• Nenhum resultado encontrado

4 MATERIAL E MÉTODOS

4.8 Tratamento Estatístico

Para análise descritiva e de correlação dos dados obtidos foi utilizado o programa Origin versão 6.0 para o cálculo das médias e desvios padrão de todas as variáveis analisadas, que serão apresentados em forma de gráficos e tabelas.

Para comparar as médias das variáveis e identificar se existiam diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, o teste T- student independente e pareado foi aplicado utilizando o programa Origin versão 6.0 (VIEIRA, 1980), considerando estatisticamente significativos os valores com p< 0,05.

A seguir os nossos resultados serão apresentados em forma de gráficos e tabelas. Tabela 1 – Valores antropométricos médios da idade, peso, altura e índice de massa corporal.

Períodos Idade Peso (kg) Altura (cm) IMC (kg/m2) Diurno 35±12,2 66±10,6 164±8,9 24±3,1 Noturno 36±9,8 69±18,2 163±9,8 26±5,3

Média Total 35 68 164 25

ns ns ns ns

Nota: Valores expressos em média e desvio padrão, intervalo de confiança de 95%, P < 0,05.

profissionais de enfermagem. Observamos que a maioria é constituída por profissionais de gênero feminino (86 %) e apenas 14% é do gênero masculino.

Figura 7 – Distribuição percentual por número de vínculos empregatícios.

Na figura 7 percebemos que 66% dos profissionais que trabalham no hospital analisado tem apenas um vinculo empregatício e 44% tem mais de um vinculo.

Nas figuras 8 e 9 mostram os níveis de atividade do SNA dos profissionais de enfermagem que trabalham nos períodos diurno, antes e depois dos respectivos plantões.

-2 -1 0 1 2 3 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 1 - 4 5 6 7 8 9 - 13 14 - 18 19 - 22

Figura 8– Nível de atividade total do SNS e SNPS dos profissionais de enfermagem do período diurno antes do plantão. -2 -1,5 -1 -0,5 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 -4 -2 0 2 4 1 - 5 6 - 10 11 - 15 16 - 22

Figura 9– Nível de atividade total do SNS e SNPS dos profissionais de enfermagem do período diurno depois do plantão.

Nas figuras 10 e 11, vemos o exemplo de um profissional de enfermagem do período diurno antes e após o plantão.

Figura 10– Exemplo de atividade total do SNS e SNPS de um profissionais de enfermagem do período diurno antes do plantão. Sujeito ERS.

Figura 11– Exemplo de atividade total do SNS e SNPS de um profissionais de enfermagem do período diurno após o plantão. Sujeito ERS.

Nas figuras 12 e 13 mostram os níveis de atividade do SNA dos profissionais de enfermagem que trabalham nos período noturno, antes e depois dos respectivos plantões.

-1 -0,5 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 -4 -3 -2 -1 0 1 2 1 - 5 6 - 10 11 - 15 16 - 20 21 - 28

Figura 12 – Nível de atividade total do SNS e SNPS dos profissionais de enfermagem do período noturno antes do plantão.

-3 -2 -1 0 1 2 3 4 -6 -4 -2 0 2 4 1 - 5 6 - 10 11 - 15 16 - 20 21 - 28

Figura 13– Nível de atividade total do SNS e SNPS dos profissionais de enfermagem do período noturnos depois do plantão.

Nas figuras 14 e 15, vemos o exemplo de um profissional de enfermagem do período noturno antes e após o plantão.

Figura 14– Exemplo de nível de atividade total do SNS e SNPS dos profissionais de enfermagem do período noturnos antes do plantão. Sujeito MPS.

Figura 15– Exemplo de nível de atividade total do SNS e SNPS dos profissionais de enfermagem do período noturnos depois do plantão. Sujeito MPS.

na tabela 2 ilustrados na figura

Tabela 2 – Nível de atividade total do SNS e SNPS dos profissionais de enfermagem do período diurno, antes e depois do plantão.

Plantão SNPS SNS

Antes -0,34±1,6 1,25±1,8

Depois -0,5±1,6 1,18±0,7

ns ns

Nota: Valores expressos em média e desvio padrão, intervalo de confiança de 95%, P < 0,05.

