Está dentro das possibilidades de quase todas as pessoas, contanto que desejem dedicar esforço, tempo, e perseverança necessários, e sejam capazes de pensamento claro e firme, convencerem-se de que lhes é possível a transmissão de pensamento, e tornarem-se, mesmo, moderadamente eficientes nessa arte. Há, naturalmente, considerável literatura sobre o assunto, tal como nos Relatórios da Sociedade de Pesquisas Psíquicas.
Os dois parceiros na experiência devem combinar uma hora que seja mutuamente conveniente, destinando, digamos, dez ou quinze minutos por dia à tarefa. Cada um deles deve assegurar-se de que não sofrerá interrupção de espécie alguma. Uma dessas pessoas deve ser a que projeta o pensamento, ou o transmissor, e a outra o receptor. Na maioria dos casos é desejável que se alternem os papéis, a fim de evitar o risco de uma delas se tornar anormalmente passiva. Além disso é possível que se descubra que uma é muito melhor na transmissão, e a outra na recepção.
O transmissor deve selecionar um pensamento - que pode ser qualquer coisa, desde uma ideia abstrata até um objeto concreto, ou uma simples figura geométrica - concentrar-se nele, e querer gravá-lo na mente do amigo. Não concentrar-seria necessário insistir em que a mente deve estar inteiramente concentrada naquela condição graficamente descrita por Patañjali como "unidirecional". É bom que os inexperientes não tentem concentrar-se por tempo demasiado longo; a atenção titubeia e se distrai, podendo originar um mau hábito ou causar tensão que leva à fadiga. Para muitos, se não para todos, segundos são mais seguros do que minutos.
O receptor, colocando o corpo na posição mais confortável possível, a fim de que nenhum incômodo corporal o distraia do assunto em pauta, deve tornar a mente vazia - tarefa nada fácil para principiantes, mas bastante simples desde que se adquira o "jeito" - e anotar os pensamentos que passam pela mente. Deve escrever esses pensamentos à proporção que surgem. Seu único cuidado é de permanecer passivo: nada rejeitar, nada encorajar.
O transmissor deve manter, igualmente, um registro dos pensamentos que envia, e, a intervalos convenientes, as duas anotações devem ser comparadas.
A não ser que os experimentadores sejam anormalmente deficiente no uso da vontade e no controle do pensamento, algum poder de comunicação se estabelecerá em poucas semanas, ou meses em último caso. O autor deste livro soube de casos em que isso aconteceu logo na primeira vez.
O estudante de ocultismo "branco", desde que se certifique da possibilidade da transmissão do pensamento, não se contentará com experimentos acadêmicos tais como foram descritos acima, ou com o simples envio de bons pensamentos aos amigos, por muito úteis que eles possam ser, pois há finalidades muito mais importantes, em que usar seus poderes.
Assim, para dar um exemplo óbvio, suponhamos que o estudante deseje ajudar um
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homem que esteja sob o domínio de um hábito nefasto como o da bebida. Deve primeiro certificar-se sobre as horas em que é provável que a mente do paciente esteja desocupada - tal como a hora de dormir. Se o homem estiver adormecido será muito melhor.
Nessa hora o transmissor deve sentar-se, a sós, e imaginar o paciente sentado diante dele. Formar o quadro com grande clareza não é essencial, embora o processo se torne mais eficaz se a imagem puder ser formada vividamente, com clareza, e com pormenores.
Se o paciente estiver dormindo, será atraído para a pessoa que pensa nele, e animará sua própria imagem que pelo outro foi formada.
O estudante deve então, com inteira concentração da mente: fixar sua atenção na imagem e dirigir-lhe os pensamentos que deseja ver impressos na mente do paciente. Deve apresentar estes pensamentos como nítidas imagens mentais, tal como se estivesse argumentando ou dialogando com ele.
Deve haver cuidado para não tentar controlar a vontade do paciente, de forma alguma. O esforço deve ser feito apenas no sentido de colocar diante de sua mente ideias que, apelando para a sua inteligência e para as suas emoções, possam ajudá-lo a formar um julgamento correto e a se esforçar para pôr em prática o que se debateu.
