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CAPÍTULO V PROPOSIÇÃO INTERVENTIVA: TRILHA DOS PROCESSOS

5.1 TRILHA DOS PROCESSOS FORMATIVOS NO IF SERTÃO – PE

O Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI traz, em diversos trechos, a necessidade de contemplar a demanda de formação continuada de docentes existente na instituição. Nesse documento, tem-se o objetivo urgente de “permitir o desenvolvimento de cursos de formação inicial e continuada para docentes, gestores e técnicos administrativos da educação profissional e tecnológica, na modalidade de educação à distância.” (2014, p. 60).

Entretanto, tanto a formação continuada presencial, quanto por meio da Educação a Distância propostas hoje pela instituição, ainda se mostram insuficientes para atender à demanda do IF Sertão PE e as, ocasionalmente, ofertadas ao corpo docente, apresentam lacunas que precisam ser preenchidas, visto que não se tornam uma prática permanente dentro da instituição, enfraquecendo a política de formação continuada. Neste sentido, Nóvoa (1991, p. 30) destaca que:

A formação continuada deve estar articulada com desempenho profissional dos professores, tomando as escolas como lugares de referência. Trata-se de um objetivo que só adquire credibilidade se os programas de formação se estruturarem em torno de problemas e de projetos de ação e não em torno de conteúdos acadêmicos.

Nesse contexto e direcionamento, percebe-se que a formação só faz sentido se for orientada a partir da realidade da escola: suas problemáticas evasão, retenção, disciplinas críticas, relação professor e aluno, relação aluno. Uma formação orientada pelo currículo real que de acordo com Sacristán (2013, p. 26)

O currículo real é constituído pela proposição de um plano ou texto que é público e pela soma dos conteúdos das ações que são empreendidas com o intuito de influenciar as crianças (ou seja, o ensino desse plano). Porém, o importante é o que isso tudo produz nos receptores ou destinatários (seus efeitos), algo como aquilo que a leitura deixa como marca no leitor, que é quem revive seu sentido e obtém algum significado.

Considerando que os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia não têm nenhum impedimento no tocante à contratação de docentes não licenciados para ministrar aulas da área técnica conforme já mencionado em legislação, e tendo em vista o elevado índice de evasão justificada por meio de uma pesquisa realizada pela comissão de evasão do Campus Ouricuri, no ano de 2014 com o segmento estudante, é imprescindível trabalhar a prática dos docentes não licenciados do Instituto Federal do Sertão Pernambucano - Campus Ouricuri: estratégia necessária para o enfrentamento das dificuldades vivenciadas pelos discentes da instituição, na medida em que se configuram como público-alvo daqueles docentes, assimilando diretamente os resultados de seu desempenho. Segundo Tardif (2014, p. 286):

Enquanto profissionais, os professores são considerados práticos refletidos ou “reflexivos” que produzem saberes específicos ao seu próprio trabalho e são capazes de deliberar sobre suas próprias práticas, de objetivá-las e partilhá-las, de aperfeiçoá-las e de introduzir inovações susceptíveis de aumentar sua eficácia.

Evidentemente que todas essas habilidades se tornam mais fáceis de serem desenvolvidos pelos docentes, quando a formação pedagógica complementar e/ou continuada é vivenciada por meio da interação dos professores mais experientes com os novatos. É o momento em que é possível haver a troca de experiências, de relatos e da partilha do que está funcionando e do que precisa melhorar no exercício da profissão.

Levando-se em consideração as práticas que são desenvolvidas pelos docentes não licenciados, Freire (2001b, p. 205) destaca

[...] a prática de ensinar [...] envolve necessariamente a de aprender a de ensinar. A de pensar a própria prática, isto é, a de, tomando distância dela, dela se ‘aproximar’ para compreendê-la melhor. Em última análise, a prática teórica de refletir sobre as relações contraditórias entre prática e teoria.

Nesse sentido, fazendo uma reflexão acerca dos professores da área técnica que ministram aulas no IF Sertão – PE, formados apenas em bacharelado ou tecnólogo, percebe-se que estes são os que mais necessitam de uma formação pedagógica complementar, bem como de uma formação continuada dentro da própria Instituição.

O desenho a seguir trata da construção do Projeto de Intervenção:

Figura 8 - A organização e a construção do Projeto de Intervenção

Essa formação para os professores da área técnica pode ser desenvolvida por meio da participação das coordenações de cursos, núcleo pedagógico e dos professores mais experientes, pois, de acordo com Tardif (2014, p. 53) “As reuniões pedagógicas, assim como os congressos realizados pelas diversas associações profissionais, são mencionados pelos professores como sendo também espaços privilegiados para trocas”.

Os cursos de formação complementar e/ou continuada serão desenvolvidos com base nas sugestões de temas pré estabelecidos pelos docentes não licenciados, após a escolha dos temas, será organizado uma espécie de matriz curricular com suas respectivas cargas horárias, que irão variar de oitenta a cem e vinte horas por cada curso.

O desenho a seguir, ilustra como será desenvolvida a aplicação dos instrumentos da pesquisa por meio dos questionários e entrevistas e da dinâmica do processo formativo para os docentes:

Figura 9 - Trilha formativa do Projeto de Intervenção

Os sujeitos envolvidos serão os docentes não licenciados, e os profissionais que atuarão como colaboradores e facilitadores desses cursos serão os Pedagogos, Técnicos em Assuntos Educacionais, Professores Pedagogos e Professores com Licenciatura em outras áreas.

Primeiramente, será realizada a formação complementar, cuja duração será em torno de oito a dez meses. Posteriormente, os docentes serão consultados novamente para escolha dos temas que serão vivenciados na formação continuada, que trará em sua essência características similares as da formação complementar, contudo, com maior abertura para exploração de temáticas diversas no que concerne as inovações pedagógicas.

Os recursos utilizados para o desenvolvimento das atividades serão: apostilas impressas em formato digital, notebook, projetor multimídia, cartolinas, folhas A4 entre outros.

5.2 NORMAS NORTEADORAS E MOTIVADORAS PARA A FORMAÇÃO

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