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3.3 ESCALAS DOS SEGMENTOS E DOS TRECHOS

3.3.2 Segmento Apuaê – UG6

3.3.2.1 Trecho D

Foi caracterizado através da análise de dois pontos: D1, a cerca de 80 metros do canal fluvial; e o D2, distante cerca de 115 metros do primeiro.

O primeiro ponto (D1) ocorre sobre uma planície de inundação de declividade em torno de 1 a 1,4%, e corresponde a uma trincheira escavada na borda de uma pequena canaleta pré existente (aberta para a drenagem da água no local) até a

profundidade de 55 cm (correspondendo o nível de água dentro da canaleta à profundidade de 45 cm).

O solo observado na trincheira apresentou cor e composição homogênea ao longo de todo o perfil (mesmo imediatamente abaixo do nível da água), não se constando a presença de rochas em sua massa, de mosqueamentos ou de gleização. Por isso, foi extraída apenas uma amostra de solo. O uso da terra neste ponto é do tipo agrícola, ocorrendo o cultivo de soja na época da coleta de amostras.

Conforme informações do proprietário das terras que englobam os pontos amostrais, não são raros os eventos de inundação na planície de inundação, o que indica tratar-se de um ambiente fluvial ativo.

O segundo ponto (D2) corresponde a um poço perfurado com o trato holandês, sendo coletadas 3 amostras de solo, nas respectivas profundidades: nos primeiros 20 cm; entre 50 e 60 cm; e, após 80 cm. Este ponto situa-se no terço inferior de uma vertente em formato côncavo, apresentando uma declividade em torno de 14 a 15%, sendo que na transição em direção a planície de inundação, há uma pequena rampa coluvial à base da vertente que apresenta uma declividade entre 6,8 e 7,2%.

O poço perfurado alcançou a profundidade de 100 cm, quando foi encontrado um obstáculo rochoso que impediu uma inserção mais profunda. O solo apresenta- se muito pedregoso, contendo muitos calhaus e matacões tanto em superfície, como dispersos em sua massa.

Estas características, associadas com a configuração topográfica no trajeto ao longo deste ponto para a planície, aparentam tratar-se de um ambiente de acumulação coluvial que resultou de processos de transporte de material grosseiro decorrente da evolução da encosta adjacente, e que sofreu pedogênese no local (material de origem alóctone), constituindo um indicativo da ocorrência de processos geomorfológicos derivados das oscilações climáticas Quaternárias.

Não houve a interceptação do lençol freático na perfuração, mas foi constatada a presença de plintita a partir dos 50/60 cm (com leve aumento no volume no sentido do fundo), o que indica uma variabilidade da umidade do solo a partir daquela profundidade.

A cobertura da terra neste ponto é caracterizada por vegetação secundária, aparentemente em estágio médio / avançado de regeneração, visto que ocorrem espécies arbóreas de diferentes portes, com a presença de sub-bosque e de uma camada considerável de serrapilheira, apresentando efeito de borda às suas margens devido ao aspecto semi-aberto e a ocorrência de lianas.

Pela morfologia do vale deste trecho, que se apresenta na forma de anfiteatro ou semelhante a uma ferradura, constata-se que a drenagem ocorre ao longo das facies das vertentes convergindo centralmente para a planície, que capta todo o volume de água antes de ser direcionado para o canal fluvial (tanto em superfície como em subsuperfície).

A Figura 53 demonstra claramente as mudanças nas orientações dos direcionamentos dos fluxos por facie de vertente no sentido de um semicírculo, iniciando por uma drenagem para leste na porção inferior esquerda até uma drenagem para oeste na porção inferior direita.

Conforme a Figura 54, o trecho representado para a análise apresenta limites hidrológicos bem definidos nas bordas da curvatura que contorna a planície (alinhamentos em tons avermelhados), dados por formas convexas em planta que constituem os divisores de água.

Ao centro daquela curvatura horizontal em forma de anfiteatro ocorre um eixo de convergência geral dos fluxos, marcada por uma grande forma côncava em planta e em perfil. Dentro desta, devido as micro variações topográficas nas vertentes, observa-se uma tendência à concentração dos fluxos de água para alguns centros (pixels em tonalidades mais azuladas) nas bases das encostas. O ponto D2 encontra-se em um destes centros de convergência.

