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2. Componentes e Tecnologias

2.4 Tutoria e actividade de mentor

Se os materiais didácticos da aprendizagem à distância fossem perfeitos e se os alunos tivessem competências suficientemente desenvolvidas, não haveria necessidade de tutorias. E, não obstante as imperfeições dos materiais didácticos, muitos alunos têm êxito sem a ajuda de tutores. No entanto, para outros, não existe alternativa senão recorrer ao serviço de tutoria. Geralmente, os alunos demonstram interesse em serem apoiados. Mesmo quando os materiais

tutoria eficiente está subjacente a ideia de dar respostas às necessidades dos alunos (Race, 1994).

A tutoria é uma componente típica de acções de ensino à distância em que a comunicação é bidireccional. Reconhecer este fato não significa, no entanto, admitir a existência de uma concepção universal de tutoria, ou seja, que se aplique a qualquer situação. Assim, como o próprio ensino à distância, a tutoria assume diferentes formas, dependendo da situação em que deve inserir-se, objectivos que pretende alcançar, público-alvo e condições pré-estabelecidas para a sua concretização. Pode ser presencial ou "a distância", oferecida diariamente ou em dias alternados, durante todo o dia ou em períodos pré-fixados.

A actividade de tutor, independentemente de ser presencial, por telefone, fax, correspondência ou outros meios de comunicação, é concebida para permitir a interacção entre alunos e tutor, com objectivos pedagógicos e não só.

A tutoria presencial nem sempre é percebida ou desenvolvida segundo o papel que lhe cabe no processo de ensino-aprendizagem, devido, provavelmente, à forte influência exercida pela experiência com o ensino presencial, por parte dos docentes, ou ainda por desconhecimento do papel do tutor por parte dos alunos e do próprio professor.

De facto, parece que uma das heranças deixadas pelo ensino presencial leva a pensar que só se pode aprender se houver material impresso e alguém se dispuser a dar aulas, ou seja, se alguém explicar e desenvolver os conteúdos a serem aprendidos.

No quadro do ensino à distância, a aprendizagem ocorre de um modo diferente. Espera-se e criam-se condições para que o aluno perceba que, com material didáctico e orientações adequadas, pode e deve, construir a própria aprendizagem de forma autónoma. A experiência tem demonstrado que isso não só é possível, como tem reflexos positivos nos alunos, os quais, depois de terem experimentado o ensino à distância, passam a ser mais participativos em situações de ensino presencial.

A tutoria representa, para os docentes do ensino presencial, um enriquecimento do seu próprio papel, facto que eles só reconhecem após ter experimentado a nova situação.

A actividade do mentor é vista por alguns autores como algo importante, no sentido de apoiar os alunos, encorajá-los e ajudá-los a manterem-se motivados e a ultrapassarem os obstáculos. A interacção entre mentor e tutor é importante, nomeadamente, no sentido de o mentor garantir um suporte prático no local de trabalho ou explicar aos alunos as expectativas por parte dos orientadores e da instituição. Os mentores podem relacionar-se com os tutores, para discutirem fontes de informação ou ajudas complementares, quando os alunos estão a ter problemas com

determinado tópico do programa e, se uma tarefa proposta pelo tutor se encontra atrasada por uma razão legítima, o mentor pode negociar o adiamento. No entanto, estes contactos devem ser do conhecimento e ter o acordo dos alunos.

Tendo em consideração que é difícil os tutores desenvolverem todas as actividades pedagógicas desejáveis, os mentores poderão ajudar os alunos realizando as seguintes actividades: estar disponível para conversarem via Internet (chat), presencialmente ou por telefone; mostrar-se amável, optimista e disponível; ajudar os alunos a sentirem-se bem relativamente ao nível de progresso atingido; ajudar os alunos a cumprir prazos e a desenvolver actividades que estiveram temporariamente suspensas; indicar pessoas que possam apoiar em casos de indisponibilidade do mentor; ajudar os alunos na planificação das suas actividades e dar-lhes feedback informal acerca do trabalho realizado.

Apesar de o retorno dos mentores ser informal, concede uma primeira reacção pertinente para o trabalho dos alunos. Os mentores podem, também, ajudar os alunos a aproveitarem, ao máximo, o retorno e os conselhos do tutor, por exemplo, encorajando-os a elaborar listas das questões que gostariam que fossem respondidas por um especialista.

Há, no entanto, diferentes formas de incorporar as actividades de mentor nos mecanismos de apoio aos alunos. As mais adequadas dependem da natureza do programa de aprendizagem e dos perfis dos mentores e dos alunos.

A frequência e duração dos encontros é, normalmente, acordada entre os mentores e os alunos. Este tipo de actividade é importante para aqueles que desejam obter informações. Os mentores podem tornar-se mais eficientes se fizerem a planificação das questões abordadas durante os encontros e o respectivo acompanhamento. É importante gravar os encontros e fazer um pequeno sumário dos temas discutidos, actividades acordadas e prazos para as fases seguintes. Mentor de "corredor" é um termo utilizado para descrever o tipo de encontro informal que ocorre em lugares como corredores, gabinetes e cantinas. Este tipo de encontros realiza-se onde alunos e mentores podem encontrar-se frequentemente. No entanto, mesmo tendo encontros ocasionais frequentes, é importante que os mentores e os alunos planifiquem encontros formais para discussão dos assuntos que vão surgindo.

A actividade de mentor mútuo ocorre quando os alunos se auxiliam mutuamente ou em pequenos grupos. Consiste em dois ou mais alunos se encontrarem para discussão de questões que afectam algum componente do grupo. Os alunos podem não estar a estudar os mesmos tópicos ou programas mas podem ajudar o colega encorajando-o e apoiando-o. Não existe a necessidade de presença física; o apoio pode ser dado por exemplo, por telefone ou e-mail.

Quando a actividade de mentor passa a ser uma componente formal dos programas de aprendizagem, torna-se necessária a existência de um grupo de mentores qualificados. Para o efeito, é necessário promover um ou dois workshops de formação, visando, por um lado, a capacitação e, por outro, a consciencializacão por parte dos mentores das suas competências. Nestes workshops podem simular-se cenários em que os alunos têm necessidade específica de apoio e os participantes devem desenvolver respostas para esses problemas.

Quando se inicia um programa de aprendizagem à distância, é normal alunos e mentores sentirem-se inseguros acerca da forma como a actividade de mentor pode melhor ser desenvolvida. Neste caso, parece ser pertinente estabelecer um acordo informal de aprendizagem. O acordo deve incluir o que cada um espera do outro e o que se deve fazer para responder a essas expectativas. É também importante que o acordo de aprendizagem inclua uma lista actualizável de resultados esperados e os prazos para alcançá-los. Alguns acordos são denominados de contratos de aprendizagem mas, esse termo pode ser demasiado formal para um processo que envolve apoios informais e flexíveis.