NOME DA ESTAÇÃO DE COLETA
5.2 Processamento das amostras
5.2.3.5 Tratamento de dados
Descritores biológicos
Com vistas à caracterização dos foraminíferos da área de estudo, foram mensurados em todos os testemunhos e para cada espécie, os seguintes descritores biológicos:
- Abundância Relativa (%): A partir dos dados absolutos foram realizados cálculos de abundância relativa (AR), que expressa o percentual de indivíduos de uma determinada espécie em relação à população. Desta forma, a abundância representa a razão entre o número de indivíduos de uma determinada espécie (n) e o total de indivíduos de uma amostra (T), expresso em percentagem.
AR = n x 100
T
A interpretação dos resultados foi realizada considerando as categorias abaixo citadas, de acordo com Dajoz (1983), em:
- Principais - para abundância acima de 5 %;
- Acessórias - para valores de abundância entre 4,9 e 1 %; - Traços - para valores inferiores a 1 %.
- Freqüência de Ocorrência (Constância das Espécies): Representa oo número de amostras que contêm a espécie (p) em relação ao número total de amostras analisadas (P) (Ab´Saber et al., 1997). Esta freqüência foi calculada através da fórmula:
FO = p x 100
P
Após estes cálculos, as espécies foram agrupadas em três categorias de acordo com a classificação de Dajoz (1983):
- Constantes - as categorias presentes em mais de 50 % das amostras; - Acessórias - as categorias que ocorrem entre 25 % a 49 % das amostras; e - Acidentais - as categorias presentes em menos de 25 % das amostras.
- Índices de Riqueza, Diversidade e Equatividade
Os valores de riqueza, equitatividade e diversidade foram calculados utilizando-se o programa Palaeontological Statistics (PAST), versão 1.89.
- Riqueza de espécies (R) de Margalef (1958):
Esta medida está relacionada ao número total de espécies presentes (S) e ao número total de indivíduos (N) (Clarcke & Warwick,1994). Nesse trabalho foi utilizado o índice de Margalef (1958), o qual se propõe a medir riqueza de espécies em uma comunidade, independente do tamanho da amostra.
- Diversidade de Shannon (H’) de Shannon (1948):
Neste trabalho foi utilizado o índice de Shannon – Wiener (Shannon, 1948), considerado o índice mais completo, pois além de considerar o número de espécies, considera a proporção de cada espécie em relação ao todo, normalizando os dados e diminuindo a probabilidade de erro dos
R = (S- 1)
s
H’ = ∑ (pi. log2 pi) onde PI = ni / N
I=1
Onde:
s = é o número total de espécies.
pi = é a probabilidade de que um indivíduo pertença à espécie i. ni = número total de indivíduos da espécie i.
N = número total de indivíduos da amostra.
Os dados obtidos foram enquadrados na classificação abaixo:
< 1 bit.ind-1 = muito baixa;
1 – 2 bits.ind-1 = baixa;
2 – 3 bits.ind-1 = média;
3 – 4 bits.ind-1 = alta;
4 bits.ind-1 = muito alta.
- Equitatividade (J’) de Pielou (1984):
Este índice está relacionado com a uniformidade com que os indivíduos estão distribuídos entre as diferentes espécies (Clarcke & Warwick, 1994). Neste trabalho foi utilizado o índice de Pielou (1984), expresso pela fórmula abaixo:
J’ = H’ --- H max = (log2 S)
Onde H’ é a diversidade de espécies e Hmax a diversidade sob condições de máxima equitatividade, expresso como log2 S.
- Índice de Dominância de Simpson
A Dominância de Simpson é expressa por:
Onde ni: número de indivíduos na espécie i e N: número total de indivíduos.
