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PATENTEABILIDADE DE MEDICAMENTOS

5. UM BREVE BALANÇO DO PÓS-TRIPS

A repercussão das regras do TRIPS sobre os preços dos fármacos adquiridos pelos Estados afeta o acesso dos doentes aos medicamentos, o que inevitavelmente constitui a violação do direito fundamental à saúde e à vida, uma vez que faz nascer direitos de exclusividade para as empresas farmacêuticas, favorecendo o aumento de preços dos medicamentos comprados pelos Estados.

Por essa razão, em 2001 os países em desenvolvimento adotaram a Declaração Doha sobre o Acordo TRIPS e a Saúde Pública, como forma de exibir estas preocupações. Embora esta não tivesse alterado o TRIPS, serviu para implantar nos Estados-membros, todas as flexibilidades que constavam do TRIPS, relacionadas com a proteção da saúde pública e além do mais, fortalecer a liberdade para a incorporação de outras flexibilidades de interesse nacional para a saúde56.

Desse modo, e diante da urgência do tema, emergia uma cooperação internacional57

em que as ações dos Governos pós-TRIPS no campo do direito à saúde, deveriam, pois, estar alinhada não somente com os princípios da Declaração de Doha58, mas também com a

55 Estima-se que estas políticas tenham poupado ao Brasil, cerca de US$ 1,2 biliões no custo de aquisição de

antirretrovirais entre 2001 e 2005. Cfr. esta informação e outras também relevantes sobre este caso em http://ictsd.org/i/news/12456/

56 “The recent Doha Declaration on TRIPS and Public Health is a good example of such a possible coherent reading of WTO provisions on taking into account potentially relevant human rights law.” Cfr. Gabrielle Marceau,

WTO Dispute Settlement and Human Rights, European Journal of International Law, 13 (2002), pp. 753. Disponível em http://ejil.oxfordjournals.org/content/13/4/753.full.pdf . Acesso em 24 de maio de 2017.

57 Indiscutível que o direito à saúde surge em estreita conexão com o princípio da dignidade humana, com o direito

à vida e à integridade física e por isto, é um direito fundamental positivado nas Constituições dos Estados Democráticos de Direito e não menos certo que a sua real efetivação está intrinsecamente ligada, não apenas à vontade política do legislador, mas também às disponibilidades financeiras ou materiais, que por sua vez dependem de fatores que os Estados, no plano interno, não dominam. Neste sentido, Cfr. SUZANA (2015: 222). A autora vem entendendo que a reconstrução dos direitos sociais requer pensar muito além da função garantística do Estado, mas além, num modelo de Estado ajustado a economia de mercado e de “regulação em rede” e a “cooperação

internacional”.

58 A agenda de Doha para o desenvolvimento teve como principal preocupação, a saúde pública, a segurança

alimentar, ambiental, a garantia de transferência de tecnologia para os países mais pobres, a eliminação das restrições ao comércio e à concorrência nestes países, o crescimento económico sustentado, a eliminação das barreiras pautais e outros obstáculos aos produtos originários dos países menos desenvolvidos, a eliminação da burocracia, a não exigência de reciprocidade com os países pobres. Cfr. a respeito, WTO, Doha Declarations;

Declaração Política sobre HIV/SIDA de 10 de Junho de 2011, adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas59 e com a Estratégia Global e Plano de Ação sobre Saúde Pública, Inovação e Propriedade Intelectual, da Assembleia Mundial de Saúde, de 2008.60

Acontece que a referida proteção à propriedade intelectual pode de alguma maneira explicar a busca contínua do bilateralismo no mundo pós-TRIPS, pelos países desenvolvidos, especialmente por aqueles que têm indústrias farmacêuticas e biotecnológicas significativas, como os Estados Unidos e alguns da União Européia.

Com efeito, diante do crescimento de registros de patentes internacionais pelos países em desenvolvimento (61)(62), como o Brasil e a Índia e principalmente depois da adoção da

Declaraçao de Doha em 2001, os EUA começaram a negociar vários acordos de livre comércio com alguns países em desenvolvimento (mas também desenvolvidos) que incluem capítulos onde claramente se restringem as flexibilidades permitidas ao abrigo do TRIPS na regulação de produtos farmacêuticos.63

Inicialmente seria possível pensar que o bilateralismo, estratégia que os Estados

59 Vide o conteúdo desta Declaração que impõe aos Estados-membros da ONU, as suas diretrizes e programas em www.onu.org.br. Contudo é precisamente em Doha, que se adopta uma Declaração sobre a relação do TRIPS com

a saúde pública. Aí se estabelece que este Acordo em nada impede que os países membros adotem medi-das para proteger a saúde pública. Nestes termos, este instrumento reconhece que o Acordo TRIPS admite flexibilidade suficiente para os países adoptarem licenças obrigatórias, definirem situações de emergência, como nos casos de SIDA, tuberculose, malária e outras epidemias, e a liberdade de consentirem importações paralelas. O Conselho TRIPS é incumbido de encontrar mecanismos para resolver a situação dos países que não detenham indústria farmacêutica ou que esta seja insuficiente (esta preocupação advém do artigo 31.º/f, que supõe o contrário). Por fim, a Declaração, torna extensivo até 2016, o prazo para os países menos desenvolvidos implementarem as disposições do TRIPS, em relação às patentes de produtos farmacêuticos.

