Define-se triagem, compostagem e reciclagem como formas de procedimentos destinados a reduzir a quantidade ou o potencial poluidor dos resíduos sólidos. A adoção de um sistema de segregação dos RSDC, seja pela iniciativa de cada cidadão, pela coleta seletiva ou nas Unidades de Triagem de Resíduos, traz benefícios ao meio ambiente, reduzindo a carga de material disposto nos vazadouros a céu aberto e aterros sanitários, além de possibilitar a geração de renda às pessoas que dependem da segregação desses resíduos para sobrevier, proporcionando uma melhor qualidade de vida.
Para que haja um tratamento eficiente são necessários estudos preliminares dos municípios, determinando características que interferem na produção de resíduos. Uma das principais características é a composição gravimétrica, que consiste nos quantitativos percentuais dos componentes dos resíduos gerados para cada município.
A fim de destacar os possíveis dados quantitativos dos resíduos secos passíveis de reciclagem gerados no Polo 09 foram utilizados os dados de composição gravimétrica para diagnosticar o potencial de geração diária de resíduos recicláveis (ver subcapítulo 4.2). Neste sentido destaca-se o município de Ponta Porã/MS com 5.442,66 toneladas anuais de resíduos potencialmente recicláveis. O município de Laguna Carapã/MS apresentou o menor potencial de geração resíduos recicláveis, em termos quantitativos (91,59 t/ano), uma vez que, o município apresenta menor população urbana e geração per capita. Já com relação à estimativa da destinação de materiais recicláveis à reciclagem foi utilizado um estudo do IPEA, também utilizado no Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos de São Paulo (2014), no qual foi estimado que apenas 2% dos resíduos passíveis de reciclagem são reciclados (ABRAMOVAY & MENDONÇA, 2013). Com isso a estimativa de destinação anual de materiais recicláveis à reciclagem é de 214,40 toneladas (Tabela 2).
Tabela 2 – Estimativa da geração de resíduos recicláveis e passíveis de reciclagem para o Polo 09 – Região Sul Fronteira.
Municípios Quantidade de RSDC (t/ano) Potencial da Geração de materiais recicláveis (t/ano) Percentual Estimado de recuperação dos recicláveis (%)(1) Estimativa da destinação de materiais recicláveis à reciclagem (t/ano) Amambai 5.226,80 1.629,19 2,00% 32,58 Antônio João 1.949,10 570,11 2,00% 11,40 Aral Moreira 1.022,00 298,94 2,00% 5,98 Coronel Sapucaia 2.463,75 797,52 2,00% 15,95 Laguna Carapã 299,30 91,59 2,00% 1,83 Paranhos 1.737,40 508,19 2,00% 10,16 Ponta Porã 18.122,25 5.442,66 2,00% 108,85 Sete Quedas 3.091,55 1.000,73 2,00% 20,01
Municípios Quantidade de RSDC (t/ano) Potencial da Geração de materiais recicláveis (t/ano) Percentual Estimado de recuperação dos recicláveis (%)(1) Estimativa da destinação de materiais recicláveis à reciclagem (t/ano) Tacuru 1.306,70 382,21 2,00% 7,64 Total 35.218,85 10721,14 - 214,40
Fonte: Elaborado pelos autores.
A partir das estimativas apresentadas, verifica-se que Ponta Porã/MS e Amambai/MS geram os maiores quantitativos de destinação de materiais recicláveis que, se corretamente gerenciados serão encaminhados para reciclagem.
Neste sentido, no que tange às Unidades de Triagem de resíduos sólidos, os municípios de Amambai, Antônio João, Paranhos e Ponta Porã/MS possuem este sistema em funcionamento o que reflete em uma maior possibilidade de melhoria dos percentuais e quantitativos, de resíduos efetivamente encaminhados para reciclagem.
