NA RESOLUÇÃO 1699 (XVI) tinha sido determinado o estabelecimento de um Comité Especial encarregue de examinar as informações disponíveis sobre as colónias portuguesas. Mandatado inicialmente a reportar as suas observações, conclusões e recomendações à AG ou a qualquer outro órgão encarregue da implementação da resolução 1514 (XV), o Comité Especial para os Territórios sob Administração Portuguesa acabaria por ter de transmitir o seu relatório ao Comité de Descolonização, ficando implicitamente na sua dependência. Em comparação com o Subcomité de Angola, com o qual torna-se inevitável o paralelismo, o órgão, conhecido como Comité dos Sete, teria uma composição desfavorável aos interesses portugueses. Os anticolonialistas, sem que nenhum país alinhado com o bloco ocidental tivesse manifestado interesse em participar nas suas actividades, estariam em maioria, permitindo neutralizar a atitude mais favorável assumida pelos latino-americanos765. Para a direcção do Comité seriam eleitos unicamente representantes afro-asiáticos, ficando Zenon Rossides (Chipre), como Presidente, Achkar Marof (Guiné) como Vice- Presidente e H.O. Wijegoonawardena (Ceilão) como relator.
Encarregue de examinar os territórios enumerados na resolução 1542 (XV), o Comité decidiria que São João Baptista de Ajudá e Goa não recairiam sob o seu mandato por terem deixado de estar submetidos à administração portuguesa766. Tendo
764 Cf. ANTT, AOS/CO/NE-30B-7, EUA, Relato da Conversa entre Franco Nogueira e o Embaixador dos
EUA, Elbrick, realizado em 13 de Fevereiro de 1962, p. 33-34
765 Cf. AHD, Fundo Gabinete dos Negócios Políticos do Ministério do Ultramar,
PT/AHD/MU/GM/GNP/RRI/0700/00573, Proc. GG-7-7, Organização das Nações Unidas – Comité dos Territórios Não Autónomos, Comité dos 7 – Comissão Especial para os Territórios sob Administração Portuguesa – Resolução 1699, Informação de Serviço da Missão de Portugal na ONU, elaborada por António Patrício e datada de 5 de Abril de 1962, p. 1
766 Cf. AHD, Fundo Gabinete dos Negócios Políticos do Ministério do Ultramar,
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havido o consenso que somente as restantes colónias seriam objecto de análise, a decisão resultaria num reconhecimento de facto da integração pela força767. Realizando a maioria das suas sessões à porta fechada (entre Março-Agosto), a principal preocupação do Comité seria a de reunir as fontes disponíveis, procurando encontrar as informações mais “actualizadas e autênticas” sobre as colónias portuguesas768. Criado no âmbito do Capítulo XI da Carta, que previa unicamente a transmissão de dados de natureza técnica e estatística sobre as condições económicas, sociais e educativas nos territórios não autónomos, o Comité privilegiaria no entanto a recolha de informações de carácter político. Documentos de enquadramento elaborados pelo Secretariado seriam distribuídos pelos membros, propondo-se que para a situação angolana fosse utilizado o relatório do Subcomité de Angola, com o qual haveria uma troca de correspondência destinada a evitar a sobreposição de funções769.
