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TURN AROUND TIME – TAT OU REPAIR CYCLE TIME – RCT

CAPÍTULO 7- CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES

2.7 TURN AROUND TIME – TAT OU REPAIR CYCLE TIME – RCT

Como já dito anteriormente, um aspecto de suma importância em qualquer modelo de suprimento e que afeta de forma significativa a decisão sobre comprar ou não uma determinada peça, em detrimento de outra, é o tempo que leva entre o momento em que é feito o pedido de reparo da peça até o momento em que a peça retorna operacional ao local do pedido, conhecido como Turn Around Time (TAT) ou Repair Cycle Time (RCT).

A redução do TAT pode ser conseguida através:

• da opção de se capacitar para realizar o reparo, ao invés de contratar o reparo (terceirizar). A decisão entre terceirizar ou não é conhecida como decisão

Make or Buy ?’;

• 2) aumento da capacidade de reparo da própria empresa se ela já possui capacidade de reparo; e

• 3) diminuição dos tempos administrativos do TAT.

A decisão entre terceirizar ou se capacitar para realizar o reparo não é uma tarefa fácil, e, “Devido à variedade de decisões e à grande gama de fatores levadas em consideração, muito poucas companhias usam procedimentos formais para a decisão sobre terceirizar ou não”. (LAIOS; MOSCHURIS, 1997)

A variação do TAT em função da terceirização é mais evidente quando as empresas que estão capacitadas para realizar o reparo (terceirizadas) estão localizadas no exterior, o que torna os tempos administrativos maiores. Muitas vezes a única opção, que não a própria capacitação para realizar o reparo, é a terceirização com empresas no exterior.

Se, por um lado, a terceirização com uma empresa no exterior aumenta os tempos administrativos, isto é, transporte, alfândega, e autorização do DAC, relativos ao TAT, os tempos relativos aos reparos em si podem ser menores do que a própria empresa teria condições de alcançar pelos diversos fatores que envolvem a capacitação para realizar o reparo.

LAIOS e MOSCHURIS (1997)- desenvolveram um sistema que se utiliza de uma adaptação de um software como ferramenta a ser utilizada no processo de decisão

1 – melhor comunicação entre as funções envolvidas nos processos de decisões Make or Buy?;

2- aumento na precisão, devido à qualidade na avaliação dos fatores influenciando cada alternativa; e

3- maior confiabilidade, devido ao grande número de fatores levados em consideração sem negligenciar informações críticas.

HUMPHREYS, McIVOR e HUANG (2202) discutem um Sistema Baseado no Conhecimento Knowledge-Based System (KBS) projetado para ajudar as companhias na decisão de Make or Buy?. Segundo os autores “ avaliações preliminares indicam que o KBS pode auxiliar o pessoal de compras através de realimentação aos fornecedores, monitoramento dos fornecedores em relação aos Benchmarks de desempenho, melhorando a cooperação entre os membros multifuncionais do pessoal de compras e reduzindo o tempo envolvido na condução da avaliação do dilema Make or Buy?”.

O aumento da capacidade de reparo da empresa implica na redução de eventuais filas no processo de reparo e, portanto, na redução do tempo de reparo que é uma das etapas no TAT.

SLEPTCHENKO; HEIJDEN e HARTEN (2003) desenvolveram um método de otimização simultânea do nível de suprimento e da capacidade de reparo para aumentar a disponibilidade de sistemas. O método utiliza uma variação do modelo VARI-METRIC, descrito anteriormente, o qual é modificado para tratar o sistema de filas que é criado nas oficinas com bancadas multi-classes e multi funcionais.

