A escola hoje atende cerca de 545 alunos, sendo de Educação Infantil ao Ensino Fundamental, dos quais cerca de 278 são do transporte escolar originários das seguintes localidades: Rio do Salto, Rio dos Bugres, Colônia Olsen, Colônia Miranda, Patrimônio do Salto Rio Preto (Boa Vista), Barro Preto e Estância Velha, os demais alunos residem no bairro Jardim Hantschel e bairros vizinhos.
Uma informação importante que poucos sabem sobre a EMEB Pref°. Henrique Liebl, é que antes mesmo da escola se tornar nucleada, ela foi endereço da Secretaria Municipal da Educação.
A escola conta com um grande número de crianças de renda média baixa, mas isso não afeta na qualidade de vida que a escola oferece aos seus alunos, pois conta com variadas atividades recreativas desenvolvidas em seu interior, a escola possui amplo espaço ao ar livre para as crianças, onde contêm mesas de xadrez, parquinho além de um espaço voltado especialmente para o cultivo de algumas hortaliças e flores.
34
Sendo a única escola nucleada do município, conta com grande número de estudantes do campo, a unidade escolar tenta realizar suas atividades normalmente sem que haja a exclusão desses alunos, mas como vários dos estudantes dependem do transporte escolar muitas vezes ficam limitados ao desenvolver atividades diferentes, como na semana da criança, no dia do estudante, em épocas de festinhas na escola, anualmente é feita uma festa fantasia onde ocorre um concurso entre a melhor fantasia, visitações, passeios.
Enfim toda e qualquer atividade que é desenvolvida precisa ser pensada para ser realizada apenas no horário de aula, para que o maior número de estudantes possa e consiga participar. Há pouco tempo em 2017, a Secretaria de Educação desenvolveu um programa direcionado para as aulas de ‘práticas alternativas’ sendo atividades realizadas nos contra turnos, onde muitos dos alunos que moram em localidades que o transporte escolar passa em um único turno, esses alunos muitos, se não todos, deixam de participar por conta do transporte, que por sua vez não é oferecido.
Os alunos desta unidade escolar mesmo que muitos sejam de localidades rurais, se tratam todos com igualdade sem fazer distinção ou excluir pelo fato de morar longe, entre os estudantes pouco se fala se é do bairro ou não, até porque grande parte dos alunos vem de localidades e isso não afeta no dia a dia deles. Se tratando dos professores, equipe administrativa da escola e demais funcionários, é visível um trabalho em equipe e todos com um mesmo propósito, sendo o bem-estar dos alunos e uma educação com qualidade.
A escola mesmo possuindo grande parte de seus alunos provenientes de localidades rurais, não possui uma educação voltada para os estudantes do campo. Com o fechamento das escolas no campo, que eram próximas das casas dos estudantes, aos poucos foram sendo direcionados para a escola que foi escolhida para ser a escola nucleada. Muitas vezes com o intuito de propiciar uma educação de qualidade, com mais recursos disponíveis para oferecer aos estudantes, talvez uma escola maior e localizada na área urbana do município consiga trazer ao estudante alguns benefícios que no campo não seria possível, como por exemplo, estar abrindo os seus horizontes, mostrando que existem infinitas de oportunidades, e atividades, que nem tudo é como no campo, porém para tudo se tem um lado bom. Mas uma coisa é certa, o aluno acaba tendo uma perda muito grande, todo o conhecimento que ele poderia obter no campo e com um ensino direcionado para ele e suas vivências, seriam ensinamentos que envolveriam o saber cientifico junto com o senso comum mostrando ao aluno que o que ele sabe e já aprendeu fora da escola não está errado, basta ele saber assimilar e compreender junto com os conceitos passados.
35
Realizada com a justificativa de democratizar o ensino, ampliando a oferta de Educação Básica, a nucleação escolar teve resultados ambíguos. Ao mesmo tempo que possibilita o acesso dos sujeitos do campo à escolarização formal de nível fundamental e médio, utilizando de modelos urbano-centrados que, em certa medida desqualificam a vida no espaço rural e as escolas multisseriadas. Também, ao fechar escolas do campo, suprime o espaço de referência cultural, e agregador da comunidade, precarizando as relações dos sujeitos do campo nas suas comunidades. (HANFF et al., 2014, p. 49).
