1. INTRODUÇÃO
2.5. Um pouco do objeto de estudo – a praia de Jericoacoara 47
O vilarejo de Jericoacoara é situado no litoral oeste do estado do Ceará, a cerca de 310 quilômetros de distância da capital do estado, localizada entre os rios Acaraú e Coreaú, e serviu em décadas passadas de ancoradouro para embarcações provenientes de Estados vizinhos. O vilarejo possui uma paisagem diversificada, composta por dunas, lagoas, falésias, serrotes, caatinga, praias, manguezais, coqueiros, rios e enseadas (FONTELES, 2004).
De acordo com o autor, no ano de 1984, Jericoacoara foi reconhecida como Área de Proteção Ambiental (APA), mediante decreto federal de número 90.379. Em fevereiro de 2002, um Decreto redefiniu os limites da Área de Proteção Ambiental, onde o Parque Nacional de Jericoacoara foi estabelecido, com uma área de 8.416,08 hectares.
O vilarejo de Jericoacoara pertence, então, aos dois grupos que compõe uma Unidade de Conservação (UC), conforme quadro 6. A APA e o Parque Nacional de Jericoacoara exige reflexão acerca da vila e acerca do parque, atentando para o desenvolvimento sustentável (MEIRELES et al, 2006). A UC pode ser definida como:
“O espaço territoriais e seus recursos ambientais, incluindo as áreas jurisdicionais com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção” (Lei 9.985, citada por IBAMA, 2005).
Grupo Motivo Objetivo ecossistemas, deixando-os livre de modificações por interferência humana, permitindo-se apenas o uso indireto de seus recursos naturais.
Compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de seus recursos naturais, garantindo a perenidade dos recursos naturais renováveis e dos processos ecológicos.
QUADRO 6 - Jericoacoara como Unidade de Conservação (UC) FONTE: elaborada pela autora com base nos dados do IBAMA (2005).
A partir da década de 80, Jericoacoara começou a sofrer um processo de turistificação acelerado, gerando um aumento da população e, consequentemente, trazendo agravamento dos problemas sócio-ambientais (MEIRELES et al, 2006).
Jericoacoara possui um dos ecossistemas mais ricos do Estado, com 23 quilômetros de praias encravadas entre serras, dunas, mangues e coqueiros, tendo apresentado alterações ambientais provavelmente resultantes da ocupação desordenada da atividade turística (IBAMA, 2005).
Vale ressaltar, todavia, que foi a partir do advento do turismo que a população passou a se fixar na comunidade, acreditando que poderiam desenvolver
atividades relacionadas ao turismo e ter melhores condições de vida. O turismo é então a fonte de renda básica da região (FONTELES, 2004).
Trazendo um pouco da história, Jericoacoara era, antes do turismo, uma
“comunidade marítima, com laços fortes e marcantes com o mar e voltados à obtenção de alimento para garantir a sobrevivência” (MEIRELES et al, 2006, p. 15).
Em 1987 equipes de países como Japão, França e Itália consideraram o lugar como um santuário ecológico. Uma reportagem exibida pelo programa Fantástico, da rede Globo, levou milhares de pessoas ao vilarejo que não tinha infraestrutura suficiente para recebê-las (IBAMA, 2005).
Jericoacoara recebeu destaque de revistas de turismo como uma das praias mais bonitas do Brasil, cuja beleza, exotismo, natureza e hospitalidade davam um tom natural e bucólico ao lugar. Atualmente o vilarejo possui um fluxo turístico próprio distribuído ao longo de todo o ano, tendo períodos de alta estação e períodos com movimento específico de turistas europeus (IBAMA, 2005). O vilarejo é apontado como um dos 65 destinos indutores de desenvolvimento do turismo no Brasil, recebendo notoriedade no planejamento de turismo feito para dar ao lugar padrões de qualidade internacional (MINISTÉRIO DO TURISMO, 2009).
3. MODELO TEÓRICO PROPOSTO
O termo modelo é usado em pesquisa em administração e em outros campos de negócio para representar fenômenos por meio do uso da analogia [...] O modelo é diferente da teoria porque o papel da teoria é a explicação, enquanto o papel do modelo é a representação (COOPER;
SCHINDLER, 2011).
Neste capítulo o modelo conceitual proposto para a presente pesquisa é apresentado. De acordo com Hair et al (2010), os modelos servem para representar de maneira concisa as relações que se pretendem analisar. Cooper e Schindler (2011) colocam que observações empíricas sobre fatos pesquisados e relações possíveis entre variáveis podem originar um modelo. Desta forma, com base na literatura pesquisada, o seguinte modelo conceitual é proposto, conforme figura 7.
FIGURA 7 - Modelo conceitual proposto Fonte: Elaborado pela autora.
De acordo com literaturas já apresentadas, a imagem é colocada como relevante para as estratégias de place marketing. Não obstante, Rainisto (2003), em seu modelo, aponta a imagem do lugar como um fator-chave para o sucesso nas estratégias de place marketing, juntamente com o desenvolvimento local, além de outros fatores, tais como: grupo de planejamento, visão e análises estratégicas,
identidade do lugar, parcerias públicas e privadas, liderança, além da unidade política, mercado global e coincidências de processos.
Desta forma, considerando as induções e sugestões de trabalhos futuros feitas por estudiosos do tema place marketing e já mencionadas no capítulo anterior, bem como a afirmação colocada por Rainisto (2003) para a relevância da imagem como o coração de práticas de place marketing, além de Kotler, Haider e Rein (1993) também apontarem a imagem como um fator de marketing a ser considerado, as variáveis desenvolvimento sustentável, atributos da imagem e imagem global foram consideradas para uma análise de possível relacionamento entre si, com base na percepção de turistas e moradores.
A imagem do lugar apresenta dois construtos distintos: atributos da imagem e imagem global. Tal definição foi estabelecida ao se considerar que a imagem é formada por diversos fatores e que, de acordo com Boulding (1956) as informações que o indivíduo recebe sobre o lugar podem ou não adicionar conteúdo à imagem existente, agregando ou não valor a essa imagem. Com base nesse dado, os atributos da imagem foram considerados para esse trabalho e sua relação com a imagem global, que seria a avaliação do lugar num aspecto geral, foi estabelecida para ser verificada nesta pesquisa.
Da mesma forma, o desenvolvimento sustentável também foi incluído no modelo. A importância da preocupação com a sustentabilidade no pensamento de longo-prazo deu origem a diversos estudos sobre o tema (BUHALIS, 2000, METAXAS, 2007, BAKER; CAMERON, 2008) e, por meio de tais apontamentos a pesquisa se propôs a estudar se há, de fato, uma relação entre o desenvolvimento sustentável de um lugar e a imagem percebida por turistas e moradores quanto aos atributos da imagem e a avaliação global desta.
Por fim, os estudos de Choi e Sirakaya (2006) serviram de base para o estabelecimento de indicadores capazes de mensurar o desenvolvimento sustentável, enquanto que o estudo de Beerli e Martín (2004) foram base para os indicadores capazes de mensurar os atributos da imagem. Para a imagem global, apenas um único indicador de avaliação da imagem foi definido.
Assim, a pesquisa esperou demonstrar, de fato, se o desenvolvimento sustentável, além de ser importante numa perspectiva de longo prazo como estudos anteriores apontam, se relaciona de forma relevante com a imagem do lugar na perspectiva do turista e do morador.