À semelhança do procedimento adoptado pelo Subcomité de Angola, seria determinado, como primeira medida, o contacto com o governo português para solicitar a cooperação com o órgão770. Zenon Rossides, que teria uma actuação em parte semelhante à de Salamanca, pediria facilidades para uma visita às colónias. Sem ter obtido a colaboração portuguesa, o Comité decidiria de forma unânime que as petições e
Territórios Não Autónomos, Comité dos 7 – Comissão Especial para os Territórios sob Administração Portuguesa – Resolução 1699, Informação de Serviço da Missão de Portugal na ONU, Elaborada por António Patrício e datada de 26 de Abril de 1962, p. 2
767 O representante da Bulgária reservou a posição do seu país quanto a Macau, afirmando que fazia parte
da República Popular da China e que tinha sido ocupado por Portugal. Cf. United Nations – A/5160 and Add. 1 and 2. Report of the Special Committee on Territories under Portuguese Administration. Nova Iorque: s.n., 1962. p. 2-3
768 Cf. Idem. p. 27-28
769 Cf. AHD, Fundo Gabinete dos Negócios Políticos do Ministério do Ultramar,
PT/AHD/MU/GM/GNP/RRI/0700/00573, Proc. GG-7-7, Organização das Nações Unidas – Comité dos Territórios Não Autónomos, Comité dos 7 – Comissão Especial para os Territórios sob Administração Portuguesa – Resolução 1699, Informação de Serviço da Missão de Portugal na ONU, Elaborada por António Patrício e datada de 5 de Abril de 1962, p. 1-2
770 A 13 de Março, o Comité enviou uma carta a Franco Nogueira em que chamava a atenção para a
eventualidade de serem pedidas facilidades para uma visita às colónias portuguesas. Deixando em aberto a possibilidade de conceder a sua colaboração, o governo português entendeu porém condicionar a resposta definitiva ao esclarecimento de algumas questões. Na sua carta de 23 de Março, Franco Nogueira pediu para ser informado se o Comité pretenderia basear o seu trabalho na resolução 1542 (XV), que mencionava Goa e São João Baptista de Ajudá, e que lhe fosse transmitida a indicação das provisões e regras que autorizavam a decisão de ouvir peticionários e a pretensão de visitar os territórios portugueses. Sem prejuízo das questões de princípio e das reservas expressas, o governo português afirmou determinar a sua posição quando fosse notificado da visita do Comité a Goa e das suas conclusões quanto à forma como a resolução 1514 (XV) estava a ser aplicada no território. Com dúvidas quanto à sinceridade da proposta portuguesa, Rossides, em carta datada de 19 de Abril, transmitiu o entendimento do Comité de que qualquer aceitação por Portugal da possibilidade da visita a um dos territórios deveria ser estendida às restantes colónias, que detinham o mesmo estatuto constitucional que Goa no momento da adopção da resolução 1542 (XV). Cf. United Nations – A/5160 and Add. 1 and 2. Report of the Special Committee on Territories… p. 3-4
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as audições de peticionários seriam a sua mais importante fonte de informação771. Disponibilizando-se a ouvir todos os peticionários sem restrições, o Comité iniciaria (entre 9-17 de Abril) as primeiras audições em Nova Iorque772. Para adaptar às circunstâncias do momento a prática consagrada nas NU, novos procedimentos seriam adoptados em matéria de audições, designadamente a aceitação do princípio do sigilo do nome dos peticionários773. Eduardo Mondlane, professor universitário e antigo funcionário do Departamento de Tutela das NU, para não duplicar a informação disponível sobre as condições de vida nas colónias portuguesas, centrar-se-ia principalmente no problema da mão-de-obra em Moçambique e na política educativa do governo português774. Estudante angolano que vivia no estrangeiro, Soma Valente, que afirmaria que a situação em Angola estava em constante deterioração, forneceria informações sobre o quotidiano das populações que considerava que eram deliberadamente mantidas numa total ignorância775. De forma anónima, um peticionário – que sabemos ser Elíseo Figueiredo, estudante angolano em Nova Jérsia – abordaria as condições económicas e sociais em Angola, dando detalhes sobre a luta pela independência e as aspirações das populações776. George Houser, do ACOA, falaria das
771 Para se dar a conhecer aos que eventualmente pretendiam ser ouvidos, o Comité aprovou uma
declaração sobre as suas actividades e objectivos, que teve uma ampla distribuição por todos os meios de imprensa através do Gabinete de Informação Pública das NU. Cf. Idem. p. 5
772 Autorizado a fazer um depoimento, Henrique Galvão, a quem no ano anterior os EUA tinham recusado
o visto para se deslocar às NU, não conseguiria comparecer no Comité antes da conclusão dos trabalhos. A aceitação da audição foi considerada por Portugal como uma nítida intromissão na política interna portuguesa e uma manifesta contradição com a intenção de recolher informações actualizadas, uma vez que Galvão não se deslocava às colónias há cerca de 20 anos. Cf. AHD, Fundo Gabinete dos Negócios Políticos do Ministério do Ultramar, PT/AHD/MU/GM/GNP/RRI/0700/00573, Proc. GG-7-7, Organização das Nações Unidas – Comité dos Territórios Não Autónomos, Comité dos 7 – Comissão Especial para os Territórios sob Administração Portuguesa – Resolução 1699, Informação de Serviço da Missão de Portugal na ONU, Elaborada por António Patrício, datada de 5 de Abril de 1962, p. 2-3
773 Até então ao que tudo indica era prática fazer-se a identificação completa dos peticionários. Cf. AHD,
Fundo Gabinete dos Negócios Políticos do Ministério do Ultramar, Cf. PT/AHD/MU/GM/GNP/RRI/0700/00573, Proc. GG-7-7, Organização das Nações Unidas – Comité dos Territórios Não Autónomos, Comité dos 7 – Comissão Especial para os Territórios sob Administração Portuguesa – Resolução 1699. Informação de Serviço da Missão de Portugal na ONU, Elaborada por António Patrício e datada de 26 de Abril de 1962, p. 4
774 Cf. United Nations – A/AC.108/SR.8, 21 May 1962. Special Committee on Territories under
Portuguese Administration Established under General Assembly Resolution 1699 (XVI). Summary Record of the Eighth Meeting Held at Headquarters, New York, on Monday, 9 April 1962, at 10.55 a.m. S.l.: s.n., s.d. p. 4
775 Cf. United Nations – A/AC.108/SR.12, 15 May 1962. Special Committee on Territories under
Portuguese Administration Established under General Assembly Resolution 1699 (XVI). Summary Record of the Twelfth Meeting Held at Headquarters, New York, on Wednesday, 11 April 1962, at 3.35 p.m. S.l.: s.n., s.d. p. 3
776 Cf. United Nations – A/AC.108/SR.14, 15 May 1962. Special Committee on Territories under
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suas experiências no Norte do território, por onde tinha viajado, concluindo que a guerra continuava e que existiam áreas que tinham deixado de estar sob controlo das autoridades portuguesas777.
