Para compreender a ansiedade de uma forma funcional é necessário entender algumas questões relacionadas a compreensão da Análise do Comportamento sobre o assunto. E neste capítulo é justamente esse processo que é discutido, uma sintetização do exposto nos capítulos anteriores e a conceitualização do conceito de ansiedade para a Análise do Comportamento.
Não apenas a ansiedade, como também é discutido a concepção de emoção para Análise do Comportamento, para que seja entendido algumas questões que envolvem o comportamento ansioso, principalmente o relacionado ao comportamento respondente deste transtorno.
4.1 A concepção de emoção à luz da Análise do Comportamento
Quando tratamos de ansiedade, é importante entender como as emoções e sentimentos são constituídos e qual a importância que eles têm para as relações humanas. Apesar de todas as acusações de que a análise do comportamento tem de ser uma ciência positivista, que não se importa com os sentimentos e emoções dos indivíduos, sabemos que não é assim que acontece na realidade. Isso implica o fato de a análise do comportamento não considerar as emoções, pensamentos e sentimentos como causas para comportamentos, mas sim, como uma dinâmica diferente da entendida por concepções dualistas que são tão amplamente divulgadas.
Inicia-se a discussão com o conceito de sentimento. Para Cerqueira (2014), são comportamentos respondentes subprodutos de contingências operantes, ou seja, quando nos referimos a sentimentos, falamos de reações fisiológicas, como mudança no ritmo cardíaco, na pressão sanguínea e na frequência respiratória, sendo que, essas reações são eliciadas por estímulos presentes no ambiente, sendo reações da relação do organismo com o ambiente.
Ainda segundo o autor, quando observamos questões teóricas relacionadas a sentimentos e emoções, existe uma diferença entre ambas, em que o primeiro é associado ao comportamento verbal, e o segundo a o comportamento respondente. Nesse sentido, pode-se afirmar que, quando nos referimos a sentimentos, estamos falando da descrição de contingências verbais que descrevem um estado da pessoa, como, estou triste, estou feliz, estou
alegre. Já quando nos referimos a emoções, estamos falando da descrição de um conjunto de comportamentos respondentes que o organismo emite. “Por exemplo, respondemos a estímulos gerados por nossas articulações e músculos de uma maneira, quando andamos de lá para cá e, de forma diferente, quando dizemos que nos sentimos relaxados ou, mancamos.” (SKINNER, 1991, p.2).
Skinner (1991), em seu artigo “O lugar do sentimento na análise do comportamento”, explica um pouco da dinâmica da relação do sentimento do organismo, na interação deste com o seu ambiente, e não de um sentimento causador de comportamentos, mas sim, como resposta fisiológica para um evento ambiental. Ele ressalta que há muito tempo os nossos comportamentos são atribuídos ao que sentimos e exemplifica afirmando que comemos porque sentimos fome, brigamos porque sentimos raiva.
Assim, Skinner vai no sentido oposto do que se pensava, analisando que, em vez do que sentimos serem causa inicial de algum comportamento, eles acontecem juntos com as nossas ações diante de um evento ambiental. William James estava completamente equivocado com seus “porquês”. Não choramos porque estamos tristes, ou, sentimos tristeza porque choramos;
choramos e sentimos tristeza porque alguma coisa aconteceu. (SKINNER, 1991, p. 2).
O aspecto a ser abordado aqui diz respeito ao modelo explicativo. Quando se utiliza um modelo causa-efeito para a explicação de eventos que ocorrem em sucessão, é bem possível utilizar a emoção como originadora de comportamento especialmente se formuladas pelo esquema apresentado acima. No entanto, em uma proposta skinneriana, mais preocupada com a funcionalidade das relações entre organismo e ambiente, é apenas porque uma resposta (eliciada ou, emitida) modificou o ambiente e está modificação altera a probabilidade de nova ocorrência de respostas da mesma classe funcional (ou seja, daquelas respostas que poderiam provocar as mesmas alterações no ambiente) que ela se torna importante no estudo do comportamento como um todo.
Percebemos, assim, que em um modelo Skinneriano de análise das emoções e sentimentos deve-se levar em conta que os sentimentos, pensamentos e emoções são considerados comportamentos como quaisquer outros, que respondem às regras que todos os outros seguem, tendo a particularidade apenas de serem denominados de comportamentos encobertos, pois, ficam no “mundo” sob a pele, como assim denomina Skinner, apenas o próprio indivíduo terá acesso a eles.
