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ULRICO ZWINGLIO (1484-1531)E MARTINHO LUTERO (1483-1556)

UlricoZwinglionasceu 50 dias depois de Lutero. Foi entregue desde a infância aos cuidados de um tio padre para a preparação nos estudos. Cursou as universidades de Viena (Áustria) e Basiléia (Suíça). Dedicou-se aos estudos de Filosofia e dos clássicos, tornou-se mestre no grego e iniciou estudos profundos na Bíblia. “Recebeu educação principalmente dos mestres humanistas, homens que representavam a flor do pensamento revolucionário da Renascença” (NICHOLS, 1985, p. 161).

Foi consagrado padre, mas vivia amasiado como era costume dos sacerdotes da época. Quando deixou o romanismo se casou. “Em 1519, por causa de sua fama sempre crescente como pregador notável, foi Zwinglio chamado à importante cidade de Zurique” (NICHOLS, 1985, p. 161). Nesta cidade fazia protestos contra as indulgências,possuía grandes auditórios e expunha a Bíblia, livro por livro.Combatia a superstição, a hipocrisia, a preguiça e a embriaguez.

Em 1521, levou o Conselho de Zurique a considerar a Bíblia como o único fundamento para a pregação. Entre os pontos de destaque de sua reforma na Suíça estão:o direito de pregar independentemente de autorização eclesiástica; Cristo como o único caminho de bem-aventurança e o único cabeça da Igreja;o evangelho sendopregado em toda parte, e os homens, levados ao conhecimento de Cristo, sendo ensinados a não confiarem em doutrinas e ordenanças humanas;a missa não tendoo caráter de sacrifício, pois Cristo foi crucificado uma vez para sempre pelos pecados dos crentes; a Igreja universal e invisível como constituída de toda a companhia dos eleitos;a rejeição da mediação dos santos e padres; a declaração de que o celibato do clero é um grande mal (GONZALES, 1989, p. 90-101).Zwingliodefendia as Escrituras contra a tradição, defendia o sacerdócio universal dos crentes, a salvação pela graça e a existência futura com céu e inferno. Faleceu em 1531, em uma batalha contra os católicos romanos.

Martinho Lutero (1483-1556) era filho de João Lutero e Margarida Lindeman. Seu pai orava de joelhos junto ao seu leito pedindo a Deus que seu filho se lembrasse das cousas celestiais e propagasse o evangelho. Seus pais eram severos e lhe foi imposta austeridade excessiva durante a infância. Em 1505, pouco antes de completar 22 anos de idade, ingressou no mosteiro dos agostinianos. Dias antes, quando se achava em meio de uma tempestade, sentiu sobremaneira o temor da morte e do inferno, e prometeu a

Santa Ana que se tornaria um monge. Algum tempo depois, ele mesmo diria que os rigores do seu lar o levaram ao mosteiro. Por outro lado, seu pai havia decidido que seu filho se tornasse um advogado e fazia grandes esforços para lhe dar uma educação adequada a essa carreira. Mostrou-se irado ao receber noticias do ingresso de Martinho no mosteiro e demorou muito a perdoá-lo (GONZALES, 1989, p. 45-47).

No entanto, a principal razão que o levou ao mosteiro foi o interesse pela salvação. Lutero tinha um sentimento profundo de sua própria pecaminosidade, castigava seu corpo, segundo lhe ensinaram os grandes mestres. Passou a fazer mendicância, penitência, orações e jejuns em busca de perdão e salvação. Mesmo tendo uma vida exemplar de piedade, sua alma ardia com sentimento de pecado. Certo historiador relata o seguinte:

Para livrar seu pai do purgatório, subiu de joelhos a escada da Santa Sé, a escadaria que se diz ter sido trazida da casa de Pilatos; repetindo em cada degrau o Pai Nosso. Ao chegar ao topo surgiu-lhe uma pergunta: Quem sabe se tudo isso é verdade (NICHOLS, 1985, p. 161).

