DA SONEGAÇÃO, DA
REMOÇÃO E DA TROCA DO
INVENTARIANTE
CONFIRA A TRILHA DA
UNIDADE 3!
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TÓPICO 1 — SONEGAÇÃO DE BENS PELO
INVENTARIANTE
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico, abordaremos, nesta unidade, as consequências para a hipótese de sonegação de bens do espólio, por parte do inventariante, e as respectivas responsabilidades dele. A legislação determina situações nas quais o inventariante sofrerá sanções no processo de inventário quando realizar atos que escondam ou omitam bens do espólio do processo de inventário e partilha.
Neste tópico, também, estudaremos os acontecimentos que ocorrem no processo de inventário, que se originam da remoção do inventariante. Ele, ao omitir ou deixar de descrever determinado bem ou valor do espólio, sofrerá sanção de natureza processual, ou seja, será removido do cargo. De saída, frisamos que, caso o inventariante seja removido, o juiz deverá proceder com uma nova nomeação, observando a preferência legal disposta no Art. 617, do Código de Processo Civil (BRASIL, 2015). Além disso, após a remoção, o inventariante destituído deverá entregar, de imediato, ao substituto dele, os bens pertencentes ao espólio.
2 BENS DO ESPÓLIO E SONEGAÇÃO POR PARTE DO INVENTARIANTE
Uma vez que for realizada a sucessão, todos os bens do falecido, também, conhecido como de cujus, serão transmitidos aos herdeiros legítimos e aos testamentários, ou seja, àqueles referenciados em testamento firmado, em vida, pelo finado. Inventariar é a primeira fase, a qual abrange organizar, categorizar, listar ou enumerar os bens deixados em vida, pelo falecido, que serão objeto da herança.
Na sequência, a partilha, como uma segunda fase, dividirá os bens do espólio entre os herdeiros habilitados. Assim, podemos concluir que o objetivo do inventário, seja ele judicial ou extrajudicial, é efetivar a transmissão dos bens deixados, em vida, pelo espólio, para aqueles configurados como sucessores dele, podendo ser herdeiros ou testamenteiros.
FIGURA 1 – EXEMPLO DE BENS INTEGRANTES DO ESPÓLIO
FONTE: <https://shutr.bz/31Pr26N>. Acesso em: 24 abr. 2021.
Com a ocorrência do evento morte, a administração do acervo hereditário necessitará de um administrador até a posterior nomeação do inventariante. Assim, o administrador provisório é aquele que realiza todos os atos de administração dos bens a serem inventariados e que, também, cumpra atos fiscais e tributários e receba rendimentos em nome do espólio. Podemos dizer que o administrador provisório atua desde a abertura da sucessão até a posterior nomeação do inventariante.
O inventariante, por sua vez, possui natureza jurídica de um administrador judicial, e a respectiva nomeação dele ocorre pelo magistrado, nos autos do processo de inventário, com observação do Art. 617, do Código de Processo Civil (BRASIL, 2015). O inventariante possui a função de representar o espólio das formas ativa e passiva.
O administrador provisório e o inventariante respondem por eventuais danos causados ao espólio e aos herdeiros. Trata-se da responsabilidade subjetiva, ou seja, respondem se tiverem atuado com dolo ou com culpa. Essa responsabilidade está expressa no Art. 614, do Código de Processo Civil (BRASIL, 2015). Vejamos:
Art. 614. O administrador provisório representa, ativa e passivamente, o espólio, é obrigado a trazer, ao acervo, os frutos que, desde a abertura da sucessão, percebeu, tem direito ao reembolso das despesas necessárias e úteis que fez e responde pelo dano a que, por dolo ou culpa, der causa (BRASIL, 2015).
FIGURA 2 – DANOS CAUSADOS AO ESPÓLIO
FONTE: <https://shutr.bz/3n8ugut>. Acesso em: 24 abr. 2021.
Uma vez nomeado, o inventariante deverá ser intimado para prestar o Termo de Inventariança no prazo de cinco dias. Nesse documento, o inventariante, solenemente, declara o compromisso dele de desempenhar a função, em conformidade com o parágrafo único do Art. 617, do Código de Processo Civil (BRASIL, 2015). O patrimônio deixado pelo falecido é considerado como uma massa patrimonial indivisível, cuja titularidade pertence, conjuntamente, a todos os herdeiros. Assim, passa-se a se chamar de bens do espólio.