No município de Amambai a Unidade de Triagem é operada por uma empresa terceirizada, responsável também pela compostagem e revenda dos materiais. Para Antônio João a UTR (Figura 12) é gerenciada pela Associação de Catadores do município com auxílio da administração pública, uma vez que, a área da UTR, os equipamentos (esteira e presa), foram disponibilizados pela Prefeitura Municipal, havendo assim uma cooperação informal entre ambas partes. Do mesmo modo, a Unidade de Triagem do município de Ponta Porã/MS e operada através da Associação de Catadores, que conta com incentivo por parte da Prefeitura Municipal, através do auxílio com a estrutura cedida, ocorrendo uma cooperação informal entre as partes. Observou-se em vistoria in loco a falta de infraestrutura adequada e manutenção dos equipamentos da UTR de Ponta Porã.
Já o município de Paranhos/MS conta com uma Unidade de Triagem de Resíduos em operação, sendo administrada pela Prefeitura Municipal.
Figura 12 – Estrutura física da Unidade de Triagem, gerenciada pela Associação de Catadores no
município de Antônio João/MS.
Fonte: Deméter Engenharia Ltda., 2014.
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Quanto a localização das UTRs nos municípios de Amambai e Antônio João a estrutura se encontram nos respectivos vazadouros a céu aberto, já para o município de Paranhos a Unidade de Triagem de Resíduos (Figura 13) está localizada aproximadamente 3 km da área de disposição final (vazadouro a céu aberto).
Ainda, foi verificado que nos
municípios de Aral Moreira, Tacuru e Sete
Quedas/MS existem estruturas de Galpão de Triagem, entretanto essas estruturas se encontram desativadas e totalmente sucateadas, não sendo possível o reaproveitamento das estruturas.
Figura 14 – Respectivos Galpões de Triagem abandonados de Aral Moreira (A) e Tacuru (C) e Unidade de Triagem abandona de Sete Quedas/MS (B).
Fonte: Deméter Engenharia Ltda., 2014.
Figura 13 – Estrutura física da Unidade de Triagem
localizada no município de Paranhos/MS.
Fonte: Deméter Engenharia Ltda., 2014.
A B
De maneira informal o municípios de Laguna Carapã (Figura 15) realiza a triagem do material em uma área com pouca estrutura, não possuindo uma condição ideal de trabalho e, deste modo não há uma correta segregação dos materiais. O Galpão de Triagem não apresenta equipamentos como esteiras, balanças, entre outros. Conforme informações dos gestores municipais, estão sendo providenciados equipamentos para que haja uma melhor segregação desse material.
Figura 15 – Estrutura física do Galpão de Triagem localizado no município de Laguna Carapã/MS.
Fonte: Deméter Engenharia Ltda., 2014.
Contudo em todos os municípios do Polo 09 ocorre uma triagem informal e reaproveitamento dos materiais recicláveis, realizada por catadores informais nas áreas de disposição final (lixões) e em menor quantidade coletados por carrinheiros que percorrem as vias da cidade e por comércios de reciclagem (ver Figura 17).
Neste sentido, um dos instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal nº 12.305/2010) previsto em seu Art. 8º inciso IV é o incentivo para criação e desenvolvimento de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis. Entretanto, apenas os municípios Antônio João e Ponta Porã contam com tais cooperativas/associações formalizadas.
Em Antônio João existe a Associação dos Catadores de Resíduos Sólidos de Antônio João (ACARSAJ), a qual é responsável pela operação da Unidade de Triagem do município em parceria com a Prefeitura Municipal em uma cooperação informal. De mesmo modo, o município de Ponta Porã possui a Associação dos Catadores de Resíduos Sólidos de Ponta Porã (ASCARS) que opera a UTR do município, sendo assessorada pela Prefeitura Municipal, conforme visita in loco existe a intenção dos associados realizarem a coleta seletiva do município.
No intuito de identificar a existência de triagem, características das estruturas de triagem dos municípios, tais como a presença de galpão, prensa, esteira, mesa separadora, baias para acondicionamento e rampa da descarte de resíduos, foi elaborado o Quadro 5.