Na sua sustância, as declarações dos peticionários seriam avaliadas como tendo confirmado a utilidade de uma deslocação a África, a países onde houvessem refugiados e representantes de agrupamentos políticos, para a obtenção de informações, consideradas de particular importância, sobre os acontecimentos posteriores a 1960. Por unanimidade, o Comité decidiria visitar o Tanganica, Congo (Leopoldville), Gana, Guiné, Senegal, Marrocos, Nigéria e República Árabe Unida778. Como em alguns desses países, designadamente nos dois últimos, não existiam peticionários, o critério que parece ter determinado a escolha foi a existência de fronteiras com as colónias portuguesas e de uma posição militante na contestação da política colonial do governo português779. Não seriam contemplados o Congo (Brazzaville), que não daria resposta favorável à visita, e os territórios administrados pelo Reino Unido, que informaria, que, dada a sua posição sobre a audição de peticionários, não poderia prestar qualquer assistência ao órgão780. Sem a participação de Rossides – substituído nas funções de Presidente por Achkar Marof – o Comité, o que não estava de todo previsto na resolução 1699 (XV), visitaria os países pela ordem mencionada, realizando 30 reuniões, 27 das quais dedicadas a audições de peticionários781.
Os membros do Subcomité tentariam (de 8 de Maio-15 de Junho) sobretudo determinar o efeito produzido pelas reformas introduzidas por Portugal e quais as
Record of the Fourteenth Meeting Held at Headquarters, New York, on Tuesday, 17 April 1962, at 11 a.m. S.l.: s.n., s.d. p. 3
777 Cf. United Nations – A/AC.108/SR.15, 15 May 1962. Special Committee on Territories under
Portuguese Administration Established under General Assembly Resolution 1699 (XVI). Summary Record of the Fifteenth Meeting Held at Headquarters, New York, on Tuesday, 17 April 1962, at 3.25 p.m. S.l.: s.n., s.d. p. 4
778 Em Dakar, o governo senegalês, mantendo uma atitude reservada que contrastava com a militância
assumida nas NU, não consentiu quaisquer contactos públicos com o Comité. Como explicado pelo governador da Guiné, António Augusto Peixoto Correia, ao que parece teriam havido “boas intervenções para que assim sucedesse”. Possivelmente algum país Ocidental teria exercido pressões sobre o governo senegalês, o que resultou numa repercussão muito contida da passagem do Comité por Dakar, sem que a rádio e a imprensa local tivessem dado grande atenção ao acontecimento. Cf. AHD, Fundo Gabinete dos Negócios Políticos do Ministério do Ultramar, PT/AHD/MU/GM/GNP/RRI/0700/00572, Organização das Nações Unidas – Comité dos Territórios Não Autónomos, Comité dos 7 – Comité Especial para os Territórios sob Administração Portuguesa – Resolução 1699, Carta do Governador da Guiné, António Augusto Peixoto Correia, para o Ministro do Ultramar, datada de 11 de Julho de 1962, p. 9
779 Cf. AHD, Fundo POI, Mç. 141, Proc. XH-Geral, Ano 1962, Vol. III, Comité dos Sete, Missão
Permanente de Portugal junto das NU, Informação de Serviço sobre o Comité dos Sete, Elaborada por António Patrício e datado de 5 de Abril de 1962, p. 4
780 Cf. United Nations – A/5160 and Add. 1 and 2. Report of the Special Committee on Territories… p. 6 781 Vide no anexo XV fotografias das sessões realizadas pelo Comité no Congo (Leopoldville).