“O inventariante é a pessoa que tem, por função, administrar os bens do espólio, sendo o representante legal dele. Só podem exercer esse múnus pessoas capazes e que não tenham, de algum modo, interesses contrários aos do espólio” (GONÇALVES, 2019, p. 72). Com base nisso, seja no inventário judicial ou no extrajudicial, é possível afirmar que o inventariante desempenha um trabalho, extremamente, importante nesse processo, isso porque será ele o responsável por arrecadar os bens e por os administrar até a entrega de cada quinhão aos herdeiros relacionados. Além disso, o inventariante representará os bens até o trânsito em julgado da sentença de partilha ou de adjudicação.
A sonegação de bens na partilha ocorre quando há omissão da indicação dos bens a serem inventariados, isto é, quando um bem que deveria entrar na partilha é, intencionalmente, ocultado por um herdeiro ou por um inventariante. Sonegar significa não indicar os bens ou os valores do espólio. Trata-se de ilícito civil com dolo daquele que realiza o ato. Não é possível presumir a má-fé no eventual ato de sonegação, mas, pelo contrário, a presunção é de boa-fé. Assim, aquele que alega a ocorrência de eventual ato de sonegação de bens do espólio possuirá a incumbência de produzir provas do relato.
A sonegação, um regramento do direito sucessório, dá-se pela ocultação intencional de bens que deveriam ser levados a inventário ou à colação. Origens do instituto da sonegação, no direito sucessório, foram descobertas no direito romano, que estabelecia pena para o herdeiro “que desviasse coisas da sucessão” (BORGES, 2012, p. 569).
FIGURA 3 – OCULTAÇÃO DE BENS DO INVENTÁRIO
FONTE: <https://shutr.bz/3wCLYt4>. Acesso em: 24 abr. 2021.
Constituem atos de sonegação: “o ocultar intencional de bens da herança que estão em seu poder ou no poder de terceiro, com o seu conhecimento; omitir, na colação, bens que os deva levar; recusar o herdeiro a restituir os bens que devem ser inventariados” (OLIVEIRA, 2019, p. 759).
O inventariante que realiza a sonegação de bens pode ser responsabilizado com a perda do próprio bem, caso, também, seja herdeiro, e ser removido do cargo de inventariante. Esse, ao omitir ou deixar de descrever determinado bem ou valor do espólio, sofrerá sanção de natureza processual, ou seja, será removido do cargo.
Para o caso da sonegação de bens ou de valores, praticada pelo inventariante, devemos observar o Art. 1.996, do Código Civil. Vejamos:
Art. 1.996. Só se pode arguir de sonegação, o inventariante, depois de encerrada a descrição dos bens, com a declaração feita, por ele, de não existirem outros por inventariar e partir, assim como arguir o herdeiro, depois de se declarar, no inventário, que não os possui (BRASIL, 2002).
Esse dispositivo normativo trata do momento em que se verifica a má-fé manifesta. Deve-se destacar que o inventariante, também, pratica sonegação quando deixar de restituir bens que estão em sua administração, e o momento dessa restituição ocorre quando da concussão da partilha.
No processo de inventário, há obrigações comuns aos herdeiros, no que tange aos bens de herança, ou seja, aos bens pertencentes ao autor da herança. A sonegação desses, na partilha, ocorre quando há omissão na indicação dos bens a serem
Cada herdeiro é obrigado a descrever, no inventário, todos os bens da herança que estejam em poder dele, mas, também, os que estejam em poder de outrem, que sejam de conhecimento. Essa obrigação consiste no ato de colação, por meio do qual os herdeiros têm de declarar o valor das doações que obtiveram, em vida, do autor da herança. No ato da colação, é feita a conferência dos bens da herança e dos bens que foram transferidos ou doados pelo autor da herança antes do falecimento dele.
Em síntese, os herdeiros, por lei, precisam descrever, no inventário, todos os bens de herança que estejam sob o poder deles, mas, também, os que foram de conhecimento e que estejam com outrem.
Os herdeiros devem restituir bens do espólio que estejam, porventura, sob o próprio poder. Ainda, fazer constarem, na colação, bens que foram, a eles, doados ou transferidos pelo autor da herança antes do falecimento dele. O ato da colação significa a obrigação que os herdeiros têm de declarar o valor das doações que obtiveram, em vida, do autor da herança. No ato da colação, é realizada a conferência dos bens da herança e dos bens que foram transferidos ou doados, em vida, pelo autor do patrimônio.
Diante da falta de descrição dos bens da herança, sob o próprio poder ou de outrem, dos quais tem conhecimento, ou de omissão no ato de colação, há sonegação do patrimônio por parte do herdeiro. Implicado em sonegação de espólio no inventário, perde, esse herdeiro, o direito que lhe cabia aos bens sonegados. Constituem atos de sonegação:
a) o ocultar intencional de bens da herança que estão em seu poder ou no poder de terceiro, com o seu conhecimento;
b) omitir, na colação, bens que os deva levar;
c) recusar o herdeiro a restituir os bens que devem ser inventariados (OLIVEIRA, 2019, p. 759).