Figuras 53 e 54 – Direções dos fluxos de água no Trecho D. O primeiro representa a direção dos fluxos a partir do algoritmo “Flow direction D8” do provedor TauDEM, ao passo que o segundo demonstra áreas de convergência e divergência do fluxo de água a partir do algoritmo “Convergence Index” do provedor SAGA GIS, apresentado em 3D através do plugin “Qgis2threejs” do software QGIS.

Fonte: Elaborado pelo autor.

O canal neste trecho apresenta-se incisivo, com profundidade (do nível do rio na época da amostragem até o nível da planície) variando entre 1,4 e 1,7 metros, e apresentando bordas bem definidas por barrancos suavemente inclinados compostos por rochas e solo (alternados ou mesclados).

O registro de observações das características dos solos nos pontos de amostra consta nas Tabelas 06 e 07, e foram levantados em campo com base nas orientações de IBGE (2007; 2015). Por sua vez, o resultado da análise textural do solo obtido na análise laboratorial para ponto D2 consta na Tabela 08.

Tabela 06 – Características do solo, por faixa de profundidade, levantadas em campo no ponto D1. Profund.

(cm)

Cor Consistência Sensação

Táctil

Classe textural segundo teste de

campo

Seca Úmida

Úmida Plasticidade Pegajosidade 0-45 5YR 3/3 Levemente

dura

Muito friável Muito Plástica Ligeiramente pegajosa

Forte sedosidade

Francossiltosa

Fonte: Elaborado pelo autor.

O ponto D1 apresentou composição homogênea ao longo de todo perfil, tanto na coloração, como na estrutura (tipo/subtipo: granular grumosa), ou ainda na textura. Em campo, foi observada uma cor bruno avermelhado escuro, demonstrando a incorporação de matéria orgânica no solo, não sendo constatado horizonte glei em escavação entre 5-10 cm abaixo do nível d'água, e nem mosqueamentos próximos a este ponto de contato.

Considerando as características do solo, e os aspectos relativos à morfologia e à drenagem do terreno, o ponto D1 apresenta classes de drenagem do tipo “moderadamente drenado”, caracterizando-se como solos semi-hidromórficos e associados ao grupo hidrofuncional das higrófilas.

Tabela 07 – Características do solo, por faixa de profundidade, levantadas em campo no ponto D2. Profund.

(cm)

Cor Consistência Sensação

Táctil

Classe textural segundo teste de

campo

Seca Úmida

Úmida Plasticidade Pegajosidade 0-20 5YR 3/3 Levemente

dura

Friável Muito plástica Pegajosa Sensação de sedosidade

Franco-argilossiltosa

50-60 5YR 4/4 Levemente dura a dura

Friável Muito plástica Pegajosa Sensação de sedosidade Argilossiltosa 80 5YR 3/6 Levemente dura a dura (mais para o último)

Firme Muito plástica Pegajosa Sensação de sedosidade e leve atrito

Argiloarenosa

Fonte: Elaborado pelo autor.

Tabela 08 – Características texturais do solo por faixa de profundidade no ponto D2, conforme análise laboratorial. Profundidade (cm) Argila (%) Areia grossa + areia fina (%) Silte (%) Tipo de solo (I.N. Nº 02/08, MAPA) Classe textural (LEMOS e SANTOS, 1996)

0-20 28 16 56 2 (Solos de textura média) Franco-argilossiltosa 50-60 59 14 27 3 (Solos de textura argilosa) Argila

80 76 6 18 3 (Solos de textura argilosa) Muito argilosa Fonte: Elaborado pelo autor.

Conforme as observações em campo do ponto D2, verifica-se a comum diferenciação de coloração entre o horizonte superficial e o subsuperficial (Bruno avermelhado escuro e Bruno avermelhado, respectivamente), sendo o primeiro mais escurecido por conta da incorporação de matéria orgânica, mas há um retorno a cores mais escuras na camada inferior do solo (Bruno avermelhado escuro). No aspecto textural, a análise laboratorial demonstrou um incremento no volume de argila com a profundidade, passando de um solo de textura média no horizonte superficial, para um solo de textura argilosa nos horizontes subsuperficiais. Esta variação textural, com teores de frações finas crescentes com a profundidade, exerce importante ação sobre o comportamento hidrológico do solo, influindo na sua permeabilidade (que tende a tornar-se progressivamente menor ao longo do perfil).

Conforme as características do solo e os aspectos hidrogeomorfológicos da vertente, o ponto D2 apresenta classe de drenagem do tipo “bem drenado”, caracterizando-se como solos não hidromórficos e associados ao grupo hidrofuncional das mesófilas.

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