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38 Neste momento, conforme foi informado pelo Entrevistado 5, o monitoramento do programa está em fase de reavaliação e ainda não se tem os dados finais. Após o final da reavaliação, os profissionais terão um feedback e poderão definir quais são os desafios futuros a serem alcançados.

As metas do programa são definidas por meio de protocolo clínico, porém, como o monitoramento do programa está em fase de reavaliação e os dados ainda não foram publicados, não é possível dizer quais são suas metas atuais. Após a publicação dos dados a Comissão Permanente de Protocolos da SES/DF, os implementadores e executores do programa decidirão quais serão as novas metas e objetivos do Ambulatório. Em linhas gerais, pode-se afirmar que o programa alcançou seus objetivos iniciais.

Durante as entrevistas, os participantes colocaram algumas dificuldades para a implementação do SICI. Entre as dificuldades do programa, os principais pontos são: contínuo desabastecimento da rede pública de saúde, equipe de trabalho com pequeno número de servidores, sobrecarga de trabalho e a falta de estrutura.

Também apontaram os aspectos positivos, sendo os pontos mais citados:

melhoria dos atendimentos dos usuários, garantindo um atendimento mais humanizado, possibilidade de atendimento das necessidades específicas e poder oferecer um tratamento de alta tecnologia por meio da rede pública de saúde.

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A participação em grupos de diabéticos oferecidos pelos SES DF tem como objetivos: promoção de educação em DM com orientações para contagem de carboidratos para o alcance de metas do bom controle glicêmico e menor variabilidade glicêmica, entre outras recomendações. Os principais benefícios do tratamento com SICI são os mesmos utilizados para análogos de insulina, considerando que pressupõe o uso deste tipo de insulina exclusivamente, que são: redução das complicações; melhora da qualidade de vida, manutenção de glicemias estáveis com menor variabilidade, consequente redução na frequência de admissão em serviços de emergência para correção das descompensações agudas e menor incidência de complicações crônicas em longo prazo. (Entrevistado 5, 2017)

Por utilizar de uma tecnologia avançada na área de saúde e por envolver recursos altamente onerosos, foi necessário que o protocolo clínico utilizado estivesse em consonância com as diretrizes nacionais e internacionais para uma identificação mais precisa do usuário com maior potencial de benefício terapêutico, sem causar comprometimento dos recursos financeiros que seriam destinados a outros programas, conforme lembra o Entrevistado 5. Para isso, foram designados técnicos que foram centralizados em uma unidade, e assim definiram os critérios clínicos e sistema de monitoramento dos casos de origem direta e dos casos por meio de judicialização.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, se referindo ao SICI na rede pública, “o uso de opções terapêuticas de custo mais alto para o controle do diabetes só se justifica quando os resultados terapêuticos efetivamente obtidos justifiquem o custo adicional dos novos tratamentos ” (MINICUCCI, 2011).

Atualmente, caso um portador de diabetes dê entrada em processo judicial junto à SES/DF para solicitar o tratamento com o Sistema de Infusão Contínuo de Insulina, ele é encaminhado para o Ambulatório de SICI no HRT e dessa forma os procedimentos do protocolo clínico são realizados para que se determine se ele é ou não um candidato ao tratamento, caso positivo, ele ganha o tratamento do SUS, juntamente com seus insumos e deve se comprometer em seguir as orientações e comparecer as consultas. Caso negativo, ele será encaminhado para outros tipos de tratamento para diabetes, dentro a Coordenação Central de Diabetes.

Segundo um dos entrevistados, os implementadores e os executores viram no programa a chance de oferecer uma maior qualidade de vida, um melhor tratamento e uma maior autonomia aos portadores de diabetes.

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“O uso de um recurso avançado como o SICI é um grande ganho para o paciente, já que reflete diretamente em sua qualidade de vida. Esse tratamento mostra grandes benefícios comparados à terapia tradicional com múltiplas doses de insulina. ” (Entrevistado 2)

“O protocolo instituído no SUS/DF visa superar essa dificuldade ora enfrentada no Brasil, cuja obtenção ainda se dá quase na totalidade com medidas judiciais, beneficiando a população com otimização dos recursos destinados para esta finalidade. ” (Entrevistado 1)

Para um dos entrevistados, que também possui diabetes e faz uso do SICI, ver o atendimento da Coordenação Central de Diabetes e ver o SICI em conjunto, uma vez que o ambulatório faz parte da Coordenação, reflete o que é a integralidade do programa.

O paciente recebe o diagnóstico e é encaminhado para o HRT e então é acolhido pela equipe multidisciplinar. Os médicos decidem qual tratamento será mais efetivo e educamos a família para que eles continuem com os procedimentos em casa. Eu passei pela experiência e vivo isso no dia a dia.

Para as famílias, muitas vezes, é reconfortante ser atendido por um profissional que conhece e sentiu as dúvidas e dificuldades na pele (Entrevistado 3)

O SICI devolve a autonomia ao portador de diabetes, pois ele programa o aparelho, de forma que sua programação imita a fisiologia do pâncreas, dando assim, mais liberdade e mais independência. O uso da tecnologia com o uma aliada em combate às doenças apresenta bons resultados, pois, permite que o portador da doença possa se aproximar cada vez mais a uma realidade onde esse problema se torna algo secundário, o permitindo viver uma vida com mais independência.

