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Tratamento e análise dos dados qualitativos e quantitativos

4. METODOLOGIA DA INVESTIGAÇÃO

4.5. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

4.5.6. Tratamento e análise dos dados qualitativos e quantitativos

No tratamento dos dados qualitativos, designadamente, das entrevistas, diários de campo e reflexões dos professores, foi utilizado, como já descrito, um processo de análise de conteúdo. Também recorremos exaustivamente a estratégias de verificação, nomeadamente a uma atitude de permanente questionamento e autorresponsabilização e, tal como já apresentado nos subcapítulos anteriores, a um sistema de codificação por categorias e indicadores construído, através da definição de unidades de sentido e posteriormente analisadas através de tabelas de frequência, seguindo Bardin (2001) e Miles e Huberman (1994).

Na análise de conteúdo efetuada aos diversos instrumentos, a codificação dos dados foi realizada por indução de regularidades e padrões, num processo de análise iterativo com o auxílio do software NVivo.

Este software apresenta um conjunto de ferramentas que permite um apoio significativo no tratamento e análise de dados qualitativos, designadamente com um incremento na eficácia e eficiência da sua apreensão sem perder o acesso à fonte dos dados e seu contexto, contribuindo para uma análise mais rigorosa dos dados (Bazeley, 2007).

Desta forma podemos resumir da seguinte forma o processo de análise de conteúdo realizado: 1.º Leitura exploratória de todos os dados recolhidos;

2.º Predefinição de categorias e indicadores de cada instrumento (entrevistas, diário de campo e reflexões dos professores);

3.º Codificação dos dados, instrumento a instrumento, com reajuste contínuo de categorias e indicadores;

4.º Leitura das unidades de sentido, indicador a indicador, e respetiva recategorização, quando necessário;

5.º Reformulação das categorias e indicadores devido ao cruzamento das categorias e indicadores dos diferentes instrumentos de recolha de dados;

6.º Leitura de revisão final (após cerca de três meses do passo anterior), indicador a indicador, e respetiva recategorização de algumas unidades de sentido;

7.º Construção e análise de matrizes de frequência, por instrumento;

8.º Resumo da informação, interpretação e inferência dos resultados obtidos através das matrizes de frequência e relatórios por categoria e indicadores (extraídos do software NVivo);

9.º Construção de matrizes de análise de frequências com cruzamento de instrumentos, pelas principais categorias e indicadores;

10.º Análise geral, interpretação, síntese e inferência dos resultados obtidos.

Acrescenta-se que, nos diferentes instrumentos, se procuraram definir as mesmas categorias para permitir no final um cruzamento geral de todos os dados, codificando-se ainda dimensões de análise comuns com correspondência às categorias definidas.

Deste modo, na análise dos dados, após identificação das categorias, a inferência ou indução para a interpretação dos dados, foi efetuada pela técnica de análise categorial, o desmembramento do texto em unidades ou categorias numa análise temática que posteriormente formou o sistema de classificação por categorias (Bardin, 2011; Johnson & Christensen, 2004).

À medida que este trabalho foi realizado e as unidades de dados foram sendo categorizadas, estas categorias foram sendo continuamente reformuladas. Ou seja, a primeira versão das categorias de codificação dos dados tratou-se, na realidade, de um teste de viabilidade às

categorias criadas, na medida em que estas foram sendo modificadas, surgindo novas categorias e sendo eliminadas outras (Bogdan & Biklen, 1994).

No Quadro 15 resume-se o plano final de análise de conteúdo global com a definição operacional dos indicadores e categorias de todos os instrumentos de recolha de dados, sujeitos a análise de conteúdo.

Quadro 15 – Plano de análise de conteúdo global

Categorias Indicadores Definição operacional

Contexto Contexto

Referências sobre o contexto da escola e de procedimentos relativos às oficinas de formação.

Visão Importância Utilidade Potencialidades Desvantagens

Referências sobre a importância, utilidade e potencialidades do uso de tecnologias digitais e suas desvantagens. Atitudes dos professores Favoráveis

Resistências

Referências às atitudes favoráveis ou resistentes dos professores face à utilização das tecnologias digitais em contexto educativo.

