FIG 7 — Bases de dados do Projecto SIDCarta: exemplo de como o registo de autoridade permitiu a atribuição de data a um documento
1. NORMAS PARA A SELECÇÃO, APRESENTAÇÃO E TROCA DE INFORMAÇÃO
1.2. Um modelo de uniformização de conteúdos: GARR
1.2. Um modelo de uniformização de conteúdos: GARR
Publicadas pela primeira vez, em 1984, com o título Guidelines for authority records and reference entries (GARE), as GARR surgiriam na sua segunda edição em 2001 com nova denominação: Guidelines for authority records and references. Nesta nova versão, relembra‐se a Conferência Intergovernamental da UNESCO (1974), da qual resultou um programa de controlo bibliográfico universal, em que foi atribuída às agências bibliográficas nacionais a responsabilidade de definir as formas de nome autorizadas para os autores (pessoa ou instituição dos respectivos países). Mas, conforme se verificou no relatório do grupo de trabalho da IFLA responsável pela definição do nível mínimo dos registos de autoridade (Group on Minimal Level Authority Records and the ISADN, 1998), reconhece‐se que é inútil, face ao desenvolvimento tecnológico, continuar a insistir que o controlo bibliográfico universal tenha por objectivo que todas as bibliotecas usem a mesma forma de nome para um determinado autor. Os responsáveis pela última edição destas linhas orientadoras pretenderam que elas contemplassem todos os tipos de autores e de documentos, desde os de conteúdo religioso, passando pela composição e interpretação musical e pelas séries e recursos electrónicos. Mais uma vez se constata, não só pelo que é dito na mas também pelos exemplos que constam no seu apêndice A (p. 35‐46), que as menções de responsabilidade próprias dos recursos cartográficos não foram contempladas neste esforço de actualização e abrangência.
Ao fornecer especificações para as entradas de autoridade e de referência, a serem usadas e partilhadas em formato legível por computador, as GARR só contemplam a estrutura das entradas autorizadas (elementos a incluir, ordem dos elementos e sistema de pontuação), cabendo às agências bibliográficas nacionais a definição da forma (observando, sempre que possível, as recomendações que IFLA vai publicando) e das regras de catalogação a aplicar. Estas orientações também não fornecem indicações quanto à determinação dos pontos de acesso, nem quanto à sua redacção, deixadas para as normas catalográficas de cada país. As GARR, estão sobretudo orientadas para a especificação normalizada dos requisitos necessários à correcta apresentação e visualização dos registos de autoridade.
Três tipos de entradas, previstas nestas normas, podem estar associadas a um documento: entrada de autoridade, entrada de referência e entrada explicativa geral. Dado que o objectivo deste trabalho se centra nos registos de autoridade, só interessa aqui reter o primeiro tipo enunciado. Assim, este documento normativo define a
entrada de autoridade como um termo que tanto pode referir‐se ao registo completo como apenas à forma de nome autorizada, que constitui o seu elemento principal. Esse registo contém, não só esta última, estabelecida pela agência para ser utilizada em todas as descrições bibliográficas, como também notas informativas com a justificação da escolha da entrada autorizada e a relação entre ela e todas as referências associadas (entradas paralelas, pistas para entradas variantes e relacionadas, notas do catalogador sobre as fontes de informação do cabeçalho).
Aos diferentes tipos de entradas — de nome de pessoa, de nome de colectividade (instituições e congressos), de título, de assunto e de nome geográfico — correspondem formas autorizadas, não autorizadas e relacionadas. Dado que apenas interessa reter as que se relacionam com nomes de pessoas e instituições, referentes aos recursos cartográficos, apresenta‐se, no quadro VI, a estrutura definida pelas GARR para os registos de autoridade, com as suas zonas e elementos, assim como as especificações de cada um destes. A análise que se fará em seguida visa, essencialmente, fornecer uma visão geral quanto à forma de apresentação da informação, nomeadamente no que respeita àquela que é necessária para preenchimento dos elementos obrigatórios e eventualmente de outros considerados fundamentais. Esta estrutura será aplicada aos recursos cartográficos, no capítulo IV, usando o formato UNIMARC autoridades, mais com o objectivo de avaliar o conteúdo e a sua forma de apresentação do que o formato do registo.