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo apresentado buscou analisar o processo de implementação e atuação do Ambulatório do Sistema de Infusão Contínuo de Insulina – SICI, que exerce suas atividades no Hospital Regional de Taguatinga – HRT, por meio de médicos e enfermeiros capacitados para esse fim. A partir da visão de seus executores e implementadores, os objetivos por eles definidos estão sendo alcançados, porém, existem alguns aprimoramentos a serem realizados. Os critérios que pautaram a realização do SICI e os principais atributos do programa foram apresentados através da pesquisa bibliográfica e da percepção dos entrevistados, sendo identificado que o programa faz parte das políticas públicas de saúde do SUS, tendo como princípio a integralidade, uma vez que considera o sujeito como um todo e procura atender a todas as suas necessidades.

A pesquisa foi efetuada com os funcionários da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal que são responsáveis pela implementação e execução do programa estudado. Consequentemente, as percepções apresentadas no estudo refletem a visão desses funcionários diante do espaço institucional e organizacional em que foi implementado o SICI.

Em 2008, a Coordenação Central de Diabetes da SES/DF, após cumprir inúmeros mandados judiciais de instalação do SICI, percebeu que em grande parte dos casos não se preenchia os critérios clínicos necessários para sua utilização.

Dessa forma, a coordenação realizou estudo em um grupo de 15 pacientes e constatou que um terço dos pacientes não estava habilitado e as indicações eram inadequadas. Nesse sentido, os profissionais continuaram com as pesquisas para instituição do protocolo de atendimento do SICI.

Por meio da pesquisa foi possível perceber que as principais características do programa são: proporcionar um melhor controle glicêmico oferecendo um tratamento por meio do SICI de forma humanizada, visando gerir de forma eficiente os recursos do governo. Os objetivos do programa são diminuir o número de complicações causadas pelo diabetes e reduzir o gap de tratamento entre as diferentes classes sociais, diminuindo, assim, o impacto socioeconômico da doença.

42 As metas do programa, em relação ao controle da doença, são definidas em protocolo clínico publicado. Em linhas gerais, pode-se perceber que os objetivos iniciais de identificação dos usuários com maior potencial de benefício com a terapêutica oferecida e que se esses usuários são mantidos em tratamento fornecido pela Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, os objetivos clínicos de controle e menor variabilidade glicêmica são alcançados, além disso, os entrevistados perceberam um aumento na assiduidade de comparecimento nas consultas, uma vez que o protocolo exige uma renovação médica para liberação dos insumos.

O diferencial desse programa consiste em trazer um tratamento de alta tecnologia em saúde, por meio do SUS, para a população que tinha necessidade de uma terapia diferenciada com base em particularidades clínicas, com potencial benefício para a saúde. O programa é inovador, uma vez que seus pacientes serão amparados ao longo do tempo, enquanto persistir a necessidade desse tratamento diferenciado, porém, para isso é preciso que o usuário do SICI tenha boa aceitação e compreenda seu papel de indivíduo ativo do processo terapêutico.

O Ambulatório de SICI integra a política pública do SUS, procurando exercer o princípio de integralidade, ou seja, ao enxergar a pessoa como um todo e buscar atender suas necessidades, os responsáveis pelo tratamento veem as especificidades necessárias e aplicam o protocolo clínico, humanizando o tratamento e atendendo o paciente no mais próximo daquilo que ele necessita.

Apesar do tratamento inovador e dos sucessos alcançados, algumas dificuldades se encontram presentes, como a falta de profissionais e a falta de medicamentos. Dessa forma, os portadores de diabetes acabam tendo que cessar o tratamento com o SICI e ingressar no tratamento disponível, uma vez que não possuem condições de mantê-lo sem a ajuda do governo. A falta de profissionais de saúde é um problema em todo o Brasil, e não deixa de ser diferente no Ambulatório, já que faltam profissionais que possam dar continuidade ao programa ou ajudar a expandi-lo.

Este estudo busca trazer ao meio acadêmico um programa pouco conhecido e estudado pelo viés de políticas públicas de saúde, identificando seus

43 fracassos e vitórias por meio da avaliação, porém, salientando que futuramente novas pesquisas sobre a avaliação do programa poderão ser desenvolvidas.

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APÊNDICES

Apêndice A – Questionário aplicado aos entrevistados

Perfil do entrevistado:

Nome do entrevistado:

Cargo:

De que forma atua no SICI?

Perguntas:

1. Quais as principais características do SICI? (O que é o SICI?) 2. Com que intuito o programa foi criado?

3. Como foi o processo de criação do PDPAS? Você participou do processo?

Quais foram os problemas que levaram a formulação da política?

4. Qual o contexto da formulação, da implementação e da aplicação da política pública?

5. Quais são as metas e objetivos do programa e quais delas já foram alcançadas até o presente momento? Existe alguma forma de acompanhamento do programa?

6. Qual o diferencial dessa política pública em face aos outros tratamentos do sus?

7. Quais são os pontos positivos e os pontos negativos? Que desafios são esperados para o futuro?

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ANEXOS

Anexo A – RESULTADOS DO ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO SOBRE

CONTROLE DO DIABETES

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