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Quadro 5 – Existência de triagem, característica das estruturas de triagem e estruturas presentes em
cada uma para os municípios do Polo 09
Municípios Existência de Triagem Característica da Estrutura
de Triagem Estruturas Presentes G al pã o P rens a Es teir a M es a Baia s Ramp a
Amambai Sim UTR – em operação
Antônio João Sim UTR – em operação
Aral Moreira Sim GT – desativado
Coronel
Sapucaia Sim Não possui Laguna
Carapã Sim GT – em operação Paranhos Sim UTR - operação
Ponta Porã Sim UTR - operação
Sete Quedas Sim GT - desativada
Tacuru Sim GT - desativado
Fonte: a partir de informações de vistoria técnica in loco nos municípios do Polo 09 – Região Sul Fronteira. Legenda:
Estrutura em condições de uso
Estrutura em péssimas condições de uso UTR – Unidade de Triagem de Resíduos Sólidos GT – Galpão de Triagem
Quanto a recuperação de materiais compostáveis, foi verificado que é praticamente inexistente nos municípios do Polo 09, apesar da grande maioria dos levantamentos gravimétricos realizados apontarem que tais resíduos representam percentuais superiores a 50% da geração do total.
Os resíduos orgânicos são passíveis de reaproveitamento seja por meio de processos de compostagem ou utilizando-se biodigestor com reaproveitamento do biogás, seja por outras formas de reutilização desta fração dos resíduos, assim atendendo ao Art. 4º inciso II da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), que visa à redução das emissões antrópicas de gases de efeito estufa em relação às suas diferentes fontes. Atualmente esses resíduos são dispostos diretamente nos locais de disposição final de RSDC, incorrendo na redução da vida útil destas localidades.
Uma possibilidade para a
recuperação destes materiais é através de Unidades de Compostagem, neste sentido
os municípios de Amambai e de
Paranhos/MS, contam com infraestrutura para esta finalidade.
Entretanto, conforme vistoria in loco, foi verificado que a UC de Amambai opera parcialmente, não havendo efetividade do serviço e destinação comercial para o
Figura 16 – Estrutura física da Unidade de
Compostagem localiza no município de
Amambai/MS.
material composto, para o município de Paranhos, foi constado que Unidade de Compostagem está inoperante, existindo apenas leiras remanescentes do período em que operava. A Unidade de Compostagem do município de Amambai (Figura 16) é operada por uma empresa terceirizada, localizada na área do vazadouro a céu aberto (lixão), com material proveniente da coleta convencional, que após ser triado é triturado e encaminhado à compostagem.
Conforme evidenciado, foi elaborado a Figura 17 mapeando o Polo 09, referente à situação da triagem, reciclagem e compostagem dos resíduos sólidos.
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Figura 17 – Situação da triagem, reciclagem e compostagem dos RSDC.
Fonte: Elaborado pelos autores.
Quanto à comercialização dos materiais segregados (Figura 18), a capital do Estado de Mato Grosso do Sul configura-se como o principal destino para os materiais recicláveis
cargas diretas de Amambai, Antônio João e Ponta Porã/MS e de forma indireta, uma vez que Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Laguna Carapã/MS destinam os resíduos a Ponta Porã/MS e os municípios de Paranhos, Sete Quedas e Tacuru/MS destinam a Amambai/MS. Ademais, em menor quantidade, há comercialização de materiais recicláveis por parte de Ponta Porã/MS para Itajaí/SC e Pedro Juan Caballero/PY.
Ressalta-se que nos municípios do Polo 09 as ações referentes ao manejo dos resíduos recicláveis são apenas de triagem (segregação dos materiais) e enfardamento, portanto não existem mecanismos de reciclagem propriamente ditos, pois segundo a Resolução CONAMA n.º 307/2002 este processo consiste na transformação dos materiais recicláveis.
Figura 18 – Principais fluxos dos materiais recicláveis do Polo 09 – Região Sul Fronteira.
Fonte: Elaborado pelos autores.