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3.3 Resultados

3.3.1 Trocas gasosas e Fluorescência da clorofila a

Observou-se que as trocas gasosas das plantas de Tabebuia aurea Mart. foram influenciados significativamente pelos efeitos isolados dos fatores irrigação e filme de partícula, mostrando que nas plantas sob estresse hídrico houve uma maior redução nos valores de condutância estomática e transpiração. Por outro lado, nas plantas de Ziziphus joazeiro Mart., os resultados apresentados nas análises de variância indicaram que houve diferenças significativas entre os tratamentos de irrigação (com e sem) na presença ou não do filme de partículas para as características relacionadas as variáveis de trocas gasosas, com exceção da fotossíntese, indicando que, nesta espécie, o filme de partículas é capaz de desempenhar papel de agente mitigador dos efeitos do estresse hídrico.

O aumento da temperatura do ar e a redução da umidade do solo influenciaram nas respostas fisiológicas das plantas estudadas (Figura 2). A partir dos 15 Dias de Início do tratamento hídrico (DITH) foram observadas diferenças significativas nos parâmetros analisados para as duas espécies estudadas com diferenças mais acentuadas aos 45 DITH.

As variáveis de trocas gasosas em Tabebuia aurea foram significativamente reduzidas, acompanhadas pelo decréscimo do potencial hídrico do solo nas plantas submetidas a ausência de irrigação. É possível observar que os valores de gs diminuíram, com reduções de 15,4; 29,5

e 50,6% aos 15, 30 e 45 DITH, respectivamente, em relação às plantas submetidas a presença de irrigação. Por outro lado, observa-se que as plantas sob déficit hídrico na presença do filme, os valores de gs não diferiram significativamente em relação às plantas irrigadas aos 45 DITH

(Figura 4a). Analogamente, a taxa transpiratória das plantas não irrigadas responde de forma similar à gs, com reduções de 11,3; 22,6 e 44,6% aos 15, 30 e 45 DITH, respectivamente (Figura

4c). A sensibilidade demonstrada nos valores de gs mostra que as reduções da disponibilidade hídrica no solo podem indicar uma forte regulação estomática, o que permite que a planta reduza a taxa transpiratória (E). No entanto, as plantas com estresse na ausência do filme embora tenha diminuído os valores de gs aos 45 DITH, os valores de E não diferiram significativamente na presença ou não do filme (Fig. 4a, c).

Os valores de gs concordam com a hipótese de que um intenso fechamento estomático

acontece em plantas sob deficiência hídrica, principalmente em dias de alta luminosidade, elevada temperatura, baixa umidade relativa e elevado DPV do ar. Com isso, observa-se que os valores de DPVfolha-ar foram elevados com ênfase para as plantas sob deficiência hídrica, com

valores médios que variaram entre 3,9 kPa e 4,4 kPa aos 45 DITH (Figura 4d).

A queda das taxas transpiratórias provocou, ainda aumento na temperatura foliar das plantas sob estresse em relação às plantas submetidas ao tratamento irrigado, o mesmo ocorreu nas plantas sob aplicação de filme de partícula com incremento de 0,4 ºC em relação as plantas submetidas a ausência de filme de partícula, aos 45 DITH. Já em relação as épocas avaliadas, a temperatura foliar no tempo zero, e em todos os tratamentos, foi em média 32,1 ºC, e aos 45 DITH, em média 37,3 ºC, o que corresponde um incremento de 5,2 ºC (Figura 4g).

A taxa fotossintética das plantas não irrigadas em relação às irrigadas, reduziu a partir dos 15 DITH, com diferença significativa observada apenas a partir dos 30 DITH, com redução de 16,7% e, aos 45 DITH, 38,5% (Figura 4b). Em relação à aplicação do filme, não houve diferença significativa entre os tratamentos na presença e na ausência do filme.