Média

-0,6 -0,4 -0,2 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 SNPS TOTAL SNS TOTAL Antes Depois

Figura 16 – Nível de atividade total do SNS e SNPS dos enfermeiros diurnos, antes e depois do plantão.

Na tabela 2 e figura 16 observamos que os sujeitos analisados neste estudo do período diurno tiveram uma redução no valor da atividade do sistema nervoso parassimpático. Observa-se também uma diminuição, do nível da atividade do sistema nervoso simpático. Resultado este estatisticamente não significante.

do período noturno, antes e depois do plantão.

Plantão SNPS SNS

Antes -1,44±1,0 1,41±0,9

Depois -1,26±0,9 1,07±0,9

ns p=0,03

Nota: Valores expressos em média e desvio padrão, intervalo de confiança de 95%, P < 0,05.

Média

-1,5 -1 -0,5 0 0,5 1 1,5 SNPS TOTAL SNS TOTAL Antes Depois

Figura 17– Nível de atividade total do SNS e SNPS dos profissionais de enfermagem do período noturno, antes e depois do plantão.

Na tabela 3 e figura 17 verificamos que os indivíduos analisados apresentaram um aumento no valor da atividade do sistema nervoso parassimpático antes do plantão. Observa-se também uma diminuição, do nível da atividade do sistema nervoso simpático, antes do plantão, em relação aos valores obtidos depois do plantão.

parassimpático antes e pós o plantão observamos uma redução estatisticamente significativa com um valor de p< 0,03 para um nível de significância de 0,05 em um intervalo de confiança de 95%.

Figura 18 - Resultados relativos aos níveis de funcionamento dos sistemas fisiológicos e da reserva de adaptação dos profissionais de enfermagem do período diurno antes do plantão analisados neste estudo.

Tabela 4 - Resultados relativos aos níveis de funcionamento dos sistemas fisiológicos dos enfermeiros diurnos antes do plantão.

Sujeitos Níveis Funcionamento dos Sistemas Fisiológicos 1 1 Mais alto nível de funcionamento dos sistemas fisiológicos 1 2 Próximo do mais alto nível de funcionamento dos sistemas fisiológicos 0 3 Sistemas fisiológicos funcionando a um nível extremo

0 4 Sistemas fisiológicos funcionando a um nível significantemente aumentado 2 5 Sistemas fisiológicos funcionando a nível moderadamente aumentado 1 6 Sistemas fisiológicos funcionando a nível levemente aumentado 5 7 Sistemas fisiológicos funcionando a um nível médio

3 8 Sistemas fisiológicos funcionando a nível significantemente reduzido 2 9 Sistemas fisiológicos funcionando a nível moderadamente reduzido 5 10 Sistemas fisiológicos funcionando a nível significantemente reduzido 2 11 Sistemas fisiológicos funcionando a nível extremamente reduzido 0 12 Sistemas fisiológicos funcionando a nível perto do nível mais baixo 0 13 Sistemas fisiológicos funcionando a nível muito baixo

Tabela 5 - Resultados relativos aos níveis de reserva de adaptação dos profissionais de enfermagem do período enfermeiro diurnos antes do plantão

Sujeitos Níveis Reserva de Adaptação

0 1 A reserva de adaptação está ao mais alto nível 3 2 A reserva de adaptação esta perto do nível mais alto 5 3 A reserva de adaptação esta a um nível normal

6 4 A reserva de adaptação esta a um nível significantemente reduzido 5 5 A reserva de adaptação esta a um nível moderadamente reduzido 2 6 A reserva de adaptação esta a um nível significantemente reduzido 1 7 A reserva de adaptação esta a um nível baixo

Figura 19- Resultados relativos aos níveis de funcionamento dos sistemas fisiológicos e da reserva de adaptação dos profissionais de enfermagem diurno depois do plantão.

Tabela 6 - Resultados relativos aos níveis de funcionamento dos sistemas fisiológicos dos profissionais de enfermagem do período diurno depois do plantão.

