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TRANSTORNOS QUE PREJUDICAM O PROCESSO DE LEITURA E ESCRITA

No documento Alfabetização e Letramento: volume I (páginas 185-189)

Em meio ao processo de aprendizagem, o TDA-H (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), a disgrafia e a dislexia são apontados como prováveis causas dos distúrbios de leitura e escrita, embora nem todas as crianças com dificuldades para aprender a ler necessariamente são portadoras desses distúrbios (MOLLICA et al., 2012). Como recurso para atenuar as dificuldades de leitura e escrita, tem-se a prática da consciência fonológica que, segundo Mollica, Patusco, Ribeiro, Lourenço (2012, p. 227),

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A Consciência Fonológica é, portanto, um conjunto de habilidades heterogêneas com uma estrutura hierár- quica que se inicia com a consciência de unidades mais globais até percepção dos segmentos fonêmicos da fala. Esse recurso pedagógico, quando adotado nas salas de aula especiais, pode facilitar o processo de decodificação grafofonológico, suscitando fluência na leitura e minimizando erros de escrita.

Além disso, Bortoni-Ricardo e Oliveira (2013) destacam alguns postulados da Sociolinguística, com ênfase em dois pontos, a saber: a escola ignora a fala dos alunos com baixo desempenho escolar e estes não compreendem a fala da escola. Posto isso, começou a luta pelo respeito às diferenças linguísticas.

No Brasil, ocorrem também muitas pesquisas nesse campo, enfa- tizando que variantes não são erros linguísticos, mas outras formas que diferem do padrão. Diversos estudiosos parecem compartilhar da mesma opinião acerca desse assunto. Nessa direção, Bortoni-Ricardo (2004) revela que falantes que detêm o poder têm as variedades de sua compilação consideradas mais corretas e mais bonitas.

Diante disso, paira a dúvida de como deve agir um professor, já que o sistema educacional brasileiro valoriza a Gramática Normativa. Por sua vez, os especialistas com formação linguística criticam o modelo de ensino pautado na memorização das classificações gramaticais e salientam a importância de se destacar, na escola, que há diferentes modos de falar, de acordo com as circunstâncias em que a fala se dá. Alguns sugerem a diferença entre erros da língua oral e erros cometidos na escrita. Esses últimos devem ser sempre corrigidos, para que haja maior domínio da escrita por parte do aluno.

Nesse processo, as aulas de Português primam por proporcionar aos alunos o aprendizado da norma padrão, em que a fala deva atender à expectativa do ouvinte. O aluno, por seu turno, deve dominar as convenções da escrita, desde que descartada a possibili- dade de se aceitar as diferentes variantes da língua. Também persiste uma interpretação equivocada de muitos professores sobre o conceito da Sociolinguística, a ponto de não mais corrigir erros ortográficos, por exemplo.

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ORALIDADE X ESCRITA

É preciso diferenciar os denominados erros da língua oral dos erros marcados na língua escrita. Segundo Bortoni-Ricardo e Oliveira (2013, p. 54),

Na língua escrita, o erro tem natureza distinta, porque representa a transgressão de um código convencio- nado e prescrito pela ortografia. Aqui também há um forte componente de avaliação social, pois erros ortográficos são avaliados muito negativamente. Mas podemos considerá-lo uma transgressão porque a ortografia é um código que não prevê variação.

O mesmo procedimento não se pode dizer da língua oral, já que ela é própria do ambiente da variação e é na escola que o aluno aprende a adequar as variantes aos momentos e locais apropriados.

Ademais, é necessário alfabetizar letrando. Para tanto, cabe à escola realizar um trabalho que contemple a oralidade. Nesse caso, a fala é a primeira atividade do ser humano e expressa o pensa- mento da criança e o organiza, mas se deve ressaltar a importância do mediador no desenvolvimento da linguagem. A esse respeito, Freire e Macedo (1990) pregam que a voz do aluno constitui recurso para imprimir sentidos às experiências de mundo.

