8. Metodologia de Trabalho
8.3. Consolidação dos Dados do Levantamento de Campo nos Estabelecimentos (Protocolo de
8.3.4. Transportadora de Cargas
A Transportadora de Cargas está situada na Rodovia Washigton Luís, no município de Duque de Caxias, onde atua no ramo de transporte de gases, na categoria a granel (botijões) ou em cilindro. As operações de carga e descarga não são feitas nas dependências da empresa, sendo realizadas no próprio cliente. A transportadora possui estrutura própria para manutenção, abastecimento de combustível, troca de óleo, além de serviços de manutenção, lavagem e lubrificação, de sua frota, em torno de 70 veículos. Esta frota permanece em constante movimentação pelo país, inclusive em outras bases da empresa.
A transportadora possui licença de operação, além de bom sistema organizacional, com gerência local da área de segurança e meio ambiente.
Em relação ao foco de avaliação do presente estudo, foi selecionada uma área para coleta, onde são realizados serviços de lavagens de carroceria e chassis de caminhões, além de operações de manutenção, limpeza e lubrificação de peças. A Figura 8.26 apresenta um panorama geral da empresa.
Figura 8.26 – Aspecto geral da Transportadora de Cargas, situada na Rodovia Washington Luís, sentido Petrópolis.
Os pontos escolhidos para coleta foram:
a) Entrada do fosso de acumulação;
b) Caixa de inspeção após o bombeamento do fosso de acumulação; c) Terceiro SAO;
Durante a amostragem, realizada em uma tarde de tempo bom, foi avaliada a lavagem de carroceria e chassi de um caminhão com uma carreta combustível (para transporte de gás), no box de lavagem (Figura 8.27). O rastreamento do caminho percorrido pelo efluente foi realizado desde a entrada do fosso de acumulação até a caixa de separadora final, referente aos pontos a, b e c, durante o processo de lavagem.
Antes do início da amostragem, o fosso de acumulação encontrava-se vazio, sendo bombeado após a lavagem para o sistema separador água e óleo, do tipo convencional, onde foram coletadas as amostras b e c.
Em outra amostragem, referente a uma lavagem de peças, o efluente foi coletado de uma operação de limpeza de um eixo de caminhão, através de jateamento, com aplicação prévia de um solvente para facilitar o processo de limpeza. No caso da empresa, empregou-se uma mistura de óleo diesel com querosene, ambos na proporção de 50% cada.
Para coletar o efluente, foi utilizado uma bandeja abaixo da peça, no momento do jateamento, no intuito de avaliar a influência direta de uma operação dessa natureza, uma vez que se fosse coletado no fosso de acumulação, ou na tubulação de entrada, esta amostragem sofreria uma gama de interferências.
A coleta diretamente no 3° SAO ocorreu devido a dificuldades no campo para se ter acesso a uma caixa de passagem após o sistema separador, que se encontrava obstruída por grama no seu entorno.
As medições de vazões foram realizadas através de cubagem do efluente.
Figura 8.27 – Aspecto geral da área onde são realizados os serviços de lavagem de caminhões e limpeza de peças.
A seqüência das Figuras 8.28 a, b, c, d apresenta os pontos aonde foram coletadas as amostras. (a)2 (b)3 (c)4 (d)
Figura 8.28 –Seqüência dos pontos de amostragem. (a) Aspecto do fosso de acumulação, e da entrada do fosso de acumulação, parte superior da foto. (b) Caixa de inspeção que recebe o efluente bombeado do fosso de acumulação. (c) Vista geral das unidades separadoras água e óleo. (d) Terceiro separador água e óleo, composto de 3 caixas.
2 O fosso possui uma caixa de areia, dotada de septo, que também serve como um separador água e óleo precário.
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Na figura é observada a presença de espuma proveniente da lavagem do caminhão.
A Figura 8.29 apresenta um diagrama esquemático da área de lavagem veicular. ÁREA DE LAVAGEM REDE PÚBLICA ÁGUA E ÓLEO SISTEMA SEPARADOR ELEVADOR ENTRADA DO FOSSO DE ACUMULAÇÃO FOSSO DE ACUMULAÇÃO CAIXA E INSPEÇÃO RALO DE DRENAGEM
Figura 8.29 – Diagrama esquemático da planta da área de lavagem veicular, onde foram realizadas as coletas.
O processo de lavagem dos caminhões é realizado através de jateamento de água pressurizada. A lavagem de carroceria e a lavagem de chassi são realizadas durante o mesmo processo por um empregado da empresa. No caso da lavagem de chassi, esta pode ser executada de duas formas. Em uma delas, o empregado se abaixa, executando o jateamento na parte de baixo do veículo. Esta modalidade é mais incompleta e executada quando o veículo não está muito carregado de sujidades no chassi. Na outra modalidade, mais completa, o jateamento e a limpeza são realizados diretamente no fosso de acumulação. Essa modalidade é realizada quando o veículo está muito sujo, verificado através de inspeção visual. Nesta amostragem, não foi utilizado o jateamento pelo fosso.
A empresa possui duas categorias de carretas, o tipo combustível e o baú, Figuras
8.30 a e b respectivamente, onde ambos passam pelo mesmo processo de lavagem.
CX. DE INSPEÇÃO
(a) (b)
Figura 8.30 – (a) Carreta do tipo combustível para transporte de gás. (b) Carreta do tipo baú, utilizada para transporte de botijões de gás.