Sujeitos Níveis Funcionamento dos Sistemas Fisiológicos 0 1 Mais alto nível de funcionamento dos sistemas fisiológicos 0 2 Próximo do mais alto nível de funcionamento dos sistemas fisiológicos 1 3 Sistemas fisiológicos funcionando a um nível extremo

1 4 Sistemas fisiológicos funcionando a um nível significantemente aumentado 1 5 Sistemas fisiológicos funcionando a nível moderadamente aumentado 1 6 Sistemas fisiológicos funcionando a nível levemente aumentado 3 7 Sistemas fisiológicos funcionando a um nível médio

3 10 Sistemas fisiológicos funcionando a nível significantemente reduzido 4 11 Sistemas fisiológicos funcionando a nível extremamente reduzido 0 12 Sistemas fisiológicos funcionando a nível perto do nível mais baixo 0 13 Sistemas fisiológicos funcionando a nível muito baixo

Tabela 7- Resultados relativos aos níveis de reserva de adaptação dos profissionais de enfermeiros do plantão diurno depois do plantão

Sujeitos Níveis Reserva de Adaptação

2 1 A reserva de adaptação está ao mais alto nível 3 2 A reserva de adaptação esta perto do nível mais alto 5 3 A reserva de adaptação esta a um nível normal

8 4 A reserva de adaptação esta a um nível significantemente reduzido 2 5 A reserva de adaptação esta a um nível moderadamente reduzido 1 6 A reserva de adaptação esta a um nível significantemente reduzido 1 7 A reserva de adaptação esta a um nível baixo

Figura 20 - Resultados relativos aos níveis de funcionamento dos sistemas fisiológicos e da reserva de adaptação dos profissionais de enfermagem do período noturno antes do plantão.

Tabela 8- Resultados relativos aos níveis de funcionamento dos sistemas fisiológicos dos profissionais de enfermagem do período noturno antes do plantão.

Sujeitos Níveis Funcionamento dos Sistemas Fisiológicos 0 1 Mais alto nível de funcionamento dos sistemas fisiológicos 0 2 Próximo do mais alto nível de funcionamento dos sistemas fisiológicos 0 3 Sistemas fisiológicos funcionando a um nível extremo

0 4 Sistemas fisiológicos funcionando a um nível significantemente aumentado 0 5 Sistemas fisiológicos funcionando a nível moderadamente aumentado 0 6 Sistemas fisiológicos funcionando a nível levemente aumentado 1 7 Sistemas fisiológicos funcionando a um nível médio

5 8 Sistemas fisiológicos funcionando a nível significantemente reduzido 10 9 Sistemas fisiológicos funcionando a nível moderadamente reduzido

4 10 Sistemas fisiológicos funcionando a nível significantemente reduzido 6 11 Sistemas fisiológicos funcionando a nível extremamente reduzido 2 12 Sistemas fisiológicos funcionando a nível perto do nível mais baixo 0 13 Sistemas fisiológicos funcionando a nível muito baixo

Tabela 9 - Resultados relativos aos níveis de reserva de adaptação dos profissionais de enfermagem do período noturno antes do plantão.

0 1 A reserva de adaptação está ao mais alto nível 1 2 A reserva de adaptação esta perto do nível mais alto 3 3 A reserva de adaptação esta a um nível normal

8 4 A reserva de adaptação esta a um nível significantemente reduzido 11 5 A reserva de adaptação esta a um nível moderadamente reduzido 3 6 A reserva de adaptação esta a um nível significantemente reduzido 2 7 A reserva de adaptação esta a um nível baixo

Figura 21- Resultados relativos aos níveis de funcionamento dos sistemas fisiológicos e da reserva de adaptação dos profissionais de enfermagem do período noturno depois do plantão.

Tabela 10 - Resultados relativos aos níveis de funcionamento dos sistemas fisiológicos dos profissionais de enfermagem do período noturno depois do plantão.

Sujeitos Níveis Funcionamento dos Sistemas Fisiológicos 0 1 Mais alto nível de funcionamento dos sistemas fisiológicos 0 2 Próximo do mais alto nível de funcionamento dos sistemas fisiológicos 0 3 Sistemas fisiológicos funcionando a um nível extremo

0 4 Sistemas fisiológicos funcionando a um nível significantemente aumentado 0 5 Sistemas fisiológicos funcionando a nível moderadamente aumentado 1 6 Sistemas fisiológicos funcionando a nível levemente aumentado 2 7 Sistemas fisiológicos funcionando a um nível médio

7 8 Sistemas fisiológicos funcionando a nível significantemente reduzido 8 9 Sistemas fisiológicos funcionando a nível moderadamente reduzido 8 10 Sistemas fisiológicos funcionando a nível significantemente reduzido 1 11 Sistemas fisiológicos funcionando a nível extremamente reduzido 1 12 Sistemas fisiológicos funcionando a nível perto do nível mais baixo 0 13 Sistemas fisiológicos funcionando a nível muito baixo

Tabela 11- Resultados relativos aos níveis de reserva de adaptação dos profissionais de enfermagem do período noturno depois do plantão.