Esse segmento traz também a importância da oralidade na Antiguidade e destaca que o surgimento da escrita foi o motivo de haver preconceito e desvalorização da oralidade. Assim, era considerado competente o indivíduo que escrevesse bem e tivesse raciocínio lógico.

O professor, ao lidar com a oralidade em sala de aula, deve partir de quatro premissas, as quais sustentam a importância do desenvolvimento das competências orais na escola, a saber: a) o foco do ensino deve ser deslocado do código linguístico para o uso da língua; b) a escola deve se ocupar da fala, estabelecendo um paralelo com a escrita; c) a existência do domínio duplo da língua materna; d) incorporação da língua falada ao ensino do português.

No ambiente escolar, a língua oral não deve ser menosprezada em detrimento do aprendizado da escrita, uma vez que as duas têm o seu valor social na formação do aluno e o professor alfabetizador detém grande influência enquanto agente letrador, já que ele atua no início da construção textual oral e escrita dos alunos.

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O EFETIVO TRABALHO COM PROJETOS

Trabalhar com projetos seria uma solução para abrandar problemas que envolvam a leitura e a escrita. Nesse sentido, há uma preocu- pação por parte dos professores e também de pesquisadores de outras áreas na ação de projetar a sua ligação com a prática social, a fim de compreender projeto como uma prática de letramento. No entanto, ainda é um trabalho árduo para muitos professores, visto que veem dificuldades em organizar o projeto de modo adequado e entendê-lo como método.

A partir de sua etimologia, compreende-se projeto como algo que deve ser colocado à frente, enquanto que, no campo pedagógico, seu uso permite levar o cidadão a tomar decisões e assumir responsabili- dades. Quanto à prática, essa possui como características a produção de vida social, a interligação com outras práticas e o domínio de uma dimensão reflexiva.

As práticas do letramento, conforme afirma Oliveira e Kleiman (2008), estão ligadas a diversos domínios de atividades, a aspectos particulares da vida e a diferentes sistemas simbólicos. Quanto aos elementos que as constituem, são: a) participantes, os professores ou aqueles que ocupam o lugar de um, e as comunidades de apren- dizagem; b) o espaço físico e também o do discurso; c) artefatos, que são instrumentos mediadores das ações humanas e que adquirem sentido apenas de dentro de grupos ou das circunstâncias em que ocorrem; d) atividades, encaixam-se em outras atividades de escrita, podem ser compartilhadas, têm objetivos e permitem várias vozes.

Além disso, trabalhar com projetos não significa apresentar uma receita e seguir o seu passo a passo. Com isso, tempo e espaço podem ser mais bem utilizados, havendo uma coordenação das ações coletivas, assim como é possível desenvolver um trabalho transdisciplinar, com uma nova visão do currículo. O mais importante disso está na possibilidade do uso social da leitura e da escrita que os projetos podem promover.

Oliveira, Tinoco e Santos (2011) afirmam que o ensino da língua materna deve servir de gerador de práticas de leitura; no entanto, avaliações externas apontam para a necessidade de recontextuali- zação e de ressignificação dessas práticas, uma vez que os resultados apresentam baixo índice de desempenho. A esse respeito, novas medidas poderiam ser adotadas para melhorar o ensino da leitura

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e escrita, tais como os projetos de letramentos e estudo interdis- ciplinar. Para tanto, é necessário rever as estratégias e criar novas propostas para aperfeiçoar as ações pedagógicas.

Nessa direção, para obter bons resultados de desempenho, é necessário oferecer aos alunos atividades que lhes permitam ter a sua voz e que, principalmente, eles vejam sentido naquilo que estão aprendendo, obtendo, assim, motivação para o aprendizado. A fim de que isso ocorra, os alunos precisam ser sempre bem orientados para se tornar protagonistas do processo. Quanto aos professores, estes precisam saber que técnicas tradicionais não atendem mais às necessidades dos alunos e que um saber moldado nessas práticas se distancia do universo do aluno.

No documento Alfabetização e Letramento: volume I (páginas 185-189)