A intenção era ampliar a oferta da educação básica com a nucleação, no entanto, assim como ampliou distanciou os sujeitos do campo de suas culturas e raízes, é notável que assim como tinha um propósito de melhorar, acabou trazendo situações que antes não existiam no campo e acabou virando transtorno para as famílias de localidades rurais, pois seus hábitos e costumes acabaram se perdendo, e havendo modificações que levaram a adaptações nos hábitos familiares.
4.4 SUJEITOS DO CAMPO
Com a intensão de dar um direcionamento ao trabalho voltado para os sujeitos do campo, por se tratar de uma escola nucleada onde não existe um ensino voltado para os estudantes do campo. Aonde a nucleação vem com a intenção de auxiliar as pessoas que residem no campo levando-as até uma educação de qualidade, perdeu-se as relações em sala com as vivências e experiências obtidas no dia-a-dia. Obtendo uma educação padrão e sem muita interdisciplinaridade, distanciando assim as pessoas do campo e levando-as a uma vida mais urbanizada.
Se tratando de uma escola nucleada, mas que não possui nenhum tipo de educação voltada para o saber tradicional dos alunos, algo que deveria ser levado em consideração, pois em uma de nossas entrevistas a orientadora da escola nos falou que um fato que lhe chamou bastante atenção é que vários alunos já falaram para ela que desejam ser engenheiro agrônomo, mas dizem não saber por onde começar e muito menos que caminho seguir. Os alunos dizem não querer sair do campo que é onde moram e por isso o interesse pela profissão, alunos que obtém gosto pelo local onde residem, mas que na escola não se é relacionado nada com as suas situações particulares. A falta da existência de uma interdisciplinaridade e é notável.
36
Além do mais, com frequência, valorizamos o pensamento indutivo após uma demonstração matemática. Alunos flagram-se, não raro, testando, mediante recurso a situações particulares, aquilo que acabaram de demonstrar ou de ver demonstrado, e esse procedimento (indutivo) parece fortalecer as suas certezas matemáticas. Daí, em nosso entendimento, também haver a possibilidade de aperfeiçoarem-se habilidades matemáticas por meio do auxílio ensejado pela modelagem matemática. (LEVY, 2016, p.12).
É como um saber popular, que a modelagem matemática está apresentada. Abordando como o saber do campo dialoga com o saber científico, e que essa relação com as duas situações pode enriquecer ainda mais o aprendizado do estudante.
O fato dos estudantes que utilizam do transporte saírem de suas casas muito cedo (no período da manhã) isso faz com que eles já cheguem à escola com fome, mas no horário da chegada não é fornecido nenhum tipo de alimento para as crianças, embora já solicitado, mas nunca sido atendido, a escola fornece alimentação/merenda apenas no horário do recreio que acontece às 09h45min. Foi relatado que alguns dos alunos por morarem muito distantes até mesmo do local onde o ônibus passa para busca-los, precisam sair às 05h00min horas da manhã de casa para que consiga chegar no tempo correto ao ponto. Querendo ou não, isso são coisas que afetam no desempenho escolar da criança.
A nucleação como um todo vem com o propósito de fazer com que haja interação entre alunos de localidades rurais (estudantes do campo) com alunos da área urbana (da cidade). Não sendo o melhor a ser feito, mas como a escola já é nucleada e se tratando de observações de como a unidade escolar faz funcionar essa interação. Assim como os estudantes de localidades se deslocam até a área urbana onde está localizada a escola, mas também onde conseguem adquirir aprendizado com os alunos do bairro ou que residem em áreas mais urbanizadas; a escola possibilita que haja o inverso, que os alunos da “cidade” se desloquem até áreas onde moram seus colegas, e lá consigam ter acesso a algumas vivências que são específicas de quem mora no campo. Esses momentos nos quais os alunos vão até as localidades ter contato com a realidade de seus colegas, é por meio de algumas atividades desenvolvidas na escola como: dia das crianças, dia do estudante, mas geralmente isso ocorre mais pro final do ano quando aproveitam para desenvolver os encerramentos das atividades com os alunos. Deste modo levando em consideração tudo e todos os aspectos envolvidos é possível observar que o fato do ensino ser voltado para o urbano exclui a maioria dos estudantes que são do campo.