Utilização Pessoal e social Como professor Com os alunos Pelos alunos

Referências a diferentes tipos de utilização das tecnologias digitais, ao nível pessoal e social, enquanto professor, com os alunos e pelos alunos.

Nas disciplinas curriculares Em atividades e projetos Na sala de informática

Referências à utilização das tecnologias digitais ao nível curricular específico de cada disciplina, em atividades e projetos, e na sala de informática.

Vantagens

Ganhos Referências às vantagens e ganhos pela utilização das tecnologias digitais. Problemas e constrangimentos

Referências a problemas, constrangimentos e aspetos negativos da utilização das tecnologias digitais em contexto educativo. Dificuldades dos professores

Dificuldades dos alunos Ausência de dificuldades

Referências às dificuldades dos professores e dos alunos na utilização das tecnologias digitais, assim como à sua ausência. Recursos e ferramentas Equipamentos digitais Utilização do Google Forms

Utilização da Google Drive Utilização do Word Utilização do PDF Utilização do PowerPoint Utilização do GeoGebra Utilização do Calaméo Utilização do Facebook Utilização do Prezi Utilização do GoConqr Utilização do Scratch Utilização do Wix Utilização do Pixton Utilização do Voki Utilização do Moodle Utilização do QuizFaber Utilização do Instagram

Referências aos recursos e equipamentos, e utilização de diferentes softwares, aplicações e ferramentas digitais em contexto educativo.

Utilização do Movie Maker Utilização do BookWright Utilização do StoryBird Utilização do Kahoot

Metodologias e estratégias Com tecnologias digitais (Pr1) Usadas com os alunos (Pr1) Transversal ou interdisciplinar (Pr1) Ensino diferenciado (Pr2)

Relação pedagógica (Pr3)

Trabalho colaborativo e cooperativo (Pr4)

Metodologias ativas (P4) Trabalho extra-aula (P4)

Construção de conhecimento (P5)

Referências às metodologias e estratégias necessárias ou associadas à utilização das tecnologias digitais.

Atividades desenvolvidas

Grupo no Facebook Projeto de escola Criação de e-book Criação de site ou página Visualização de vídeos Uso de email com os alunos Pesquisa na Internet Jogo didático-pedagógico Construção de mapa conceptual Apresentação oral

Teste ou ficha digital

Instalação ou registo em software Construção de manual digital Edição de fotos ou imagens Criação de vídeo

Construção de nuvem de palavras

Referências às diversas atividades desenvolvidas com diferentes softwares, aplicações e ferramentas digitais.

Avaliação da utilização Pelos professores Pela comunidade Segurança na utilização Feedback dos alunos Autoavaliação

Referências à necessidade de avaliar a utilização das tecnologias digitais pelos professores e pela comunidade educativa, a segurança na sua utilização, o feedback dos alunos e também na autoavaliação dos professores como formandos.

Efeitos das tecnologias Na comunicação No processo de ensino- aprendizagem Na motivação Na atenção

Referências aos efeitos da utilização das tecnologias digitais na comunicação, no processo de ensino-aprendizagem, na motivação e na atenção dos alunos. Formação de professores Relevância Benefícios Referências à relevância e benefícios da formação de professores em geral. Modelo e método de Formação Caraterísticas Mais-valias Referências á metodologia e método de formação usado nas oficinas formação e

respetivas mais-valias. Desenvolvimento de

conhecimentos e competências Aquisição de conhecimentos Construção de competências Confiança na utilização Utilização contínua

Referências à aquisição de conhecimentos, construção de competências e incremento da confiança no uso das tecnologias digitais e sua utilização contínua.

