1.5 A valorização do Turismo Acessível
1.5.3 Turismo de Saúde e Bem Estar: procura crescente
Longe vão os tempos em que os romanos instituíram o culto dos banhos e dos tratamentos de água doce e salgada, mas a valorização do bem estar físico e psíquico não se perdeu volta, hoje em dia, a estar entre as práticas de um número crescente de pessoas. Fernandes e Fernandes (2008) atribuem a crescente procura da saúde e bem estar ao estilo de vida moderno, que causa sedentarismo, hábitos alimentares desadequados e desequilíbrios psicossomáticos que despertam o interesse e a necessidade por este tipo de oferta.
39 Tradução livre.
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De acordo com o estudo realizado pela empresa THR Asesores en Turismo Hotelería y
Recreación (2006) para o Turismo de Portugal, em 2004 realizaram-se na Europa 245 mil
viagens de Turismo de Saúde e Bem estar (1,2% do total), com uma previsão de crescimento entre 5 a 10% ao ano, e uma duplicação no espaço de dez anos. O estudo estima ainda que se realizem mais 7 milhões de viagens em que a componente de Saúde e Bem Estar é complementar, e não a motivação primordial da viagem.
Entenda-se, de acordo com o referido estudo, que o Turismo de Saúde consiste na realização de um tratamento específico para a cura de uma doença, o que representa 20% do mercado de Saúde e bem estar. A vertente Bem-Estar Geral baseia-se na procura do equilíbrio e da harmonia mental, emocional, física e espiritual (60% do mercado de Saúde e Bem-Estar) e a vertente Bem-Estar Específico implica a procura do bem-estar físico (20% deste mercado).
O Turismo de Saúde e Bem Estar é um produto abrangente, podendo englobar, de acordo com Fernandes e Fernandes (2008), o Termalismo, Talassoterapia, Climatismo, Recuperação da forma (fitness) ou ainda o Turismo Médico – recurso a cirurgias, reabilitação, física, transplantes… - que implicam uma deslocação que coincide com a definição de Turismo.
Num estudo para o Turismo de Portugal, THR Asesores en Turismo Hotelería y Recreación (2006) refere que, na Europa, as viagens de Turismo e Lazer têm uma duração média superior a quatro noites (87,1%), e um gasto diário entre 100 e 400 euros, sendo que a Alemanha concentra uns esmagadores 63% do total destas viagens, 3,7% do total da prática turística dos alemães.
Assiste-se, portanto, de acordo com estes dados, a uma tendência crescente para conciliar o tempo de turismo e lazer com a procura de melhores condições de saúde e bem estar, sendo que a Europa detém mais de 90% da quota deste mercado, com um crescimento, ao nível europeu, a uma média anual entre 5 e 10%. Para tal terão contribuído fatores como o envelhecimento da população, o culto do corpo, a exposição dos consumidores a uma grande diversidade de fatores externos que afetam o seu bem-estar físico e psíquico, e que os leva a procurar momentos de descontração e bem-estar, e a dar cada vez mais atenção a tratamentos termais e de prevenção.
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O Turismo de Saúde e Bem Estar constitui, também em Portugal, um produto turístico de destaque, sendo um dos dez produtos prioritários do Plano Estratégico Nacional do Turismo (Turismo de Portugal, 2007).
O perfil demográfico dos consumidores que procuram o Turismo de Saúde e Bem Estar é, de acordo com o Turismo de Portugal (2007), variado: jovens, famílias jovens, adultos, seniores. Os adultos procuram sobretudo métodos de prevenção de doenças e experiências de descontração; já os seniores buscam sobretudo serviços de tratamento médico mais tradicional ou Spa, com uma permanência de 2 a 3 semanas, ou seja, muito superior à média de permanência de 4 dias.
Apesar de o estudo não incidir sobre as necessidades especiais destes diferentes tipos de consumidores, recordamos, desde já, a estreita correlação entre seniores e necessidades especiais, o que poderá levantar a questão do Turismo Acessível. É ainda legítimo estabelecer uma relação entre a procura do Turismo de Saúde e Bem Estar e a existência – numa parte indeterminada de casos – de problemas e limitações (independentemente da idade), e que levam o consumidor a procurar respostas neste tipo de oferta turística.
Sem aprofundar muito esta questão, importa referir a reconhecida importância que o Turismo de Saúde e Bem Estar, em geral, tem vindo a conquistar, e esta tendência positiva regista-se também, conforme referem Fernandes e Fernandes (2008), no Turismo Médico, sobretudo na América Latina e na Ásia. Em Portugal, é bem conhecido o recurso às cirurgias oftalmológicas e reabilitações intensivas de Cuba e, conforme refere Leng (2010), vários autores apontam este país como pioneiro na adoção de uma estratégia deliberada de receber cidadãos estrangeiros para fins medicinais.
Se, na Europa, como já foi referido, o Turismo de Saúde e Bem Estar tem uma taxa de crescimento anual na ordem dos 10%, a nível global “o Banco Mundial estima uma taxa de crescimento de 30% ao ano, comparativamente aos 4-5% do turismo em geral”: o equivalente a mais de 40 mil milhões de dólares anuais (Caribbean Export, 2008).
Sem pretender abarcar o atual panorama das acessibilidades na oferta do Turismo de Saúde e Bem Estar, importa apenas, para o efeito desta dissertação, referir a importância da existência de condições de acessibilidade a Todos quantos possam procurar este tipo de produtos turísticos, em que a melhoria da saúde é uma das motivações de base. Partimos, naturalmente, do pressuposto de que, numa parte indeterminada de casos, a vontade ou
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necessidade de melhorar a saúde ou o bem estar poderá advir de problemas a esse nível. E partimos também do pressuposto lógico de que uma parte – também aqui indeterminada – destes problemas ao nível da saúde e bem estar poderão resultar em deficiências ou incapacidades e, logo, numa necessidade de que esta oferta turística seja Acessível.
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