O ato de sonegação de bens, por parte dos herdeiros, é tratado no Art. 1.992, do Código Civil. Vejamos:
Art.1.992. O herdeiro que sonegar bens da herança, não os descrevendo no inventário quando estejam em seu poder, ou, com o seu conhecimento, no de outrem, ou que os omitir na colação, sendo que os deva levar, ou deixar de restituí-los, perderá o direito que, sobre eles, cabia-lhe (BRASIL, 2002).
A pena de sonegação, no entanto, requer a existência de dois elementos:
o objetivo e o subjetivo. O elemento objetivo consiste na ocultação da informação de determinado bem, já o elemento subjetivo consiste no ato intencional de prejudicar a partilha.
3 RESPONSABILIDADES DO INVENTARIANTE PELA SONEGAÇÃO DE BENS
Nos casos nos quais a sonegação tenha sido praticada pelo próprio inventariante, nos quais ele é o sonegador, além da penalidade comum aos herdeiros, cairá, sobre ele, sobre o inventariante, a pena de remoção da administração do espólio. No entanto, essa retirada se dá mediante alguma prova de que houve a sonegação de bens ou a negativa de existência de bens indicados. Os direitos de requerer e de impor ação de pena de sonegados pertencem, tão somente, aos herdeiros e aos credores da herança. No entanto, demais interessados na ação podem se aproveitar da ação. Assim estabelece o Código Civil:
Art. 1.993. Além da pena cominada no artigo antecedente, se o sonegador for o próprio inventariante, remover-se-á em se provando a sonegação, ou negando, ele, a existência dos bens, quando indicados.
Art.1.994. A pena de sonegados só se pode requerer e impor em ação movida pelos herdeiros ou pelos credores da herança.
Parágrafo único. A sentença que se proferir na ação de sonegados, movida por qualquer dos herdeiros ou credores, aproveita aos demais interessados (BRASIL, 2002).
Em síntese, o inventariante que realiza a sonegação de bens pode ser responsabilizado com a perda do próprio bem, caso, também, seja herdeiro, e pode ser removido do cargo. O inventariante, ao omitir ou deixar de descrever determinado patrimônio ou valor do espólio, sofrerá sanção de natureza processual, ou seja, será removido do cargo. “Tal conduta intencional, desde que levada a efeito maliciosamente, revela má-fé, e sujeita, quem a cometeu, à pena civil de sonegado, podendo, conforme o caso, sujeitá-lo, inclusive, à sanção criminal, pelo delito de apropriação indébita” (BORGES, 2012, p. 254).
FIGURA 4 – SANÇÃO CRIMINAL PELA SONEGAÇÃO DE BENS
Havendo a perda, por parte do herdeiro, de patrimônio que não fora colacionado, esse bem sonegado será objeto de partilha entre os demais herdeiros. Caso as riquezas sonegadas não sejam restituídas pelo sonegador, por já não ter, sob o próprio poder, esses bens, ele deverá pagar a importância relativa aos valores ocultados, sem prejuízo do pagamento de indenizações por perdas e danos. Para o caso de sonegação de bens ou de valores praticada pelo inventariante, deve-se observar o Art. 1.996, do Código Civil. Vejamos:
Art. 1.996. Só se pode arguir de sonegação, o inventariante, depois de encerrada a descrição dos bens, com a declaração feita, por ele, de não existirem outros por inventariar e partir, assim como arguir o herdeiro, depois de se declarar, no inventário, que não os possui (BRASIL, 2002).
Esse dispositivo normativo trata do momento em que se verifica a má-fé manifesta. Deve-se destacar que o inventariante, também, pratica sonegação quando deixar de restituir bens que estão sob a administração dele, e o momento dessa restituição ocorre quando da conclusão da partilha. Vale lembrar que, no inventário, a administração da herança é exercida pelo inventariante, segundo o Art. 1.991, do Código Civil, “desde a assinatura do compromisso até a homologação da partilha” (BRASIL, 2002).
Borges enumera os efeitos da sonegação, que podem sujeitar o herdeiro e o inventariante sonegadores às seguintes penas: “(i) a perda do direito sobre o bem sonegado; (ii) a restituição da coisa, com frutos; (iii) os rendimentos, como possuidor de má-fé; (iv) a indenização por perdas e danos; e (v) a aplicação do Art. 943, do Código Civil, na indenização do espólio” (BORGES, 2012, p. 261).