37 CONCLUSÃO
Levando-se em conta o que foi observado ao longo do trabalho, posso afirmar que nem tudo foi fácil de se encontrar para assim poder tornar objeto de estudo, usando de referência ao decorrer do presente trabalho. O documento que eu tinha como base que teria que suprir tudo o que eu estava procurando saber sobre a EMEB Pref. Henrique Liebl, era o PPP da escola, no entanto, lá não constava quase nada sobre o que eu estava à procura, tinha o básico, mas para desenvolver um trabalho de conclusão de curso (TCC) o básico não seria o suficiente. Foi aí que o meu contato com a unidade escolar e com os funcionários da mesma, me auxiliou, pois, a partir de diálogos e entrevista por escrita, consegui ter contato com uma história especifica, contendo tudo o que eu estava procurando.
Com o presente trabalho além de apresentar a história da nucleação no município de Rio Negrinho no Planalto Norte de Santa Catarina. A fim de apresentar a Educação do Campo como direito do sujeito, tendo assim, contato com as duas perspectivas, Educação do Campo e nucleação.
O trabalho em questão teve como proposito esclarecer questões sobre a nucleação, com o intuito de ampliar os conhecimentos voltados ao assunto. Permitindo que se pudesse ter um maior contato com o próprio município e sua história, afinal foi a partir da criação da EMEB Prefº. Henrique Liebl que a nucleação se iniciou no município.
Meu objetivo inicial era saber mais sobre o processo de nucleação em meu município. Consegui diversas informações, sem dúvidas o estudo valeu a pena, em uma das entrevistas fica clara a questão de priorizarem a nucleação e assim considerarem as escolas rurais e mais afastadas um gasto desnecessário, esse ponto de vista ficou claro também durante os diálogos com os funcionários, não os julgo, afinal é o que eles vivenciam e tem como melhor para os estudantes, nem todos possuem contato direto com os moradores das localidades, e/ ou com as escolas que lá existiam, para poder ter contato com uma perspectiva diferente da que estão habituados.
No meu ponto de vista posso dizer que por estar envolvida com a escola núcleo, e por estar em formação na Educação do Campo, acho que as escolas locais deveriam ser mantidas em localidades muito distantes, a fim de evitar o desgaste dos estudantes com o longo período em transporte até chegar à unidade escolar. E assim nas comunidades mais próximas, onde os próprios moradores julgassem necessário a desativação da escola, os alunos ali existentes seriam remanejados até a escola núcleo, sem serem forçados a tal
38
decisão, e que apesar de tudo isso, fosse também criado um destino ao prédio da escola, que utilizasse a construção para o bem da comunidade, com o propósito de viabilizar a comunidade e proporcionar melhorias, não apenas sendo mais uma construção sem uso no meio rural.
Concluísse assim que toda forma de educação é validade, desde que para isso seja pensada a partir do estudante, priorizando seu bem-estar e sua educação o que, no entanto, não ocorre por completo na escola núcleo estudada, pois se fosse pensada a partir do estudante seriam priorizadas as escolas no campo, envolvendo as vivencias e valorizando as raízes e tradições locais. Deixado os interesses políticos de lado, com a intensão de uma educação de qualidade valorizando os sujeitos como um todo, e, portanto, usando todos os recursos e meios que estão disponíveis em busca de dias melhores na educação.
39 REFERÊNCIAS
BOF, Alvana Maria (Org). A Educação no Brasil Rural. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2006. 236 p.
HANFF, Beatriz Bittencourt Collere et al. Processo de Nucleação Escolar: uma estratégia para a democratização do ensino? In D’AGOSTINI, Adriana (Org). Experiências e reflexões sobre escolas/ classes multisseriadas. Florianópolis: Insular, 2014. 296 p.
JOUTARD, Philippe. Desafios à história oral do século XXI. In: FERREIRA, Marieta de Moraes; FERNANDES, Tânia Maria; ALBERTI, Verena. (Org.). História Oral: desafios para o século XXI – Rio de Janeiro: Editora Fiocruz/Casa de Oswaldo Cruz/ CPDOC – Fundação Getúlio Vargas, 2000. p. 33.