Se tentarmos impor nele lima determinada linha de conduta, e a tentativa tiver sucesso, ainda assim pouco, ou quase nada, foi ganho. Porque, em primeiro lugar, o efeito enfraquecedor da compulsão em sua mente pode causar-lhe consequências piores que o mal de que foi salvo. Em segundo lugar, a tendência mental para a autocomplacência viciosa não será modificada opondo-se-lhe obstáculos. Controlado numa direção, ele encontrará outra, e um novo vício suplantará o antigo. Assim, o homem levado à força a fazer-se sóbrio através do domínio de sua vontade, não estará curado do vício mais do que se tivesse sido encerrado numa prisão.
À parte essa consideração prática, é em princípio inteiramente errado, para um homem, tentar impor sua vontade sobre outro, mesmo para levá-lo a agir corretamente. O verdadeiro progresso não é auxiliado pela coação externa. A inteligência deve ser convencida, as emoções despertadas e purificadas, se quisermos obter resultados positivos.
Se o estudante .deseja dar qualquer outro tipo de auxílio mediante seu pensamento, deve proceder de forma similar. Conforme vimos no Capítulo VIII, um forte desejo pelo bem de um amigo, enviado a ele como intervenção protetora geral, permanecerá em torno dele como uma forma-pensamento durante o tempo proporcional à força do pensamento, e irá guardá-lo contra o mal, agindo como barreira em relação a pensamentos hostis, e mesmo desviando perigos físicos. Um pensamento de paz e consolo mandado da mesma forma, abrandará e acalmará a mente, espalhando em torno de seu objetivo uma atmosfera de serenidade.
Fica assim claro que a transmissão de pensamento está intimamente associada à cura pela mente, que se dirige à transmissão de bons e fortes pensamentos do operador para o paciente. Exemplos disso são a Ciência Cristã, a Ciência Mental, a Cura pela Mente, etc.
Nos métodos em que se tenta curar um homem simplesmente por acreditar que ele está bem, grande quantidade de influência hipnótica se exerce, frequentemente. Os corpos etérico, astral e mental do homem estão em tão íntima conexão, que se um homem acredita, mentalmente, que está bem, sua mente pode forçar o seu corpo a entrar em
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harmonia com o estado mental existente, e assim produzir a cura.
H. P. Blavatsky considerava legitimo, e mesmo sensato, o uso do hipnotismo para retirar uma pessoa da embriaguez, por exemplo contanto que o operador soubesse o bastante para poder romper o hábito e libertar a vontade do paciente, de forma que ele próprio se colocasse contra o vício visado. Como a força de vontade do paciente ficou paralisada pelo vício da bebida, o hipnotizador usa a força do hipnotismo como expediente temporário que permita ao homem recuperar a vontade e a reafirmá-la.
As doenças nervosas cedem muito rapidamente ao poder da vontade, porque o sistema nervoso foi modelado para expressar os poderes espirituais no plano físico. Os resultados mais rápidos são os obtidos quando se trabalha primeiro sobre o sistema simpático, porque esse sistema é o mais diretamente relacionado com a vontade sob a forma de desejo e o sistema cérebro-espinhal está mais diretamente relacionado com o aspecto do conhecimento e da vontade pura.
Outro método de cura exige que o operador primeiro descubra, com exatidão, o que está errado, para formar a Imagem do órgão doente e depois pensar nele como devia ser, isto é, curado. Na forma pensamento mental que ele assim criou, constrói, depois, matéria astral, e então, pela força do magnetismo, densifica ainda mais essa matéria com matéria etérica. Por fim, acrescenta material mais denso de gases líquidos e sólidos, utilizando a matéria disponível no corpo do paciente. Qualquer deficiência é suprida do exterior.
É óbvio que tal método demanda pelo menos alguma ideia de anatomia e fisiologia.
Apesar disso, no caso de um estagio avançado e evolução, a vontade do operador que careça de conhecimento em sua consciência física pode ser guiada por planos superiores.
Nas curas efetuadas por este método não há o mesmo perigo que acompanha aquelas em que foi usado o método mais fácil, portanto mais comum, de trabalhar sobre o sistema simpático citado acima.
Há, entretanto, certo perigo na cura pelo poder da vontade, isto é, o perigo de levar a doença para um veiculo superior. A doença sendo, com frequência, o trabalho final de um mal previamente existente em planos superiores, será melhor deixar que ela própria se desfaça sem ser controlada à força e sem atirá-la a veículos mais sutis.