No mosteiro, passou a ler a Bíblia e a obra de Bernardo de Claraval, com o apoio de Staupitz (superior e inspetor da Ordem dos Agostinianos), que era amigo de Frederico, o Eleitor da Saxônia e fundador da Universidade de Witemberg.Em 1507, é ordenado padre, em 1508, vai lecionar em Witemberg, em 1512, torna-se doutor em Teologia e, neste mesmo ano fez a grande descoberta através do estudo do livro de Romanos, de que “O justo viverá pela fé”, perdendo assim o medo de Deus e da morte. De 1513 a 1515, deu aulas sobre os Salmos; de 1515 a 1517, sobre Romanos e, depois, Gálatas e Hebreus.

Lutero chegou a ser líder da ordem a que estava filiado, sendo ,inclusive enviado a Roma para representá-la; teve muitas desilusões e voltou revoltado. Em 1517, chegou a Wittenberg um homem chamado Tetzel, enviado pelo arcebispo para venderindulgências emitidas pelo Papa. De toda parte, muitas pessoas vieram comprá- las. As indulgênciasofereciam a diminuição das penas no purgatório, a multidão, porém, acreditava que com elas obteriam o perdão dos pecados. Tetzel afirmava que o arrependimento não era necessário para quem comprasse uma indulgência, que por si mesma era capaz de dar perdão completo de todo pecado. O vendedor afirmava que a indulgência que vendia deixava o pecador “mais limpo do que Adão antes da queda”; dizia ainda que “tão pronto a moeda caísse no cofre, a alma saia do purgatório”.

Afirmo que, mesmo que a Igreja cristã decidisse e declarasse hoje que a indulgência elimina mais do que as obras de satisfação, ainda assim seria mil vezes melhor que cristão algum comprasse ou desejasse a indulgência mas preferivelmente praticasse as obras e sofresse a pena. [...] Incorre em grave erro quem pretende fazer satisfação por seus pecados, pois Deus os perdoa a toda hora grátis, por graça inestimável, e nada deseja em troca [...]. Agiria de maneira mais segura e melhor quem desse algo para o edifício de São Pedro, [...] por puro amor de Deus, ao invés de aceitar indulgência em troca e muito melhor é a borá feita em beneficio de um necessitado do que dar para a dita construção (LUTERO, 1987, p. 33).

A venda das indulgências o impeliu a fazer suas 95 teses, que sustentavam, particularmente, que a igreja não podia oferecer perdão de pecados, tampouco, alterar a situação no purgatório, mas somente Deus poderia fazê-lo. Vinham estudantes de todas as partes para ouvi-lo e o número de seus ouvintes se multiplicava. A partir da formulação de suas 95 teses, ele teve sérias oposições na Igreja, mas os príncipes o livraram de ser julgado em Roma, onde seria morto (LUTERO, 1987, p. 22-29).

Lutero foi excomungado em agosto de 1520 pelo Papa Leão X (NICHOLS, 1985, p. 151) transcreve as palavras de Lutero diante da Dieta de Worms, em 1521, onde lhe foi exigido que se retratasse: “Não posso nem quero me retratar de cousa alguma, pois ir contra a minha consciência não é justo e nem seguro. Que Deus me ajude”.

A Reforma se alastrou por toda a Europa, enquanto a luta contra os turcos se desencadeava, além de haver desentendimento entre o imperador alemão e o papa. A partir da dieta de Spira, em 1529 os católicos romanos se fortaleceram e impediram a propaganda luterana e zwingliana. Nesta época, cunharam os adeptos do movimento da Reforma como “protestantes”. Em 1546, haveria severa perseguição aos protestantes que acabou cessando em 1555, na Paz de Augsburg.

JOÃO CALVINO (1509-1564)

O sistematizador da Reforma, João Calvino, nasceu em 10\07\1509, em Noyon, França. Seu pai, Gerard Calvin, era o advogado dos padres e secretário do bispo. Sua mãe Jeane, Le Franc, filha de um rico hoteleiro, morrera quando João Calvino tinha 03

anos. Estudou nos melhores colégios da época. Em 1529, obteve o título de Mestre em Artes pela Universidade de Paris. Foi licenciado em Direito, em 1531, estando nas universidades de Orleans (1528-1529) e Bourges (1529-1531) onde recebeu influências do Luteranismo. Formou-se também em Teologia e Letras em Paris (HALSEMA, 1959, p. 5-35).