Com a intensificação do estresse hídrico, ao analisar a eficiência instantânea do uso da água (EUAinst, A/E) observa-se aumento nos tratamentos não irrigados e as plantas que não

tiveram a aplicação do filme tiveram maiores valores, mostrando mais eficientes do que as plantas irrigadas e com a presença do filme (Figura 4f). De forma semelhante, com a diminuição gradativa de gs devido à redução do potencial hídrico do solo, as plantas submetidas ao estresse

hídrico e a ausência do filme apresentaram valores maiores na eficiência intrínseca do uso da água (EUAintr, A/gs) com diferença significativa apenas aos 45 DITH (Figura 4e).

Figura 4- Condução estomática (gs, a), taxa fotossintética (A, b), transpiração foliar (E, c), déficit de pressão de vapor (VPD, d), eficiência intrínseca de uso da água (A / gs, e), eficiência instantânea de uso da água (A / E, f) e temperatura foliar (Tleaf, g) em plantas jovens de Tabebuia aurea Mart. submetidas a dois tratamentos de irrigação e dois tratamentos de filme de partícula por 45 dias.

Nota: Análise estatística foi realizada separadamente para as épocas de avaliação: 0, 15, 30 e 45 dias. Letras iguais não diferem entre os tratamentos de filme (minúsculas) e tratamentos de irrigação (maiúsculas) pelo teste de Tukey à 5% de probabilidade.

Os valores encontrados na emissão da fluorescência da clorofila para detectar se o efeito do déficit hídrico e a aplicação do filme de partícula nas plantas de Tabebuia aurea Mart. alteraram o estado fisiológico das folhas avaliadas no dia de estresse máximo (45 DITH) mostram que não houve diferença significativa na fluorescência mínima (Fo), na fluorescência

máxima (Fm) e na relação Fv/Fm (Figura 5 a, b, c). Os valores encontrados na relação Fv/Fm

ficaram dentro do considerado ideal (0,75 – 0,85) em plantas cultivadas em condições sem estresse (Figura 5c).

Figura 5- Fluorescência mínima (FO, a), Fluorescência máxima (Fm, b) e Rendimento quântico máximo do Fotossistema PSII (Fv/Fm, c), representado pela relação Fv/Fm em plantas jovens de Tabebuia aurea Mart. submetidas a dois tratamentos de irrigação e dois tratamentos de filme de partícula por 45 dias. Análise estatística foi realizada separadamente para as épocas de avaliação: 0, 15, 30 e 45 dias. Letras iguais não diferem entre os tratamentos de filme (minúsculas) e tratamentos de irrigação (maiúsculas) pelo teste de Tukey à 5% de probabilidade.

Fonte: Dados da dissertação, 2018.

Diferentemente de Tabebuia aurea Mart., as variáveis de trocas gasosas avaliadas nas plantas de Ziziphus joazeiro Mart. com exceção da Pn, apresentaram interação significativa entre os tratamentos de irrigação e da aplicação do filme de partícula. Os valores de gs foram

severamente afetados negativamente com a redução de água no solo, com reduções de 38,7; 67,1 e 79,5%, aos 15, 30 e 45 DITH, respectivamente, nas plantas não irrigadas e na ausência

do filme em relação as plantas irrigadas na ausência do filme. Observa-se ainda que nas plantas não irrigadas na presença do filme os valores de gs foram maiores do que as plantas não irrigadas

na ausência do filme (Figura 6a).

Os valores de E acompanham a queda dos valores de gs a partir do incremento do

estresse, com diferenças significativas entre o tratamento não irrigado em relação ao irrigado, bem como na presença ou ausência do filme. As plantas sob estresse na ausência do filme reduziram 44,1 e 62,9% aos 30 e 45 DITH, respectivamente, quando comparadas as plantas na presença do (Figura 6c). Observa-se ainda que a fotossíntese foi severamente afetada pelo déficit hídrico, com intensa diminuição de seus valores ao longo das épocas de avaliação e seguiu um padrão semelhante ao de gs e de E (Figura 6 a, b, c), com valores iniciais em média

de 19,6 µmol m-2 s-1 e, aos 45 DITH, 6 µmol m-2 s-1. Já a presença do filme não influenciou na taxa fotossintética das plantas.