Sujeitos Níveis Reserva de Adaptação

1 1 A reserva de adaptação está ao mais alto nível 1 2 A reserva de adaptação esta perto do nível mais alto 0 3 A reserva de adaptação esta a um nível normal

8 4 A reserva de adaptação esta a um nível significantemente reduzido 7 5 A reserva de adaptação esta a um nível moderadamente reduzido 7 6 A reserva de adaptação esta a um nível significantemente reduzido 4 7 A reserva de adaptação esta a um nível baixo

Tabela 12 - Escala de sonolência dos enfermeiros diurnos n = 22.

Sujeitos valor Classificação % 12 < 8 Normal 54,54

6 9 - 12 Leve 27,27 3 13 - 16 Moderado 13,64 1 >16 Severo 4,55

Na tabela 12 podemos notar que 54% dos trabalhadores diurnos encontram-se no escore normal para sonolência diurna e que apenas 4,55% estão no escore de severo.

Tabela 13 - Escala de sonolência dos enfermeiros noturnos n = 28.

Sujeitos Valor Classificação % 13 < 8 Normal 46,43

5 9 - 12 Leve 17,86 6 13 - 16 Moderado 21,43 4 >16 Severo 14,28

Na tabela 13 podemos notar que 46% dos trabalhadores noturnos encontram-se no escore normal para sonolência diurna e que 21% estão no escore de moderado, e 14% no escore severo.

6. DISCUSSÃO

A análise dos dados antropométricos dos profissionais de enfermagem envolvidos neste estudo revelou um valor médio de IMC igual a 26,53 Kg/m2. Segundo Naughton (2003), um IMC>25 Kg/m2 caracteriza excesso de peso, enquanto um IMC>30 Kg/m2 indica obesidade.

Quanto ao sexo observamos que a maioria é constituída por profissionais do sexo feminino 86% por ser a enfermagem historicamente uma profissão delegada a mulher, em concordância com Luchesi e Santos, (2005), Geovanini et al, (1995) que confirmam uma tendência a feminilização da força de trabalho em saúde.

Observamos quanto à distribuição por número de vínculos empregatícios que (66%) possui um só vínculo empregatício, enquanto 34% possuem mais de um vínculo empregatício. E ainda observamos que 85% dos profissionais do sexo masculino possuem 2 vínculos, já no sexo feminino este numero cai para 25%. A jornada de 12 horas por 36 de descanso, embora não tenha sido implantada com este fim possibilita o trabalhador ter outro vínculo em sua noite/dia de descanso, utilizando assim as outras 12 hs que legalmente seria para seu descanso, trabalhando então 12 h em cada 24 h, estudando no período diurno com todos seus compromissos sociais e familiares extras , em especial as mulheres que tem historicamente sob sua responsabilidade os afazeres domésticos e os cuidados com os filhos.

A discussão sobre os turnos fixos de 12 horas e semanas de trabalho reduzidas é bastante controversa quanto aos benefícios e malefícios trazidos aos trabalhadores. Se por um lado a privação crônica de sono somada às intensas cargas de trabalho que geram estresse e fadiga nos trabalhadores, por outro lado, as conseqüências a longo prazo na saúde e na capacidade do trabalhador ainda não foram completamente esclarecidas na literatura .(METZER; FISHER, 2001).

A variabilidade da freqüência cardíaca é caracterizada por uma variedade de oscilações periódicas e não periódicas. As análises de sua dinâmica têm sido consideradas como uma fonte provedora de importantes informações a respeito do controle cardiovascular autonômico. Em particular, a análise espectral dos componentes harmônicos envolvidos na VFC parece mensurar o estado do equilíbrio simpato-vagal em várias condições fisiológicas e patofisiológicas (FRANCHINI, 1998).

