioria nas decisões relevantes e garantir uma atuação pública mais eficaz (CEPAL, 2000).
Além dos critérios, um conjunto de propostas são feitas sob a mesma finalidade de alcançar a transformação produtiva com equidade, como: o aprimoramento da inserção internacional, partindo de uma abertura comercial que reforce o processo de crescimento; a garantia de uma articulação produtiva entre os diversos setores econômicos; e a indução de uma interação criativa, entre os agentes públicos e privados. É importante destacar que todas essas propostas devem ser orientadas no critério estratégico que é produzir uma competitividade autêntica. Outro fator essencial presente nas propostas do documento da CEPAL é a manutenção de uma política macroeconômica eficiente que busque atingir as metas de curto e longo prazo a fim de melhorar a situação econômica presenciada nos anos de 1980. Para tanto, seria imprescindível realizar um reajuste na política tributária, a partir de reformas, que tenha por finalidade ampliar a poupança pública no intuito de gerar: os investimentos necessários para promoção da transformação produtiva; uma aplicação dos gastos públicos de forma eficiente; e instituir tributos com taxas uniformes, evitando um sistema complexo e com inúmeras taxas, facilitando, desse modo a administração tributária (CEPAL,2000).
No que tange a inovação tecnológica, o documento da CEPAL (2000) propõe sua inserção dentro do processo produtivo, adequando a infra-estrutura das atividades essenciais, apoiando a promoção interna da inovação tecnológica e da criatividade nas empresas, por meio de incentivos governamentais que tem por objetivo estimular as empresas a desenvolverem atividades inovadoras e apoiar o surgimento de novas empresas com avançado nível tecnológico. A inovação tecnológica é possível através da formação de recursos humanos, que assume de acordo com a CEPAL (2000) um papel fundamental dentro da transformação produtiva. A tarefa de promover uma capacitação e formação da mão de obra é colocada no documento como uma ação coletiva, não deve, portanto, recair a responsabilidade sobre um único agente, no caso o Estado. Assim é proposta uma parceria com as demais instituições privadas que apoiem a tarefa de formar, capacitar e reciclar os recursos humanos para garantir maior inovação no processo produtivo. Essa parceria é vista como importante
devido a escassez de recursos disponíveis para implementar as mudanças nos sistemas de qualificação. Conforme segue:
A aceleração da mudança técnica, a heterogeneidade dentro e entre os países da região, os requisitos mutáveis em matéria de qualificações profissionais e a diversificação dos agentes produtivos implicam que não se pode esperar que um único agente se encarregue das tarefas de formar, capacitar e reciclar os recursos humanos. Além disso, a escassez de recursos disponíveis para melhorar os sistemas de qualificação obriga a um aproveitamento máximo das diversas contribuições que as diferentes instituições podem fazer para a formação dos recursos humanos. Isso justifica a necessidade de uma estratégia de longo prazo, destinada à elevação paulatina e sustentada da oferta de formação em suas diferentes fases e âmbitos: ciclos pré-escolar, fundamental e secundário, universidades, centros de pesquisa, sistemas de capacitação, projetos de ensino popular e educação de adultos, e programas de reciclagem profissional (CEPAL, 2000, p. 901).
O que se percebe é que a capacitação é destinada não a formação, a cidadania e ao aprendizado dos estudantes, mas sob o intuito da meritocracia de promover uma mão de obra com formação com base em competências, obtendo a qualificação necessária para se inserir no mercado de trabalho e contribuir, dessa forma, para a inovação dentro do processo produtivo, aumentando os índices e atingindo as metas educacionais propostas por organizações internacionais, como o Banco Mundial e a Organização das Nações Unidas12.
O autor MINTO (2014) escreve sobre os pilares da produtividade e da competitividade nesse cenário proposto pela CEPAL:
[...] A lógica dessa relação é a de ampliar a “produtividade” e a “competitividade” da FT empregada nesses setores. Donde a difusão das ideologias correlatas: formação com base em competências; as noções de empregabilidade, de meritocracia, de enxugamento dos conteúdos e de ênfase na aprendizagem; enfim, de propostas pedagógicas que visam fazer da educação um campo também organizado de acordo com a “flexibilidade” do mundo produtivo e do padrão de acumulação de capital no contexto de mundialização (MINTO, 2014, p. 283).
