Aprender Com A Vida De José
3. Um Exemplo Pessoal
Deus tinha que me ensinar algumas liçõe valiosas, sendo eu "encarcerado". Quando comecei como jovem pregador do Evangelho, iniciando novas igrejas, outros líderes de igreja fizeram muitas falsas acusações contra mim. Eu não havia feito nada errado, mas, por causa de certos sacrifícios que eu estava fazendo, servindo ao Senhor, os outros ficaram com suspeitas e ciúmes.
a. Censurado. Descobri que seria censurado por irmãos contra os quais eu não havia feito nenhum mal. Eu estava sendo traído por irmãos em quem eu confiava. Enquanto jejuava e orava, o Senhor me deu as seguintes e preciosas promessas:
"Olharei com compaixão para o homem que tem um coração humilde e contrito, que treme diante da Minha palavra...
''Ouvi as palavras de Deus, todos vós que temeis e tremeis diante da Suas palavras: Os vossos irmãos vos odeiam e vos expulsam por serdes leais ao Meu nome.
Glória a Deus', zombam eles. Alegrai-vos no Senhor!' Mas Ele aparecerá para alegria vossa, e eles se envergonharão " (Is 66:2,5 — A Bíblia Viva).
Com este versículo, convenci-me de duas coisas. Uma: O que quer que acontecesse, eu deveria manter uma atitude humilde e não retribuir com ira e arrogância. Duas: Eu tinha certeza que receberia o "pé esquerdo da comunhão" (seria censurado pelos líderes de igreja).
Um dia o Senhor me deu direções tão específicas e sobrenaturais que fiquei pasmo. Foi uma afirmação clara e precisa sobre toda a situação — eu sabia exatamente o que iria acontecer e o que eu deveria fazer. Nesta ocasião, a mensagem de Deus veio para mim de 3 João.
Este Livro conta a história de um homem chamado Diótrefes, que é descrito com as seguintes palavras: 'Ele não somente se recusa a receber os viajantes missionários, mas também diz para os outros não o fazerem e, quando o fazem, ele tenta expulsá-los da igreja'' (Vs. 10 — A Bíblia Viva).
Com o coração muito triste, sentei-me e escrevi aos meus inimigos. Expliquei que Jesus disse: "Amai os vossos inimigos." Assegurei-lhes do meu amor e o motivo pelo qual não me restava nenhuma outra escolha, a não ser o pedido de demissão. Era a única maneira pela qual a situação podia ser resolvida
pacificamente. A minha demissão trouxe paz, e os mares turbulentos se acalmaram.
b. Fim De Toda Esperança. A mim, no entanto, a minha demissão me trouxe desespero e a desalentada sensação de que eu nunca seria capaz de cumprir o chamado que eu tinha em minha vida.
Durante mais de dez anos secretamente apeguei-me à idéia de que os meus irmãos me ajudariam. Sob o patrocínio deles, eu poderia ir a alguma parte ainda não evangelizada do mundo para ajudar a alcançar os perdidos para Jesus. Agora — TODA ESPERANÇA HAVIA ACABADO! Isto nunca poderia acontecer.
Eu disse à minha esposa: "Não há meios pelos quais eu jamais possa cumprir o chamadò de pregar o Evangelho em todo o mundo. Eu devo ter me enganado terrivelmente há onze anos atrás, quando comecei a obedecer aquilo que eu achava ser o chamado de Deus. Agora é impossível que isto aconteça." Sob todos os pontos de vista naturais, isto era verdade.
c. Deus Tinha Um Plano. Foi um dos dias mais sombrios da minha vida. Passariam-se ainda alguns anos antes que eu pudesse compreender totalmente que, semelhantemente a José e seus irmãos, alguns "intentaram o mal contra mim; mas Deus o tornou em bem... para salvar muitas pessoas " (Gn 50:20).
A medida em que continuei buscando o Senhor, Ele me mostrou que, ainda que eu tivesse que ser cuidadoso para nunca ' 'abusar do meu direito no Evangelho, eu estava livre de todos, para que pudesse ser servo de todos" (ICo 9:18,19).