4.2 Conceito de Ansiedade na Análise do Comportamento
Nos dias atuais, um dos problemas mais comuns encontrados na sociedade é a ansiedade. Ela comumente pode ser observada em redes sociais e conteúdos voltados para esse tema e ou, reclamações por parte das pessoas relatando sintomáticos a respeito desta. Além disso, também pode ser vista nos consultórios de psicologia. “É recorrente, na psicoterapia, um agravamento e aumento deste tipo de queixa. Em nosso dia a dia enquanto terapeutas, um grande número de eventos é descrito pelos nossos clientes como envolvendo algum tipo de ansiedade.” (ZAMIGNANI; BANACO, 2005, p. 78).
A ansiedade tem sido definida como um estado emocional desagradável acompanhado de desconforto somático, que guarda relação com outra emoção – o medo. Esse estado emocional é geralmente relacionado a um evento futuro e, às vezes, considerado desproporcional a uma ameaça real (ZAMIGNANI; BANACO, 2005, p.1).
As demais, também observamos no senso comum as pessoas relatarem sentirem ansiedade ligando-se a processos de espera, quando se tem uma entrevista de emprego, alguma notícia a receber, pegar um prémio, uma infinidade de coisas que denotam espera por algum evento, mesmo estes sendo evento agradáveis.
Todavia, de acordo com Zamignani e Banaco (2005), é quando há uma relação entre o organismo e algum evento aversivo que este se torna uma queixa clínica e com isso é denominado de Transtorno de Ansiedade, o que torna pertinente a observação dos eventos comportamentais que contribuem para que esses problemas sejam desencadeados no indivíduo e, consequentemente, a importância de se entender esse fenômeno à luz da Análise do Comportamento.
É importante, além disso, observar alguns aspectos relacionados ao porque sentimos ansiedade. Em um artigo do site Cardio Emotion, o Médico Fernando B. T. Leite, traz aspectos importante sobre a relação dos sintomas de ansiedade e a nossa sobrevivência. Ele ressalta a programação que o nosso organismo tem para agir imediatamente diante de um perigo real, preparando-se para fuga ou, para a luta. Ele traz o seguinte exemplo:
Imagine que você é habitante da África e que pertence a uma tribo que vive na selva, e que você saiu de casa para realizar as suas tarefas diárias, entre as quais está trazer comida para sua família. No entanto, no meio do caminho, você é surpreendido pela presença de um leão,
nisto você deve decidir rapidamente se foge ou, luta com o leão, como como você está munido apenas de arco e flecha, você não confia muito em que a arma vá te salvar, então você decide fugir para cima de uma árvore.
Após isso, ele explica algumas mudanças que ocorrem no organismo no momento que a ameaça aparece diante de você, onde o Sistema Nervoso Simpático (SNS) e o Sistema Nervoso Autônomo (SNA), desencadeiam os seguintes eventos:
• É liberado um estímulo nervoso (uma corrente elétrica), que trafega pelo chamado eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal;
• Recebendo esse estímulo, as glândulas suprarrenais (2) liberam na corrente sanguínea hormônios chamados adrenalina e noradrenalina;
• Esses hormônios se acoplam a receptores localizados em diversos órgãos do corpo e produzem efeitos importantes;
• No coração, este efeito é um aumento da frequência cardíaca, cuja consequência é aumentar a quantidade de sangue bombeada por unidade de tempo (se você vai ter que correr e subir numa árvore antes que o leão o alcance, você vai precisar de mais oxigênio nos músculos);
• No sistema cardiovascular, também ocorre um aumento da pressão arterial, que vai ajudar o exposto no item anterior;
• O sangue é principalmente dirigido aos músculos esqueléticos, onde há vasodilatação;
• Nos pulmões, ocorre bronco-dilatação, que vai permitir aumentar o aporte de oxigênio, para oxigenar uma maior quantidade de sangue, que está sendo bombeada pelo coração; concomitantemente há aumento da frequência respiratória;
• Nos olhos, há uma dilatação da pupila, que permite maior acuidade visual;
• No cérebro, há um aumento da consciência, o que facilita a tomada rápida de decisões muito importantes. (EMOTION, 2016, p. 1)
Além da situação de perigo, o autor ainda fala sobre o estado de repouso, em que há a segunda hipótese, na qual você não encontrou nenhum animal perigoso, caçou ou, pescou com sucesso e voltou trazendo a comida para casa, que a sua esposa preparou, e você almoçou junto com a família. Nessa situação, após comer o organismo vai descansar e novamente o SNA e o Sistema Nervoso Parassimpático (SNP), que libera a acetilcolina que tem os seguintes efeitos:
• Acionar o sistema digestivo, que libera diversas substâncias que participam da digestão dos alimentos: entre essas substâncias destacam-se a ptialina na saliva, o ácido clorídrico no estômago, várias enzimas liberadas no intestino delgado pelo fígado, pâncreas e pelo próprio intestino, que digerem os diversos nutrientes;
• Há nestes momentos uma diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial, sendo que o sangue bombeado pelo coração é dirigido principalmente para o sistema digestivo;
• Estes efeitos são acompanhados por uma sensação de sonolência, que originou a famosa sexta depois do almoço, ainda existente em regiões de clima mais quente;
• O aumento da atividade do SNP e da digestão provocam estímulo das funções excretoras, sendo comum a pessoa sentir necessidade de evacuar e de urinar;
• A frequência respiratória também diminui. (EMOTION, 2016, p.62)
Observando o que autor trouxe, podemos ver a explanação de Carvalho Neto, Oliveira e Robles (2012), sobre o tema, estes autores trazem em seu artigo a sintomatologia da ansiedade e explicam o seu valor evolutivo e os efeitos e função de cada sintoma citado. Os autores iniciam a definição fisiológica da ansiedade ressaltando a dilatação da pupila, e justificando que esta resposta ocorre para potencializar a capacidade geral da visão, mas que ela tem um efeito colateral que é a diminuição da capacidade de a pessoa perceber os detalhes que estão ao seu redor. Onde o seu valor evolutivo era que se tornava possível ao homem identificar, no escuro das cavernas, um predador e as possíveis rotas de fuga.
Seguindo com os sintomas, os autores explicam o taquicardia, que ocorre para que haja maior irrigação sanguínea, fazendo com que não só os músculos fiquem mais ágeis, mas também para bombear sangue para o cérebro, para que ele trabalhe mais intensamente, permitindo que a pessoa fique também mais alerta. “A distribuição do sangue fica concentrada nos órgãos necessários para uma possível ação, como grandes músculos, enquanto tem pouca circulação nas extremidades como mãos e pés, tornando-os gelados e pálidos” (CARVALHO NETO; OLIVEIRA; ROBLES, 2012, p.10).
A respiração do organismo também é alterada e torna-se mais curta e ofegante, em decorrência do coração que está mais acelerado e neste caso exige uma maior oxigenação na circulação. Esse efeito do aumento da oxigenação também causa alguns efeitos colaterais como: falta de ar, se engasgar, sufocar e ter dores no peito. E com pouco sangue na cabeça, a ansiedade pode causar tontura, visão borrada, confusão, fuga da realidade e sensação de frio e calor. (CARVALHO NETO;
OLIVEIRA; ROBLES, 2012, p.10).
Os autores ainda citam as reações adversas durante o processo de fuga-esquiva, causado pela situação em que o organismo se encontra, diante do aversivo ou, pré-aversivo. Isso causa uma transpiração aumentada e redução da atividade do sistema digestivo (causando náuseas, sensação de peso no estômago, constipação ou, diarreia) e sintomas de tensão, que podem acarretar em dores. De modo geral, os autores ainda ressaltam os processos que são afetados durante a situação que envolve respostas de ansiedade, como a dificuldade de concentração, pois, a atenção do organismo é prejudicada, fazendo assim com que ele entre em sentido de alerta, atentando-se ao que acontece ao seu redor, por precisar fugir, e com isto, não consiga se concentrar em uma coisa só.
Além da distração causada por esse processo de alteração da atenção, a movimentação fica prejudicada, pois, da mesma forma que o organismo prepara o cérebro e os músculos para ficar mais ágeis, eles tornam o organismo com o processo de locomoção comprometidos. Logo,
as suas vias neurais estão focadas em impulsos de alerta do sistema de luta-e-fuga, inibindo ou, tornando mais escassos os movimentos coordenados.
Sabe-se que a ansiedade faz parte da nossa vida cotidiana, pois é produto na evolução da espécie e tem como função servir de alerta para a existência de perigo no ambiente. Porém, esse alerta pode passar a prejudicar a vida dos indivíduos e, assim, eles passam a impossibilitar que as pessoas realizem atividades simples do cotidiano. Zamignani e Banaco (2005), definem a ansiedade enquanto fenômeno clínico, em três tipos: quando implica em um comportamento ocupacional do indivíduo, impedindo o andamento de suas atividades profissionais, sociais e acadêmicas; quando envolve um grau de sofrimento considerado pelo indivíduo como significativo; quando as respostas de evitação e eliminação ocuparem um tempo considerável do dia.