O procedimento de lavagem consiste, basicamente, em primeiro molhar o veículo, através do jateamento com água pressurizada, e posteriormente aplicar um detergente automotivo, na carroceria, também através de um jateamento. Para a lavagem de chassi é utilizado um outro produto, um desengraxante, também aplicado por jateamento. Os dois produtos, o detergente e o desengraxante, são diluídos e alocados em bombonas diferentes, utilizando-os de acordo com a sua aplicação. Em casos onde a carroceria está muito suja, também é utilizado o desengraxante. Para essa amostragem, o desengraxante foi utilizado somente para a lavagem de chassi.
Após o jateamento com detergente ou desengraxante, é realizada uma limpeza manual, com uso de uma vassoura, para remover as sujidades, tanto na carroceria quanto no chassi.
A última etapa consiste num segundo jateamento com água pressurizada para enxaguar e remover a espuma do veículo.
A empresa lava entorno de 10 conjuntos caminhão-carreta por semana.
A seqüência do procedimento de lavagem do conjunto caminhão-carreta é demonstrada nas Figuras 8.31 a, b e c.
(a)5 (b)
(c)
Figura 8.31 – Procedimento de lavagem caminhão-carreta. (a) Jateamento com água pressurizada na carroceria (b) Limpeza de carroceria feita com o auxílio de uma vassoura, após o jateamento de espuma. (c) Jateamento de espuma com utilização do desengraxante no chassi do caminhão.
Nas Tabelas 8.12 e 8.13 seguem os dados observados em campo, relacionados com a limpeza de carroceria e chassi respectivamente.
Tabela 8.12 – Seqüência do procedimento de lavagem carreta-chassi.
ORDEM AÇÃO TEMPO(minutos)
1ª Jateamento de água de água preliminar 20
2ª Jateamento de espuma chassi e carroceria 5
3ª Remoção de sujeira manual com vassoura 15
4ª Jateamento de água final para enxágüe 20
TOTAL 60 minutos (1 hora)
Tabela 8.13 – Produtos aplicados no processo de limpeza veicular.
TIPO PRODUTO FABRICANTE COMPOSIÇÃO COR DILUIÇÃO
Shampoo desengraxante DESFAST LDB QUIMIFAST IND E COM LTDA Sulfato de dodecil benzeno, aminas, álcool etoxilado, fosfatos e tenso ativo azul 1:3 acondicionado numa bombona de 200 L, onde 5 litros da mistura lavam 1 caminhão Detergente semi-pastoso para a limpeza de carroceria e chassis
ORQUIMOL JOHNSON DIVERSEY
Dodecil-benzenossulfonato de sódio, alcalinizante, coadjuvante, corante, espessante, perfume, preservante, seqüestrante, tensoativo não iônico e água amarelo 1:20 acondicionado numa bombona de 200 L, onde 20 litros lavam 1 caminhão Detergente líquido ácido para limpeza de ônibus e alumínio ALUBRITE P DAVIS PRODUTOS SINTÉTICOS E SERVIÇOS LTDA Ácidos inorgânicos, inibidores especiais, tensoativos e agentes quelantes incolor 1:5
Existe ainda mais uma qualidade de limpeza, denominada de limpeza de alumínio, onde as rodas e os tanques de alumínios são lavados com produtos especializados, no caso da empresa, o produto usado é o Alubrite P. Nessa campanha, não foram coletadas amostras referentes a esse serviço. A Figura 8.32 apresenta o detergente automotivo utilizado na lavagem de carroceria.
Figura 8.32 – Orquimol-detergente automotivo semi-pastoso utilizado para lavagem de carroceria.
A amostragem da limpeza de peças teve como objetivo avaliar o potencial poluidor de um efluente gerado por esta operação, principalmente levando em consideração a utilização de solventes e combustíveis destinados para esse propósito.
A freqüência de limpeza de peças e o modo de trabalho de cada empregado não são muito uniformes, o que dificulta o conhecimento preciso do consumo de água para o serviço. As peças após serem limpas pela mistura de óleo diesel e querosene são jateadas e drenam para o fosso de acumulação (Figuras 8.33 a e b), sendo bombeadas para os separadores água e óleo, assim como o efluente da lavagem dos caminhões. Normalmente, essas águas são misturadas no fosso antes de serem bombeadas, uma vez que os serviços são feitos no mesmo horário. Na avaliação feita nesta amostragem, foi observada a lavagem de um eixo de rodas de carreta. No serviço, foi aplicada uma mistura de querosene com óleo diesel na peça, num total de 6 litros, na proporção de 50% cada, utilizando uma estopa. Após a limpeza da peça, aplicou-se um jateamento, em 3 intervalos de tempo de 10 segundos cada. O sumo resultante desta lavagem foi coletado em uma bandeja colocada embaixo da peça.
(a) (b)
Figura 8.33 – (a) Limpeza com uso de estopa da peça na área de lavagem de caminhões. (b) Jateamento da peça e recolhimento do sumo gerado em uma bandeja. Ao fundo do lado esquerdo aparecem aros de alumínio posicionados para futura lavagem.
Segundo uma estimativa não muito precisa do pessoal da manutenção da empresa, poderia-se considerar, como efeito comparativo, levando em consideração as lavagens de peças menores, peças de alumínio, entre outras, uma média diária de 5 eixos de rodas, como apresentado nas fotos, para efeito comparativo equivalente de consumo de água e solvente.