60 Cfr. o já referido site da OMC, www.wto.org/ .

61 Como bem nota Susy Frankel, no seu paper intitulado, Challenging TRIPS-Plus Agreements: The Potential Utility of Non-Violation Disputes, Victoria University Of Wellington Legal Research Papers, Vol. 2, n.º 9, 2012,

pp. 3 e ss, estes acordos são, na maioria das vezes exercidos sob coação, quanto mais não seja porque são feitos entre partes que possuem uma grande desigualdade e diverso poder económico. Os EUA e a União Europeia são normalmente as partes que “dão as cartas” neste tipo de negociações, impondo os seus interesses aos países menos desenvolvidos em troca de concessões, muitas vezes, altamente protetoras dos grandes monopólios industriais. Disponível em http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1528329 . Acesso em 22 de maio de 2017. 62 As negociações de acesso à OMC são um exemplo da situação na qual os países em desenvolvimento se viram

obrigados a aceitar regras TRIPS PLUS. O Cambodja, por exemplo, que é membro da OMC desde 2004, foi obrigado a renunciar à prorrogação do prazo de aplicação do Acordo TRIPS até 2016, que a Declaração de Doha, concede a todos os países em desenvolvimento, sendo forçado a aceitar um prazo que se venceu em 2007. Embora os membros da OMC tenham declarado que não abririam um processo de resolução de controvérsias contra aquele país se ele recorresse ao prazo máximo, algumas dúvidas permanecem. Cfr. a respeito desta posição devem ler-se os seguintes Papers: Cambodia´s Accession To The WTO, How The Law of The Jungle is Applied to one of the

World Poo-rest Countries, 2003, Oxfam International; de Rebecca Povarchuk, Cambodia´s WTO Accession: A Strenuous but necessary step for a Poor Nation Seeking Economic Property, Pacific Rim Law & Policy Journal

Association, 2004, Disponível em https://digital.law.washington.edu/dspacelaw/bitstream/handle/1773.1/703/13PacRimLPolyJ645.pdf?sequence=1

105 Unidos usaram com êxito para pressionar os países em desenvolvimento, a concordarem com suas exigências sobre a propriedade intelectual antes do TRIPS, teria sido erradicado, mas não. Não só o bilateralismo continuou a crescer como se expandiu continuamente.64 Desde 2000, os Estados Unidos concluíram os Acordos de Livre Comércio (FTAs) (65) (66) bilaterais com Jordânia, Chile, Singapura, Austrália, Bahrein, Marrocos, El Salvador, Nicarágua, Honduras, Omã e Coréia. A União Européia também concluiu ou mostrou interesse em começar as negociações dos FTAs bilaterais com Asean67 [Associação das Nações do Sudeste Asiático], Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Índia, Coréia, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A Austrália, o Canadá, o Japão e a Nova Zelândia fizeram seus próprios FTAs com outros países.

A consequência óbvia para isto é de que fortalecer leis e mecanismos reguladores de propriedade intelectual favorece as indústrias farmacêuticas e de biotecnologia. Como bem explica Carlos Correa:

Esses novos acordos de livre comércio, negociados fora da Organização Mundial do Comércio, requerem altos níveis de proteção à propriedade intelectual mais para os medicamentos do que aqueles decretados pelo Acordo TRIPS, e em alguns casos vão além do que é requerido nos países em desenvolvimento que os promovem.68

E os resultados do bilateralism pós-TRIPS são gravídicos, como ainda aponta CORREA (2006: 399-404), pois os mecanismos de proteção à propriedade intelectual mais fortes requeridos por esses acordos bilaterais “reduz o acesso a medicamentos” e estão sujeitos à “opinião contrária de suas autoridades da saúde pública”.69

Trata-se de um paradoxo o fato de, apesar dessas desvantagens, o mundo em

64 “Durante 2006, mais de 100 países em desenvolvimento se engajaram em mais de 67 negociações comerciais bilaterais ou regionais, e assinaram mais de 60 tratados bilaterais de investimentos. Mais de 250 acordos comerciais regionais e bilaterais agora regulam mais de 30% do comércio mundial, enquanto uma média de dois tratados bilaterais de investimento por ano foram realizados nos últimos dez anos.” Oxfam Briefing Paper, Signing

Away The Future, março de 2007, p. 5. Disponível em

https://www.oxfam.org/sites/www.oxfam.org/files/Signing%20Away%20the%20Future.pdf/ Acesso em 20 de

maio de 2017.