Elementos comuns nas definições do conceito “ansiedade” apontam para um estado que envolve excitação biológica ou, manifestações autonômicas e musculares (taquicardia, respostas galvânicas da pele, hiperventilação, sensações de afogamento ou, sufocamento, sudorese, dores e tremores), redução na eficiência comportamental (decréscimo em habilidades sociais, dificuldade de concentração), respostas de esquiva e/ou, fuga (o que sugere expectativa ou, um controle por eventos futuros) e relatos verbais de estados internos desagradáveis (angústia, apreensão, medo, insegurança, mal-estar indefinido, etc.) (ZAMIGNANI; BANACO, 2005, p. 78).
Fornazari et al. (2019), citando Skinner ressalta a importância de a ansiedade ser tratada com cautela, merecendo assim uma intervenção baseada nos princípios do comportamento.
Outro alerta é para que se observe que a ansiedade não é causa de comportamento, já sendo está por sua vez, uma reação emocional resultante da apresentação de um estímulo que antecede um estímulo aversivo, com efeitos no comportamento operante publicamente observável.
Assim como já visto nessa concepção, a ansiedade é uma resposta do organismo mediante uma contingência que envolve um estímulo (pré-aversivo) antecedendo a apresentação de um estímulo aversivo.
A análise skinneriana (cf. Estes & Skinner, 1941/1961; Skinner, 1957, 1953/1965, 1989) é tomada como ponto de partida, visto que constitui a referência em que outros textos analítico-comportamentais se fundamentam. Em diferentes momentos, essa abordagem aponta que: (a) um estímulo pré-aversivo elicia respostas fisiológicas emocionais; (b) essas respostas emocionais podem elas mesmas adquirir funções aversivas; (c) um outro efeito da exposição às contingências que produzem ansiedade (estimulação aversiva com pré sinalização) consiste da redução na taxa de resposta antes mantida por reforço positivo (a supressão condicionada); e (d) um estimulo verbal pode vir a adquirir a função eliciadora da resposta fisiológica (emocional), a partir de uma associação com o estímulo eliciador incondicionado. Nas palavras de Skinner: "há efeitos emocionais que podem ocorrer apenas quando um estímulo precede caracteristicamente um estímulo aversivo com um intervalo de tempo suficientemente grande para permitir a observação de mudanças comportamentais. A
condição resultante geralmente é denominada ansiedade.” (COELHO; TOURINHO, 2008, p.171).
“Mesmo não estando em situações reais de perigo, o organismo se manifesta corporal e instintivamente perante a uma ameaça não visível, devido a sua relação passada em contextos de ameaça e suas consequências.” (CARVALHO NETO, OLIVEIRA; ROBLES, 2012, p.11).
Como a ansiedade está relacionada a presença de uma possível ameaça, em que o ambiente irá sinalizar a partir de situações em que o indivíduo já foi exposto, e com isso, as caraterísticas do ambiente irá sinalizar que naquela situação o evento aversivo tem probabilidade de ocorrer, por conta da semelhança com a outra situação. “É evocada em situações nas quais há um perigo em potencial, podendo ser uma situação desconhecida para o indivíduo ou, um estímulo que sinalize perigo (como, por exemplo, um predador).” (CARVALHO; OLIVEIRA; ROBLES, 2012, p.12).
Apesar de precisarmos nos ater à fisiologia (topografia) dos comportamentos ansiogênicos, é importante atentar-se para a funcionalidade destes comportamentos. Por esse motivo, buscamos uma explicação para a sintomatologia sentida pelos indivíduos quando expostos a estímulos que eliciam respostas de ansiedade. De acordo com Costa (2002), devemos não nos ater apenas a aspectos filogenéticos dos comportamentos ansiosos, como dito antes, da topografia dos comportamentos (sudorese, taquicardia, frio na barriga, etc.), mas sim, procurar compreendê-los de forma global, avaliando os aspectos filogenéticos, ontogenéticos e culturais.
Ainda sobre o tema, os autores ressaltam que no diagnóstico médico, ainda vemos uma tendência dualista, muito forte, concebendo o indivíduo possuindo um corpo e uma mente que devem ser tratados separadamente, tendo assim a ênfase do diagnóstico na parte fisiológica. “Já no diagnóstico comportamental, o objetivo é encontrar funcionalidade para os comportamentos do indivíduo por meio de sua interação com o meio.” (COSTA, 2002, p. 54).
