5 DOLO EVENTUAL NO HOMÍCIDIO PRATICADO NA CONDUÇÃO DE
5.6 TRIBUNAIS DE JUSTIÇA DE PERNAMBUCO E DO CEARÁ
Partindo-se para a região Nordeste brasileira, achou-se melhor elaborar a pesquisa de Jurisprudência de dois dentre os maiores Tribunais de Justiça daquela região, o do Ceará e o de Pernambuco.199
Encontraram-se, ao todo, 21 decisões colegiadas em ambos os Tribunais. Destas decisões, um total de 11 (onze) confirmaram as sentenças de pronúncia; 3 (três) procederam com a desclassificação ou confirmaram tais motivos; 2 (duas) confirmaram as sentenças condenatórias do Tribunal do Júri; e 2 (duas) mantiveram as sentenças de desclassificação. Interessante, ainda, mencionar, que o Tribunal de Justiça do Ceará procedeu com a reforma de 1 (uma) decisão proferida pelo Tribunal do Júri em que houve a desclassificação para homicídio culposo, por entendê-la manifestamente contrária às provas dos autos.
As sentenças que confirmaram a pronúncia em nada diferiram das proferidas pelos Tribunais de Justiça do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais. Encontraram-se elementos objetivos, tais como embriaguez cumulada com excesso de velocidade ou condução pela contramão de direção, para encaminhar o réu ao julgamento popular. Em várias das decisões fora expresso o entendimento de que na dúvida, na existência do dolo eventual, este fato deve sempre ser apreciado pelo Tribunal do Júri popular, órgão constitucionalmente competente para dirimir a controvérsia.200
2014, publicado no DJE de 20 de junho de 2014. 2) Revisão Criminal nº 2014.0448978-73, Relator João José da Silva Maraja, Câmaras Criminais Reunidas, julgado em 10 de fevereiro de 2014, publicado no DJE de 12 de fevereiro de 2014. 3) Apelação Criminal nº 2012.03379350-64, Relator João José da Silva Maroja, 3ª Câmara Criminal Isolada, julgado em 19 de abril de 2012, publicado no DJE de 23 de abril de 2013. 4) Apelação Criminal nº 2010.02606343-10, Relator Raimundo Holanda Reis, 3ª Câmara Criminal Isolada, julgado em 27 de maio de 2010, publicado no DJE de 02 de junho de 2010.
199 A despeito de a Bahia ser o maior Estado da Região Nordeste, não fora possível haver a pesquisa junto ao seu Tribunal de Justiça em virtude de problemas técnicos ocorridos no site www.tjba.jus.br.
200 Tribunal de Justiça de Pernambuco. 1) Recurso em Sentido Estrito nº 0007142-56.2013.8.17000, Relator Antônio de Melo e Lima, 2ª Câmara Criminal, julgado em 13 de novembro de 2013, publicado no DJE de 27 de novembro de 2013. 2) Recurso em Sentido Estrito nº 015731-71.2012.8.17.2000, Relator Mauro Alencar de Barros, 2ª Câmara Criminal, julgado em 12 de dezembro de 2012, publicado no DJE de 20 de dezembro de 2012. 3) Recurso em Sentido Estrito nº 004077-68.2004.8.17.0000, Relator Cláudio Jean Nogueira Virgínio, 3ª
O Tribunal de Justiça de Pernambuco proferiu três (3) decisões desclassificando o delito para homicídio culposo, mencionando ter havido um certo limiar de incerteza quanto à ocorrência do crime, o que imporia à desclassificação. Interessante mencionar o último acórdão que entendeu pela desclassificação, pois que houve fundadas dúvidas se o réu estaria participando de corrida automobilística não autorizada ou fugindo de um assalto.201
O Tribunal de Justiça de Pernambuco, nos autos da Apelação Criminal nº 0009030-72.2004.8.17.0001202, manteve, em grau de apelação, a decisão condenatória por dolo eventual oriunda do Tribunal do Júri. Neste caso, houve provas de que o réu estava embriagado e teria avançado um sinal vermelho.