Segundo Notarius e Floras (2001), a análise da força espectral da VFC tem a vantagem de ser uma ferramenta de simples utilização e caráter não-invasivo, capaz de acessar as mudanças dinâmicas do controle autonômico da freqüência cardíaca. Em resumo, ela utiliza a análise do domínio da freqüência para identificar oscilações superimpostas que contribuem para as variações da FC. Já que o nódulo sino-atrial está sob controle do sistema nervoso autônomo, é pensado que o estudo deste comportamento oscilatório pode identificar a ocorrência de ações autonômicas sobre o coração.

Nozdrachev e Shcherbatykh (2001), afirmam que o método de investigação da VFC através da análise espectral das séries de intervalos RR têm se tornado cada vez mais popular. Ele mostra a distribuição da freqüência da força num espectro geral da freqüência cardíaca. Segundo estes autores, a análise espectral abre novas oportunidades para a investigação dos centros do sistema nervoso autônomo, pois as flutuações da freqüência cardíaca são causadas por ações de estruturas cerebrais que regulam o coração.

Os nossos achados mostraram uma redução significativa nos valores médios da atividade nervosa simpática nos trabalhadores do turno noturno ao final da jornada de trabalho, mostrando uma queda dos níveis de reserva fisiológica, o que não foi observado nos trabalhadores diurnos.

nos trabalhadores noturnos quando comparados aos diurnos. Estes achados justificam-se devido ao fato de que no período noturno o ritmo de trabalho é menos intenso.

A análise do sistema nervoso autônomo realizada antes do turno de trabalho mostrou que todos os sujeitos que trabalham no turno noturno se encontravam na região referente a um estado de estresse agudo ou disfunção crônica/temporária. Dentre os trabalhadores do turno diurno apenas 56% se encontravam nesta condição, sendo que os demais se encontravam em uma região referente à condição normal de saúde.

O trabalho em turnos dos enfermeiros possui características específicas de atividade ininterrupta e desgastante, noturna e diurna, tal como ocorre em outras profissões que demandam alterações no ciclo sono–vigília.

Estes trabalhadores constituem uma categoria profissional submetida a um processo de trabalho desgastante, relacionado a maior ocorrência de agravos relacionados ao trabalho e acidentes.

Martino (1999), ressalta que o trabalho em turnos dos enfermeiros possui características específicas de atividade ininterrupta noturna e desgastante, tal como ocorre em outras profissões que demandam alterações no ciclo sono–vigília.

Para Gaspar et al ( 1988) , o acúmulo de plantões com poucas oportunidades de recuperação agrava os efeitos numa dimensão que nem sempre é perceptível pelo indivíduo. Sabe-se hoje, que a exposição crônica a horários irregulares de trabalho afeta a ritmicidade biológica, com diversas conseqüências, desde distúrbios de humor e problemas do sono, até desordens gastrointestinais e cardiovasculares.

Para Mangolin, et al (2003), há necessidade de conscientização dos diretores clínicos e do corpo administrativo das instituições quanto a medidas preventivas e do

profissionais avaliados e a prevalência de estresse encontrado em sua pesquisa.

Os estudos revelam uma dimensão do trabalho que aparentemente independe do processo de trabalho em si, mas sim do fato de que este é realizado à noite. Trabalhar em turnos noturnos mobiliza os trabalhadores em várias esferas da vida, que se expressam na preocupação permanente em dormir e descansar tanto durante a semana quanto nos finais de semana.

7. CONCLUSÕES

Após a realização de nosso estudo “Estudo da incidência de sonolência e do comportamento do sistema nervoso autônomo através da análise da variabilidade cardíaca em profissionais de enfermagem”podemos inferir algumas conclusões.

• O aumento na atividade do sistema nervoso simpático e redução no parassimpático nos enfermeiros de trabalho diurno mostrou que o trabalho diurno causa mais desgaste.

• A discreta prevalência de sonolência nos trabalhadores noturnos confirma a descrição da literatura que afirma que a privação de sono leva a desordens fisiológicas.

• A análise do sistema nervoso autônomo realizada antes do turno de trabalho mostrou que todos os sujeitos que trabalham no turno noturno se encontravam na região referente a um estado de estresse agudo ou disfunção crônica/temporária. Mostrando que o trabalho noturno é prejudicial à saúde do trabalhador.