LEVY, Lênio Fernandes; ALEXANDRIA Revista de Educação em Ciência e Tecnologia, v.9, n.2, p.287-301, novembro 2016, p.12.
MIRANDA, Josinalda Neusa de Souza. Política de Nucleação das Escolas do Campo: Um estudo sobre a constituição da educação do campo e sua relação com o processo de nucleação. 2014. 64 f. Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Fundamentos da Educação: Práticas Pedagógicas Interdisciplinares – Universidade Estadual da Paraíba em parceria com a Secretaria de Estado da Educação de Paraíba, Monteiro, 2014.
MUNARIN, Antonio; SCHMIDT, Wilson. Educação do Campo e as Políticas Públicas: Subsídios ao Dirigente Municipal de Educação: 1. ed. Florianópolis: UFSC/CED/NUP, 2014.
40
APÊNDICE A – Questionário
No presente trabalho foi elaborada uma entrevista com três pessoas ligadas com a unidade escolar EMEB Pref. Henrique Liebl, a seguir estará o texto base que foi elaborado para nortear os entrevistados a fim de que eles elaborassem um texto que respondesse as questões presentes, atingindo assim o objetivo esperado pela entrevista.
“Olá, meu nome é Gabriele Stiegler e estou cursando o curso de Licenciatura em Educação do Campo – Ciências da Natureza e Matemática na UFSC. Como estou em meu último semestre do curso estou em fase de construção do meu TCC, como todos sabem devemos neste momento escolher um tema e nos dedicar a ele com pesquisas a fim de aprofundar e conhecer melhor o tema escolhido, deste modo meu tema escolhido foi a Nucleação Escolar com foco na EMEB Pref. Henrique Liebl. Gostaria de estar pedindo sua ajuda pessoalmente afinal já nos conhecemos e seria um prazer revê-los, no entanto, a falta de tempo nos limita nos dias de hoje. Enfim vou falar agora no que penso que poderia me auxiliar e muito o seu relato.
O que eu pensaria neste relato: Um pouco de como era no início quando a escola foi aberta, como foi receber alunos que estavam acostumados com uma realidade bem diferente por serem estudantes de localidades. Se você se recorda quais foram às primeiras localidades a deixarem de receber os alunos nas “escolinhas” locais para direcioná-los até o Henrique Liebl. Há pouco tempo alunos do Adélia que foi desativado vieram a fazer parte dos estudantes da unidade também, qual foi sua opinião em relação a tal acontecimento, se foi visível alguma dificuldade de adaptação por parte dos estudantes. E se puder em seu relato abordar a questão da nucleação dos alunos e do relacionamento deles com os alunos do bairro. Se sinta a vontade para abordar questões que se fazem importante ao seu ver, não se limite ao número de linhas será um prazer ler seu relato.
Desde já agradeço o seu tempo e dedicação, obrigada por estar me auxiliando nesta fase.”
41
APÊNDICE B – Questionário 1
Questionário 1, se refere a colocações de uma das professoras da unidade escolar, atuante com turmas do Ensino Fundamental 1, a mesma já foi diretora da escola, e começou a trabalhar na EMEB Pref. Henrique Liebl desde que ela começou a funcionar.
“Bem trabalho nesta escola desde que ela começou a funcionar. No início, 1995, só tínhamos 99 alunos do JARDIM até a 4ª série. A inauguração da escola foi em 24 de abril de 1995. A primeira Diretora foi Eliane Dalabona Treml, depois Sérgio Schelbauer, Josiane Liebl, Claudia Schoeffel, Clotilde (não recordo sobrenome), Andréia Veiga, Janete Rosane Hacke, Iza Terezinha Stoeberl Beckert , Jorge André Pscheidt (que me substituiu na licença maternidade), Lilian (não recordo sobrenome), Maurício Antônio de Oliveira e o atual diretor Diogo Reollon.
De 1995 até 1997 tínhamos apenas alunos do bairro, lembro-me que fazíamos “romaria” nas casas para tentar conseguir mais alunos, pois viviam falando que a escola poderia fechar devido ter tão poucos alunos.