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• O inventário é o mecanismo desenvolvido pelo ordenamento jurídico brasileiro para que os herdeiros daquele que faleceu (espólio) adquiram os bens deixados de herança.
• Inventariar é a primeira fase, a qual abarca organizar, categorizar, listar ou enumerar os bens deixados em vida, pelo falecido, que serão objeto da herança. A partilha, na sequência, como uma segunda fase, dividirá os bens do espólio entre os herdeiros habilitados.
• A sonegação de bens, na partilha, ocorre quando há omissão da indicação dos bens a serem inventariados, isto é, quando um bem que deveria entrar na partilha é, intencionalmente, ocultado por herdeiro ou por inventariante. Sonegar significa não indicar os bens ou os valores do espólio.
• O inventariante, ao omitir ou deixar de descrever determinado bem ou valor do espólio, sofrerá sanção de natureza processual, ou seja, será removido do cargo.
RESUMO DO TÓPICO 1
1 A sonegação de bens, na partilha, ocorre quando há omissão da indicação dos bens a serem inventariados. Assim, com relação à sonegação por parte do inventariante, quando, também, herdeiro, analise as afirmativas a seguir, e, em seguida, assinale a alternativa CORRETA:
I- Está sujeito, à pena de sonegação, quando o inventariante deixar de apresentar bens que deveria colacionar.
II- Implica sonegação deixar, o inventariante, de descrever, no inventário, alguma doação feita, por ele, ao autor da herança.
III- Implicado em sonegação de bens no inventário, o inventariante perde o direito que lhe cabia aos bens sonegados.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Apenas as assertivas I e III são corretas.
b) ( ) Apenas as assertivas I e II são corretas.
c) ( ) Apenas a assertiva II é corretas.
d) ( ) Todas as assertivas são corretas.
2 O inventariante, ao omitir ou deixar de descrever determinado bem ou valor do espólio, sofrerá algumas sanções. Assim, a respeito da pena de sonegação por parte do inventariante, quando for um dos herdeiros, estará sujeito à:
I- Perda do próprio bem, ao qual tem direito na herança, e que foi, por ele, ocultado.
II- Remoção do cargo de inventariante.
III- Perda de remunerações percebidas a título de inventariante, e remoção, como herdeiro, do processo de inventário
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Apenas as assertivas I e III são verdadeiras.
b) ( ) Apenas as assertivas I e II são verdadeiras.
c) ( ) Apenas a assertiva II é verdadeira.
d) ( ) Todas as assertivas são verdadeiras.
3 Sonegar significa não indicar os bens ou os valores do espólio. No tocante às disposições a respeito da sonegação, analise as assertivas a seguir e assinale a alternativa CORRETA:
AUTOATIVIDADE
a) ( ) Havendo perda de direito a bens de herança por parte do inventariante, decorrente de sonegação, serão, esses bens, objeto de partilha entre os demais herdeiros.
b) ( ) A remoção do inventariante do cargo independe de prova de que a conduta dele na sonegação foi intencional.
c) ( ) A pena de sonegação ao inventariante não depende de prova de ocultação da informação.
d) ( ) No caso da não restituição de bens sonegados, pagará, o inventariante herdeiro, a importância relativa aos valores ocultados e aos não ocultados.
4 O Código de Processo Civil prevê algumas penalidades para aquele que pratica sonegação no inventário. No caso de o herdeiro e inventariante recair em prática de sonegação, a que penalidade estará sujeito?
5 A penalidade atribuída ao inventariante sonegador requer a existência de dois elementos: o objetivo e o subjetivo. Explique-os.
DESTITUIÇÃO E REMOÇÃO DO INVENTARIANTE
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico, neste tópico, abordaremos o conceito, as diferenças e as hipóteses de destituição e remoção do inventariante. Apesar de causarem um mesmo resultado, a destituição e a remoção não podem ser interpretadas como sinônimos. Conforme veremos, a remoção possui natureza jurídica sancionatória, enquanto a destituição se refere a uma circunstância que impede ou dificulta o eficaz exercício da função de inventariante.
Em relação às hipóteses de remoção, devemos destacar que o Código de Processo Civil elenca um rol de possibilidades. A título de exemplo, caso o inventariante, por culpa ou por dolo, cause danos ao espólio ou deixe de prestar as primeiras ou as últimas declarações no prazo legal, haverá a possibilidade de sua remoção.
Portanto, apesar de possuírem certa aparência, a destituição e remoção são institutos diferentes e devem ser analisados a fundo para que não haja confusão quando forem aplicados na prática.
