TÓPICO 2 – ENSINO DE VOCABULÁRIO
4.5 UNIDADES FRASEOLÓGICAS (UF)
4.5.2 UFs e o ensino de l2
Segundo Mattes e Theobald (2008, p. 9), observa-se que dissociar cultura de ensino de língua certamente debilita o processo de ensino, pois é o conhecimento de aspectos culturais da língua meta que torna possível chegar ao sentido de determinadas expressões. Soler e Rodriguez (2009) afirmam também que
todos tenemos en común universales humanos (escenarios, frames), que, sin embargo, vienen matizados por cada cultura, de manera que poseen valores específicos y diferenciados. Así, las sociedades poseen sus propias visiones del mundo, actitudes y conductas sobre diversos temas y
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Por sua vez, Ortiz Alvarez (2002, p. 5) afirma que “ao relacionar a cultura nativa e a cultura-alvo, promovem-se contatos e confrontos, por meio da análise de valores, da interpretação e da recepção de significados desses valores, o que desenvolve a capacidade de avaliar essa nova cultura, tentando-se aproximar e inserir nela”.
A fala de Ortiz Alvarez é reforçada por Rakotojoelimaria (2004), que na introdução de sua tese de doutorado, afirma que os aprendizes de língua estrangeira que almejam adquirir e aprimorar sua competência linguística necessitam, não apenas compreender, mas também fazer uso das Expressões Idiomáticas (Eis) em sua produção. A compreensão e o uso de unidades fraseológicas, portanto, constituem uma obrigação para a aquisição da competência linguística. Para Xatara (2001, p. 50), uma maneira de se aperfeiçoar os resultados do processo de ensino e aprendizagem do léxico seria apresentar aos alunos temáticas diferenciadas, uma delas poderia ser as expressões idiomáticas.
Pode-se dizer que aprender LE implica o desenvolvimento social do indivíduo, ampliando sua visão de cidadania, uma vez que conhecendo aspectos culturais do outro, perceberá melhor e valorizará a sua cultura (DELGADO, 2004). Língua e cultura estão amplamente vinculadas e afetam o comportamento das sociedades, assim como o comportamento da sociedade interfere em aspectos das línguas e das culturas. E, por ser a aula de LE uma via de acesso a outras culturas, a ausência das UFs em sala nos parece um fator negativo. Xatara (2001, p. 58) afirma ser de suma importância expor os alunos de LE a EI pois,
[...] elas são parte da sabedoria popular, expressam sentimentos, emoções, sutilezas de pensamentos dos falantes nativos, e serão de grande uso para os aprendizes. Traduzir e compreender uma EI, encontrar o seu equivalente em uma língua ou até mesmo explicá-la, ajudam os usuários a ultrapassarem os conhecimentos simplesmente veiculados nos textos e levam-nos a penetrar nas verdadeiras raízes da cultura popular.
Durão (1999) afirma também que ao ter contato com as UFs o aluno se apropria de certos aspectos culturais da língua que está aprendendo e assim amplia sua compreensão acerca de certas atitudes dos falantes da língua em questão. Porém, Penadés Martínez (1999) destaca que podem surgir algumas dificuldades no processo de ensino-aprendizagem de Els em LE, fato também mencionado por Xatara (2001), que afirma que além de conhecer a gramática e o léxico da língua meta, os aprendizes precisam também memorizar um elevado número destas expressões de significado conotativo e metafórico, e saber adequá-las a diferentes situações. A problemática da diversidade cultural é tão forte que, segundo Silva (2003), alguns autores chegam a afirmar que é impossível que o aluno adquira as EIs por completo, justamente em virtude do fator cultural. Segundo Xatara (2001), as EIs são parte da sabedoria popular, e representam sentimentos, emoções e ideias dos falantes nativos de uma língua, por essa razão, demoram muito mais tempo para serem interiorizadas, se comparadas às outras estruturas da língua
TÓPICO 2 | ENSINO DE VOCABULÁRIO objeto de estudo. Ruiz Gurillo (1997) acredita que as expressões idiomáticas só devem ser ensinadas a alunos que tenham alcançado um nível de conhecimento intermediário ou avançado do idioma, pois, aos iniciantes, falta o domínio de esquemas culturais, históricos e religiosos que permitiriam e facilitariam a apreensão dessas EIs. Em contrapartida, Durão e Rocha (2005) afirmam que os alunos de LE deveriam ser expostos às EIs desde os primeiros contatos com a LE, pois desta forma vão assimilando seu uso. Pensamos desta forma e acrescentamos o fato de que é importante apresentar aos iniciantes, devido ao seu ainda escasso conhecimento na cultura do outro, ELs mais simples e de sentido literal. Penadés Martínez (1999) sustenta que nessa fase de apresentação é interessante que o professor proporcione ao aluno, sempre que possível, indicações sobre o registro e sobre o contexto de uso das EIs, falando da origem, dando exemplos etc.
