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CASO II: DERMATITE SEBORREICA

3. Etiologia e Patogénese

5.2. Tratamento do Adolescente e do Adulto

O principal mecanismo patogénico da DS envolve a proliferação da Malassezia spp. e a irritação e inflamação local da pele. Por essa razão, o tratamento mais comum para a DS envolve a utilização de agentes antifúngicos e anti-inflamatórios. Outras terapias também muito usadas incluem a utilização de alcatrão mineral e de fototerapia. Mais recentemente, também se passou a utilizar imunomoduladores e metronidazol, mas a sua eficácia permanece controversa. Nos casos mais graves, pode recorrer-se a corticosteroides tópicos, em doses baixas, ou a antifúngicos de administração oral [60, 63, 65, 66, 73].

Tabela 5. Tratamento da DS e caspa no adolescente e no adulto. Adaptado de [66] e [74].

FÁRMACO DOSE, FF REGIME MECANISMOS EFEITOS ADVERSOS

PICO Ag en te s An tifú n g ico s Cetoconazol (ex.: Nizoral®) 2% champô, creme, líquido cutâneo. Pele e CC: - 2x/semanas (4 semanas)

- 1x/semana (manutenção) - Inibição da síntese da parede celular nos fungos.

- DCI, comichão, sensação de queimado, secura (raros). Miconazol (ex.: Daktarin®) 2% creme, emulsão cutânea. Pele: - 1-2x/dia - DCI. Ciclopirox Olamina (ex.: Mycoster®) 1% champô, creme, solução cutânea, pó cutâneo. CC: - 2-3x/semana (4 sem.) - 1x/semana (manutenção) Pele: - 2x/dia

- Inibição das enzimas dependentes de metais.

- DCI, comichão, sensação de queimado (raros) Sulfureto de Selénio (ex.: Selenix®) 2,5% champô CC: - 2x/semana (2 semanas) - 1x/semana (2 semanas) -Repetir passado 4-6 semanas - Ação citostática. - Ação queratolítica.

- DCI (raro), descoloração laranja-acastanhado do CC.

Piritiona Zinco (ex.: Z. P. Dermil®)

2% creme Pele e CC:

- 1-3x/dia - Aumento do cobre celular, que vai interferir com as proteínas Fe-S. - DCI (raro). 0,5% suspensão cutânea CC: - 2x/semana Co rtico ste ro id es Hidrocortisona (ex.: Pandermil®) 1% creme, pomada Pele: - 1-2x/dia (1 semana) - Ação Anti- inflamatória. - Ação Anti-irritante.

- Risco de atrofia da pele, telangiectasias, foliculite, hipertricose, hipopigmentação com uso prolongado. Dipropionato de Betametasona (ex.: Diprosone®) 0,05% creme, pomada, solução cutânea Pele e CC: - 1-2x/dia (1 semana) Desonida (ex.: Zotinar®) 1% creme, solução cutânea Pele e CC: - 2x/dia - 1x/dia (manutenção) Fluocinolona

(ex.: Synalar®) 0,025% creme

Pele: - 1-4x/dia Im u n o - m o d u la d o re s Pimecrolimus

(ex.: Elidel®) 1% creme

Pele:

- 2x/dia - Inibe a produção de citoquinas pelos linfócitos T.

- Risco de neoplasias na pele e linfoma com uso prolongado. Tacrolimus

(ex.: Protopic®) 0,1% pomada

Pele: - 1-2x/dia (4 semanas) - 2x/semana (manutenção) O u tr o s Alcatrão Mineral

(ex.: Tarmed®) 4% champô

CC: - 1-2x/semana (4 semanas) - Ações antifúngica, anti-inflamatória e queratolítica diminuem produção de sebo.

- Foliculite local, DCI (dedos), agrava psoríase, atrofia da pele, telangiectasia, hiperpigmentação - Risco de carcinoma com uso prolongado. Metronidazol (ex.: Metroderme®) 0,75% creme, gel, emulsão cutânea Pele: - 2x/dia (4 semanas) - Ação anti- inflamatória através da inibição da formação de radicais livres.

