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2 O ESPAÇO GEOGRÁFICO E A RELAÇÃO ENTRE REDES GEOGRÁFICAS E

2.2 TURISMO E VANTAGENS COMPETITIVAS: AS ESTRATÉGIAS DAS

MERCADO

As estratégias desenvolvidas pelas empresas para a superação de obstáculos levam em conta algumas questões que são de fundamental importância para o sucesso das mesmas. Estas questões estão relacionadas a alguns fatores determinantes que se tornam vantagens competitivas. A força de trabalho, o preço da terra, os recursos naturais, o capital e a infraestrutura, acabam por influenciar o fluxo comercial. A vantagem competitiva é sempre algo que realça a oferta de um determinado benefício fundamental em uma localização espacial que pode ser explorado por uma empresa (PORTER, 1998).

Para dar suporte às vantagens competitivas, um fator deve ser altamente especializado para os interesses particulares de uma modalidade do negócio do turismo – um conjunto de amenidades naturais ou socialmente construídas em uma determinada localidade, propício à instalação de um resort, por exemplo. Estas se tornam vantagens, pois podem ser utilizadas como atrativos para o aumento do fluxo de turistas no próprio empreendimento.

Os pesquisadores da linha de estudos estratégicos denominada de Visão Baseada em Recursos (Resource Based View-RBV) trazem em sua proposta central que a fonte da vantagem competitiva encontra-se, primariamente, nos recursos e competências desenvolvidos e controlados pelas empresas e, secundariamente, na estrutura nas quais as empresas se posicionam (WERNERFELT, 1984; PETERAF, 1993). Esta perspectiva postula que as empresas atingem desempenho superior ao desenvolver habilidades e possuir recursos raros, de difícil imitação.

Os recursos das empresas são todos os ativos, capacidades, processos organizacionais, atributos, informações e conhecimentos controlados pela firma que permitem conceber e adotar as estratégias que melhorem sua eficiência e eficácia no mercado. Dentre os recursos da firma, apenas alguns são capazes de gerar uma vantagem competitiva e, indo além, somente algumas firmas podem manter essa capacidade de forma a torná-la uma vantagem competitiva sustentável (BARNEY, 1991). Para avaliar o potencial desses recursos e transformá-los em vantagem, Barney (1991) sugere alguns indicadores empíricos que foram evoluindo para uma Teoria Baseada em Recursos (RBT).

Barney (1991) havia estabelecido relações entre os recursos das empresas e a geração de vantagens competitivas sustentáveis. Sua análise se baseou em quatro indicadores empíricos de potencialidade dos recursos de uma empresa: valor (V), a raridade (R), a imitabilidade imperfeita (I), e a substituibilidade (S), que formam o conceito de VRIS, e que forma uma das bases da RBV. O mesmo Barney (2007) manteve os três primeiros indicadores, sendo que o quarto indicador, a substituibilidade (S), foi trocado pela organização (O), sendo transformado na sigla VRIO. Sobre este último indicador, ainda que a empresa possua recursos e capacidades valiosos, raros e de difícil imitabilidade, é necessário que ela esteja devidamente organizada de forma a explorá-los, para que, assim, se possa aproveitar o potencial de geração de vantagem competitiva destes recursos.

Para explicar de que maneira as empresas ou indivíduos alcançam e mantêm a vantagem competitiva, Teece; Pisano; Schuen (1997) desenvolveram o conceito de capacidades dinâmicas. Estas são entendidas como o conjunto de habilidades que as empresas têm de construir, integrar e reconfigurar competências internas e externas para responder às rápidas transformações que ocorrem no ambiente de negócios. Sendo assim, trata-se de um conceito que reflete a habilidade de uma empresa em inovar suas vantagens competitivas, dado sua experiência e posicionamento no mercado.

Mas, assim como as vantagens, também existem as desvantagens seletivas, em que a empresa se depara com altos custos para aquisição de terrenos, escassez de mão-de-obra, entre outros. Nesse caso, elas devem inovar e se modernizar para competir (PORTER, 2008). Nos últimos anos, o processo de evolução permanente dos produtos é reconhecido como fundamental à vantagem competitiva das empresas e a inovação por parte delas é igualmente essencial para isso.

Por reunir elementos que se caracterizam como vantagens competitivas para o desenvolvimento do turismo, como, principalmente, o valor da terra (levando em consideração o preço da terra em localidades que possuem características naturais semelhantes, como o próprio clima e as outras amenidades naturais, que são típicos da modalidade de turismo sol e praia), Imbassaí, assim como o litoral nordestino, de modo geral, acaba sendo um lugar propício a receber investimentos públicos e privados voltados para o turismo, pois reúne elementos chave para o desenvolvimento desta atividade. Sendo assim, a transformação dessa porção do espaço geográfico acaba sendo inevitavelmente promovido pelas forças sociais,

representadas pelos médios e pequenos investidores, o Governo e demais agentes sociais interessados.

O rio Imbassaí, por exemplo, acaba se constituindo em uma vantagem competitiva para esta localidade, visto que nem todos os outros núcleos turísticos do litoral norte da Bahia possui esta amenidade natural. Em certo trecho, este rio chega a percorrer paralelamente à praia, fazendo surgir uma paisagem diferenciada, além da opção de banho para os turistas tanto no rio, quanto no mar. Ou seja, o turista irá encontrar algo diferenciado em Imbassaí, o que acaba se constituindo uma estratégia competitiva para as pousadas e para as empresas que dependem da atividade turística. Essa localização privilegiada em que as empresas se instalam faz surgir um tipo conceitual de renda da terra urbana: a renda de monopólio. Segundo Singer (1982: 27), “[...] a renda de monopólio surge do fato de que a localização privilegiada da empresa lhe permite cobrar preços acima dos que a concorrência normalmente forma no resto do mercado”.

A concentração de investimentos públicos nas regiões turísticas litorâneas evidencia o maior volume de investimentos direcionados às áreas mais rentáveis e competitivas para o capital turístico, regional, nacional e internacional (SANTOS, T., 2013), mobilizando estratégias competitivas. Nesse caso, o pólo turístico Costa dos Coqueiros, no qual está inserida a localidade de Imbassaí, concentra uma parte desses investimentos. Sendo assim, a inserção de uma infraestrutura turística com o crescimento da quantidade de equipamentos turísticos e demais empreendimentos acabam por transformar determinadas parcelas do espaço geográfico.

A ação das empresas em uma parcela do espaço geográfico pode causar diversas implicações, afetando suas dimensões política, social, cultural e econômica. Nesse caso, a reprodução de parcelas do espaço geográfico se dá a partir de tais modificações, impulsionada pelos investimentos econômicos público e privado.

No tocante ao investimento público, de acordo com a escala de suas atividades e a força econômica e política que possuem, os investidores têm seu processo de acumulação viabilizado pelo Governo através, principalmente, da implantação de parte da infraestrutura (CORRÊA, 2010). Isso acaba atraindo essas empresas para se instalarem na localidade, pois a infraestrutura se constitui em um fator fundamental e atrativo para elas.

2.3 AS POLÍTICAS PÚBLICAS E O PROCESSO DE PRODUÇÃO DO ESPAÇO