5 O QUE SIGNIFICA CONHECER UMA PALAVRA?
Segundo Nation (1990), conhecer efetivamente uma palavra envolve o conhecimento receptivo e produtivo concomitantemente. Segundo esse autor, no processo receptivo o aprendiz deve ser capaz de reconhecer a palavra quando a vê ou ouve, associando-a ao contexto em que pode aparecer (tanto em relação ao uso gramatical da palavra, quanto semântico em contextos diferenciados). Por outro lado, no processo produtivo, além dos saberes receptivos, o aprendiz deve saber também a escrita, a pronúncia e a forma de uso em contexto. No entanto, é preciso ter claro que mensurar a capacidade de produção de um aprendiz pelo uso ou não de determinado vocabulário não é assim tão simples. Hatch e Brown (1995) ressaltam o fato de que a escolha individual do aluno pode ter diferentes explicações que não o desconhecimento de outras palavras.
6 O DICIONÁRIO COMO ESTRATÉGIA DE APRENDIZAGEM
Durante muito tempo o professor foi o centro das atenções no processo de ensino, sendo considerado o detentor e aquele que repassava o conhecimento. No entanto, nos últimos anos essa crença tem dado lugar à consciência da relevância do papel do aluno nesse processo de construção do saber (RILEY, 1997). Sendo um sujeito ativo, o aprendiz passa a ser autônomo, e, segundo Nation (1990, p. 174, tradução nossa), as “estratégias que os aprendizes possam usar de maneira independente do professor constituem o modo mais eficaz de aprendizagem de vocabulário”. Oxford (1990, p. 8) define estratégias de aprendizagem como “ações específicas do aprendiz para tornar a aprendizagem mais fácil, mais rápida, mais prazerosa, mais autodirecionada, mais efetiva e mais facilmente aplicável a situações novas”.UNIDADE 3 | PROCESSOS DE ENSINO E AVALIAÇÃO
Segundo Oxford (1990), o termo “estratégia de aprendizagem” tem sido utilizado para se referir a ações específicas do aprendiz para facilitar a aprendizagem, tornando-a mais rápida, mais efetiva etc.
Caso tenha interesse em aprofundar-se mais em temas como autonomia do aluno, pode pesquisar por autores como Cohen (1998) e Oxford (1990).
UNI
Uma das estratégias apontadas para a aprendizagem eficiente e autônoma de vocabulário é a consulta ao dicionário (KNIGHT, 1994; GONZALEZ, 1999).
Por sua vez, Schmitt (1997) constatou em seu estudo com 687 alunos de diversas nacionalidades, sobre estratégias utilizadas na aprendizagem de vocabulário em LE, que, das 49 estratégias apontadas, o uso do dicionário bilíngue ficou em primeiro lugar com 93,0%. Segundo Krieger (2007, p. 236):
Embora os dicionários de língua não possam ser classificados como livros didáticos stricto sensu, seu potencial pedagógico é indubitável, pois ajudam o aluno a ler, a escrever, a expressar-se bem, oferecendo- lhe informações sistematizadas sobre o léxico, seus usos e sentidos, bem como sobre o componente gramatical das unidades que o integram.
Krieger (2003, p. 71) afirma também que “apesar de ser utilizado para verificar questões gramaticais, ortográficas, de significado das palavras, o dicionário também é um grande aliado no aprendizado do uso e do funcionamento comunicativo geral da língua”.
No entanto, “apesar do reconhecimento unânime de suas funções didáticas, este tipo de obra é ainda um objeto bastante desconhecido e mesmo pouco explorado no ensino da língua materna” (KRIEGER, 2004/2005, p. 102) e, agregamos, de línguas estrangeiras.
Nossa experiência em sala de aula nos mostra que a maioria dos aprendizes de línguas tem um dicionário, especialmente o bilíngue, ou acessa frequentemente os dicionários on-line. Tal fato indica a relevância dada ao vocabulário e ao uso do dicionário pelos alunos, o que é reforçado por pesquisas como as de Gonzalez (1999); Knight (1994); Luppescu e Day (1993), entre outros. Para Gonzalez (1999, p. 269), “a consulta ao dicionário é o passo inicial na aprendizagem de uma palavra”.
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