- Índice de Confinamento (Ic)
As proporções entre as espécies foram utilizadas no cálculo do índice de confinamento (Debenay, 1990 apud Eichler, 2001), que reflete o grau de influência marinha sobre o ambiente continental, a partir da fórmula:
C - A . Ic = B + C A + B +1 2
Onde A representa a soma das abundâncias relativas das espécies típicas de ambientes marinhos costeiros, tais como Bolivina striatula e Pararotalia sp.; B representa a soma das abundâncias relativas das espécies de ambientes marinhos moderadamente confinados, tais como Ammonia
tepida, Elphidium gunteri e Quinqueloculina seminulum e C representa a soma das abundâncias
relativas das espécies típicas de ambientes com forte confinamento, tais como Miliammina fusca,
Trochammina inflata, Arenoparrella mexicana e Ammotium cassis. Ambientes com valores de Ic
entre 0 e 0,4 são considerados como marinhos, entre 0,4 e 0,7 são pouco restritos à influência marinha, entre 0,7 e 0,9 são restritos à influência marinha e, entre 0,9 e 1 são confinados (Semensatto Jr & Dias-Brito, 2000).
Nesta pesquisa foram consideradas em cada categoria as espécies:
A: Pararotalia sp. e Quinqueloculina sp3.
B: Ammonia beccarii f. tepida, Bigenerina sp., Elphidium gunteri, E. sagrum, E. sp.,
Textularia earlandi e T. gramen.
N (N-1) D =
∑
ni (ni-1)C: Ammobaculites dilatatus, Ammotium salsum, A. sp., Arenoparella mexicana,
Haplophragmoides wilberti, Jadammina macrescens, Miliammina fusca, Trochammina inflata e T. salsa.
- Razão foraminíferos planctônicos/bentônicos
Após a identificação das espécies foi determinado o percentual de formas planctônicas e bentônicas para cada amostra dos testemunhos. Segundo diferentes autores, a razão planctônicos/bentônicos (razão P/B) aumenta sistematicamente com o aumento da profundidade e com o aumento da distância da costa, o que assegura sua importância e ampla aplicação em paleoceanografia (Murray, 1976; Van der Zwaan et al., 1990; Savini, 1995; Van der Zwaan et al., 1999; Araújo, 2004; Lisboa, 2006; Sanjinés, 2006; dentre outros), sobretudo em indicações paleoambientais climáticas e batimétricas.
- Análises estatísticas
Os métodos de análise multivariada fundamentam-se na comparação entre duas ou mais amostras, ressaltando até que ponto estas compartilham características em comum (Clarke & Warwick, 1994). Tendo em vista a adequação desta análise com o tipo de trabalho realizado, foi aplicado o método de agrupamento (Cluster), amplamente utilizado em estudos envolvendo grande número de amostras e espécies. Este método consiste em reconhecer o grau de similaridade entre os objetos estudados, permitindo reuni-los em um mesmo conjunto (Valentin, 2000). Portanto, utilizando-se o programa Palaeontological Statistics - PAST (versão 1.89) as análises foram realizadas sob dois diferentes “modos”: modo-Q (agrupamento entre amostras, segundo as espécies nelas contidas, e segundo os teores sedimentológicos presentes em cada amostra) e modo-R (agrupamento entre espécies, considerando as amostras que as encerram).
5.2.4 Fotomicrografias
As espécies mais representativas, dentre outras, foram fotografadas no Microscópio Eletrônico de Varredura (MEV), do Departamento de Química Geral e Inorgânica do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia.
Inicialmente, as testas foram fixadas a um suporte de alumínio, com o auxílio de uma fita adesiva condutora. Em seguida, os exemplares foram submetidos a metalização no aparelho SHIMADZU IC – 50 ION COATER durante 5 minutos a 6mA, sendo recobertos por uma película de ouro (Au) de aproximadamente 250 Å. A etapa final consistiu em levar as testas para o MEV, de marca SHIMADZU SS – 550, onde foram realizadas as fotomicrografias.
Ápos a realização das fotomicrografias a imagens foram organizadas em sete estampas incluídas no Anexo 1 deste trabalho.