À semelhança das ISBD (Regras Internacionais para a Descrição Bibliográfica), as GARR organizam em zonas a informação que compõe um registo de autoridade. A primeira zona corresponde à entrada autorizada de nome (ou encabeçamento, como a designam ainda alguns documentalistas, apesar da alteração da terminologia trazida pela nova Declaração de princípios internacionais de catalogação, (IFLA, 2009), estabelecida pela biblioteca ou centro de documentação que cria o registo, e que assim passa a identificar o autor no seu catálogo bibliográfico
É importante ressalvar que a forma de nome autorizada resulta, na maioria dos casos, da atribuição de pontos de acesso ao registo bibliográfico, não sendo geralmente definida aquando da sua criação. É certo que a evolução tecnológica veio potenciar a simultaneidade das tarefas: alguns programas de tratamento documental mais recentes, que já estabelecem a ligação entre bases bibliográficas e de autoridade, permitem que o técnico, ao criar um ponto de acesso, seja questionado pelo sistema acerca da sua intenção de verificar se o registo de autoridade correspondente já existe ou se será necessário criá‐lo.
QUADRO VI — Directrizes para os registos de autoridade (nome de pessoa e instituição), segundo as GARR. Na redacção do registo, a forma, a pontuação e a capitalização devem respeitar as convenções
estabelecidas pela agência de catalogação responsável. R: repetível
Zona e pontuação Elementos Especificação dos Elementos
PESSO
A
Subelementos do nome:
- Apelido (incluindo prefixos e nomes compostos) - Nome próprio
- Patronímico (nome que designa uma filiação) - Epíteto
- Nome dinástico Qualificadores:
- Título nobiliárquico, distinções, forma de tratamento, etc. - Data de nascimento, morte, etc.
- Outros qualificadores Entrada autorizada (estabelecida pela agência de catalogação) INSTITU IÇÃ O Subelementos do nome: - Nome da Instituição - Nome da instituição de tutela - Nome da Instituição subordinada Qualificadores: - Nome geográfico - Data - Tipo de instituição - Outros qualificadores Entrada autorizada
= Entradas paralelas ou relacionadas R Nome alternativo (em particular, para países com mais de uma língua oficial)
Notas informativas
(públicas)
- Explicações sobre a relação entre a entrada autorizada e as pistas - Informação útil à identificação do autor
- História da instituição (alterações na designação, fusão com outras, mudanças de tutela, etc.)
Referências
<Ver> < Pistas R
Variantes do nome, direccionando o utilizador para a entrada autorizada, que incluem: - Iniciais
- Acrónimos - Forma completa - Forma invertida - Forma noutras línguas - Variantes na escrita
- Variantes na transliteração, etc.
(À pista pode seguir-se uma palavra ou frase, como por exemplo [acrónimo], explicitando a relação entre a entrada autorizada e a pista e entre esta e o tipo de referência; sempre que apropriado, as pistas devem estar por ordem alfabética)
Referências <<Ver também>>
<
< Pistas R
Variantes do nome, direccionando o utilizador para a entrada autorizada, que incluem: - Designações antigas e recentes das instituições
- Nomes oficiais de pessoas e instituições - Pseudónimos usados como entradas autorizadas
(À pista pode seguir-se uma palavra ou frase, como por exemplo [acrónimo], explicitando a relação entre a entrada autorizada e a pista e entre esta e o tipo de referência; sempre que apropriado, as pistas devem estar por ordem alfabética)
Notas do catalogador
(uso técnico)
R
Contém informação útil ao catalogador, para utilização e revisão das entradas autorizadas e para estabelecer entradas relacionadas, nomeadamente:
- Fontes de informação consultadas - Regras específicas aplicadas
- Notas que limitam a utilização da entrada autorizada ou que diferenciam pessoas ou instituições com nomes idênticos
- Justificação para a escolha da forma deentrada autorizada
Agência bibliográfica
- Sob forma reconhecida internacionalmente
- Em caso de revisão, deve constar a designação da agência bibliográfica que a realizou - A referência à instituição que criou o registo pode ser dada na zona de notas do catalogador
; Regras de
catalogação R Sob forma reconhecida internacionalmente
Fontes dos dados
, Data - Data de criação da entrada - Data da última revisão antecedida da abreviatura “rev.” ou equivalente (caso exista)
ISADN