Além disso, é nítida a isenção de responsabilidade do Estado de prestar um serviço essencial para a sociedade, como é a educação, a medida em que a formação, a capacitação e a reciclagem passam a não serem vistas mais como encargo de um único agente, sendo assim
12
No ano de 2000 a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou o documento “Declaração do Milênio”, um acordo assinado por 192 países membros desta organização que firmaram o compromisso de garantir a sustentabilidade do Planeta Terra. Esse documento é composto por oito metas a serem cumpridas até o ano de 2015, as “Metas de Desenvolvimento do Milênio”, “Objetivos do Desenvolvimento do Milênio” (ODM), ou ainda “Metas do Milênio” dentre elas destaca-se a segunda meta que visa atingir a educação básica de qualidade para mais de 100 milhões de crianças que estão fora das escolas. Transformar esse quadro significa garantir maior acesso a melhores condições de vida, a um trabalho digno e influencia sobremaneira no desenvolvimento do país, por meio da qualificação de profissionais e da difusão do conhecimento. Nesse mesmo ano a ONU, em parceria com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgam o documento “A Better World for All” (FMI, OECD, UN, WB, 2000), que pode ser considerado uma prévia dos ODM (CARVALHO; BARCELOS, 2014).
direcionadas também às diversas instituições privadas de ensino. No relatado contexto, o que se presencia é uma redução dos gastos públicos, principalmente no que tange a Educação Superior, nos centros de pesquisa e de formação, setor educacional onde a iniciativa privada, focada na organização do ensino com fins lucrativos, cresce cada vez mais nas sociedades latino americanas.
A partir dos anos de 1990 o que se percebe é um crescimento dos Institutos de Ensino Superior privado, uma política de empresariamento do serviço social apoiada pela adoção de um Estado neoliberal que elevou o privatismo na educação superior. O setor privado de Ensino Superior passou a atingir maiores privilégios, por meio de concessões feitas por parte do Estado, que concedeu maior atuação a instituições privadas de Ensino Superior ( MINTO, 2014).
As mudanças propostas no que se refere a educação também vão ser presenciadas no documento da CEPAL/UNESCO: “ Educação e Conhecimento: Eixo da Transformação Produtiva com Equidade”. Esta produção torna-se um complemento da “Transformação Produtiva com Equidade” e coloca a educação como eixo central para a promoção desta transformação. Assim, a relevância em analisá-lo, pois irá abranger mais o tema da educação dentro desse contexto de mudanças no pensamento da CEPAL.
O documento da CEPAL/UNESCO (2000) coloca a educação como um instrumento decisivo para se atingir a cidadania, atendendo os desafios do plano interno, e também como um requisito para garantir a competitividade internacional, atendendo, com isso, às imposições do plano externo. O documeto demonstra, também, que tanto os países desenvolvidos, quanto os países que obtiveram êxito na “industrialização tardia” colocaram a educação e a produção de conhecimento em destaque, pois perceberam a importância que eles representam dentro do processo de desenvolvimento. Na América Latina, segundo a CEPAL/UNESCO (2000), ocorre uma maior percepção e a adoção de práticas que garantam mais ênfase a educação e a produção de conhecimento.
A disseminação dos valores, da dimensão ética e dos comportamentos próprios da moderna cidadania, bem como a geração das aptidões e qualificações indispensáveis para a competitividade internacional (cada vez mais baseada no progresso técnico) recebem uma contribuição decisiva da educação e da produção de conhecimentos numa sociedade (CEPAL/UNESCO, 2000, p. 913 - 914).