Se ela for o resultado de desejos ou pensamentos maus, então os meios físicos de cura são preferíveis aos mentais, porque os meios físicos não podem atirar o distúrbio para planos superiores, como pode acontecer se meios mentais forem empregados. Por isso o mesmerismo é um processo adequado, pois que é físico (ver O Corpo Etérico).
Um verdadeiro método de cura é o que torna os corpos mental e astral perfeitamente harmoniosos, mas esse método é muito mais difícil e não tão rápido como o que emprega a vontade. Pureza de mente e de emoção significam saúde física. Assim, uma pessoa, cuja mente é perfeitamente pura e equilibrada não produzirá novas doenças corporais, embora possa ter ainda algum carma para saldar, ou estar com alguma desarmonia criada por outros.
Há, naturalmente, outros métodos para o uso do poder do pensamento na cura, já que a mente é o único e grande poder criativo no universo, divino no universo, humano no homem. Do mesmo modo que pode criar, a mente pode restaurar. Onde há lesão, a mente pode levar sua força para curá-la.
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Podemos notar também, de passagem, que o poder da "fascinação" (ver O Corpo Astral) é, simplesmente, o de fazer uma clara e forte imagem mental e depois projetá-la na mente de outra pessoa.
O auxílio que se dá a outrem através da oração é, em grande parte, do tipo que acabamos de descrever; a frequente eficácia da prece comparada com a dos comuns bons desejos é atribuível à maior concentração e intensidade postas pelo crente piedoso em sua oração. Concentração e intensidade semelhantes, sem o uso da prece, trariam resultados idênticos. O estudante deve ter em mente que nos estamos referindo, aqui, aos efeitos da prece produzidos pelo poder do pensamento daquele que reza. Há, naturalmente, outros resultados da oração, devido ao fato de ser alertada a atenção de algumas inteligências desenvolvidas como humanas, super-humanas, e mesmo não-humanas, que pode resultar em auxílio direto dado por um poder superior ao que possa possuir quem está rezando.
Com esse tipo de "resposta à oração", contudo, não estamos ocupados no momento.
Tudo quanto pode ser feito pelos vivos através do pensamento pode mais facilmente ser feito pelos "mortos". Consoante explicamos em O Corpo Astral, a tendência de um homem, depois da morte, é voltar sua atenção para o íntimo, e viver antes nos sentimentos e na mente do que no mundo externo. O reajustamento do corpo astral pelo Elemental de Desejo tende ainda mais a encerrar as energias mentais e evitar sua expressão exterior.
Contudo, a pessoa assim controlada, no que se refere às energias que se destinam ao exterior, torna-se mais receptiva para as influências vindas do mundo mental, e pode, portanto, ser auxiliada, animada, e aconselhada com muito maior eficácia do que quando estava na terra.
No mundo da vida após a morte um pensamento amoroso é tão palpável aos sentidos como o são aqui uma palavra de amor ou uma doce carícia. Todos os que se vão devem, portanto, ser seguidos por pensamentos de amor e paz, pelo desejo de que progridam rapidamente em sua evolução. Bem grande é a quantidade dos que permanecem em estado intermediário, muito mais tempo do que deveriam; e isso se dá porque não têm amigos que saibam como ajudá-los.
Os ocultistas que fundaram as grandes religiões não estavam desatentos quanto ao serviço devido por aqueles que ficam na Terra aos que passaram para o outro lado. Por isso os hindus têm seu Shrâddha; os cristãos, suas missas e orações pelos "mortos".
Da mesma maneira é possível à transmissão do pensamento trabalhar em direção contrária, isto é, ir dos que já não têm corpo para os que estão fisicamente vivos. Assim, por exemplo, o forte pensamento de um conferencista sobre determinado assunto pode atrair a atenção de entidades desincorporadas que por ele se interessem. Um auditório, na verdade, muitas vezes contém maior número de pessoas em corpo astral do que em corpo físico.
