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Transmissão dos Afetos: esta categoria refere-se à forma como a afetividade vai sendo

No documento WANDA ROGÉRIA CAMPOS LIMA ASSIS (páginas 156-161)

FAMÍLIA

IRA TRISTEZA

4. Transmissão dos Afetos: esta categoria refere-se à forma como a afetividade vai sendo

transmitida na família; é a maneira subjetiva e específica da família expressar afetos – manifestar afetos – repetindo e formando uma seqüência transmitida à geração seguinte, podendo se tornar um valor, seja por meio de discursos e gestos. Está intrínseco nas interações e aparece na dinâmica relacional familiar intergeracional.

Neste trabalho, a pesquisadora optou por colocar a manifestação afetiva antes da manifestação dos sentimentos, para poder perceber o que falam, discursam sobre um tema, ou seja, manifestam e quais vínculos existiam, pois as categorias foram elaboradas em sequência com o objetivo de melhor compreensão da temática.

Os conceitos agrupados nas categorias manifestações afetivas, iniciam-se pela verbalização por meio dos discursos que podem ser de vários tipos, mas alguns foram identificados para melhor compreensão das interações do sistema intergeracional.

Nos discursos representados pela exposição de determinados assuntos (afetividade), verbalizados pelo sistema, a palavra e a frase têm um significado e o discurso algo que fez significado em relação ao sentir uma linguagem expressiva emotiva, mas predomina a atitude do emissor/ locutor perante o tema referente (afetividade), produzindo assim uma apreciação subjetiva.

A afetividade é algo amplo, complexo, ao mesmo tempo, rica e preciosa, desafia toda uma descrição e pede uma análise um pouco mais arrojada dos discursos e de seus códigos. Os enunciados, frases ou manifestações são verdadeiros ou falsos, conforme se ajustam ou não à realidade, mas todos têm o significado de sentir que é algo subjetivo, ou seja, o ato da fala produz uma determinada mensagem reforçada pela condição e intenção.

Para maior clareza e visualização, utilizamos tabelas para sistematizar as narrativas da família dentro de sua intergeracionalidade.

Tabela 15 – Categoria temática (adaptação)

Manifestação da Linguagem Afetiva, Sentimentos, Vínculos, Transmissão dos Afetos

Categorias Subcategorias Subcategoria

Manifestação da Linguagem Afetiva Verbal Não-verbal Manifestação dos Sentimentos Vínculos

Transmissão dos Afetos

Tipos de discursos.

Expressões observadas presentes

Discursos autoritários Discursos ambíguos Discursos vazios Discursos igualitários Discursos afetivos Sentimentos identificados que surgem

nas interações familiares.

Formação de vínculos dentro do sistema familiar.

Fonte: arquivo pessoal da pesquisadora.

Frases e ditos de valores afetivos, explorados no comportamento dos cuidadores das gerações anteriores. Experiência com outras figuras de ligações afetivas.Fatores estressores nas relações afetivas familiares.

4.12 Categorização 1

4.12.1 Manifestações das linguagens afetivas verbais

Quadro 1 – Tipos de discursos

CATEGORIA SUBCATEGORIA GERAÇÃO TEXTOS / CÓDIGOS

Manifestações da Linguagem Afetiva Verbal Tipos de Discursos Discursos Autoritário Geração Mais V elha Geração do Meio

Geração Mais Nova

Pouco falava e eu acho que apreendi isto por isto que não falo!

Dentro da categoria de manifestações da linguagem afetiva verbal, a subcategoria do discurso autoritário é aqui percebida como um recorte para compreender a dinâmica relacional, qual membro da família se posiciona mais ou tem mais autoridade na fala.

É relevante pensarmos na fala com o tom, os gestos, o contexto e inclusive, se isso é revelado na primeira ou na segunda entrevista, que pode indicar o receio de se expor os temas íntimos da família.

