4 METODOLOGIA DA PESQUISA
4.3 TRATAMENTO DO MATERIAL
Ao considerar a particularidade dos dados obtidos pela pesquisa qualitativa, optamos pela técnica de análise de conteúdo para a discussão dos dados coletados. As orientações para o uso desta técnica foram extraídas das obras de Bardin (2011) e de Rodriguez Gómez et al. (1996).
A análise de conteúdo constitui-se uma técnica que trabalha com as mensagens oriundas de um processo de comunicação investigado. Neste sentido, Rodriguez Gómez et al. (1996, p. 200) afirma que “toda a análise busca alcançar um maior conhecimento da realidade estudada e, na medida do possível, avançar mediante sua descrição e compreensão até a elaboração de modelos conceituais explicativos”.
A organização da análise de conteúdo pode ser efetuada a partir de três etapas pontuais: uma pré-análise, que deve determinar os meios de investigação, a exploração e a etapa do tratamento do material, em que dados são organizados e interpretados pelo pesquisador. A descrição dessas etapas no presente estudo pode ser visualizada no Quadro 03:
Quadro 3 - Etapas Desenvolvidas na Organização da Análise de Conteúdo
Organização da Análise de Conteúdo Pré-Análise Exploração do Material Tratamento dos Resultados Determinação dos meios de investigação: análise documental, observação em sala de aula e entrevista de aprofundamento. Escolha dos documentos (corpus): Diretrizes Curriculares dos Cursos de Engenharia; Projeto Pedagógico do Curso. Elaboração das categorias: inter- relação do conhecimento/int er-relação pedagógica Análise dos documentos selecionados, da observação em sala de aula e das entrevistas de aprofundamento. Inferência e interpretação dos dados. Elaboração de quadros que representem o núcleo de sentidos encontrados nos dados analisados. Apresentação da frequência com que as categorias e subcategorias aparecem nas fontes Busca de novos sentidos que possam surgir durante a fase de exploração do material. Fonte: Adaptado de Bardin (2011).
Na fase da pré-análise, estabelecemos como meios de investigação a análise documental, a observação em sala de aula e a realização de entrevistas de aprofundamento com os docentes. Nesta fase, foram selecionados os documentos a serem analisados: as Diretrizes Curriculares dos Cursos de Engenharia e o Projeto Pedagógico do Curso. Além disso, foram determinadas categorias
prévias de análise dos dados, sendo elas: a categoria da inter-relação do conhecimento e a categoria da inter-relação metodológica.
A fase de exploração do material constituiu-se de leitura dos documentos selecionados, da observação em sala de aula e, posteriormente, de entrevistas de aprofundamento realizadas com os professores que tiveram suas aulas acompanhadas.
Neste estudo, considerando seus objetivos, definimos, previamente, conforme orientação de Bardin (2011) e Rodriguez Gómez (1996), as categorias e subcategorias correspondentes, tendo o tema do conteúdo disponível nos materiais analisados, como referência para identificação das unidades de registro.
As categorias, subcategorias e sentidos definidos podem ser visualizadas na Figura 1:
Figura 1: Categorias, Subcategorias e Sentidos
Fonte: Elaborado pelo autor
A inter-relação buscada na categoria do conhecimento é aquela que é trabalhada sempre na busca de uma articulação que considera a materialidade histórica vivida pela humanidade.
A categoria da inter-relação metodológica é pautada nas estratégias adotadas no interior da sala de aula, é a visão de dentro para dentro, no sentido de compreender se o saber favorece ou não o acesso ao conhecimento.
Tanto na primeira quanto na segunda categoria, foram relacionadas às três subcategorias elencadas na metodologia da pesquisa: a inter-relação integradora, emancipadora e ausente. As subcategorias escolhidas foram inspiradas naquelas elencadas por
Pereira (2007), em seu estudo sobre a interdisciplinaridade em uma escola do Rio Grande do Sul.
A inter-relação integradora pode também ser designada de multidisciplinaridade. Segundo Pereira (2007, p. 242), “[...] constitui-se na tentativa de integrar o conhecimento de duas ou mais disciplinas, procurando levar os alunos a ampliarem ou avolumarem o seu cabedal de conhecimento com proeminência na informação”.
A inter-relação emancipadora estabelece vínculos entre o conhecimento científico e a realidade. Nesta categoria, as disciplinas inter-relacionadas a outras se caracterizam como instrumentos que oferecem respostas aos problemas sociais complexos.
A inter-relação ausente, segundo Pereira (2007, p. 245), é aquela em que “o conhecimento disciplinar, por sua própria condição, restringe-se ao ditado pelas disciplinas em particular, objetivando conduzir o aluno à apropriação e domínio dos seus conceitos específicos e essenciais já estabelecidos”.
A partir da leitura de Pereira (2007), definimos a inter-relação integradora como aquela que consiste em estratégias de aproximação de saberes, com foco na multidisciplinaridade, ou seja, uma justaposição de disciplinas diversas, relacionadas de forma superficial com caráter aproximativo. A inter-relação emancipadora busca a compreensão dos fatos, amparada pela complementaridade necessária de diversos campos do saber (interdisciplinaridade), enquanto a inter-relação ausente dá ênfase ao conhecimento disciplinar, ou seja, mantém o foco na disciplinaridade, sem contestar seu próprio conhecimento.
Definidas as categorias e subcategorias de análise, passamos para a fase de análise inferencial e a interpretação dos dados. Nesta etapa, elaboramos quadros elencados no apêndice deste trabalho, com fragmentos representativos das categorias e das subcategorias contidos no conteúdo das fontes de pesquisa, dispondo-os em ordem decrescente, conforme a frequência com que apareceram no material analisado.
Finalmente, vale dizer que a utilização da análise documental, da observação em sala de aulas e entrevistas de aprofundamento com os professores participantes da pesquisa, possibilitou desenvolver a técnica da triangulação, nesse caso de cunho metodológico (RODRIGUEZ GÓMEZ et a.l, 1996). Por esse meio, conseguimos ampliar “a descrição, explicação e compreensão do foco em estudo” (TRIVIÑOS, 1987, p. 138), pela integração e contraste da informação disponível.
Os dados coletados durante os três momentos da pesquisa de campo, pontuados anteriormente, articulados às interpretações do pesquisador, são apresentados no capítulo a seguir.