Vários são os tempos administrativos que fazem parte do TAT. Em linhas gerais, pode-se dizer que o ciclo de reparo de um componente, cujo reparo é terceirizado para uma empresa no exterior, segue basicamente os passos da figura a seguir:

Componente falha

A manutenção de linha:

remove o componente da aeronave

encaminha componente para a base

A base :

Seleciona terceirizada

Obtém autorização da Receita Federal

Obtém autorização do DAC

Contrata empresa para transportar o componente

prepara documentação para solicitar reparo

Transporte para a terceirizada

Terceirizada:

Inspeciona o componente

testa componente para confirmar pane

Apresenta orçamento

Base aprova orçamento Terceirizada:

Repara o componente

Despacha o componente de volta após pagamento

Transporte para a base

Base: Liberação alfandegária Transporte para a estação de linha

Figura 2: Ciclo de Reparo de um Componente no Exterior

Para minimizar os tempos administrativos é importante conhecer cada um dos passos do ciclo. Por exemplo, para a autorização do DAC, tem-se o processo descrito a seguir.

O DAC, por meio da IAC 0007, requer que qualquer importação de produtos ou serviços aeronáuticos deve ter prévia autorização da Comissão de Coordenação do Transporte Aéreo –COTAC, que “é um Órgão anuente interligado diretamente ao Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX, e tem por competência apreciar, no âmbito do Departamento de Aviação Civil- DAC, sob os aspectos técnico-aeronáuticos e econômico-financeiros, os pedidos de importação e exportação de produtos aeronáuticos.” (BRASIL, 2001)

De acordo com a citada IAC, os pedidos para importação ou exportação seguem, dentro do DAC, o trâmite mostrado na figura 3.

Protocolo Geral COTAC Subdepartamento Técnico -STE Subdepartamento De Planejamento -SPL Subdepartamento De Infraestrutura COTAC Presidente da COTAC Liberação no SISCOMEX (no caso de importação)

Protocolo Geral Expedição de Oficio (no caso de exportação)

Figura 3: Trâmite de pedidos para importação/exportação no DAC Nota: atualmente o SPL se chama Subdepartamento de Serviços Aéreos

É também estabelecido um prazo de 48 horas para cada um dos setores (Divisões dentro dos Subdepartamentos) do DAC analisar os processos COTAC´s.

Em consulta realizada em diversos processos, verifica-se que um processo COTAC leva em média 15 dias para ser analisado. Uma forma de reduzir este tempo, que faz parte do TAT, é através da autorização prévia do DAC para o tipo de componente - Part Number que será objeto de reparo no exterior. Faz-se a aprovação prévia através de um processo conhecido como COTAC genérico. O COTAC genérico é um processo que envolve vários produtos e o que se pretende fazer com tais produtos (importação, exportação, manutenção no exterior, etc.) ao longo do ano. Os produtos são especificados genericamente, sem os respectivos números de séries. Ao longo do ano, quando efetivamente as pretensões forem se concretizando, são feitos COTAC´s específicos cujas aprovações levam em média um dia, pois as análises técnicas já haviam sido feitas anteriormente na aprovação do COTAC genérico.

Um outro aspecto que pode ser avaliado na redução dos tempos administrativos é o regime aduaneiro. Apesar de tratar somente de produtos destinados a fabricantes, Brito Junior (2004) analisou o impacto logístico de diferentes regimes aduaneiros no

abastecimento de itens aeronáuticos empregando modelo de transbordo multiproduto com custos fixos. Segundo Brito Junior (2004), o regime aduaneiro denominado RECOF Aeronáutico em comparação ao regime Drawback provê um “Processo de importação mais rápido (sempre canal verde) que proporciona a redução do ciclo aduaneiro de desembaraço de 5 dias para 6 horas e, conseqüentemente, a redução das despesas de armazenagem em zona aduaneira”.

Casagrande (2000) estudou o impacto to Turn Around Time no suprimento da Marinha Brasileira e desenvolveu “um modelo de simulação que representa o processo de reparo de um grupo de componentes críticos de helicópteros que mede os respectivos TATs”. O modelo desenvolvido por Casagrande (2000) foi baseado no Software chamado ARENA e pode ser usado para simular como cada etapa do processo de reparo afeta o TAT.