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Um Grande Laydown

No documento Phil Gordon - O Livro Verde do Pôquer (páginas 125-128)

Para ganhar no Holdem sem limite, preciso ser capaz de fazer um grande laydown (jogada difícil, na qual é preciso desistir com uma mão boa, pois se sabe estar diante de uma mão ainda melhor).

Há muitas situações nas quais tenho uma grande mão e o pote tem muitas fichas, mas uma análise cuidadosa sugere que a minha boa mão pode não ser a melhor. Ser capaz de evitar essas armadilhas é vital para o meu sucesso. Por mais difícil que seja, simplesmente tenho que ser capaz de desistir.

Quando penso em fazer um grande laydown, vários fatores me ocorrem:

O meu adversário está jogando de acordo com o que eu espero dele? Em caso afirmativo, prefiro fazer um grande laydown. Se negativo, prefiro seguir adiante e pagar.

Estou realmente comprometido com o pote? Se as chances para pagar estão a meu favor (pot odds), e ainda há cartas que serão viradas, tenho que pagar, ou estarei cometendo um erro. Laydowns quando as pot odds mandam pagar não são grandes laydowns – são grandes erros.

Os meus adversários respeitam o meu jogo? Se respeitarem, prefiro desistir e fazer um grande laydown. Se não respeitarem, estou mais inclinado a pagar.

Recentemente fui forçado a sair de boas mãos? Se afirmativo, prefiro pagar. Não posso ser o pateta da mesa. Se negativo, prefiro desistir.

Meu oponente pode bancar um erro, nesta situação? Se afirmativo, prefiro pagar. Se negativo, prefiro desistir.

O maior laydown que fiz na vida aconteceu no WSOP de 2001. Estávamos reduzidos a treze jogadores em duas mesas. Eu era o líder em fichas na minha mesa, com quase 650 mil fichas, cerca de 200 mil a mais do que a média em fichas do torneio. O segundo maior stack efetivo – mais ou menos 620 mil fichas – pertencia a Phil Hellmuth Jr. O jogo ficou muito tenso, porque estavam tentando economizar para o dia seguinte, na grande final que seria televisionada pela Discovery Channel. Não víamos um flop há uma hora.

Com os blinds 3.000/6.000 e antes de 1.000, Mike Matusow – um dos melhores e mais perigosos jogadores do mundo – abriu na primeira posição uma aposta de 20.000. Os dois jogadores seguintes, antes de mim desistiram. Peguei as minhas cartas e imediatamente comecei a tremer: K-K. Sim, eu estava tremendo, tenho certeza disso. Fazendo o máximo para recuperar a calma, aumentei para 100.000 a aposta. Eu não queria, necessariamente, ver o flop, mas imaginei estar comprometido com a mesa se Mike repicasse movendo All-In com os seus cerca de 300.000 restantes.

Mas Mike não teve a oportunidade. A ação chegou ao small blind, onde Phil Hellmuth Jr. Levou menos do que quinze segundos para colocar a sua pilha inteira no centro da mesa. Mike fazia caretas ao desistir, mostrando o que parecia ser QQ para a multidão. Agora era comigo. “Meu Deus”, lembrando meu pensamento: “Phil tem Ases na mão!”.

Mas, eu poderia realmente fazer um laydown com Reis a essa altura do torneio? Tentei me acalmar e me dediquei, por alguns instantes a examinar as evidências:

Meu adversário estava jogando de acordo com o que eu sabia sobre ele? Sim. Se Phil realmente tivesse A-A, ele não faria extravagâncias. Já havia 150 mil no pote e ele estava fora de posição. O movimento de All-In certamente mostrava ser a jogada correta de quem segura AA nesta situação.

Realmente estou comprometido com o pote? Não.. Se eu desistir, ainda terei 550 mil fichas, um stack efetivo acima da média.

Será que meu adversário respeita meu jogo? Na verdade não. Phil Helmuth Jr. Não respeita o jogo de ninguém, apenas o seu próprio. Isto posto, ele teria que respeitar meu aumento, uma vez que nas três últimas mãos eu tinha mostrado AA duas vezes e uma vez AK naipado.

Recentemente fui forçado a sair de boas mãos? Não. Já fazia um bom tempo que não entrava em disputas.

Meu oponente pode bancar um erro, nesta situação? Definitivamente não. Como já disse, as três últimas mãos que mostrei eram muito poderosas. Eu tinha acabado de repicar um jogador de Early Position, que já havia apostado. Phil tinha que considerar seriamente a possibilidade de eu ter A-A. Phil não arriscaria o torneio se imaginasse que eu o tivesse dominado completamente.

As evidências pareciam sustentar meu instinto inicial: Phil tinha que ter A-A. Joguei meus Reis no lixo.

Outro jogador teria ficado contente em me cozinhar lentamente pela minha dicisão, mas não Phil Hellmuth Jr. Ele orgulhosamente virou seus Ases. “O que você tinha, Gordon”, ele provocou desdenhosamente. “Ás e Dama?”.

“Não”, eu respondi, “Apenas Reis”. Não podendo acreditar que eu tinha sido capaz de fazer um laydown com KK, Phil me desafiou. Eu puxei os Reis do lixo e os exibi para a multidão ululante. Foi um daqueles momentos decisivos que o destino lhe proporciona de vez em quando – não somente eu havia feito o melhor laydown da minha vida, mas

havia conquistado o respeito de toda a sala. Acabei por terminar o torneio em quarto lugar, uma colocação acima de Phil Hellmuth Jr.

Enterre-os

“Olhei nos seus olhos, apertei suas mãos, bati nas suas costas e lhes desejei sorte, mas eu estava pensando, ‘eu vou enterrá-los’.

- Steve Ballesteros, Mestre Campeão.

Faço o possível para ser uma pessoa amigável na mesa de pôquer. Agradável, cortês, afável.

Mas por favor, não confunda a minha boa natureza com compaixão pelo meu semelhante. Quando as cartas começam a voar, meu único objetivo é detonar cada um dos meus adversários.

Nunca serei generoso com alguém, nem mesmo com um amigo, e não respeitarei um amigo que jogar gentilmente contra mim. Não importam quais sejam as relações no mundo exterior, elas serão esquecidas na mesa. Sem lealdade, sem amizade, sem misericórdia. É cada homem e cada mulher por si.

Por falar em relacionamentos, alguns homens, atrapalhados por uma atração física ou por uma discriminação sexual inconsciente, parecem jogar mais suavemente contra as mulheres. Eu não. Jogo de maneira igualmente dura contra ambos os sexos. Que ganhe o melhor.

No documento Phil Gordon - O Livro Verde do Pôquer (páginas 125-128)

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