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medidas que estariam a ser implementadas para a satisfação das aspirações das populações782. Existiriam as mesmas dificuldades sentidas pelo Subcomité de Angola quanto aos critérios de selecção dos peticionários, reconhecendo-se a posteriori a necessidade de determinar a validade dos testemunhos antes de ser concedida a audição783. De forma indiscriminada, seriam ouvidos representantes de organizações políticas, sindicais, feministas e estudantis, grupos de refugiados, desertores do exército português, individualidades e membros de movimentos de outros países que tinham afinidades com a luta nas colónias portuguesas784. O Comité entenderia aceitar que os peticionários entregassem relatórios e declarações, alguns bastante volumosos, que serviriam de apoio às suas intervenções. Numa atitude que se pretenderia de neutralidade e objectividade seriam exigidas provas das afirmações produzidas pelos peticionários, o que não impediria que Portugal considerasse o processo de inquirição como “sinistramente unilateral”785. Ainda que alguns membros do Comité, como a Guiné, não tivessem escondido a simpatia em relação aos peticionários, os países latino- americanos, com as questões sobre o impacto que as organizações políticas tinham nas colónias e as características que distinguiam os inúmeros movimentos, teriam um comportamento que se poderá considerar ambivalente ou inclusivamente pró- português786.
As organizações entrevistadas pelo Comité colocariam uma particular ênfase nas condições de vida, revelando a falta de oportunidades educativas, o sistema de trabalhos forçados, a inexistência de direitos políticos, o carácter arbitrário da justiça ou a prática
782 Cf. United Nations – A/5160 and Add. 1 and 2. Report of the Special Committee on Territories… p. 5 783 Em Dar es Salam, onde se analisaram as condições em Moçambique, o governo do Tanganica, dando
uma especial atenção à visita, publicou na imprensa um anúncio convocando os possíveis interessados em prestar declarações. Elementos do partido no poder, o Tanganyika African National Union (TANU), ajudaram na preparação dos depoimentos, organizando reuniões especiais onde os peticionários ensaiaram as suas intervenções. Cf. AHD, Fundo Gabinete dos Negócios Políticos do Ministério do Ultramar, PT/AHD/MU/GM/GNP/RRI/0700/00572, Organização das Nações Unidas – Comité dos Territórios Não Autónomos, Comité dos 7 – Comité Especial para os Territórios sob Administração Portuguesa – Resolução 1699, Relatório Elaborado pelo Consulado Geral de Portugal em Salisbúria, datado de [Ant. 29 de Agosto de 1962], p. 1
784 Vide no anexo IX a lista dos peticionários ouvidos pelo Comité Especial para os Territórios sob
Administração Portuguesa.
785 Cf. AHD, Fundo Gabinete dos Negócios Políticos do Ministério do Ultramar,
PT/AHD/MU/GM/GNP/RRI/0700/00572, Organização das Nações Unidas – Comité dos Territórios Não Autónomos, Comité dos 7 – Comité Especial para os Territórios sob Administração Portuguesa – Resolução 1699, Relatório Elaborado pelo Consulado Geral de Portugal em Salisbúria, datado de [Ant. 29 de Agosto de 1962], p. 2
786 Cf. AHD, Fundo POI, Mç. 144, Proc. XH-Geral, Ano 1962, Vol. IV, Missão Permanente de Portugal
junto das NU – Informação de Serviço sobre a Viagem a África do Comité dos Sete, datada de 18 de Julho de 1962, p. 6
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de castigos corporais787. Tornando-se num tema recorrente das audições, sendo mencionada pela quase generalidade dos peticionários como um procedimento corrente nas colónias portuguesas, as referências ao trabalho forçado traduziriam antes de mais a vontade de aproveitamento do processo de debate internacional em curso, resultante da queixa apresentada pelo Gana contra Portugal na Organização Internacional do Trabalho (OIT) por violação da convenção (de 1957) sobre a questão788. Os peticionários reclamariam de forma unânime a independência, contestando o estatuto político, jurídico, administrativo e constitucional dos territórios789. Denunciando-se o reforço das tropas portuguesas, entendido como destinado a perpetuar o regime colonial pela força, seria transmitido ao Comité Especial a ideia de que o desencadear da luta armada nas restantes colónias estaria eminente790. Num universo diverso de peticionários, ficaria demonstrada a falta de unidade e as profundas divisões que afectavam os dirigentes dos movimentos de libertação791. Reconhecendo-se a necessidade de harmonizar as diversas tendências, alguns peticionários, designadamente os angolanos, seriam, em geral, mais extremistas.
