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Avaliação da qualidade de vida e transtornos mentais comuns de residentes em áreas rurais

1.3. Transtorno Mental Comum (TMC) no contexto rural

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS) os transtornos mentais e comportamentais afetam mais de 25% de todas as pessoas em algum momento durante suas vidas. Os t ranstornos mentais, neurológicos e por uso de substâncias são responsáveis por 14% da carga global de doenças, sendo que 75% da carga global de doenças neuropsiquiátricas advém de países de baixa renda. Estes são os principais contribuintes para morbidade e mortalidade prematura (W HO, 2008a; 2008b; 2001).

Os transtornos mentais comuns (TMC) são universais, afetando pessoas de todos os países e sociedades, bem como indivíduos em todas as idades, mulheres e homens, ricos e pobres, em ambientes urbanos e rurais. Todavia, as doenças mentais não têm recebido a mesma importância despendida à saúde física, principalmente quando se trata dos países em desenvolvimento. Para a OMS, a s despesas com saúde mental são mais de 200 vezes superiores em países de alta renda per capita em comparação com os países de baixa renda (W HO, 2011a). Os custos gerados indiretamente pela desassistência do tratamento, pelos pacientes, superam os custos diretos, tendo em vista o prolongamento dos transtornos e suas incapacitações, além do impacto sobre a sociedade e sobre a qualidade de vida dos indivíduos e

Ludermir (2008) afirma que os transtornos mentais envolvem as dimensões econômicas, sociais, políticas e culturais, expressando -se diferentemente nas classes sociais e nas relações de gên ero. Para a OMS (W HO, 2001), os transtornos mentais não são problemas apenas das sociedades industrializadas e ricas; as comunidades rurais também são vulneráveis.

No contexto brasileiro, os estudos de Costa e Ludermir ( 2005) apontaram uma prevalência de T MC de 36% entre a população rural da Zona da Mata de Pernambuco. Os resultados destes achados, no cenário rural, não diferem de estudos realizados em Olinda, Pernambuco, com população urbana, onde a prevalência foi de 35% (Ludermir e Melo Filho, 2002). Far ia et al. (1999) destacaram uma prevalência de transtornos psiquiátricos menores de 38% entre agricultores da Serra Gaúcha, dos municípios de Antônio Prado e Ipê (RS), em 1996.

Patrick et al. (2004) avaliaram os efeitos do afeto deprimido na incapacidade funcional entre idosos rurais de W est Virginia, entre 1998 e 1999. Para os autores, o afeto deprimido está diretamente associado à incapacidade funcional. Os pacientes, principalmente rurais, podem estar relutantes em se autoidentificarem para os serviços d e saúde mental devido a visões estereotipadas sobre o tema ( Patrick et al., 2004).

Ainda em relação a distúrbios mentais de comunidade rural, Nakimuli-Mpungu et al. (2012), apontaram uma prevalência de 24% de transtorno depressivo entre portadores de HIV p ositivos em comunidade rural de Uganda.

1.4.

Alcoolismo

O uso abusivo de bebida alcoólica é, atualmente, um grave problema de saúde pública (Marques e Mangia, 2010; Gallassi et al., 2008; Laranjeira et al., 2007). Esta realidade levou, em 2010, a Assembleia Nacional de Saúde (W HA) da OMS a aprovar uma resolução de estratégia global para reduzir o uso nocivo do álcool (WHO, 2011b).

O alcoolismo ou síndrome de dependência do álcool (SDA) é considerado um transtorno psiquiátrico com consequências de ordem individual, familiar, social e econômica em todo o mundo, sendo este responsável por mortes no trânsito, contribuindo, ainda, para aumento de morbidades e de violência urbana e doméstica ( Tran et al., 2012; W HO, 2011b).

Tran et al. (2012) verificaram a relação entre abuso de álcool e violência doméstica entre casais de população rural e de baixa renda, no Vietnã. Pires et al. (2012), em estudo nacional com população de Moçambique, em 2005, sendo a maioria mulheres e de área rurais, indicaram prevalência de 28,9% de consumo de bebida alcoólica entre mulheres e 57,7% entre os homens . Silva-Matos e Beran (2012), assim como Padrão et al. (2011) associaram a relação entre uso abusivo de álcool e fatores como idade mais avançada e menor escolaridade entre as mulheres e menor renda entre homens de população rural.

Inder et al. (2012) também identificaram uso excessivo de álcool como um problema significativo entre a população rural, na Austrália. Para estes autores, a alta prevalência de alcoolismo entre a população rural está associada a fatores como desvantagens socioeconômicas, taxas de mudança da população, adversidade do meio ambiente e afastamento dos serviços de saúde e/ou centros populacionais.

Haan et al. (2009) verificaram a associação entre desvantagem econômica e uso de álcool entre jovens de população rural, nos EUA. No entanto, Haan e Boljevac (2009) atribuem o uso abusivo de álcool na adolescência a problema de dependência diagnosticado nos pais.

Os estudos de Coomber et al. (2011), por sua vez, abordaram o impacto do uso de álcool, tabaco e substâncias ilícitas em comunidades rurais na Austrália e nos Estados Unidos. Para os autores, adolescentes rurais usam tais substâncias com mais frequência quando comparados com outros de áreas urbanas, o que coloca os adolescentes rurais em maior risco.

Gordon et al. (2011) estudaram o uso abusivo de álcool entre adolescentes de comunidades rurais, na Pensilvânia, EUA, indicando que o problema do alcoolismo, entre os jovens, poderia ser melhor abordado a partir de intervenções de prevenção.

Shannon et al. (2011) defendem a importância da intervenção precoce contra o abuso de substâncias químicas, como álcool e outras

Appalachia Kentucky, EUA. Neste sentido, Siriwardhaba et al. (2012) também destacam a importância de programa de políticas públicas de educação para prevenção e redução no uso de álcool entre a população rural do Sri Lanka .

No contexto brasileiro, Araújo et al. (2007) verificaram elevada prevalência do alcoolismo (60,8%) entre agricultores da microbacia de São Lourenço, Nova Friburgo, sendo 45,2% deles com consumo elevado ou acentuado. No Vale do Taquari (RS), em 2005, o consumo de álcool entre a população rural foi de 54,4% (Souza et al., 2011). Faria et al. (2000) apontaram 7,0% de trabalhadores rurais da Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul, com problemas de bebidas alcoólicas, avaliados a partir do teste CAGE positivo.

Estudos também indicam distinção em relação à prevalência de uso abusivo de bebida alcoólica entre população urbana e rural e entre os Estados Brasileiros (OPAS, 2008; Laranjeira et al., 2007). Laranjeira et al. (2007) apontaram 52,0% dos brasileiros, maiores de 18 anos de idade, classificados como bebedores leves (pelo menos uma vez ao ano) e 12,0% da população brasileira com algum problema com o uso de álcool. O relatório da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, em 2005, identificou uma prevalência de 12,3% de dependência de uso de álcool entre a população de 108 cidades com ma is de 200 habitantes (Duarte et al., 2009).

O uso abusivo de bebida alcoólica, segundo Marín -León et al. (2007a), sinaliza um problema de saúde pública. Em 2012, o Ministério da Saúde (Brasil, 2013) apontou que “27,9% dos homens e 10,3 das

mulheres, da população brasileira adulta, havia feito uso abusivo de

bebidas alcoólicas, nos últimos 30 dias.” As consequências da

dependência alcoólica, no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde (Brasil, 2008), entre 2000 e 2006, foram responsáveis por 3,2% dos óbitos entre os homens e 0,5% entre as mulheres.

1.5.

Instrumentos de avaliação de qualidade de vida e

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