• Nenhum resultado encontrado

4.1.2 UMA EXPERIÊNCIA MULTIDISCIPLINAR DE CAMPO

O objeto estudado no workshop foi um edifício construído e modificado utilizando-se o mesmo processo construtivo, a alvenaria de pedras, cujos indícios das transformações residiam principalmente nas diferenças materiais e texturais. Diante disso, propunha-se representar, descrever e organizar os dados referentes às diferenças materiais encontradas mediante o exercício de observação das fachadas e elevações internas.

126

FIGURA 72ABase gráfica para a definição das “UEs”. Figura 65a Prancha com a elevação frontal, na qual eram desenhadas as “UEs”. FIGURA 72B Ortofoto da elevação frontal. Fonte: Material de campo workshop Diadrasis, 2013.

A representação dos dados tinha como referência a categorização dos “indícios materiais” em “Unidades Estratigráficas” e “Interface”.

O objetivo da equipe era expor um método desconhecido a grande parte dos participantes do workshop. Por isso, adotou-se uma metodologia tradicional em “AA”, com um nível de complexidade palpável a todos. Consequentemente, a didática expositiva não levou para discussão os necessários direcionamentos dos princípios estratigráficos para a Arquitetura, que vem sendo recentemente discutidos neste campo disciplinar e que trouxemos a conhecer ao longo desta pesquisa de Mestrado. Para a sistematização e agilidade do processo de levantamento das “unidades”, utilizaram-se fichas segundo o modelo desenvolvido pelo arquéologo Luis Caballero Zoreda.

Os elementos e interfaces diferenciados são analizados utilizando-se fichas onde são descritos, as ações decorridas desde sua criação e as relações que possuem com os demais elementos. As fichas podem ser de elementos e interfaces e também de estruturas, ou seja, de unidades históricas.

(ZOREDA, 1995, p. 42)

As fichas, recorrentes no registro de dados em escavações arqueológicas, tem como objetivo a identificação, por meio de números, e a descrição de características físicas do edifício. A organização das informações foi predominantemente textual, separando-se os campos para “descrição” e “interpretação”. No caso de “UEs”, descreviam-se materiais, dimensões, tipos de corte, técnicas construtivas, argamassas, juntas e formas. Já as “interfaces” eram caracterizadas por seus aspectos formais, dimensionais e de orientação (vertical, horizontal ou diagonal).

Cada ficha deveria corresponder a um elemento estratigráfico (“Unidades Estratigráfica” ou “Interface”). Entretanto, na prática, o mesmo elemento acaba sendo encontrado em várias fichas, identificado por números diferentes (ZOREDA, 1995). A situação inversa, na qual elementos distintos foram identificados com números iguais, também é comum. No caso do lagar de azeite, muitas “UEs” mapeadas, na verdade, não tinham diferenças entre si. Isso ocorreu porque alguns indícios materiais não tinham relação com transformações decorridas, mas sim com evidências do próprio sistema construtivo, bastante heterogêneo.

FIGURA 73A Os participantes do workshop mapeando e descrevendo as unidades em fichas de campo. FIGURA 73B Desenho da elevação frontal com todas as “unidades estratigráficas” e “interfaces” mapeadas. Foto: Laura Tapini, 2013. Desenho: Material de campo Diadrasis, 2013.

Representadas graficamente e descritas em fichas, iniciou-se a checagem de dados das unidades coletadas para que pudessem ser listadas as atividades construtivas. Essa etapa tinha como propósito a simplificação e periodização de todas as “UEs” identificadas, visando à montagem da Matriz de Harris.

O agrupamento de todas as atividades construtivas resultou em oito “fases construtivas”, representadas por meio de diferenciações cromáticas sobre o desenho das fachadas e elevações internas, produzidas em AutoCad 2010:

FASE 1: Edifício original

FASE 2: Abertura das janelas laterais

FASE 3: Construção do anexo e abertura da porta frontal

FASE 4: Parede divisória (entre o bloco principal e o anexo)

FASE 5: Desmoronamento

FASE 6:Reconstrução

FASE 7: Novas janelas e maquinário grego

FASE 8: Maquinário movido a petróleo

A seguir, ilustram-se as pranchas com os mapas cromáticos das superfícies verticais analisadas desenvolvidos pelos participantes do workshop. Ainda que necessários ao levantamento prévio dos elementos estratigráficos, os mapas cromáticos apresentam um baixo grau de informação histórica por se limitarem à instância bidimensional, desarticulada da análise minuciosa dos espaços em planta. Assim, reforçaram-se os limites da análise estratigráfica à diferenciação textural dentre as unidades. Justamente por isso, houve um descolamento das características murárias em relação à organização dos espaços internos, uma vez que a “planta” foi o último dos itens gráficos produzidos. Inclusive sobre ela apontaremos algumas questões como possíveis revisões para aprimoramento do trabalho.

128

FIGURA 74 Prancha da Elevação A. Cada uma das fachadas e paredes internas foi documentada a partir de uma legenda cromática que se referia a cada uma das fases construtivas que constituem a cronologia do lagar. Os números indicados nas quadrículas equivalem às “Unidades Estratigráficas” e “Interfaces” mapeadas durante o levantamento preliminar. Após avaliações in situ, concluiu-se que muitas dessas unidades eram equivalentes e as diferenças presentes em seus aspectos materiais estavam relacionadas à heterogeneidade da técnica construtiva e não a períodos distintos. Fonte: Workshop Diadrasis, 2013.

1 2 3 4 5 Figura 53 Elevação A. Inicialmente, foram mapeadas várias “UEs” e “interfaces” que, após a checagem de dados, concluiu-se tratarem de apenas uma, relativa ao edifício original. Fonte: Workshop Diadrasis, 2013 1 2 3 4 5 6 7 8

FIGURA 75

Elevação B. De acordo com a descrição das atividades construtivas, essa parte do edifício foi considerada um anexo posterior ao corpo original. Fonte: Workshop Diadrasis, 2013.

FIGURA 76

Elevação C. Fonte: Workshop Diadrasis, 2013.

FIGURA 77

Elevação D. Fonte: Workshop Diadrasis, 2013.

130

FIGURA 78 (acima)

Elevação E. Fonte: Workshop Diadrasis, 2013.

FIGURA 79 (acima)

Elevação F. Fonte: Workshop Diadrasis, 2013.

FIGURA 80 (ao lado)

Elevação interna G. Fonte: Workshop Diadrasis, 2013.

FIGURA 83

Elevação J. Fonte: Workshop Diadrasis, 2013. FIGURA 82

Elevação I. Fonte: Workshop Diadrasis, 2013. FIGURA 81

132

4.1.3