Visando preservar o princípio da soberania dos veredictos do Tribunal do Júri, o Tribunal de Justiça cearense manteve quatro sentenças desclassificatórias do delito de homicídio doloso na forma eventual para o de homicídio culposo.203
Câmara Criminal, julgado em 25 de abril de 2012, publicado no DJE de 03 de maio de 2012. 4) Recurso em Sentido Estrito nº 0014296-96.2011.8.17.0000, Relator Roberto Ferreira Lins, 1ª Câmara Criminal, julgado em 07 de fevereiro de 2012, publicado no DJE de 01 de março de 2012. 5) Recurso em Sentido Estrito nº 0016647- 13.2009.8.17.0000, Relator Claúdio Jean Nogueira Virgínio, 3ª Câmara Criminal, julgado em 07 de abril de 2010, publicado no DJE de 07 de abril de 2010. Salienta-se que este último acórdão admitiu apenas a embriaguez como evidência do dolo eventual. Disponíveis em: <www.tjpe.jus.br> Acesso 26 de jan. 2016. Tribunal de Justiça do Ceará. 1) Recurso em Sentido Estrito nº 0000521-49.2013.8.06.0000, Relatora Maria Edna Martins, 1ª Câmara Criminal, julgado em 01 de dezembro de 2015, publicado no DJE de 01 de dezembro de 2015. 2) Recurso em Sentido Estrito nº 0000965.14.2015.8.06.0000, Relator Mário Parente Teófilo Neto, 1ª Câmara Criminal, julgado em 10 de novembro de 2015. 3) Recurso em Sentido Estrito nº 0000530- 19.2004.8.06.0164, Relator Francisco Darival Beserra Primo, 2ª Câmara Criminal, julgado em 29 de agosto de 2012. 4) Recurso em Sentido Estrito nº 0001429-19.2006.8.06.0173, Relator Francisco Haroldo R. de Albuquerque, 1ª Câmara Criminal, julgado em 08 de outubro de 2010. 5) Recurso em Sentido Estrito nº 0000350-50.2006.8.06.0158, Francisco Haroldo R. de Albuquerque, 1ª Câmara Criminal, julgado de 10 de setembro de 2010. 6) Recurso em Sentido Estrito nº 0006954-50.2005.8.06.000, Relator Paulo Camelo Timbó, 2ª Câmara Criminal, julgado em 19 de agosto de 2010. 7) Recurso em Sentido Estrito nº 0011416- 45.2008.8.06.000, Relator Paulo Camelo Timbó, 2ª Câmara Criminal, julgado em 26 de julho de 2010. Disponíveis em: <www.tjce.jus.br> Acesso em 26 de jan. 2016.
201 Recurso em Sentido Estrito nº 001197-16.2014.8.17.0000, Relator Odilon de Oliveira Neto, 1ª Câmara Criminal, julgado em 16 de junho de 2015, publicado no DJE de 09 de julho de 2015. 2) Recurso em Sentido Estrito nº 0010848-47.2013.8.17.0000, Relator Odilon de Oliveira Neto, 1ª Câmara Criminal, julgado em 13de maio de 2014, publicado no DJE de 21 de agosto de 2014. 3) Recurso em Sentido Estrito nº 0017764- 68.2011.8.17.0000, Relator Romero de Oliveira Andrade, 1ª Câmara Criminal, julgado em 14 de fevereiro de 2012, publicado no DJE de 21 de maio de 2012. Disponíveis em: <www.tjpe.jus.br> Acesso em 26 de jan. 2016. 202 Apelação Criminal nº 00009030-72.2004.8.17.0001, Relator Mauro Alencar de Barros, 2ª Câmara Criminal, julgado em 04 de março de 2015, publicado no DJE de 16 de abril de 2015. Disponível em: <www.tjpe.jus.br> Acesso em 26 de jan. 2016.
203 1) Apelação Criminal nº 0012178-44.2000.8.06.0064, Relator Francisca Adelineide Viana, 2ª Câmara Criminal, julgado em 06 de outubro de 2015. 2) Apelação Criminal nº 0509298-31.2011.8.06.0001, Relator Haroldo Correia de Oliveira Máximo, 2ª Câmara Criminal, julgado em 01 de setembro de 2015, publicado no DJE de 01 de setembro de 2015. 3) Apelação Criminal nº 0002238-18.2000.8.06.0141, Relatora Francisca Adelineide Viana, 2ª Câmara Criminal, julgado em 17 de abril de 2013. 4) Apelação Criminal nº 0014008- 62.2008.8.06.000, Relator Haroldo Correia de Oliveira Máximo, 2ª Câmara Criminal, julgado em 05 de agosto de 2011. Disponíveis em: <www.tjce.jus.br> Acesso em 26 de jan. 2016.
Por fim, aquela Egrégia Corte procedeu com a anulação de sentença de desclassificação oriunda do Tribunal do Júri.204 Entendeu-se que as circunstâncias nas quais se deram os acidentes com vítimas fatais revelaram tratar-se de dolo eventual. As circunstâncias foram a ingestão de álcool cumulada com o emprego de som no mais alto volume. Em sendo a decisão atacada pelo recurso do Ministério Público, na ótica daquele tribunal, manifestamente contrária à prova dos autos.