• Nenhum resultado encontrado

sucursal de Recife

Matéria 30 Turismo no Piauí – 23/11/79.

6.1.6. Caderno Nordeste 1980

Nordeste busca novos meios para acelerar seu desenvolvimento: a exploração de minérios, fontes de energia não convencionais, um programa de turismo integrado, projetos para melhorar as condições de vida da população, o combate à seca através de obras racionais e de menor custo que possibilitem ao contingente da zona rural, não apenas sobreviver mas participar do processo produtivo. Governadores e empresários reconhecem o esforço que vem sendo feito em favor da região, mas defendem uma ação política mais eficaz, reivindicando, do Governo Federal, tratamento diferenciado para o Nordeste reduzir os desníveis regionais262.

262

Ibidem. Nordeste/80, 28 de novembro de 1980, capa.

Entre os cadernos Nordeste que o JB publicou, o de 1980 é o que apresenta o maior número de matérias com políticos e empresários reivindicando um tratamento diferenciado para o desenvolvimento da região, num momento em que o país apresenta altas taxas de desemprego e inflação, e a população começa a se mobilizar e a mostrar sua insatisfação com a ditadura militar. A seca aparece como um problema que, ainda, atormenta os nordestinos, parte do potencial turístico da região é exposto, e alguns projetos de desenvolvimento são publicados, bem como a ideologia de que o Nordeste tem tudo para se desenvolver aparece nas páginas do suplemento.

As mudanças políticas, a inflação e a recessão que dava sinais na sociedade brasileira viam-se nas páginas dos jornais e refletiam diretamente na região Nordeste, com cortes de verbas, diminuição de financiamento nos projetos de desenvolvimento, com a alta carga tributária, tudo isso fazia os governadores, mesmo os da situação, a manifestar a sua inquietação, a reivindicar um tratamento político diferenciado do Centro-Sul., como pode ser constatado nos seguintes títulos de matérias.

x Política tributária privilegia Centro-Sul e aumenta desníveis

x Magalhães também vê política como o problema do Nordeste

x Maciel defende mais decisão para superar as dificuldades

x Administração não basta para resolver todos os problemas

x Buriti diz que abertura leva Nordeste a lutar por oposição

x Economista critica modelo de desenvolvimento nordestino

x Palmeira diz que é hora do Centro-Sul devolver ajuda ao NE

x Região exige suprimento em nível adequado

O governador da Paraíba, Guilherme Palmeira, na época defendia uma política descentralizada para o Nordeste e defendia a tese de que era “hora do Centro-Sul devolver tudo o que o Nordeste lhe ofereceu e vem oferecendo”, como mostra a matéria 32.

Matéria 32 – “É hora do Centro-Sul devolver ajuda ao Nordeste” – 28/11/80.

O governador de Alagoas, Tarcísio Burity, também defendia um tratamento diferenciado efetivo para a região, descentralizado, embora não fosse a favor de “idéia separatista”, conforme pode ser observado na matéria 33.

A falta de prioridade de resolver a questão social e o tratamento lineares a essas questões eram também criticadas não só por políticos, mas também por empresários, como pode ser visto na matéria 34.

Diante da inflação, da restrição ao crédito, da diminuição de recursos nos projetos de desenvolvimento social, o empresariado começa a se organizar e se o opuser ao governo, como mostra a matéria 35.

Matéria 35 – Empresariado do Piauí se organiza – 28/11/80.

A recessão que traz desemprego, desacelerização da economia, aumenta a pobreza, as distâncias sociais e regionais, inquietava o povo, os políticos e os empresários. Esses defendiam a criação de uma estrutura econômica autopropulsora capaz de afastar dos nordestinos a recessão que atormentava a todos, como mostra a matéria 36.

Matéria 36 – Recessão não deveria chegar ao Nordeste – 28/11/80.

A seca no Ceará, Alagoas e no Piauí são discutidas no suplemento, sendo a situação da população flagelada agravada pela inflação, recessão e diminuição de investimentos no setor (matéria 37).

Em Pernambuco, estado da federação que apresentava, na época, a maior desigualdade de renda, foi criado o Projeto Asa Branca, com o objetivo de combater esses desníveis, a pobreza, a seca do Sertão e do Agreste, como mostra a matéria 38.

A impressão que dá é que o Nordeste do Caderno-80 desconstrói a região em crescimento, cheia de projetos sociais e de infra-estrutura, mostrado nos suplementos anteriores. O Ceará, por exemplo, que teve tantas matérias enaltecendo sua infra- estrutura, seus investimentos, pólos industriais, agora, emerge como um estado abatido pela aridez do solo, tendo como únicas saídas o pólo e projeto Ceará (matéria 39).

Matéria 39 - Pólo e projeto Ceará são as únicas soluções – 28/11/80.

Por outro lado, nem tudo estava perdido nem acabado. Apesar da crise econômica que afetava o país e a região, havia setores em crescimento, projetos em andamento, construção de estradas, energização rural e crescimento industrial, como mostra a matéria 40.

O setor em expansão, em evidência, que o JB mostrava era o turismo, fruto também de uma necessidade da população mundial de se globalizar, de estar em todos os locais, de conhecer novas culturas, paisagens e povos. Nesse sentido, o jornal divulgava a região, o que ela tinha de mais expressivo em nível de potencial turístico. Recife (matéria 41), Salvador, Fortaleza (matéria 42), Goiana (PE) foram às cidades contempladas pelo jornal, ressaltando a gastronomia, os pontos turísticos, o folclore, as praias e a rede hoteleira.

Caderno Nordeste/80 reflete a ebulição política e econômica do cenário nacional. A desaceleração da economia mostra um Nordeste desasticido, procurando solução, reivindicando, sendo mais combativo e crítico. A abertura política possibilitava, de certa forma, os políticos e a mídia serem mais incisivos, mostrar as desigualdades sociais e regionais, a “realidade com menos maquiagem”. Recessão e a inflação faziam o país acordar de um sonho, “um milagre econômico” passageiro.