Ao comparar os valores de DPVfolha-ar das plantas não irrigadas em relação as plantas

irrigadas, na presença ou não do filme de partícula, observa-se diferença significativa a partir da redução da água no solo. As plantas sob estresse na ausência de filme tiveram aumento de 7,6; 14,2 e 17 %, aos 15, 30 e 4 5 DITH, respectivamente, em relação as plantas irrigadas na ausência do filme. Já as plantas sob estresse na presença do filme o aumento foi de apenas 9,1; 12,4 e 4,9 %, aos 15, 30 e 45 DITH, respectivamente, em relação ao tratamento irrigado com filme. Esses resultados mostram que a aplicação do filme de partícula pode minimizar o efeito em plantas em condições de estresse hídrico, com a manutenção da temperatura foliar e, por conseguinte, redução do DPVfolha-ar (Figura 6d).

Com a imposição do estresse hídrico e a aplicação ou não do filme de partícula, de maneira geral, as variações observadas em gs, em E e em A causaram modificações nos valores

tanto da EUA (A/E) como da EIUA (A/gs), com os maiores valores encontrados à medida que

o estresse foi intensificado (Figura 6 e, f). As menores reduções em gs e em E provocados pela

presença do filme mostram uma influência negativa na eficiência do uso da água (A/E) e (A/gs), o que sugere que, embora o filme de partícula minimize o efeito do estresse mantendo a temperatura foliar menor do que as folhas na ausência do filme, os resultados deste estudo não mostram o efeito do filme com a melhor EUA e a EIUA.

A EUA das plantas não irrigadas em relação as irrigadas na presença do filme, diferiu significativamente apenas aos 45 DITH. Por outro lado, as plantas sob estresse na ausência do filme mostraram-se mais eficiente no uso da água, com aumento significativo de 30,4; 50,1 e 79,8 % aos 15, 30 e 45 DITH, respectivamente, em relação as plantas na presença do filme (Figura 6f).

Figura 6- Condutância estomática (gs, a), taxa fotossintética (A, b), transpiração foliar (E, c), déficit de pressão de vapor (VPD, d), eficiência intrínseca de uso da água (A / gs, e), eficiência instantânea de uso da água (A / E, f) e temperatura foliar (Tleaf, g) em plantas jovens de Ziziphus joazeiro Mart. submetidas a dois tratamentos de irrigação e dois tratamentos de filme de partícula por 45 dias.

Nota: Análise estatística foi realizada separadamente para as épocas de avaliação: 0, 15, 30 e 45 dias. Letras iguais não diferem entre os tratamentos de filme (minúsculas) e tratamentos de irrigação (maiúsculas) pelo teste de Tukey à 5% de probabilidade.

De forma similar, a EIUA (A/gs) foi influenciada significativamente pelo incremento do

estresse em que uma melhor eficiência foi encontrada no tratamento não irrigado e na ausência do filme (Figura 6e).

Quanto as variáveis da fluorescência da clorofila, observa-se que não houve diferença significativa em Fv/Fm nas plantas submetidas aos diferentes tratamentos de irrigação e filme

de partículas (Figura 7).

Figura 7- Rendimento quântico máximo do Fotossistema, representado pela relação Fv/Fm em plantas jovens de Ziziphus joazeiro Mart. submetidas a dois tratamentos de irrigação e dois tratamentos de filme de partícula por 45 dias.

Nota: Análise estatística foi realizada separadamente para as épocas de avaliação: 0, 15, 30 e 45 dias. Letras iguais não diferem entre os tratamentos de filme (minúsculas) e tratamentos de irrigação (maiúsculas) pelo teste de Tukey à 5% de probabilidade.

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