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Durante seu trajeto no rio, uma partícula pode ser sedimentada e removida diversas vezes. Essa transferência desde o ponto mais alto ao mais baixo na bacia até sua deposição final, geralmente em um lago ou no oceano, dá-se o nome de processo de transporte, que de forma alguma se desvincula do processo de erosão e sedimentação.

Desta forma o que o visitante deve perceber neste ponto é que estes processos são coexistentes, acompanhado do tipo e a quantidade de material transportado, o que definirá não só a competência do rio no carregamento deste sedimento do continente para o oceano, mas também o tipo, o tamanho e a forma dos canais, que terá influência neste processo e nas características ecológicas deste sistema.

Para abordar este subtema sugerimos a experiência descrita no quadro 9.

Quadro 9 – Dinâmica sobre o processo de transporte e competência do arroio.

Agora você é o arroio!

Neste ponto o guia convidará alguns dos visitantes a participar de uma experiência de primeira mão. Consiste em o visitante escolher uma rocha da sua preferência que se encontra neste ponto e carregá-la por alguns metros. O objetivo é fazê-lo perceber a competência do arroio carregar rochas de diferentes tamanhos e pesos através do processo de transporte.

Indagados a pensar como rochas deste tamanho chegaram até aqui. Fonte: autor, 2018.

Mas de onde vem estas rochas e os demais sedimentos? Tudo começa com a erosão. A partícula inicia sua longa viagem pelo canal, no processo de transporte, até a deposição (sedimentação). Pontos como este são considerados depósitos sedimentares fluviais com tempo de permanência de até 10 mil anos.

Faz-se necessário o visitante ser questionado sobre as diferentes cargas que são transportadas pelo rio, Christofoletti (1981):

 Carga dissolvida: transporte por solução química. Depende dos fatores como vegetação, solo, rocha etc. Transportada na mesma velocidade da água.

 Carga em suspensão: Constitui-se de partículas finas (silte e argila), que se conservam suspensas na água até a velocidade do fluxo decrescer (fluxo turbulento)

 Carga do leito do rio: formada por partículas de tamanhos maiores (areia e cascalho) que saltam ou deslizam ao longo do leito fluvial.

Na figura 26 podemos observar um evento que ocorreu em 2014 e deixou marcas na paisagem da RPPN.

Figura 26 – Depósito aluviar na RPPN. 1) seixos transportados e sedimentados próximo as margens do arroio Manuel Alves. 2) clareira aberta pela força da água. 3) antes e depois das enxurradas ocorridas em 2014.

Diante desta clareira aberta na mata, o visitante deve ser questionado, sobre os processos responsáveis por esta forma? Foi o Arroio Manoel Alves, que em época de chuva intensa (cerca de 336 mm, em novembro de 2013), adequiriu grande vazão (KORMANN,2010). Em 2014, houve uma maior concentração de chuvas associada ao fenômeno climático El nino, impedindo a entrada na RPPN Estadual MO’Ã, por uma ponte construída pela Prefeitura Municipal de Itaara e que acabou por ser destruída pela inundação (FERRARESE, 2016). Nesse episódio, houve um aumento da vazão e um extravasamento do arroio, que inundou esta área e acumulou uma grande quantidade de sedimentos, assim como o desnude do solo neste espaço (Figura 26).

5.8.1 Cargas (experiência de primeira mão)

A partir da abordagem dos tipos de cargas e respetivos sedimentos sugerimos um experimento simples mas que provocará o visitante a pensar a relação entre o fluxo e os materiais transportados (quadro 10).

Quadro 10 – Experimento para abordar o tema dos tipos de cargas. Cargas

Em um copo com água coletada do arroio observamos a agua em movimento, a sua coloração e ao parar se há deposito de sedimentos. Podemos adicionar uma porção de terra, que inclua materiais de diferentes tamanhos, de preferência argila, areia e cascalhos. Misturamos com uma colher acelerando e diminuindo a velocidade. Questionamos o visitante sobre a mistura. O que acontece?

Observamos que com o aumento da velocidade da água o material tende a movimentar- se e com a diminuição da velocidade o material tende a sedimentar.

Fonte: autor, 2018.

A partir deste experimento o visitante pode compreender que a carga dissolvida consiste no material em solução, assim como o açúcar quando misturado a água; ele está ali mas não o vemos. No rio a solução é formada por substâncias inorgânicas e orgânicas, chamada de solução coloidal - mistura com aspectos de solução, ou seja, de mistura homogênea.

Em relação a carga suspensa, é constituída por material de tamanho inferior a areia fina e é transportada em uma velocidade muito próxima ao fluxo da água. Desta forma a presença de areia fina e muito fina na carga suspensa é muito instável passando de carga suspensa para

carga de fundo. Quando a velocidade do fundo for mais baixa a partícula permanece depositada e, na medida que a velocidade vai aumentando, a partícula movimenta-se, primeiro, por arraste/rolamento, passando gradativamente a saltação, podendo enfim entrar em suspensão.

Mas porque é importante compreender este processo? É de extrema importância conhecer a carga suspensa no sistema fluvial para o gerenciamento da bacia. Onde remete a ocupação antrópica, em sua mais ampla variedade, altera a carga suspensa do rio. Isso se dá a partir do desmatamento, da atividade agrícola e da mineração em geral, que aumenta a carga suspensa, ou diminui no caso da construção de barragens, que retém a carga, e na urbanização, com a impermeabilização. Tudo isso altera a dinâmica da bacia e também interfere na ecologia e consequentemente no uso da água fluvial.

Há também a carga de leito ou a chamada carga de fundo, que consiste no material maior que o da carga suspensa e que é transportado no fundo do rio. Diferente das outras cargas já citadas aqui, esta movimenta-se em uma velocidade bem inferior ao do fluxo da água, por serem maiores e mais pesadas portanto transportadas por rolamento, arraste ou saltação.