Em 1532, publicou o comentário ao livro de Sêneca, De Clementia, de que enviou um exemplar ao Douto Erasmo, residente na Basiléia, que também havia popularizado as obras do filósofo estóico. “A obra de puro humanismo, elaborada aos vinte e dois anos na qual revela o jovem escritor perícia no grego e latim, bem bom, habilidades exegéticas e são raciocínio” (LESSA, 1934, p. 41).

Em 1534, é obrigado a fugir de Paris por causa de discurso feito pelo Reitor da Universidade, Nicholas Cop, que diziam ter sido escrito por ele. Neste mesmo ano,visitou o professor Lefevre, um erudito que publicou a tradução latina das epístolas de Paulo, juntamente com um comentário, e, posteriormente, o novo Testamento para o francês. O velho mestre estava com 100 anos e tinha sido o primeiro líder da Reforma francesa. Neste mesmo ano, o reformador renuncia seus benefícios eclesiásticos que seu pai havia conseguido, e que era sua principal fonte de sustento (LESSA, 1934, p. 46).

Em 1536, concluiu as “Institutas da Religião Cristã”, uma defesa da causa protestante, dedicada ao Rei Francisco I (1494-1547). Francisco foi, inicialmente, um amigo da Renascença, e mostrou-se, a princípio, favorável à Reforma, que considerava uma luta da inteligência contra a ignorância. Mostrou-se, posteriormente, vacilante em relação ao movimento religioso; ora aliava-se aos príncipes protestantes objetivando enfraquecer o imperador, ora os perseguia para fortalecer a aliança com o Papa.

No ano de 1534, Francisco I tornou-se, decididamente adversário do movimento reformado. No dia 18 de outubro de 1534, os moradores de Paris amanheceram com vários cartazes afixados nos muros, nas portas das casas e nas igrejas com palavras de ordem atribuídas a Farel, o que resultou em severas perseguições aos protestantes. Sinistras “fogueiras se acenderam e as prisões regurgitaram” (LESSA, 1934, p. 50).

Enquanto isso, Calvino estava na Basiléia, cidade de refúgio, cidade de humanistas, onde produziu sua“Instituição da Religião Cristã”, concluída em 1535 e impressa em março de 1536, a qual consiste numa exposição dos principais fundamentos do Cristianismo. As Institutas são precedidas de uma epístola dedicatória a Francisco I, rei da França.

A primeira edição, em latim, tinha seis capítulos. A segunda edição apareceu em 1539, em Strasburgoe é arranjada de modo mais sistemático, sendo os seis capítulos subdivididos em dezessete. A terceira edição é de 1543, e foi seguida de várias edições.

Em 1541, veio a primeira edição francesa; em 1557, a italiana; em 1561, a inglesa; em 1597, a alemão e a espanhola. A edição latina definitiva do autor é de 1559, quatro a cinco vezes maior que a primitiva, e dividida em quatro livros (LESSA, 1934, p. 55).

Em viagem para StrarsburgoCalvino passou por Genebra. Ao saber da presença do grande teólogo em Genebra, Guilherme Farel, o líder religioso da cidade, o convidoupara que ficasse em Genebra e liderasse, naquela cidade, o movimento de Reforma. Calvino, porém, manifestou sua vontade de ir para Strasburgo.Farel , então dizendo que Deus o amaldiçoaria caso não ficasse. Calvino acabou ficando, assumindo a direção e liderando uma grande reforma em Genebra, mas o povo não estava preparado e Calvino teve que sair da cidade, indo para Strasburgo, onde ficou 03 anos e pastoreou refugiados franceses. Casou-se com Idelette de Bure, viúva de um anabatista. Seu único filho morreu ainda criança e, em 1549, Idelette também faleceu.

Em 1541, voltou a Genebra a convite da liderança da cidade. Nesta oportunidade assumiu a liderança com todo o apoio, estabelecendo e reformulando muita coisa. Restabeleceu a disciplina na cidade; criou a academia para a formação de pastores e funcionários para o governo civil; criou o consistório formado por deputados ou presbíteros; designou diáconos para o trabalho de ação social.

Calvino fazia sermões expositivos versículo por versículo, e ficava até altas horas da noite estudando a Bíblia, escrevendo comentários, estudos bíblicos e cartas. Faleceu em 25/05/1564, de enfermidades que o acompanharam em boa parte de sua vida.

A importância de Calvino para o interesse deste trabalho consiste em dois pontos principais: a questão teológica e a educacional.