Após rever esta complexidade ou questões que a afetam, podemos refletir sobre os dados e perceber que: M1 fala mais com tom de autoridade máxima diante dos três sistemas geracionais. Um poder matriarcal. H1 M1 H2 M2 H3 M3

“E eu tomo remédio forte, tudo, acho que já vem por causa desses problemas, então problema do primeiro casamento, foi muito terrível, cheguei ficar internada em sanatório e depois depressão e hoje eu tomo remédio forte então se eu não tomar o remédio eu fico, se eu tomo remédio beleza eu dou risada, brinco com todo mundo, mas se eu não tomar eu olho pra ela, ela tá com cara feia comigo ou com raiva, todo mundo tá

com raiva de mim, aí eu fico agitada, ele não pode nem olhar pra mim, então é um problema que já vem lá da.”

“Ele conta tudo pra mim, tudo o que acontece né, ele vem, vai lá em casa, conta pra mim, conta pra ele, e eu também quando o problema tá nem eu se eu tô mais longe eu ligo, ah! H2 é isso é aquilo ele fala pra mim e eu falo pra

ele é assim.”

“Ele fala da mãe que a mãe compra, né. Mais antes da mãe comprar a chuteira ela foi perguntar pra mim, H2 eu vou

comprar uma chuteira pro H3 posso? Eu falei, pode.”

“vou aproveitar, eu gostei, nossa! (não entendi)! Foi bom também que eu falei, eu tinha a maior vontade de falar isso que ele não respeita a minha opinião, porque a dele tem que prevalecer.”

“Eu já não gosto desse negócio de ter muita amizade,

ser popular na escola, conhecer vários meninos, eu fico mais na minha, conhecer de longe de vista do que ter

muita conversa.”

“ Eu acho! Se um soubesse do problema do outro não ia

ter, acho que não ia ter discussão, discussão que eu falo é,

se, vamos supor, se eu soubesse eu ia tentar ajudar ou eles iam tentar me ajudar acho que num, alguma coisa que acontece.”

4.12 Categorização 1

4.12.1 Manifestações das linguagens afetivas verbais

Quadro 2 – Tipos de discursos

CATEGORIA SUBCATEGORIA GERAÇÃO TEXTOS / CÓDIGOS

Manifestações da Linguagem Afetiva Verbal Tipos de Discursos Discursos Ambigüos Geração Mais V elha Geração do Meio

Geração Mais Nova

M1 H2 M2 H3 M3 H1 Não identificado.

“Ah, sei lá eu não tenho motivos pra ter crises, porque a família nossa é muito unida, é só eu e ele dentro de

casa, eu que sou mais chata, mas ele tem muita paciência

comigo, eu com a minha nora acho que nós nunca discutiu, se tantos anos que a gente vive um morando,

quando não tá um dentro da casa do outro, tá um em

cima do outro, acho que nós nunca discutiu, eu discuto mais com o meu filho.”

“E a minha mãe nunca teve muito carinho, e além de tudo, tudo o que a gente fazia que às vezes ela podia até encobrir que não era uma coisa grave, não, ela já ia corria contar pro meu pai e ele já vinha com violência, então foi assim muito... entre os irmãos não mais o meu pai com a

minha mãe nunca deram carinho pra filho não. “Trinta e nove espírito jovem, ainda, como vocês brigam comigo, hein! Pelo amor de Deus!´”Uma vez até discutindo assim, conversando, discutindo às vezes fico

meio nervoso, minha mãe desceu na firma esses dias e eu

tava meio nervoso, fala alguma coisa entendeu? “

”Um dia antes nós até não chegamos a discutir, porque nós

não discuti, as vezes ele fala coisa, é coisa dele da

firma, da empresa, então ele fala ele acha que não tá

certo e as vezes ele tá mais certo do que eu, tá mais tudo bem, saí fui pra casa no outro dia ele chegou mais

tarde aí até falei pro motorista: Pô, o H1 não é de chegar

mais tarde, liguei pra minha mãe, saí de lá vim ver o que aconteceu, quer dizer, a gente se preocupa né.”