- Sensibilização de contacto com uso prolongado (raro).

Fototerapia - Raios UVB - Dose cumulativa de 9,8 J/cm2. - 3x/semana durante 8 semanas ou até desaparecimento de lesões - Imunomodulação. - Inibição da proliferação celular. - Queimaduras, comichão durantes e depois da terapia. - Risco de tumor genital com uso prolongado. S ISTÉM IC O Itraconazol (ex.: Sporanox®) - 200 mg -via oral - 1x/dia (7 dias) - 1x/dia (2dias/mês para manutenção)

- Inibição da síntese da parede celular dos fungos. - Anti-inflamatório via inibição de metabolitos da 5-lipoxigenase. - Hepatotoxicidade (raro). Terbinafina (ex.: Lamisil®) - 250 mg - via oral - 1x/dia (4-6 semanas) OU - 12 dias/mês (3 meses) - Inibição da síntese da membrana e parede celulares.

- Taquicardia, insónia (raros). * Legenda: CC = Couro Cabeludo, DCI = Dermatite de Contacto Irritante, Fe = Ferro, S = Enxofre.

6. O Papel do Farmacêutico

Uma vez que se trata de uma doença com manifestações visíveis, é comum os doentes sentirem-se, por vezes, constrangidos. No entanto, eles podem beneficiar muito do aconselhamento farmacêutico. O farmacêutico deve sempre inteirar-se dos medicamentos e produtos cosméticos que o doente já utilizou, de forma a melhor avaliar a severidade dos sintomas. Deve certificar-se que o problema do doente é mesmo DS ou caspa e depois proceder ao aconselhamento de um produto apropriado, indicar qual o regime terapêutico, efeitos adversos, esclarecer as dúvidas do doente, etc. Quando lhe parecer necessário, deve encaminhar os doentes para uma consulta de dermatologia [65]. É também dever do farmacêutico explicar claramente ao doente que a DS é uma doença crónica e que, apesar de existirem momentos de remissão, há sempre bastantes recidivas. Reforçando sempre a importância da adesão à terapêutica [65]. O farmacêutico deve também ter conhecimento dos suplementos alimentares, produtos naturais e outros que o doente está a tomar para garantir que não há o risco de ocorrerem interações medicamentosas [65].

Por fim, como só os casos muito graves é que requerem acompanhamento médico, o aconselhamento farmacêutico ganha assim um papel de destaque no tratamento e prevenção da DS e da caspa [65].

7. Conclusão

Tanto a DS, como a caspa, são doenças, caraterizadas por eritema e descamação da pele. Não poem em risco a vida dos doentes, todavia, têm um impacto negativo na vida social destes, principalmente nos casos graves, em que os doentes se podem mesmo sentir inibidos de fazer certas atividades de convívio e lazer, como por exemplo ir à praia. Pelo contrário, a DS infantil tem pouco ou nenhum impacto na vida dos bebés. Apenas os casos de maior prurido e lesões muito extensas têm necessariamente de ser resolvidos com recurso a fármacos.

Apesar da etiologia da DS ainda ser desconhecida, atualmente já poucas dúvidas restam entre os investigadores que no centro deste enigma se encontram as leveduras Malassezia spp., a produção excessiva de sebo, a suscetibilidade individual e a forma como estes três fatores se relacionam. Felizmente, atualmente, existe uma grande variedade de fármacos e FF para o tratamento da DS, que permitem aos doentes fazer uma vida normal, sem constrangimentos.

Por fim, a escolha deste tema permitiu-me adquirir novos conhecimentos acerca desta doença e, principalmente, dos fármacos utilizados no seu tratamento e seus nomes comerciais. Considero que estes novos conhecimentos foram importantes, pois a maioria dos doentes apresenta formas ligeiras de DS, que podem ser solucionadas apenas com uma ida à farmácia. O aconselhamento farmacêutico tem assim grande destaque no tratamento e prevenção da DS. Neste sentido, os panfletos da DS distribuídos na FDV tiveram um grande sucesso e os utentes demonstraram grande interesse em conhecer melhor a doença.

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