65 Cfr. Free Trade Agreements. (N.T.).

66 “(...) the interpretation approach used in FTAs is potentially of far-reaching effect. It can enhance the possibility of avoiding the seeming conflict be-tween TRIPS and FTAs. With development of Trade, the proliferation of FTAs will create more and more new rules after the establishment of WTO. The justification between TRIPS and TRIPS PLUS and the interpretation of the justification and TRIPS by FTAs will improve the establishment of TRIPS PLUS as well as promote the untangling of the evermore complicated ´spaghetti bowl´ of TRIPS PLUS.” Cfr: Susy

Frankel, no seu papper intitulado, Challenging TRIPS-Plus Agreements: The Potential Utility of Non-Violation

Disputes, Victoria University Of Wellington Legal Research Papers, Vol. 2, n.º 9, 2012, pp. 19-47, sobra a criação

de FTAs.

67 Cfr. Association of the South East Asian Nations. (N.T.) 68 Cfr. CORREA (2006:399-404).

desenvolvimento estar aceitando a agenda bilateral dos países desenvolvidos e isto tem um impacto imensurável e desastroso no acesso aos medicamentos,70 que implica investimentos avultadíssimos por parte dos Governos destes países.71

É claro que esse paradoxo tem uma explicação, pois mundo em desenvolvimento não é irracional nem indiferente ao impacto que proteções mais fortes à propriedade intelectual impõem sobre a saúde de suas populações. Se alguém procurar uma resposta, pode parecer que ela se encontra em suas expectativas, estimulados pelos países desenvolvidos, de que a longo prazo a aquiescência às suas exigências sobre a propriedade intelectual vão acelerar a transformação de suas economias em desenvolvimento para desenvolvidas.

No entanto, além disso, o que o TRIPS e o bilateralismo pós-TRIPS impõem aos países em desenvolvimento, são regimes internacionais que efetivamente os priva de sua capacidade de adaptá-los a seus propósitos e implementam políticas concernentes ao reconhecimento e ao cumprimento da propriedade intelectual.72

Prova que, as benesses concedidas pelo Acordo TRIPS em favor dos países em desenvolvimento, que lhes dá a possibilidade de importação de medicamentos genéricos, mediante o mecanismo das licenças compulsórias, a acrescer à capacidade de produção por alguns países de versões genéricas de medicamentos que entraram no mercado, antes da entrada em vigor do TRIPS, as doações feitas pelos Estados e por algumas empresas multinacionais, bem como as fortes pressões e iniciativas das Organizações Não Governamentais em favor do direito à saúde, ainda não são suficientes para resolver o problema do acesso aos medicamentos.

6. CONCLUSÃO

Não resta qualquer dúvida de que a garantia da saúde depende da obtenção de medicamentos, sendo este um instrumento e um direito. Um instrumento para assegurar o direito à vida e um corolário do direito humano à saúde, onde o seu consumo racional pode curar e reduzir as taxas de mortalidade e aumentar a qualidade de vida.

70 Cfr. a interessante informação constante no site da Organização Médicos Sem Fronteiras em

http://www.msf.org.br/conteudo/126/o-acordo-trips/ Acesso em 20 de maio de 2017. 71 Cfr. ob.já.cit: DUTFIELD (2013:144-152).

72 Como ensina WADE (2003:621e sgs):“As regras que estão sendo redigidas nos acordos multilaterais e bilaterais definitivamente impedem que os países em desenvolvimento busquem os tipos de políticas industriais e tecnológicas adotadas pelos países do Leste Asiático que se desenvolveram recentemente e pelos que se

107 É o Estado que deve providenciar que as políticas e programas de saúde garantam o acesso aos medicamentes existentes e que estes sejam disponibilizados em determinado território, em quantidades suficientes. Nesta matéria, as regras sobre as patentes dos medicamentos estão no centro da controvérsia e ao mesmo tempo, podem constituir a solução para o problema.