Às vezes, um desses visitantes pode saber mais sobre o tema do que o conferencista, e nesse caso pode assessorá-lo com sugestões e ilustrações. Se o conferencista for clarividente, poderá ver seu assessor e as novas ideias serão materializadas diante dele em matéria sutil. Se não for clarividente, aquele que o auxilia imprimirá as ideias, provavelmente, no cérebro do conferencista que, e em tal caso, as tomará como suas. Essa espécie de assistência é quase sempre dada por um
"auxiliar invisível".
O poder do pensamento combinado de um grupo de pessoas, usado deliberadamente para determinado fim, é bem conhecido, tanto dos ocultistas como de outros que conheçam algo da
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profunda ciência da mente. Assim, em certas partes da cristandade é de hábito preparar uma missão evangelizadora, mediante uma meditação acurada e bem definida. Desta forma cria-se, na localidade, uma atmosfera mental altamente favorável à expansão dos ensinamentos pensados, e se preparam cérebros receptivos para a instrução que lhes vai ser ministrada.
As Ordens contemplativas da Igreja Católica Romana fazem trabalho muito bom e útil pelo pensamento, como o fazem os reclusos da Índia e os crentes budistas. Com efeito, onde uma inteligência pura e boa se põe a ajudar o mundo, pela difusão de nobres e elevados pensamentos, ela presta um serviço bem definido ao homem, e o pensador solitário torna-se um dos melhoradores do mundo.
Outro exemplo, que podemos classificar como parte consciente e parte inconsciente, da forma pela qual a atmosfera do pensamento de um homem pode afetar poderosamente outro homem, é a da associação de um aluno, ou discípulo, com um instrutor espiritual ou guru,
Isso é bem compreendido no Oriente, onde se aceita muito bem que a parte mais eficaz e importante no treinamento de um discípulo está no viver constantemente na presença de seu mestre, banhando-se na sua aura. Os vários veículos do mestre estão sempre vibrando com um ritmo poderoso e constante, em compasso mais elevado e mais regular do que o do discípulo, embora este o possa alcançar, às vezes, por alguns momentos. A pressão constante das ondas de pensamento mais fortes do mestre, entretanto, aos poucos erguem as do discípulo até a mesma oitava. Tosca analogia pode ser feita com o treinamento musical. Uma pessoa que tem ainda pouco ouvido musical, encontra dificuldade em cantar sozinha e corretamente no compasso, mas se canta com outra voz mais forte, que seja perfeitamente treinada, sua tarefa torna-se mais fácil.
O ponto importante é que a nota dominante do mestre esteja sempre soando, de forma que sua ação toque o discípulo noite e dia, sem a necessidade de qualquer pensamento especial por parte de qualquer dos dois. Assim, torna-se muito mais fácil ao crescimento dos veículos sutis do discípulo dirigir-se na direção correta.
Homem comum algum, agindo automaticamente e sem intenção, pode exercer sequer uma centésima parte da influência cuidadosamente dirigida de um mestre espiritual.
Muitos, porém, podem de certa forma compensar a carência de poder individual, de forma que a incessante embora despercebida pressão exercida sobre nós pelas opiniões e sentimentos de nossos associados, leve-nos com frequência a absorver, sem o saber, muitos de seus preconceitos, como vimos no capítulo precedente, quando se trata de influência do pensamento nacional e racial.
Um discípulo "aceito" de um Mestre está tão intimamente em contacto com o pensamento dele, que pode treinar-se para a qualquer momento ver qual é esse pensamento sobre dado assunto, e dessa maneira muitas vezes deixa de errar. O Mestre pode, a qualquer momento, enviar um pensamento através do discípulo, como sugestão ou como mensagem. Se, por exemplo, o discípulo estiver escrevendo uma carta ou fazendo uma conferência, o Mestre está, subconscientemente, cônscio do caso, e pode, a qualquer momento, lançar à mente do discípulo uma sentença a ser incluída na carta ou usada na conferência. Em estágios iniciais, o discípulo muitas vezes não está ciente disso, e supõe que as ideias nasceram espontaneamente na sua mente. Depressa, porém, aprende o pensamento do Mestre. Na verdade, é muitíssimo desejável que ele aprenda a reconhecê-lo, porque há muitas entidades, nos planos
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mental e astral, que, com as melhores intenções e da maneira mais amistosa, estão muito prontas a fazer sugestões similares, e é positivamente necessário, para o discípulo, distinguir claramente de onde elas vêm.
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CAPÍTULO XII