Naquela época, eu nem mesmo sonhava que Deus tivesse um plano tão grande para a minha vida e ministério. Não tinha a menor idéia que o Senhor abriria as portas para eu treinar milhares de líderes de igreja.
1) Um "Ministéri De José". Sempre tentei reverenciar e honrar os meus irmãos que me fizeram mal, apesar do que aconteceu. Tampouco estou sugerindo que o que fiz, afastando- me, deva ser a direção que todos deveriam tomar.
Com relação a José foi profetizado o seguinte: "As bênçãos... estarão sobre a cabeça de José, sobre o alto da cabeça... daquele que foi separado dos seus irmãos" (Gn 49:26). José não foi um "irmão separado" por escolha própria, mas sim por uma providência divina. Como no meu caso, se ele tivesse uma escolha, ele teria ficado na segurança da família, sob a cobertura do patriarca — mas Deus tinha um plano diferente para José.
A palavra do Senhor com relação a José indicava que ele deveria ser "um ramo frutífero junto a uma fonte, cujos galhos se estendem por sobre o muro (Gn 49:22). Os muros nunca podem
encerrar um "Ministério de José". Os seus galhos precisam sempre se estender sobre o muro — a fim de que qualquer pessoa que esteja com necessidade de sombra, ou que esteja cansada e faminta, possa servir-se na sombra fresca do galho carregado de frutos.
Os frutos e a sombra de um "galho sobre o muro" estão disponíveis de graça — pois, não podemos cobrar os frutos que são tirados de um galho que se estende por sobre o muro."
Segundo os costumes do Antigo Testamento e de decretos levíticos, os galhos e os frutos que "se estendem por sobre o muro" são de domínio público — qualquer um pode usufruir deles gratuitamente. A França ainda observa estas leis agriculturais bíblicas, e os seus fazendeiros são abençoados por causa disto.
O brado ainda ressoa como em tempos antigos: ' 'Ouçam! Alguém está com sede? Venha e beba — até mesmo se não tiver nenhum dinheiro! Venha, escolha do vinho e do leite — tudo é grátis!" (Is 55:1 — A Bíblia Viva).
Era para este "Ministério de José" que Deus estava me preparando. Mas, naquela ocasião, eu não compreendia todas as implicações do que estava acontecendo.
O sentimento de rejeição, solidão, e isolamento era muito difícil para mim (como deve ter sido para José). Mas Deus havia me colocado nestas circunstâncias, e não havia nada que eu pudesse fazer para sair delas (a menos que eu estivesse disposto a violar a vontade de Deus). 4. Provado Pela Palavra
"Até o tempo em que a sua [de José] palavra veio, a palavra do Senhor o provou" (SI 105:19). Dez ou doze anos por trás das grades, com correntes nos pulsos e grilhões de ferro ao redor do pescoço aniquilam a vida de qualquer homem inocente.
José se encontrava numa estrutura de circunstâncias projetadas por um arquiteto divino. O fato porém de não ter plena certeza disto fez com que a sua vida parecesse indescritivelmente sem esperança. Se ao menos ele tivesse sabido com certeza, isto poderia ter tornado toleráveis as adversidades e a espera.
Tudo o que ele tinha eram os sonhos — e nada havia acontecido da maneira como indicavam os sonhos. Na verdade, tudo o que havia acontecido até agora foi contrário à revelação que ele havia recebido do Senhor.
Os sonhos não continham nenhuma insinuação de que José sofreria uma total rejeição dos seus irmãos e que seria lançado numa cova. Não havia nenhuma indicação na revelação do Senhor de que ele seria vendido como escravo, que seria falsamente acusado, e que passaria intermináveis anos na prisão.
Ele deve ter se perguntado: "Mas afinal o que está se passando? Por que tudo isto está acontecendo comigo?"
Quando o primeiro mártir, Estêvão, estava fazendo o seu discurso pouco antes de morrer, ele narrou a agonia de José.