4.3 Conceito de Análise Funcional e TAG
Como visto no tópico anterior, a ansiedade é relacionada a estímulos operantes, mas principalmente a estímulos respondentes, tendo como função preparar o organismo para as ameaças, diante dos pré-aversivos. Foi visto também que essa é uma característica adquirida ao longo da evolução humana, tendo assim características filogenéticas. Contudo, a ansiedade se
torna um problema clínico quando passa a impedir que as pessoas consigam realizar as tarefas do cotidiano, influenciando assim negativamente na vida desses indivíduos. Em casos como esses, passa-se ao transtorno, o que vamos discutir melhor neste tópico.
Sob a ótica da análise do comportamento, o “medo” pode ser caracterizado por um conjunto de respostas posteriores à apresentação de estímulos aversivos incondicionados ou, de operações de punição (Millenson, 1967/1975). Em muitos casos, a apresentação de estímulos que eliciam medo é sistematicamente antecedida por outros estímulos, os quais tornam-se aversivos condicionados e passam a ser temidos tanto quanto os incondicionados. Estímulos aversivos incondicionados ou, condicionados também comumente evocam respostas de fuga e esquiva (Sidman, 1989/2003), geralmente denominadas “ansiedades”. (LINARES; PEREZ; NICO, 2013, p. 5).
Os transtornos de ansiedade são divididos de acordo com a organização da Associação Americana de Psiquiatria - APA em seis categorias: fobias específicas, fobia social, pânico, agorafobia, estresse (agudo e pós-traumático), ansiedade generalizada e aguda.
De acordo com França (2012), o que diferencia esses transtornos é o estímulo que elicia ou, a resposta emitida pelo organismo (por reforçamento negativo: fuga e esquiva) em busca de cessar o estímulo aversivo. Ou seja, como já mencionado, todos os transtornos de ansiedade partem da premissa de fugir ou, esquivar-se de uma situação aversiva. Porém, os comportamentos emitidos serão diferentes em cada transtorno e os estímulos que eliciam as respostas também.
O transtorno de ansiedade generalizada envolve alguns processos os quais já citamos anteriormente, como a generalização de estímulos e a equivalência de estímulos, estes dois processos fazem com que , o transtorno se torne bastante complexo, pois o estímulo que causa as respostas de ansiedade no organismo termina não sendo facilmente detectável, passando assim a outros estímulos que são parecidos com o estímulo eliciador das respostas de ansiedade, a exercer a mesma função, fazendo com que o indivíduo apresente tais respostas diante destes estímulos. Assim, o indivíduo não consegue identificar de fato o que causa a sua ansiedade, pois, as respostas aparecem em ambientes “diferentes” sem nenhuma ligação aparente, para o indivíduo.
A compreensão de um componente relacional envolvido na ansiedade permite explicar o caráter “simbólico” do fenômeno – uma vez que funções aversivas, tanto respondentes como operantes, podem ser adquiridas por um determinado estímulo porque ele pertence a uma rede de relações simbólicas, arbitrariamente estabelecidas.
Nesse caso, a função aversiva é adquirida sem que esse estímulo tenha participado de alguma história de condicionamento direto. Dados obtidos nos estudos sobre equivalência de estímulos (Sidman, 1994) e na relational frame theory (RFT) ou,
teoria dos quadros relacionais, em português (Hayes et al., 2001), confirmam essa possibilidade. (LINARES; PEREZ; NICO, 2013, p. 7, grifo do autor).
Para ilustrar a transferência de função entre estímulos de mesma classe, Farias (ano) traz o exemplo de um acidente de carro. A premissa é uma classe de estímulos formada por “carros vermelhos”, onde temos (A1, A2, A3 e A4, cada um correspondendo a um estímulo diferente).
A1 corresponde ao carro que o sujeito se acidentou, adquirindo assim, por condicionamento respondente a função aversiva. Os autores ainda exemplificam que por nesta situação outros estímulos também podem passar a adquirir função aversiva, como outros carros vermelhos (A2), carros que aparecem em desenhos (A3) desenhos ou, gravuras de carros.
Ainda sobre o mesmo tema, os autores descrevem outras classes de estímulos que podem adquirir a função aversiva, mas agora relacionadas a viagem, como: a música que estava
Ainda sobre o mesmo tema, os autores descrevem outras classes de estímulos que podem adquirir a função aversiva, mas agora relacionadas a viagem, como: a música que estava