Outrossim, sabe-se que o desenvolvimento de um novo medicamento é um processo bastante complexo que envolve um grande investimento e um risco grande por parte das empresas farmacêuticas. De 10 mil substâncias ativas em investigação, apenas uma será desenvolvida e posteriormente comercializada. Apenas um em cada cinco medicamentos comercializados irão gerar receitas suficientes, antes de expirar a patente, para compensar a despesa realizada com a pesquisa.73

É inegável também que a proteção da propriedade intelectual é muito importante para a indústria farmacêutica. Sem a atribuição destes direitos não existe qualquer entrave a que terceiros explorem, sem custos, as invenções e que o TRIPS representa uma significativa expansão dos direitos da propriedade intelectual e, para além de em grande medida ter resultado da influência dos privados titulares daqueles direitos, compõe um fórum influente de exercício do poder privado.74

Além do mais, não se podem olvidar os objetivos que presidiram à sua criação e que motivam o seu progresso: - reduzir as distorções e os entraves ao comércio internacional; - promover uma proteção adequada e eficaz dos direitos de propriedade intelectual; - garantir que as medidas e processos destinados a assegurar a proteção efetiva daqueles direitos, não sejam eles próprios obstáculos ao legítimo comércio internacional, tenham, de certo modo, mobilizado a arena internacional na cooperação internacional ao acesso a medicamentos, a partir de uma governance75, como o modo pelo qual o conjunto de instituições políticas é tocado a agir na

intenção da gestão dos assuntos humanos.

Talvez, um bom e recente exemplo de governança sobre esteja ocorrendo no quadrante europeu, em que se verifica o “Projeto de conclusões do Conselho "Incentivar a cooperação

73 Cfr. a fonte: EFPIA, The Innovative Pharmaceutical Industry. A Key asset to the European Union, em

http://www.efpia.eu/content/default.asp?PageID=559&DocID=5347 . 74 Para maior aprofundamento Cfr. SELL (2003:7).

voluntária entre os sistemas de saúde, impulsionada pelos Estados-Membros"76, fruto de

estudos e resultados do pós-TRIPS, que tem por objetivo, assegurar o elevado nível de proteção a saúde, incentivar a cooperação entre os Estados-Membros no domínio da saúde pública.77

Mas, os avanços sobre o tema em nível mundial ainda estão resilientes e desalinhados, sendo evidente que a celebração do Acordo TRIPS ainda é uma vitória dos países mais desenvolvidos, entre os quais se destacam os E.U.A, o Japão, e alguns países da União Europeia, sendo por isso mesmo, encarado por alguns, como “um dos veículos do imperialismo de maior sucesso na história”.78

76 Disponível em: http://data.consilium.europa.eu/doc/document/ST-9519-2017-INIT/pt/pdf Acesso em 02 de

junho de 2017.

77 Ver também: Resolução do Parlamento Europeu, de 2 de março de 2017, sobre as opções da UE para melhorar o acesso aos medicamentos – 2016/2057(INI) e Diretiva 2011/24/UE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 9 de março de 2011, relativa ao exercício dos direitos dos doentes em matéria de cuidados de saúde transfronteiriços, artigo 3.º, alínea l), (JO L 88 de 4.4.2011, p. 45), disponíveis em http://www.consilium.europa.eu/en/home/

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111 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DAS ATIVIDADES DE TRANSFERÊNCIA DE

TECNOLOGIA NA UNIVERSIDADE BRASILEIRA: ESTUDO DE CASO DA UNVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG)

Prof. Vasco Azevedo DVM, M.Sc, Ph.D, Livre docente, Professor Titular, F.BAS (Fellow of the Brazilian Academy of Sciences). Head of the Department of General Biology. ORCID:http://orcid.org/0000-0002-4775-2280 Samuel Ayòbámi Akínrúlí

Mestrando

Resumo

Na maioria dos países emergentes do mundo, como é o caso do Brasil, as universidades produzem todos os anos uma quantidade significativa de invenções inovadoras e, para muitos estudos, elas podem constituir as melhores fontes de propriedade intelectual para as indústrias que, consequentemente, gerariam crescimento e desenvolvimento econômico. No entanto, para entender esse processo, torna-se necessário o questionamento sobre a colaboração entre a universidade-indústria, a transferência de tecnologia e o desempenho do escritório de transferência de tecnologia. Assim, analisando os dados disponíveis de uma das principais universidades brasileiras, o desempenho do escritório de transferência de tecnologia e inovação (TTO) é verificado usando um indicador métrico de desempenho geral específico para diagnosticar e fornecer uma visão abrangente do TTO da Universidade Federal de Minas Gerais especificamente em relação às patentes de medicamentos, bem como sua tendência em inovação tecnológica como meio de se indicar os fatores para um TTO bem-sucedido.

Palavras-chave: Propriedade intelectual; patente; desempenho; transferência de tecnologia; inovação na universidade.

PERFORMANCE EVALUATIONS OF TECHNOLOGY TRANSFER ACTIVITIES IN A BRAZILIAN RESEARCH UNIVERSITY: THE CASE STUDY OF UNVERSIDADE

FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG)

Abstract

In most emerging countries of the world as Brazil, Universities produce a significant amount of groundbreaking inventions every year and, to many studies, they may constitute the best sources of intellectual property to the industries which would consequently generate economic growth and development. However, to understand this process, a need to inquire into the university-Industry Collaboration, technology transfer and the technology transfer office