• O fato de estes resultados confirmarem o que é descrito na literatura caracteriza que a análise da VFC através do software Bio-Express consiste em um novo método, eficaz e não invasivo, para a identificação de problemas relacionados ao sistema nervoso autônomo.

AIDLEY, D. J. The physiology of excitable cells. 4ªed., Cambridge :University Press, 1998. 228p.

ALONSO, D. O , et al. Comportamento da freqüência cardíaca e da sua variabilidade durante as diferentes fases do exercício físico progressivo máximo. Arq Brás Cardiol, v. 71, n.6,p. 787-792, 1988.

AKERSTEDT, T. Work. Hours Sleepiness And Accidents: Introduction And Summary J. Sleeps Res. v. 4, Supp.l2, p.1-3, 1995.

BARREIRA, I. A. Memória e história para uma nova visão da enfermagem no Brasil. Rev. Latino-Am. Enfermagem. v.7, n.3, 1999.

BARREIRA, I. A. et al. Renovação no ensino e na pesquisa de história da enfermagem pela integração graduação/pós-graduação. Revista Enfermagem da UERJ. v.5, n.2, p. 487-494, 1997.

BAKER, T. L. Introduction to sleep and sleep disorders. In: BAKER, T. L. The Medical Clinics of North America. Philadelphia: W. B. Saunders Company, 1985. p. 1123-152.

BERNE, R. M.; LEVY, M. N. Physiology. 4.ed. St.Louis: Mosby, 1998. 1431p.

CARNEY, P. R.; BERRY, R. B.; GEYER, J. D. Clinical Sleep Disorders. Lippincott Williams & Wilkins, 2005. 506p.

CHOKROVERTY, S. An overview of sleep. In: CHOKROVERTY, S. Clinical Companion to Sleep Disorders Medicine. 2 ed. Boston: ButterWorth Heinemann, 2000, p. 1-20.

CIPOLLA-NETO, J. Fisiologia do sistema de temporização circadiana. São Paulo, Icone-EDUSP, 1981. 183 p.

COSTA, M. L. A. S. O Estudante - trabalhador de enfermagem: desvelando esta nova realidade. 1992. 125f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) - Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, 1992.

em funcionários de enfermagem em um hospital universitário do estado de São Paulo. Cad. Saúde pública. v.16, n.2, p.533-555, 2000.

COLUCCI, W. S.; BRAUNWALD, E. Fisiopatologia da Insuficiência Cardíaca. In: BRAUNWALD, E. Tratado de Medicina Cardiovascular. 5 ed. São Paulo: Roca, 1999. p. 418-446. v.1.

DANDA, G.J.N. et al. Padrão do Ciclo Sono-Vigilia e Sonolência Excessiva Diurna. J Brasileira de Psiquiatria. v. 54, n.2, p.102-106, 2005.

DEMENT, W. C. The study of human sleep: a historical perspective. Thorax, v. 53, Suppl. 3, p. S2-7, 1998.

FARIA, S.M.P. Riscos no trabalho e Agravos à Saúde do Trabalhador de Enfermagem em Centro Municipal de Saúde. 1999. Dissertação (Mestrado em Saúde Ocupacional) -Universidade Federal do Rio de Janeiro.

FERREIRA, L.L. Sono de trabalhadores em turnos alternantes. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, São Paulo, v. 13, n. 51: p.25-27, ago./ set.1985.

FRANCHINE, K. G. Função e disfunção autonômica na doença cardiovascular. Rev Soc Cardiol Estado de São Paulo v. 8, n.2, mar/abr 1998.

FURLANI D..As Necessidades Humanas Básicas de Trabalhadores Noturnos Permanentes de Um Hospital Geral Frente ao não Atendimento da Necessidade Sono. 1999. 84f. Dissertação (Mestrado)- Centro De Ciências Tecnológicas Universidade Federal De Santa Catarina .1999.

GASPAR, S.; MORENO, C.; MENNA-BARRETO, L. Os plantões médicos, o sono e a ritmicidade biológica. Rev Ass Méd Brasil, v.44, n.3,p. 239-45. 1998.

GERMANO, R. M. Educação e Ideologia da Enfermagem no Brasil. 3.ed. São Paulo,

Documentos relacionados