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2.8 Modelo LTAD de Balyi e colegas (Long Term Athelete Development)

2.8.2 Conceitos fundamentais do modelo LTAD

2.8.2.5 Treinabilidade

Os termos adaptação e treinabilidade são muitas vezes utilizados com o mesmo sentido (Balyi et al., 2010), no entanto, são conceitos diferentes:

- A adaptação refere-se a mudanças funcionais e, ou, morfológicas do organismo, em resposta a uma série de estímulos, dependendo o grau dessa adaptação muito do património genético do indivíduo (exemplo, adaptação à resistência ou à força máxima), mas, no entanto, os seus padrões podem ser identificadas em pesquisas fisiológicas (Balyi et al., 2010).

- Já a treinabilidade refere-se à capacidade de um indivíduo se adaptar mais rapidamente a um determinado estímulo, num estadio particular de maturação ou crescimento, ou seja, existem momentos em que o organismo está mais predisposto para o desenvolvimento de determinada capacidade ou habilidade, momento que podemos designar como janela de oportunidade para o treino de uma condição específica, como por exemplo, a velocidade, a força, a resistência, a técnica e coordenação, etc.

Esses momentos são por exemplo: a idade da VSM (velocidade da taxa de força máxima) ou seja, momento de taxa máxima de aumento da força durante o surto de crescimento; a idade de aumento máximo na resistência (PSV); a idade do pico de aumento de peso (VOP), i.e., taxa máxima de aumento do peso durante o surto de crescimento; ou ainda a idade PWV, ou seja, de maior aumento do peso.

Por sua vez, Malina (2009b) considera que a treinabilidade se refere à capacidade de resposta do indivíduo a um regime específico de formação e está relacionado com os conceitos de prontidão e períodos críticos. Sugere que os jovens são mais sensíveis a efeitos de uma componente específica de treino durante determinados períodos do seu crescimento e maturação física. No desporto tem sido principalmente relacionada ao desenvolvimento da força muscular e capacidade aeróbia, mas aplica-se também ao desenvolvimento das habilidades motoras e habilidades desportivas específicas (Malina 2009b). Sobre a treinabilidade este autor apresenta as seguintes questões: (1) Quais são as respostas de crianças e adolescentes a programas de treino sistemático?

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(2) De que forma respondem crianças e adolescentes aos programas específicos de formação?

Quanto à resposta, ou “sensibilidade” da criança ou jovem, em fase de crescimento e maturação, depende, segundo Malina (2009b) de vários fatores: idade; género (talvez); o crescimento e estadio pubertário; experiências anteriores; nível de treino de habilidade e aptidão física (estado atual); fatores psicológicos, e provavelmente genéticos.

Relativamente à treinabilidade de habilidades motoras no geral e habilidades específicas do desporto, podem ser melhoradas com programas sistemáticos de ensino e prática, durante as fases de crescimento e maturação (Malina, 2009b). Além disso este autor considera que raparigas e rapazes pré-púberes conseguem ter ganhos de força (sem diferenças significativas entre os géneros), quando submetidos a programas de treino de resistência, mas com pouca ou nenhuma hipertrofia muscular (Malina, 2009b; Matos e Winsley, 2007). Neste caso, os ganhos de força refletem mais as alterações estruturais no sistema nervoso que ganhos de volume muscular por hipertrofia. Neste contexto apresenta-se as seguintes questões (Malina, 2009b): (1) que importância tem o treino da força para crianças dos 8 aos 9 anos de idade? Não sendo a resposta conhecida, talvez faça mais sentido o foco unicamente no treino da habilidade motora, mais importante nestas idades. (2) Crianças entre os 8 e 9 anos de idade respondem a programas de treino de força? Neste caso a resposta é que elas respondem melhorando a resistência (Malina, 2009b).

Quando atingida a puberdade os rapazes respondem ao treino resistido com aumento da força e hipertrofia muscular e, neste caso, o aumento do tamanho do músculo é um efeito imediato do treino, enquanto o aumento da força engloba também respostas neurais e endócrinas, as últimas associadas com o surto de crescimento e maturação sexual (Malina 2009b; Matos e Winsley, 2007). Quanto às raparigas púberes também respondem a programas de treino resistido com o aumento da força, mas com um mínimo de hipertrofia, o que reflete as diferenças nas alterações hormonais entre géneros, durante a puberdade.

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Por outro lado, os dados sugerem que, introduzidos em programas de treino com foco na resistência muscular, os rapazes mais jovens têm maiores ganhos relativos de força muscular, enquanto os rapazes mais velhos conseguem maiores ganhos de resistência muscular (Malina, 2009b).

Quanto à aptidão anaeróbia, pode ser melhorada após um período de treino de alta intensidade (Malina, 2009b), aumentando consideravelmente durante a puberdade e o surto de crescimento, devido principalmente: a alteração no tamanho corporal, massa muscular e à capacidade do músculo de gerar energia de curta duração.

Foram relatadas melhorias na potência média (MP) em crianças que variam entre 3% a 10% e em potência máxima (PP) de 4% a 20%, mostrando que a aptidão anaeróbia é treinável até certo nível (Matos e Winsley, 2007). Mas persiste entretanto um fraco conhecimento quanto aos mecanismos responsáveis pelas melhorias observadas: o tamanho do músculo? Tipo de fibra? Alterações neurológicas e bioquímicas? Ou todas? (Matos e Winsley, 2007)

Por outro lado, dados atualmente disponíveis confirmam uma resposta relativamente baixa da potência aeróbica máxima (VO2 máximo) em crianças menores de 10 anos de idade, mas ainda está por provar se tal se fica a dever a uma baixa treinabilidade, ou a programas de treino inadequados (Malina, 2009b). A resposta melhora entretanto entre as crianças mais velhas, na transição para a puberdade/adolescência e entre os adolescentes. No caso dos adolescentes as respostas já são geralmente semelhantes às observadas em adultos jovens, com diferenças mínimas entre géneros.

A programação da formação a longo prazo não se pode alhear do conceito de treinabilidade (Balyi et al., 2010), devendo as atividades ser organizadas de forma a aproveitar os momentos ótimos de adaptação a determinado estímulo específico, caso contrário corre-se o risco desta nunca vir a se desenvolver de forma plena.

No modelo de formação a longo prazo LTAD estes momentos estão bem definidos, tanto para a força, como para a velocidade, potência, resistência, flexibilidade e habilidades, ressalvando-se o caso particular das crianças com necessidades especiais. Nesses casos será muito difícil a identificação, com rigor, dos momentos de

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treinabilidade e assim o treinador tem que ser muito intuitivo (Balyi et al., 2010), num misto de ciência e de arte.