A situação dos sistemas educacionais de capacitação profissional e de produção de ciência e tecnologia da América Latina sofreu nas últimas décadas do século XX uma relativa
ampliação. Conforme a CEPAL/UNESCO (2000), tal expansão se deu de maneira incompleta e insuficiente, no que concerne a qualidade de seus resultados, a sua adequação aos requisitos precisos na economia e no campo social, e a equidade do acesso concedido a diferentes camadas sociais. A CEPAL/UNESCO (2000) destaca ainda que torna-se imprescindível dar centralidade a educação e a produção de conhecimento, num momento de transição entre um período de recessão, de democratização e de abertura comercial que marcou os anos oitenta e início dos noventa para uma posterior era de dinamismo e desempenho que se espera atingir os países da América Latina.
Enquanto estratégia para assegurar o destaque necessário a educação e a produção científica, a CEPAL/UNESCO (2000) apontam como relevante a adoção de três características essenciais: (i) o caráter indutivo, onde se reconhece o imperativo de promover mudanças e dar destaque aos atores que atuam no processo de difusão de conhecimentos e na análise de estratégias desenvolvidas que obtiveram êxito; (ii) o caráter sistêmico que considera o vínculo existente entre educação, capacitação, produção científica e tecnológica com o sistema produtivo; e (iii) a ênfase na mudança institucional onde o aumento dos recursos financeiros são visto como importantes, mas esses só irão promover a redução das carências na área da educação se houver transformações que produzam como consequência uma organização institucional mais acessível disposta a atender as exigências da sociedade.
A orientação dessa estratégia proposta pelo documento acontece em três áreas: no campo político; no que se refere aos conteúdos; e no ponto de vista institucional. No campo político se destaca o compromisso financeiro de financiar as atividades de produção e difusão de conhecimento, tarefa que deve ser desenvolvida em longo prazo e que necessita da colaboração dos diversos atores sociais. Com relação aos conteúdos se demonstra a importância de focar as ações em prol de resultados na educação, na capacitação e na produção científica e tecnológica e também na articulação das exigências no desempenho das pessoas, empresas e instituições que atuam em diversas áreas da sociedade. Por fim, no que diz respeito ao ponto de vista institucional torna-se primordial romper com o isolamento das instituições de ensino e de transmissão de conhecimento, além de garantir a promoção de ações que garantam maior autonomia aos atores nas decisões e maior responsabilidade em prol dos resultados.
Nessa perspectiva a CEPAL/UNESCO (2000) aponta que a política educacional deve seguir alguns parâmetros importantes. O primeiro deles é permitir uma abertura de acesso a
educação, derrubando seu isolacionismo e garantindo uma maior equidade social. Para tanto, é necessário atingir os dois parâmetros seguintes que são: possibilitar o acesso universal e as aptidões precisas de modo a se atingir um desenvolvimento produtivo; e conduzir a criatividade em todas as etapas do processo de aprimoramento científico e tecnológico. Outras atribuições significativas são destacadas como de caráter instrumental: uma gestão institucional competente; capacitação e protagonismos dos educadores; engajamento financeiro de toda a sociedade em prol da educação; e por fim o estabelecimento de acordos de cooperação regional e internacional que promovam o intercâmbio cultural e cooperação estratégica.
A elaboração e a implantação dessas políticas propostas na educação dependerão da realidade presente e vivenciada em cada país, já que os contextos sociais e culturais são distintos, o que cabe a cada Estado a função de implementar as políticas necessárias de acordo com suas especificidades nacionais. Conforme afirma a CEPAL/UNESCO (2000):
[...] Somente no âmbito de cada sociedade nacional é possível determinar as prioridades, desenhar os planos de ação e colocá-los em prática, conjugando as condições, os recursos e os apoios necessários para viabilizar as reformas propostas e compatibilizá-las com a conservação e o enriquecimento da pluralidade e diversidade de canais de conhecimento na cultura de cada país (CEPAL/UNESCO, 2000, p. 918).
Dessa forma, a responsabilidade da eficácia ou não da implantação dessas reformas no setor educacional recai sobre a administração de cada país, não remete a comissão que as apontou como necessidades precisas para se atingir ao desenvolvimento e uma equidade social.
