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Todas as atividades (estimativa, agregação e compatibilização) descritas nas seções

anteriores foram também realizadas para cada bloco de comércio (Mercosul, União Européia,

Nafta e restante do Mundo).

Na estimativa do modal ex-ante de transporte de cada bloco de comércio utilizou-se

apenas o passo A (averiguar os locais de embarque efetivo das exportações dos modais ex-

post). Após esse passo, foram aplicadas as participações (%) de cada modal ex-ante de

66 Esse procedimento foi aplicado em Perobelli et al. (2006b). O percentual se distribuiu da seguinte forma: rodoviário: 17,0%, ferroviário: 32,7%, fluvial: 2,4%, aéreo: 0,0%, marítimo: 47,9% e outros: 0,0%.

transporte para cada local de embarque das Tabelas 12 (marítimo), 13 (ferroviário), 14

(fluvial), 15 (rodoviário). Isso é válido porque todos os locais de embarque e seus acessos

logísticos foram considerados quando calculada a estimativa dos modais ex-ante de transporte

do total geral (exportado).

A agregação entre os modais ex-ante e ex-post de transporte para cada bloco de

comércio, foi similarmente realizada de acordo com os procedimentos matemáticos

demonstrados na Figura 9 e 10 (vide seção 4.2). Com esses valores agregados, aplicou-se a

mesma compatibilização descrita na seção anterior.

Para calcular os resultados da estimativa e agregação do restante do Mundo,

deduziram-se do total geral (exportado) os demais e respectivos resultados dos blocos

comerciais. Assim, a estimativa do modal ex-ante do restante do Mundo é igual à diferença

entre a estimativa do total geral com as dos demais blocos comerciais. De forma similar, a

agregação dos resultados desse bloco comercial também se processou pela diferença. Para a

compatibilização dos resultados, aplicou-se a descrita no Quadro 3 da seção anterior. Dessa

forma, a soma de todos os valores dos blocos de comércio é igual ao total geral exportado em

2003.

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Os valores monetários (R$) no vetor de exportação da matriz de insumo-produto

foram separados em quatros blocos comerciais. Para isto, primeiramente, foram

compatibilizados os valores em moeda estrangeira (US$) dos capítulos NCMs com os setores

econômicos (Quadro 3). Em seguida, calculou-se o share (estrutura - %) por setor de cada

bloco comercial do total exportado. Por fim, utilizou-se esse share sobre o vetor das

exportações [moeda nacional (R$)] da demanda final. Todo esse procedimento se comprova

devido à diferença de moeda entre as exportações dos capítulos NCMs e dos setores

produtivos da matriz de insumo-produto.

67 Os resultados da estimativa, agregação e compatibilização de cada bloco de comércio estão apresentados a partir do Anexo 5.

5 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A utilização do modelo fechado de insumo-produto híbrido descrito no capítulo 3

permite computar, no âmbito das exportações, o grau de dependência (ou interação) dos

setores produtivos com os modais de transporte (rodoviário, ferroviário, fluvial, aéreo,

marítimo e outros) para a economia brasileira.

Essas interações (medidas de intensidade de uso), indicarão, por um lado, o quanto os

modais de transportes são requeridos pelos setores produtivos para atender o nível das

exportações para o Mercosul, União Européia, Nafta e restante do Mundo. Por outro,

permitirá uma avaliação comparativa entre esses blocos comerciais e, implicitamente, uma

observação das influências que os efeitos de proximidade

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e vizinhança

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exercem sobre o

uso dos modais de transporte.

É importante ressaltar que as interações setoriais, representadas pelos coeficientes de

requerimentos (total, direto e indireto) de transporte, são tratadas sob a ótica das vendas nas

sub-matrizes AE ,

R RER

e QE do modelo de insumo-produto de cada bloco comercial.

R

Os resultados dos coeficientes de requerimentos líquidos totais de cada bloco

comercial permitirão detectar os setores econômicos que exercem alto peso sobre a demanda

dos modais de transporte. Esses requerimentos, numa etapa posterior, serão decompostos

entre seus efeitos diretos e indiretos.

A análise entre os requerimentos diretos e indiretos possibilitará averiguar quais são as

atividades setoriais que revelam maior poder de multiplicação sobre a demanda de transporte.

68 proximity effects.

Para isto, verificar-se-à a relação requerimentos diretos versus indiretos. Quanto menor for

essa relação, maior o poder de multiplicação do setor (PEROBELLI et al., 2006a). Assim, os

setores com alto peso de demanda (identificados pelos requerimentos líquidos totais) e que

exibem uma baixa relação requerimentos diretos versus indiretos tendem a exercer as mais

fortes pressões sobre os modais de transporte. Em contrapartida, os setores com baixo peso na

demanda dos modais de transporte e que apresentam uma alta relação requerimentos diretos

versus indiretos exercem pequenas pressões sobre esses modais.

Não obstante, podem existir setores que apresentam alto peso na demanda dos modais

de transporte e que detêm uma alta relação requerimentos diretos versus indiretos. Nesse caso,

o setor detém baixo poder de multiplicação sobre a demanda de transporte, embora o seu peso

sobre ela seja grande. No outro extremo, também podem existir setores que registram forte

poder de multiplicação (baixa relação de requerimentos diretos versus indiretos) e que

exercem pouco peso na demanda dos modais de transporte.

É por essas razões que a avaliação dos requerimentos líquidos totais por setor não

torna suficiente a análise da demanda dos modais de transporte, uma vez que os seus

componentes diretos e indiretos podem indicar o poder de multiplicação do setor em questão.

Assim, esse capítulo tem por objetivo analisar e discutir os resultados numéricos

oriundos dos coeficientes de requerimento líquidos totais, diretos e indiretos por setor de cada

bloco comercial. Para tal, nas quatro primeiras seções serão abordados, respectivamente, os

resultados do Mercosul, União Européia, Nafta e restante do Mundo. Em seguida, realizará

uma análise comparativa entre esses blocos comerciais. E, por fim, apresentará um resumo

dos principais resultados discutidos nas seções anteriores.

Nas quatro primeiras seções, primeiramente, serão apresentados os resultados

numéricos dos coeficientes de requerimentos líquidos totais por setor tanto quanto a sua

distribuição entre os modais de transporte. Em seguida, serão analisados os resultados dos

componentes diretos e indiretos.