Em 1998 (NÃO TENHO BEM CERTEZA) começaram a vir os alunos do turno MATUTINO de uma escolinha da localidade de Colônia Miranda, eram poucos alunos da 3ª e 4ª série (a professora deles vinha junto) e a tarde ficava nesta escolinha com os alunos menores.
Foi aí que tudo começou no que diz respeito à NUCLEAÇÃO...
No ano seguinte, 2000, fecharam todas as escolas do interior e um tanto passou a vir para cá de ônibus escolar, a escola ainda não tinha sido ampliada para receber estes alunos, então a solução foi fazer 3 TURNOS, dando preferência para os alunos do BAIRRO de estudarem no turno intermediário (Somente neste ano eu não trabalhei nesta escola, estava no LUCINDA M. PSCHEIDT) mas meu filho estudou sempre aqui, então acompanhei todo o processo como MÃE.
A outra escola da Rede Municipal que também recebia um tanto de alunos da NUCLEAÇÃO era a Escola Selma T. Graboski.
Porém logo resolveram trazer todos os alunos para o Henrique Liebl e concentrar tudo aqui. Nossa escola também foi endereço da Secretaria Municipal de Educação, que ocupou 2 salas durante um certo período até ficar pronta a sua sede na RUA DA PAZ que
42
sobe para o cemitério. Isso ocorreu antes da Nucleação vir para a nossa escola (1996 ou 1997) ?? NÃO TENHO MUITA CERTEZA.
Em abril do ano 2.000 a escola foi AMPLIADA (inauguraram) a primeira ampliação – (PRÉDIO CINZA).
Em março do ano de 2.003 foi necessária nova ampliação, pois as quantidades de alunos vinham aumentando (Prédio Amarelo = inaugurado em 03/2003).
No ano de 2005 recebemos o Ginásio de Esportes para melhor atender aos alunos nas aulas de Ed. Física.
Nos anos em que fui Diretora (2009 à 2012) desta escola chegamos a ter 702 alunos, hoje temos +/- 580 alunos.
Em 2018 passamos a receber os alunos (nível a 5° ano) da escola Adélia que foi desativada.
Penso que todo este processo fez muito bem para a nossa escola e também para os alunos do interior e os do bairro que tiveram um bom entrosamento (isso veio a somar para ambos que puderam conhecer a realidade um do outro).
Mas... a dificuldade que sinto que nos atrapalha bastante é o TRANSPORTE ESCOLAR (nem sempre conseguimos realizar o que queremos com todos por causa da FALTA DE TRANSPORTE). ”
43 APÊNDICE C- Questionário 2
O Questionário 2 é referente a resposta da professora de matemática e ciências das turmas de Ensino Fundamental 2, por se tratar de uma professora que está em contato direto com muitos alunos de localidades, e por atuar na unidade ha tempos.
“Sou professora desta escola desde 2001, quando fiz o concurso pela Prefeitura, com a carga horária de 20 horas. Em 2006 pedi remoção da EMEB Prof. Ricardo Hoffmann e passei a lecionar 40h. Nossa escola é nucleada, atende alunos do bairro e alunos provenientes das Localidades do interior: Rio Preto, Barro Preto, Colônia Olsen, Colônia Miranda, Estância e Patrimônio do Salto.
As crianças das localidades do interior eram atendidas em pequenas escolas, onde a professora tinha múltiplas funções: era merendeira, auxiliar de serviços gerais, diretora e professora. As turmas eram multiseriadas, alunos com diferentes idades e níveis educacionais. Nossa escola passo a ser “escola polo” e as pequenas escolas aos poucos foram sendo desativadas a contra gosto da comunidade em muitos lugares. Os alunos que até então só poderiam fazer até o 5° ano (4ª série), agora na escola polo, poderiam concluir o ensino fundamental e mais tarde frequentar a escola de Ensino Médio e concluir o 2° grau. Trabalhar com os alunos do interior é muito bom. A princípio sentíamos diferenças bem significativas em relação ao comportamento dos alunos vindos do interior. Eles eram mais educados e demonstravam muito mais interesse que os alunos do bairro. Tudo sempre era novidade. Com