Este sistema de análise de conteúdo geral dos vários instrumentos, no que respeita à definição das categorias, pode enquadrar-se nos tipos de categorias elaborados por Bogdan e Biklen (1994), que incluíram:

 códigos de contexto, com uma categoria e indicador nomeado de Contexto;  códigos de definição da situação, caso da categoria Utilização;

 perspetivas tidas pelos sujeitos, com a categoria Visão e Formação de professores;  pensamentos dos sujeitos sobre pessoas e objetos, caso das categorias Atitudes dos

professores, Efeitos das tecnologias e Avaliação da utilização;

 códigos de processo, como o da categoria Desenvolvimento de conhecimentos e competências;

 códigos de atividade, caso das categorias Atividades desenvolvidas e Recursos e ferramentas digitais utilizadas;

 códigos de estratégia, com a categoria Metodologias e estratégias;

 códigos de acontecimentos, caso das categorias Modelo e método de Formação. Segundo o mesmo autor, os investigadores da investigação-ação recolhem os dados com o objetivo de modificar as práticas existentes e devem procurar ser exaustivos na procura de materiais de documentação de forma a puderem sugerir recomendações para a mudança, questionando continuamente essa mesma documentação, visto muitas vezes, esta ser baseada nas “palavras” das pessoas, consideradas como dados qualitativos.

O tratamento dos dados quantitativos foi efetuado sobretudo através de estatística descritiva, tendo todos os questionários, exceto o de diagnóstico aplicado aos alunos, sido distribuídos online, o de diagnóstico e o final (através do Qualtrics87), e os aplicados no fim da primeira e segunda

oficina de formação (do Google Forms88).

Na análise dos resultados dos questionários, os recolhidos através da ferramenta Google Forms foram tratados em Excel, e os realizados no programa Qualtrics foram tratados no software SPSS89, designadamente no que se refere aos cálculos para efetuar a análise das distribuições, da

consistência interna das alíneas e os testes t-student, assim como o questionário aplicado aos alunos.

Segundo Johnson e Christensen (2004), o objetivo da estatística descritiva é descrever, resumir e dar sentido a um conjunto de dados, enquanto a estatística inferencial pretende ir além dos dados imediatos e inferir caraterísticas da população baseadas em amostras. Face à dimensão reduzida das amostras dos questionários aplicados, aos objetivos da investigação numa abordagem predominantemente qualitativa e ao caráter complementar dos questionários, optou-se por realizar uma análise estatística descritiva dos resultados de todos os questionários, de que consta as seguintes etapas: recolha, apresentação e interpretação dos dados (Reis, 1991).

Neste caso, o conjunto dos dados foi organizado para ser mais facilmente interpretado em tabelas e gráficos com cálculos de frequência, percentagens e medidas de tendência central

87 Qualtrics: software de questionários online (www.qualtrics.com).

88 Google Forms ou Google Formulários: aplicação da Google para criação de questionários online

(https://www.google.com/forms/about/).

89 SPSS: software de tipo científico para análise e tratamento de dados. Originalmente o nome era acrónimo de Statistical

Package for the Social Sciences - pacote estatístico para as ciências sociais (http://www- 01.ibm.com/software/analytics/spss).

(média, mínimo, máximo e desvio padrão). Na análise dos resultados do questionário final de follow- up ainda se efetuou uma comparação estatística das médias entre este e o questionário inicial, relativa à utilização das tecnologias e competência digital dos professores participantes nas atividades desenvolvidas com tecnologias digitais neste estudo.

Após verificar que as amostras se tratavam de distribuições normais, foi também efetuada uma análise de consistência interna, utilizando o alfa de Cronbach, ao conjunto das alíneas de duas questões da Parte C, de forma a obter um índice médio de resposta por indivíduo, para a realização de um teste t-student (teste de significância sobre igualdade de valores médios de populações com distribuição normal, com variâncias desconhecidas independentes) para comparação das médias do questionário de follow-up face ao questionário inicial.

No final, foi realizada uma análise global dos dados qualitativos e quantitativos da investigação com base nos instrumentos e técnicas utilizadas, e foram extraídas as respetivas conclusões sobre os aspetos metodológicos específicos e programáticos das oficinas de formação, a perceção do desenvolvimento de competências, a inovação de metodologias pedagógicas dos professores e respetivo contributo para o seu desenvolvimento profissional e humano.