UNIDADE 3 TÓPICO 2 -
2 DESTITUIÇÃO E REMOÇÃO DO INVENTARIANTE:
CONCEITO, DIFERENÇAS E HIPÓTESES
Já estudamos no tópico anterior que, preferencialmente, a nomeação do inventariante deve observar a disposição do Art. 617, do Código de Processo Civil (BRASIL, 2015). Uma vez nomeado, o inventariante deve impulsionar processualmente andamento do inventário com vista a uma adequada partilha dos bens e para que não se retarde a distribuição dos quinhões.
Porém o inventariante não é obrigado a permanecer em seu cargo, bem como pode ser trocado antes do término do procedimento. Nesse sentido, ocorrerá o fenômeno da destituição ou da remoção.
A destituição do inventariante ocorre quando, independentemente de falhas ou descumprimento de suas obrigações, seja necessária a substituição dele. Um exemplo é quando o inventariante argumenta que não possui condições de saúde para continuar com suas atribuições ou quando o próprio juiz verifica que há pessoa mais bem qualificada para exercer as funções do inventariante.
FIGURA 5 – INVENTARIANTE COM SAÚDE DEBILITADA
FONTE: <https://shutr.bz/3n8tDkv>. Acesso em: 24 abr. 2021.
Cristino Chaves de Farias e Nelson Rosenvald destacam que
a destituição do inventariante advém de algum fato exógeno, externo, não atrelado diretamente ao exercício da inventariança. Ocorre, por exemplo, quando o inventariante vem a ser preso ou é interditado.
Em casos tais, torna-se impossível o cumprimento do múnus da inventariança, uma vez que passou a existir uma incompatibilidade para o exercício do múnus (FARIAS; ROSENVALD, 2017, p. 563).
Como frisado anteriormente, o inventariante pode, também, ser removido.
A remoção irá ocorrer como forma de penalizar o inventariante pelo cometimento de alguma transgressão, seja esta dolosa ou culposa, no exercício da inventariança.
Cristino Chaves de Farias e Nelson Rosenvald aduzem que
a remoção é uma punição, material e processual, imposta ao inventariante em decorrência de alguma falta cometida no exercício do encargo. Possui, por conseguinte, evidente natureza sancionatória, afastando ele do múnus. Apesar disso, não se pode imaginar que a remoção só poderia ser cabível nos casos previstos na norma processual. Sem equívocos, como as atribuições do inventariante são múltiplas, é possível a sua remoção em casos igualmdnte plurais, cabendo ao julgador, casuisticamente, apreciar a existência de justa motivação para a remoção. Para exemplificar é possível prospectar a sua remoção em virtude de desídia na prestação de contas, de indevida alienação de um bem pertencente ao espólio, sem a prévia autorização do juiz, ou de ocultação de bem pertencente ao, espólio, prejudicando os demais interessados (FARIAS; ROSENVALD, 2017, p. 563).
No tocante ao tema, Carlos Roberto Gonçalves ensina que:
FIGURA 6 – DESÍDIA DO INVENTARIANTE
FONTE: <https://shutr.bz/3qvo5Tf>. Acesso em: 24 abr. 2021.
é determinada em consequência de uma falta, no exercício do cargo, relacionada ao inventário, enquanto a destituição é determinada em razão de um fato externo ao processo (GONÇALVES, 2019, p. 628).
Com base nisso, a hipótese de destituição não se confunde com a possibilidade de remoção do inventariante. A remoção possui natureza jurídica sancionatória, ou seja, ocorre quando o inventariante descumpre algum dever legal a ele atribuído e pode ser responsabilizado por eventuais danos causados. A destituição, por sua vez, não ser trata de uma sanção, mas de uma circunstância que impede ou dificulta o eficaz exercício da função de inventariante.
Nos moldes das disposições do Código de Processo Civil, o inventariante poderá ser removido a requerimento de qualquer interessado no inventário e na partilha ou de ofício pelo juiz. O Art. 622, do diploma processualista civil, elenca um rol de hipóteses em que o se visualizadas, poderão acarretar a remoção do inventariante.
Dentre as hipóteses trazidas no referido dispositivo, podemos expor:
• haver a falta de apresentação, dentro do prazo legal, das primeiras ou das últimas declarações;
• deixar de conferir o andamento regular ou de praticar atos protelatórios no procedimento de inventário;
• causar danos aos bens do espólio;
• parar de defender ou de cobrar dívidas ativas do espólio e de prestar contas;
• sonegar, ocultar ou desviar bens do espólio.