À semelhança do ocorrido com as inquirições do Subcomité de Angola, as audições não seriam alheias a interferências portuguesas792. Para tornar mais evidente as divergências entre as organizações nacionalistas, que reclamariam sem excepção ter representatividade entre as populações, o MDIA e o NGWIZAKO voltariam a ser
787 Cf. United Nations – A/AC.108/SR.40. Special Committee of Territories under Portuguese
Administration established under General Assembly Resolution 1699 (XVI). Summary Records of the Fortieth Meeting Held at the Arden Hall, Accra, on Friday, 1 June 1962. S.l.: s.n., s.d. p. 3
788 Sobre a queixa do Gana vide MONTEIRO, José Pedro – Ob. Cit.
789 Cf. United Nations – A/AC.108/SR.44. Special Committee of Territories under Portuguese
Administration Established under General Assembly Resolution 1699 (XVI). Summary Records of the Forth-Fourth Meeting Held at the National Assembly Hall, Conakry, on Tuesday, 5 June 1962. S.l.: s.n., s.d. p. 3
790 Cf. United Nations – A/AC.108/SR.23. Special Committee of Territories under Portuguese
Administration Established under General Assembly Resolution 1699 (XVI). Summary Records of the Twenty-Third Meeting Held in the Parliament Building, Dar es Salaam, on Monday, 14 May 1962. S.l.: s.n., s.d. p. 3
791 Sobre as disputas entre os agrupamentos políticos das colónias portuguesas, designadamente os
guineenses vide a título de exemplo SOUSA, Julião Soares – Ob. Cit. p. 253-254
792 Certamente com a intenção de desestabilizar o Comité, numa mensagem encaminhada ao gabinete da
ONUC aquando das sessões no Congo (Leopoldville), o Encarregado de Negócios Português, Siqueira Freire, indicou que uma pequena delegação poderia visitar Angola, com a condição de que os representantes da Guiné e da Bulgária não estivessem presentes, uma vez que já tinham provado ter ideias preconcebidas. Ainda que tivesse considerado a proposta como inaceitável e um insulto, o Comité informou que ficaria a espera de um convite oficial, por escrito, antes de tomar uma decisão. Tendo o Encarregado de Negócios prometido remeter o documento após consultar o governo, o convite escrito para a visita a Angola nunca foi enviado. Cf. United Nations – A/5160 and Add. 1 and 2. Report of the Special Committee on Territories…p. 4-5
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instruídos a apresentar depoimentos favoráveis a Portugal, demonstrando hostilidade à UPA, que entretanto tinha constituído o Governo Revolucionário Angolano no Exílio (GRAE)793. Algumas declarações pró-Portugal, ao que sabemos, seriam do conhecimento do Cônsul português em Dakar, Luiz Gonzaga Ferreira, que mantinha contactos com alguns nacionalistas, sobre os quais afirmaria estar a exercer “muita catequização” e que teriam prometido desempenhar no Comité dos Sete “funções de travão moderador senão conciliador”794. Os contactos mais estreitos seriam mantidos com Barry Mamadou, estudante de Direito na Universidade de Dakar e Secretário-Geral da União Popular para a Libertação da Guiné Portuguesa (UPLG), e com a Frente Nacional para a Libertação da Guiné (FNLG), liderada por Diallo Ibraim (ou possivelmente Ibraima Djaló, o “Corona”), descrito como um “orador fogoso, trabalhador duro, o tipo ideal para defender um ponto de vista”795. Mesmo tendo tido afirmações menos felizes, indicando que somente os civilizados podiam beneficiar da assistência de um advogado em casos de justiça, ambos os agrupamentos não deixariam de demonstrar admiração pela acção portuguesa, concedendo o seu apoio à política seguida na Guiné e manifestando o desejo de que tivesse continuidade796.
Petições escritas, entregues por organizações nacionalistas e por entidades solidárias com a luta nas colónias portuguesas, completariam o processo de inquirição797. Estando bem documentada, a interferência portuguesa na redacção de
793 Cf. AHD, Fundo Gabinete dos Negócios Políticos do Ministério do Ultramar,
PT/AHD/MU/GM/GNP/RRI/0700/00572, Organização das Nações Unidas – Comité dos Territórios Não Autónomos, Comité dos 7 – Comité Especial para os Territórios sob Administração Portuguesa – Resolução 1699, Apontamento do Gabinete dos Negócios Políticos do Ministério do Ultramar, elaborado