3. MATERIAIS E MÉTODOS 3.4. COLETA DE DADOS 3.4.1. Transportes Algumas entradas dos dados primários, como vitaminas e ácido cítrico não foram consideradas por não estarem presentes na base de dados ecoinvent®. Exclusões como estas são possíveis por entrarem no critério de corte de 1%, conforme NBR ISSO 14044 (ABNT, 2009b). Também foram desconsiderados possíveis uso de linha, processos de higienização e produtos das Estações de Tratamento de Efluentes, uma vez que são similares nas duas produções e, portanto, não se tornam fatores de peso na comparação. Sobre as entradas dos sistemas de leite cru, nos datasets disponibilizados por Leis et al. (2015), foram considerados insumos agrícolas e processos como: ração, silagem, pastagem, grãos, energia, fertilizantes, combustíveis e transportes. Como dados de saída foram considerados a produção de leite, coprodutos como carne e as emissões para o meio ambiente (LEIS, 2013; LEIS et al., 2015). Na etapa agropecuária de soja foram consideradas a ocupação de terra, os usos de fertilizantes químicos e orgânicos, seus componentes, transportes e as emissões causadas no ar, na água e no solo (PRUDENCIO DA SILVA et al., 2010; PRUDÊNCIO DA SILVA, 2011). 3.4.1. Transportes As fronteiras para os transportes são delimitadas como a última origem dos insumos antes de chegarem às unidades produtivas e a opção de menor percurso, a fim de não superestimar os resultados. Foram consideradas as distâncias percorridas pelas matérias-primas fornecidas pela etapa agropecuária até as fábricas finais e no caso da cadeia da margarina, que possui uma fábrica intermediária (produção de óleos), também a distância entre esta e a final. Além desses percursos, as distâncias percorridas pelos demais insumos dos processos fabris (ingredientes e materiais de embalagem) foram também consideradas na ACV, identificadas por meio do registro da origem dos insumos no almoxarifado das unidades fabris (Tabela 1). 40 TABELA 1 – DADOS PRIMÁRIOS DOS DE TRANSPORTES DOS INSUMOS UTILIZADOS NA ETAPA DE PRODUÇÃO DA MARGARINA E MANTEIGA. Margarina Manteiga Óleos Vegetais 34048 Km Sal 495 Km Acido Citrico 441 Km Pote 145 Km Nitrogênio 89,9 Km Tampa Pote 526 Km Antioxidante BHT 466 Km Estampa 145 Km Antioxidante TBHT 408 Km Caixa Papelão 145 Km Ac Fosfórico 440 Km Filme Strech 2355 Km Soda Cáustica 238 Km Chapa Papelão 503 Km Terra Ativada 528 Km Leite 23,4 Km Terra Filtrante 455 Km Terra Clarificante Silica 408 Km Metilato de Sodio 431 Km Hidrogenio Super Seco 514 Km Catalisador de Niquel 469 Km Vitamina 495 Km Lecitina de Soja 743 Km Soro de Leite em Pó 1127 Km Emulsificantes 434 Km Conservantes 466 Km EDTA 469 Km Aroma 434 Km Beta Caroteno 441 Km Ac. Citrico Anidro 441 Km Cola Caixa 448 Km Tampa Pote 87,3 Km Caixa Papelão 390 Km Filme Strech 2348 Km Selo Pote 859 Km Soja Sul 430 Km Hexano 464 Km O Google Maps (GOOGLE, 2015) foi utilizado para a identificação da distância (km) terrestre e o Sea Rates (SEA RATES, 2015) para estimar a distância de transporte marítimo. A entrada de dados de transporte no software se dá em one tonne kilometre (tkm), unidade gerada pela multiplicação do peso do produto 41 No que se refere ao tipo de transporte terrestre, de acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT, 2015), o caminhão mais comum que percorre as vias brasileiras é o Caminhão Simples, que vai de 8 a 29 toneladas e cuja idade média é de 17,1 anos. Diante das opções de transportes fornecidas pelo ecoinvent® (SPIELMANN et al., 2007), o caminhão terrestre mais antigo foi selecionado para as ACV´s, originado no período de 2000 a 2004, denominado Euro 3, e a faixa de peso entre 16-32 t, a mais pesada disponível próxima ao intervalo de 8 a 29 toneladas (OIR, 2006). 3.4.2. Alocação Nos sistemas de produtos foram identificados dois casos com problemas de multifuncionalidade: na extração do óleo de soja (ciclo de vida da margarina) e na etapa fabril de produção da manteiga (FIGURA 7). A multifuncionalidade de processos ocorre quando um processo produz paralelamente mais de um produto, fornecendo mais de uma função, o que demanda uma alocação para divisão do peso dos impactos. No caso deste trabalho, foram utilizadas alocações por massa e econômica. A primeira leva em conta o peso dos produtos, ou seja, quanto em quilograma uma mesma quantidade de leite produz de leite desnatado, manteiga e leitelho, enquanto a segunda considera o valor de mercado, que expressa por quanto cada quilograma de produto é vendido. Na etapa de extração de óleo de soja, além do óleo (produto principal) são produzidos os coprodutos farelo de soja e casca de soja, ambos utilizados na alimentação animal. Neste processo, optou-se pela alocação econômica de acordo com valores publicados por Moreira et al. (2009). A unidade de laticínio estudada produz leite e seus derivados, dentre eles a manteiga. Foram consideradas alocações dos tipos massa e econômica para os produtos e coprodutos. Considerando a fabricação de leite desnatado pela ótica da alocação por massa, 2.244 Kg de leite cru da fazenda produzem 2.033 Kg de leite desnatado, 111 Kg de leitelho e 100 Kg de manteiga, o que significa que 90,60% da massa do leite tornam-se leite desnatado, 4,90% leitelho e 4,50% manteiga. Sob a 42 ótica econômica, 77,95% são voltados ao leite desnatado, 21,97% à manteiga e 0,08% ao leitelho. Os valores de mercado destes produtos são sigilosos, mas é possível verificar a origem da proporção da alocação econômica pela diferença de preço por Kg entre a manteiga e leite desnatados vendidos no varejo. Na rede de supermercados Angeloni (ANGELONI, 2015), encontra-se manteiga por R$19,25/Kg e leite desnatado por R$ 2,19/Kg. FIGURA 7 - DIFERENTES ALOCAÇÕES APLICADAS ÀS AVALIAÇÕES DE CICLO DE VIDA DA MARGARINA E MANTEIGA. As duas possibilidades de alocação para manteiga consideradas neste estudo levaram à necessidade de verificar se chegariam a resultados diferentes sobre os impactos ambientais no ciclo de vida deste produto. Deste modo, a modelagem foi realizada para cinco cenários distintos: margarina com soja sul (MAR-SUL), margarina com soja centro oeste com desmatamento (MAR-COD), margarina com soja centro oeste sem desmatamento (MAR-SED), manteiga alocação econômica (MAN-ECON) e manteiga alocação por massa (MAN-MAS). No documento UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ SCHEILLA PESSANHA DE SOUZA CAMPOS AVALIAÇÃO COMPARATIVA DA PEGADA DE CARBONO DE MARGARINA E MANTEIGA PRODUZIDAS NO SUL DO BRASIL CURITIBA 2015 (páginas 39-42)