"Deus... o livrou de toda a sua agonia" (At 7:10). Sim, ele teve uma ^agonia! Uma indescritível agonia!
Ele não havia feito nada errado em sua casa, nem na casa de Potifar. Contudo, lá estava ele, um prisioneiro e escravo, sem nenhuma esperança de jamais sair da prisão. Ele havia mantido a sua castidade e pureza moral. A sua recompensa foi a prisão perpétua, sem liberdade condicional, num fétido e quente calabouço, repleto de piolhos e infestado de sanguessugas.
A maioria de nós jamais chegará perto no sentido de conhecer a angústia que José deve ter sentido durante aqueles anos solitários e isolados. Ele viveu, comendo a gororoba da prisão e provavelmente não tinha nada, a não ser a suja água do Rio Nilo para matar a sua sede. Ele foi uma vítima dos tratamentos e das preparações de Deus.
Ele, semelhantemente a muitos de vocês, foi escolhido por Deus para a liderança, e esta foi a sua escola de treinamento. Antes que Deus terminasse a sua obra com José, ele se formaria na escola do fogo de Deus. C. EMPOSSADO
Creio que para mim a coisa mais incrível com relação a José, era o seu poder de recuperação — a sua incrível capacidade de manter um relacionamento com Deus nestas circunstâncias. O fato de que ele não teve nenhuma amargura, ódio, ou ira é um forte indicador de que ele foi sustentado por um maravilhoso milagre da graça (capacitação) de Deus. 1. Mordomia Fiel
Cerca de dez anos depois que José foi aprisionado, dois dos prisioneiros tiveram sonhos. José teve interpretações instantâneas para ambos. Mesmo naquela prisão infernal, após tantos anos assim, o dom de Deus ainda estava operando na vida de José. Que espantoso!
Foi esta singular e fiel mordomia dos dons de Deus que, em última análise, o levaria à sua promoção e exaltação.
José contou ao copeiro-mor a interpretação do seu sonho. O copeiro-mor seria restaurado à sua posição de privilégio no palácio de Faraó. Ele foi restaurado, provando assim a validade do dom profético de José.
José suplicou que o copeiro falasse com Faraó e buscasse uma atenuação na sua condenação como prisioneiro. O ingrato copeiro, no entanto, esqueceu-se imediatamente de José. Enquanto isso, o infeliz padeiro foi executado como José havia lhe dito ao interpretar o seu sonho.
Dois anos se passaram. Certo dia, então, espalhou-se por todo o palácio a notícia de que Faraó havia tido vários sonhos que o incomodaram muito.
Ninguém pôde interpretá-los satisfatoriamente, na opinião de Faraó, e o copeiro então subitamente lembrou-se de José. Talvez ele pudesse interpretar os sonhos de Faraó. Como resultado da requisição de Faraó por uma audiência, José foi banhado, barbeado, vestido apropriadamente, e lançado na presença de Faraó.
Ao ouvir os sonhos, José deu imediatamente a interpretação. Significavam sete anos de uma abundante colheita, seguidos por sete anos de seca e fome.
José também deu a Faraó um plano de ação com quatorze anos de duração, que minimizaria o impacto da calamidade vindoura.
2. Promoção
O Faraó ficou tão impressionado com José que o colocou na segunda posição de comando de todo o Egito. Somente o próprio Faraó teria uma autoridade maior.
"Então Faraó colocou o seu próprio anel de sinete no dedo de José como sinal da sua autoridade, vestiu-o com lindas vestimentas, colocou o colar de ouro real no seu pescoço, e declarou: 'Eis que te coloquei como encarregado de toda a terra do Egito''' (Gn 41:41,42 — A Bíblia Viva).
Finalmente aconteceu! José foi "empossado" no trono do Egito. O seu longo casamento com a dor, solidão, confinamento, correntes, e grilhões havia se acabado. O seu dia havia chegado — o dia em que a promessa de Deus estava finalmente começando a se cumprir.!