Por fim, o documento “Educação e Conhecimento: eixo da transformação produtiva com equidade”, no que tange aos recursos financeiros para garantir a aplicação dessas transformações na educação, coloca como destaque o papel do Banco de Desenvolvimento, enquanto financiador desses recursos, propondo uma parceria entre o banco e o setor financeiro privado de forma a apoiar o desenvolvimento científico e tecnológico, os investimentos em formação e capacitação de recursos humanos e a ampliação das pequenas e médias empresas (CEPAL/UNESCO, 2000).
Por essa abordagem, a CEPAL demonstra sua pretensão de eximir o Estado de suas competências, ou seja, enquanto provedor das transformações necessárias para garantir uma
educação de qualidade e que venha atuar como objeto fundamental no processo de desenvolvimento do país.
No caso do Brasil, mais especificamente, vale destacar que o artigo 205 da Constituição Federal de 1988 declara que a educação é “direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Nesse processo de transferência de responsabilidades, as funções que antes eram exercidas exclusivamente pelo Estado passam a ser palco de atuação do capital que passa a ampliar cada vez mais seu campo de atuação (MARQUES, 2015).
Resta, assim demonstrado, que na visão da CEPAL, o setor financeiro privado passa a atuar com destaque em prol da concessão e gerenciamento de empréstimos voltados para financiar a capacitação e a formação de mão de obra, bem como na garantia do acesso a educação superior, por meio de uma parceria com o setor público que garante benefícios consideráveis ao setor privado.
A visão cepalina dos anos de 1990 de que os países da América Latina já estavam caminhando em prol da adoção das políticas relevantes para garantir a educação enquanto eixo da transformação produtiva e da equidade social se mostrou equivocada. Os financiamentos na área da educação, principalmente no que concerne a Educação Superior – área da educação que contribui para inovação, pesquisa e tecnologia, bem como para a capacitação e formação de recursos humanos – foram direcionados para atender o setor privado de Ensino Superior.
Com isso, o que se presenciou foi o oposto do que a CEPAL almejou para os países da América Latina. Nos anos de 1990 predominou o exercício de governos neoliberais na América Latina, e como consequência das reformas neoliberais adotadas por esses governos, ocorreu uma redução de investimentos em áreas essenciais para a sociedade, como a educação. Os setores educacionais de capacitação e de pesquisa e tecnologia sofreram consideráveis cortes de investimentos públicos, principalmente nas Instituições de Educação Superiores públicas e nos Institutos Federais de Ensino Superior. Por outro lado, o que se constatou foi um crescimento considerável das Instituições de Educação Superior privada. O setor privado ganhou enorme expressão em se tratando de Educação Superior.
Seguindo a mesma orientação da produção da CEPAL/UNESCO, “Educação e Conhecimento: eixo da transformação produtiva com equidade”, outros trabalhos foram desenvolvidos pela CEPAL ao longo dos anos, visando a ideia de que a educação e o conhecimento são estratégias necessárias para atingir o desenvolvimento e a equidade social, dentre elas podemos destacar: “La brecha de la equidade: América Latina, El Caribe y la cumbre social”, publicação feita em 1997, com parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU); “A Hora da Igualdade – Brechas por selar, caminhos por abrir”, trabalho desenvolvido pela CEPAL no Trigésimo terceiro período de sessões da CEPAL em Brasília, no Brasil; e por fim o documento também desenvolvido pela CEPAL em parceria com a ONU, “Educación y desigualdade en América Latina”.
A publicação “La brecha de la equidade: América Latina, El Caribe y la cumbre social” defende a ideia de que a educação é uma força motriz responsável por promover o desenvolvimento, ela atua como propulsor entre o dinamismo produtivo, o bem-estar social e a institucionalidade democrática. A publicação destaca a importância dada para a formação de recursos humanos que acaba sendo o eixo propulsionador das mudanças produtivas, da participação cidadã e da mobilidade social (CEPAL/ONU, 1997).
O documento foi feito em função de uma análise dos parâmetros educacionais encontrados nos diversos países da América Latina. É válido destacar que nos anos de 1990