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Composição do ISA

63 Comprometer-me em actividades que visam ajudar os outros

4.2.3. O Tratamento dos Dados

Antes de mais convém referir que o modo como se registam e analisam os resultados, bem como acontece com a própria forma que o ISA deverá ter para aplicação prática, não estão claramente explicados por Curie (2000). Muito provavelmente, esta situação deve-se ao facto de que o ISA é um instrumento “manobrável”, ou seja, a finalidade e os princípios básicos são enunciados mas a forma e o que se retira dele depende do que se pretende analisar

Como princípio geral podemos referir que as classificações das actividades nos diferentes exercícios são anotadas numa folha de exame sumário, devidamente identificada para cada um dos exercícios. Depois de todas as anotações efectuadas e exercícios terminados, para cada dimensão dos três sub-sistemas, totaliza-se, através de um somatório, o número de acções classificadas pelo sujeito nas diferentes categorias (Curie, 2000).

No que respeita ao tratamento posterior dos dados, este passa, inicialmente, pelo estabelecimento de índices que são calculados através da junção dos totais “individuais” resultantes

dos exercícios efectuados pelo sujeito. É, então, apresentada uma tabela onde se cruzam as dimensões com os sub-sistemas e o sistema global: cada uma das dimensões e sub-sistemas é cruzado e são formulados índices de tipo x ou y ou z1: se sub sistema x influencia o subsistema y representa-se x/y; se y é influenciado por x e z representa-se xz/y; e se os sub-sistemas x e y são influenciados por z representa-se z/xy.

O quadro abaixo representa um plano geral dos índices apresentado por Curie (2000) Quadro1 – Plano Geral Índices – ISA (Curie, 2000)

Sub-sistemas Dimensões Familiar Profissio nal Pessoal e Social

Aspirações aspiF aspiP aspiS expansão-aspirações Valorizações valF valP valS total-interclassificação

Actividades actF actP actS nivel-activação

Internalidade/Exter

nalidade I/EF I/EP I/ES I/E médio

Ajudas Internas aidF/F aidP/P aidS/S Obstáculos

Internos obstF/F obstP/P obstS/S

Trocas Externas ... ... ...

Ajudas Emitidas aidF/PS aidP/FS aidS/PF unidade sistema Ajudas Recebidas aidPS/F aidFS/P aidPF/S interdependência global Obstáculos

Emitidos obsF/PS obsP/FS obsS/PF

Obstáculos

Recebidos obsPS/F obsFS/P obsPF/S segmentação sistema

1Neste caso seriam F (domínio familiar), P (domínio profissional) e S (domínio social e pessoal), mas autor optou por

Como se pode verificar as dimensões representadas correspondem aos cinco exercícios do ISA. As dimensões aspiração, valorização, actividades, internalidade e externalidade são “internas” a cada um dos sub-sistemas considerados: familiar, profissional e social/pessoal. Ou seja, não implicam a análise de índices cruzados, pois não representam qualquer tipo de troca, visto que, genericamente falando, representam hierarquizações internas a cada um dos sub-sistemas. Estes índices constituem-se por somatórios de actividades classificadas pelo sujeito nos parâmetros referidos e dão origem, respectivamente, aos seguintes índices (Curie, 2000):

• Índice expansão/aspiração

Refere-se ao número de actividades que se constituem como aspirações para o sujeito em cada um dos sub-sistemas. Assim se pode verificar qual sub-sistema tem um índice mais elevado, ou seja, qual o sub-sistema em que o sujeito tem mais aspirações de expansão

• Índice “total de inter classificação”

De cada um dos domínio de vida, e que corresponde à seguinte equação: actividades familiares/profissionais/pessoais ou sociais efectuadas X 100

actividades efectuadas + actividades não efectuadas • Índice “nível de activação” do sistema global

Soma dos índices de actividades dos três sub-sistemas: familiar, profissional e pessoal/social • Índice relativo de “actividades de um sub-sistema”

Contribuição de um determinado sub-sistema para o índice “nível de activação do sistema global”

No que respeita às dimensões de troca (ajudas e obstáculos), já existe a necessidade de se relacionarem actividades de domínios diferentes. Isto é, no que respeita às ajudas e obstáculos, sejam eles internos ou externos, emitidos ou recebidos, há uma relação de influência entre as actividades dos vários domínios de vida na concretização das actividades prioritárias e objectivos definidos. Irão ser especificados os casos da 1ª coluna que diz respeito ao sub-sistema família, e depois basta identificar a sigla para se confirmarem as outras relações especificadas (Curie, 2000):

• aidF/F: Número de actividades do sub-sistema família considerados como ajuda para a concretização de actividades prioritárias do sub-sistema família;

• obstF/F: Número de actividades do sub-sistema família considerados como obstáculo para a concretização de actividades prioritárias do sub-sistema família;

• aidF/PS: Número de actividades do sub-sistema família tidos como ajuda para alcançar objectivos classificados como prioritários nos sub-sistemas profissional e social/pessoal;

• aidPS/F: Número de actividades relevantes dos sub-sistemas profissional e social/pessoal assinaladas como ajuda para alcançar actividades definidas como prioritárias no sub-sistema família;

• obsF/PS: Numero de actividades do sub-sistema família tidos como obstáculo para alcançar objectivos classificados como prioritários nos sub-sistemas profissional e social/pessoal;

• obsPS/F: Numero de actividades relevantes dos sub-sistemas profissional e social/pessoal assinaladas como obstáculo para alcançar actividades definidas como prioritárias no sub-sistema família.

Estas relações que se estabelecem são, também elas totalizadas e dão ainda origem aos seguintes índices (Curie, 2000):

• Índice de “unidade do sistema”

Corresponde ao volume total de trocas de ajudas, recebidas e emitidas, entre sub-sistemas; • Índice de “interdependência global”

Totaliza o volume das trocas de ajudas e obstáculos, recebidos e emitidos, entre sub-

sistemas;

• Índice de “segmentação do sistema”

Estabelece uma relação entre o total das ajudas saídas do sub-sistema no qual se formulam os objectivos prioritários e o total de ajudas saídas dos outros dois sub-sistemas.

O Anexo VIII contém as fórmulas específicas para cálculo dos Índices em cada um dos exercícios. Antes da apresentação das formulas, por exercício, encontra-se um pequeno quadro no

qual se podem registar os totais apuradas nas folhas de registo de respostas, pretendendo-se assim simplificar a identificação dos valores a utilizar para calculo de cada um dos índices (ver anexo VIII).

De salientar que Curie (2000) refere que o ISA permite a construção de numerosos índices, pois cada pesquisador poderá utilizar os resultados deste inventário em função dos seus objectivos, do que pretende analisar.