“Não é briga na verdade é problemas, qual o tipo da briga?”

“É que nem você tá falando, os dois é assim: - Oh, ela mora na, mudamos na casa que ela morava, ela passou para a casa de baixo, passa o dia inteiro ali junto ele sobe antes da janta ou depois da janta, ele fala assim, antes ele me chamava

agora a gente vive muito junto, ele não chama não, porque eu falo: - Ah, eu não vou! Ele fala: - Vou na

minha mãe! Fiquei com a sua mãe o dia inteiro vou lá na sua mãe de novo! H2, não vou não! Mais ele era sagrado é assim desceu as escadas entra na casa dela, mais ele vai lá direto qualquer coisinha ele vai lá na mãe então acho que é por isso, as meninas (irmãs)já não né.” “Tudo o que eles fazem de bom pra gente, só dele não chegar em casa bêbado, xingando todo mundo, ela não ficar com raiva da gente, é isso tudo.”

“Bom, minha mãe disse que se eu casar não vai ser bom.”

“Ah, tanto na conversa, como em eu sinto tudo, tudo o

que faz pra mim é forma de carinho, conversar, brigar, xingar, bater...”

Diante do discurso ambíguo identificado, algo relevante seria direcioná-lo para a afetividade e esta aparece no querer estar junto e o medo de colocar que o outro discute e tem opinião diferente e isto aparece individualmente e nas três gerações.

4.12 Categorização 1

4.12.1 Manifestações das linguagens afetivas verbais

Quadro 3 – Tipos de discursos

CATEGORIA SUBCATEGORIA GERAÇÃO TEXTOS / CÓDIGOS

Manifestações da Linguagem Afetiva Verbal Tipos de Discursos Discursos Vazios Geração Mais V elha Geração do Meio Geração Mais Nova M1 H2 M2 H3 M3 H1 Não identificado.

“Ele chega e fala assim: Oh, faz tempo que a gente ta

programando uma viagem. E ficou quatro anos ele na caixa e eu falando quando aposentar a gente vai fazer uma viagem, ia embora, mais embora não dá pra ir então a gente vai pegar o carro e fazer uma viagem nois dois, porque sempre eu vou e ele fica, então a gente vai fazer uma viagem, aposentou aí vamos acertar todas as coisas primeiro, acertou tudo, vamos receber tudo, recebeu tudo, vamos pagar tudo, pagou tudo, então fica pro mês que vem, o mês que vem fica pro mês que vem, o mês que vem e já vem quatro meses, aí eu falei

assim essa viagem só vai fazer depois que der um treco em mim e eu morrer e for lá pro caixão e você arrumar uma nova de quatorze/quinze anos aí você joga ela no carro e você vai viajar aí eu já falo logo assim pra ele, aí eu já começo irritar ele assim.”

“Tenho dó do motorista, eu tenho sócio o sócio já pensa diferente de mim, e o sócio quer mandar o motorista e eu já não quero porque eu acho que o motorista começou já junto comigo no sufoco que nem no caso dele (H1) eu ele e o

motorista e nós que faz as coisas e o sócio entrou agora a

pouco tempo que era outro, olha só a confusão, então eu sou muito...”

Não Identificado

Não identificado

Não identificado

Em duas gerações, foram encontrados discursos vazios e foi observado que estes não conectam as pessoas, pelo contrário, aparecem como forma de afastamento e exclusão, não tendo retorno na formação de vínculos.

4.12 Categorização 1

4.12.1 Manifestações das linguagens afetivas verbais

Quadro 4 – Tipos de discursos

CATEGORIA SUBCATEGORIA GERAÇÃO TEXTOS / CÓDIGOS

Manifestações da Linguagem Afetiva Verbal Tipos de Discursos Discursos Igualitário Geração Mais V elha Geração do Meio Geração Mais Nova M1 H2 M2 H3 M3

No documento WANDA ROGÉRIA CAMPOS LIMA ASSIS (páginas 156-161)